LCI: saiba todos os detalhes antes de começar a investir

por Mariana Congo | 29/08/2017

Investir em LCI

Quem procura boas opções de investimentos deve ficar sempre atento à rentabilidade e à segurança dos produtos em que aplica seu dinheiro. Além disso, a tributação é um aspecto bastante relevante, pois a cobrança de impostos pode atrapalhar os resultados esperados. Para quem não quer correr riscos, investir em LCI pode ser uma boa alternativa.

A Letra de Crédito Imobiliário, também conhecida como LCI, se destaca como uma ótima opção de investimento por unir todos os aspectos listados acima: rentabilidade, segurança e isenção de impostos.

Usada pelos bancos e empresas financeiras para captar recursos com o objetivo de financiar o setor imobiliário, ela se beneficia das taxas de juros historicamente altas do Brasil para entregar bons rendimentos em suas aplicações.

Além disso, esse investimento conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a mesma da caderneta de poupança, e oferece isenção de Imposto de Renda, o que otimiza os ganhos obtidos com esse título.

Ficou interessado nesse assunto? Leia nosso post e saiba tudo que precisa antes de começar a investir em LCI e como sua relação com o Imposto de Renda a torna um dos melhores investimentos disponíveis no mercado!

Letra de Crédito Imobiliário

A Letra de Crédito Imobiliário é um tipo de título privado de crédito. Ao investir em um produto desse tipo, você empresta dinheiro para um banco ou instituição financeira. Com os seus recursos, ele poderá oferecer crédito a outros clientes.

Ao contrário do que acontece com outros títulos desse tipo — como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), que permite o oferecimento de qualquer modalidade de empréstimos — a Letra de Crédito Imobiliário é voltada exclusivamente para financiar o setor imobiliário.

Isso significa que, ao investir em LCI, os recursos serão repassados exclusivamente a clientes que estiverem comprando imóveis. Em todos os casos, a instituição financeira tem o imóvel como segurança de pagamento, podendo leiloá-lo para quitar os débitos em caso de inadimplência.

Apesar de estarmos detalhando aspectos técnicos da LCI, é bom ressaltar que esse é um risco do banco, e não seu. Ao emitir uma Letra de Crédito Imobiliário, o banco se compromete a recomprá-la, pagando o valor investido mais os juros combinados na data de vencimento, haja o que houver.

Mesmo que a instituição financeira passe por dificuldades e até mesmo venha a falir, o investidor conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), instituição privada sem fins lucrativos criada para dar estabilidade para o sistema financeiro nacional.

O FGC garante o pagamento de títulos de crédito e depósitos a vista até um limite de R$ 250 mil por cliente em cada uma das instituições financeiras. É, inclusive, a mesma proteção que cobre a caderneta de poupança e a conta corrente.

Essa garantia se aplica a diversos bancos, mesmo aqueles de porte pequeno ou médio. Instituições menos conhecidas oferecem remunerações maiores para investimentos, pois têm uma necessidade maior de atrair recursos do que grandes bancos comerciais. O FGC, portanto, diminui o risco de investir em instituições financeiras como essas.

Prazos

Via de regra, as Letras de Crédito Imobiliário possuem um prazo fechado, que pode ser de meses ou até mesmo anos. Ao investir em LCI, há uma data de vencimento, que é quando o banco recomprará o papel emitido, pagando por ele o valor investido mais os juros combinados.

Investir em LCI é mais indicado para quem tem um objetivo de médio ou longo prazos (acima de 2 anos, por exemplo).​

Isso porque, são bastante raras as LCIs com liquidez diária - aquelas em que o banco se compromete a fazer o pagamento a qualquer momento, quando solicitado pelo cliente. Portanto, esse não é um investimento recomendado para quem pode precisar do dinheiro a qualquer momento ou para quem está montando uma reserva de emergência. Quem pretende guardar esse dinheiro tendo esses fins em vista deve optar por um fundo de renda fixa ou um CDB com liquidez diária, produtos nos quais o resgate é imediato.

Porém, se você já aplicou o seu dinheiro e, por qualquer eventualidade, precisa resgatá-lo, há uma solução: vender sua Letra de Crédito Imobiliário para outro investidor, no chamado mercado secundário.

É uma operação um pouco mais complexa, pois é preciso encontrar alguém interessado em comprar o título. Além disso, é uma negociação feita entre duas partes, em que não há o compromisso de garantir a rentabilidade contratada. Portanto, o preço pago pode variar um pouco. Seja como for, é uma saída eficaz para obter liquidez em situações de necessidade.

Tributação

É na tributação que reside a grande vantagem de se investir em LCI. Esse investimento é isento de cobrança de Imposto de Renda para pessoas físicas.

Isso dá à Letra de Crédito Imobiliário uma grande vantagem em comparação a CDBs, fundos de renda fixa e títulos públicos federais (negociados por meio do Tesouro Direto). Essas aplicações estão sujeitas a alíquotas que variam entre 22,5% e 15% sobre o valor do rendimento, cobrada no resgate e de acordo com o tempo pelo qual os recursos ficaram empregados. A LCI, por sua vez, não paga impostos!

Graças a esse benefício, as Letras de Crédito Imobiliário conseguem alcançar resultados líquidos melhores que esses outros investimentos, mesmo oferecendo níveis de rentabilidade menores. Detalharemos esse aspecto e como comparar diferentes produtos nos tópicos a seguir

Há cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicações caso o resgate seja feito em menos de 30 dias, como ocorre com outros investimentos.

A alíquota de IOF varia entre 96%, para resgates no primeiro dia