Investimentos pré ou pós-fixados? Saiba o que tudo isso significa

por Mariana Congo

Investimentos pré, pós-fixados? Qual é a diferença entre eles? Como a rentabilidade é calculada em cada caso?

As aplicações prefixadas e pós-fixadas são características dos investimentos em renda fixa.

Como o próprio nome dá a dica, na renda fixa o investidor tem uma previsibilidade de qual será seu rendimento, pois as regras para calcular os retornos já são estabelecidas desde o início. Daí, quando olhamos mais detalhadamente sobre quais seriam essas regras, entramos nas características das aplicações prefixadas e pós-fixadas

Neste texto, vamos explicar a diferença entre prefixado e pós-fixado e o que levar em conta na hora de formar sua carteira!

Primeiramente, por que renda fixa?

A renda fixa é para todo mundo!

Investidores iniciantes, que estão saindo da poupança, encontram na renda fixa os primeiros passos no mundo dos investimentos.

E investidores mais experientes, independentemente do perfil de risco, também aplicam em renda fixa para manter suas reservas de emergência de curto prazo (em CDBs, fundos DI ou Tesouro Selic). E mesmo para investimentos de médio e longo prazo, a renda fixa pode ser interessante por causa dos títulos privados (como LCI, LCA), Tesouro IPCA e fundos de renda fixa - só para citar alguns exemplos.

Títulos de renda fixa são aqueles que possuem regras definidas de remuneração (exatamente por isso, possuem menor risco do que a renda variável, como ações, ouro, câmbio etc.). Os exemplos mais comuns de renda fixa são os títulos públicos do Tesouro Direto (emitidos pelo governo para se financiar), e títulos privados, como CDB, LCI e LCA (emitidos por instituições financeiras, com a mesma finalidade).

Vale lembrar que muitos desses papéis possuem grau de segurança equivalente à poupança — caso do CDB, da LCI e da LCA, que são protegidos pelo mesmo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) da caderneta, garantindo ressarcimento de até R$ 250 mil ao investidor em caso de falência do banco.

O que são: prefixados, pós-fixados e indexados à inflação?

Títulos prefixados

Os investimentos pré (prefixados) são aqueles cuja rentabilidade já é conhecida na data da aplicação. Por exemplo, você investe em um CDB e já sabe que ele renderá 10% ao ano. A rentabilidade prefixada pode ser estabelecida de duas formas:

  • quando a taxa de retorno é definida previamente (ex.: 10% ao ano);
  • quando o valor final do investimento é definido previamente (ex.: investir R$ 900 hoje para receber R$ 1 mil ao final de 1 ano.

Você encontra títulos do Tesouro Prefixado nesse formato de remuneração, bem como CDBs e LCIs/LCAs.

Na imagem abaixo, você vê um exemplo real do Tesouro Prefixado​. Como mostra a tabela, o título chamado Tesouro Prefixado 2020 terá uma taxa de rendimento anual de 9,33% - essa regra não mudará daqui até 2020. O mesmo acontece com os outros títulos.

Investimentos pré ou pós-fixados? Saiba o que tudo isso significa

Títulos pós-fixados

Já os investimentos pós-fixados, ao contrário do que muitos pensam, são mais conservadores e defensivos do que o modelo anterior, pois as aplicações vão se adaptando às condições do mercado. Por isso, diferentemente dos investimentos pré, no pós-fixado não é possível saber antecipadamente qual será rendimento exato de sua aplicação.

Os investimentos pós-fixados são atrelados a algum índice (geralmente a Selic, CDI ou IPCA). Para quem não conhece muito bem os termos:

  • Selic é a taxa referencial de juros no Brasil, definida pelo Banco Central, em reuniões periódicas;
  • CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é um título transacionado exclusivamente pelas instituições financeiras e que serve como parâmetro de comparação (benchmark) para remunerar alguns investimentos (ex.: LCI que paga 112% do CDI). Importante lembrar que o CDI geralmente está “colado” na Selic (costumam ser muito próximos ou até mesmo idênticos);
  • IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é um parâmetro da inflação no país, medido mensalmente pelo IBGE;

Exemplos de investimentos pós-fixados: CDB, LCI, LC ou LCA que remuneram a um percentual do CDI ou o título Tesouro Selic.

Abaixo, um exemplo real de LCAs disponíveis na plataforma de Easynvest. Observe as colunas "Taxa" e "Indexador", que mostram qual será a rentabilidade esperada e qual é o indicador de referência.

Investimentos pré ou pós-fixados? Saiba o que tudo isso significa

Títulos indexados à inflação

Esse 3º modelo é uma mistura entre os investimentos pré e pós-fixados. Seria o caso de um Tesouro IPCA, que paga uma taxa prefixada (exemplo: 5% ao ano) mais uma parcela pós-fixada (o IPCA do ano). Perceba que, nesse caso, há 2 remunerações implícitas (5% ao ano + a inflação do período). Compreendeu a fusão de conceitos?

Veja abaixo um exemplo tirado do próprio site do Tesouro Direto. Na coluna "Taxa de Rendimento" você sabe o que será o rendimento prefixado daquele título. A parte pós-fixada fica por conta do IPCA.

Investimentos pré ou pós-fixados? Saiba o que tudo isso significa

Como escolher um prefixado, pós ou atrelado à inflação?

No mundo dos investimentos, não dá para se falar de regras que funcionem para todas as pessoas ou em todas as situações.

Cada investimento -- e isso vale para os prefixados, pós-fixados e indexados à inflação -- serve a cada investidor dependendo da sua estratégia e dos seus objetivos. E em prol da diversificação, pode ser interessante combinar títulos com diferentes características na sua carteira de investimentos.

Ainda assim, de uma maneira geral, existem os seguintes conceitos:​

- Prefixados: Os títulos prefixados podem ser vantajosos se você acredita que haverá uma queda de juros no futuro. Assim, ao contratar um prefixado, você garante uma rentabilidade fixa até o vencimento, independentemente do que acontecer com os juros da economia. Isso também tem o lado ruim, se os juros subirem, você também não irá acompanhar a alta. Atualmente, há uma expectativa de queda da Selic, mas mesmo assim o investidor deve ficar atento, pois no preço dos prefixados hoje já está embutida essa expectativa de queda. Ou seja, o investidor só terá um ganho acima do normal se a Selic cair mais que o esperado.

- Pós-fixados: quem investe em pós-fixados está sempre alinhado com o mercado, em queda e subidas dos juros. Em um cenário de inflação e Selic em alta, é sim interessante optar por papéis pós-fixados, uma vez que eles vão acompanhar o movimento do mercado.

- Indexados à inflação: são ideais para quem quer defender seu dinheiro da inflação no longo prazo, principalmente para aposentadoria. Geralmente, se você somar a parcela prefixada do rendimento com a expectativa de inflação do mercado, a remuneração de um título indexado à inflação, como Tesouro IPCA +, será próxima à Selic. 

Como saber quando a taxa de juros vai cair ou subir?

Eis a questão. Mesmo para investidores profissionais, é realmente complicado calcular e acertar precisamente qual será o rumo do mercado financeiro.

Por esse motivo que diversificação é a palavra-chave no mundo dos investimentos. ​

Com uma carteira diversificada, você dilui os riscos e fica preparado para as incertezas do mercado.

​Em julho de 2016, por exemplo, o mercado financeiro - por meio do relatório Focus do Banco Central - esperava que a Selic terminasse 2017 em 11% ao ano. Agora, em julho de 2017, essa expectativa está em 8,25% ao ano para o fim de 2017. Quanta coisa não aconteceu nesse período! O mercado é vivo e volátil -- diversifique seus investimentos para estar preparado!

Se você se interessou por esse tema dos pré e pós-fixados, poderá gostar também do texto em que explicamos como a diversificação ajuda a investir nesse cenário de juros em queda. Leia aqui e fique à vontade para deixar seus comentários!​

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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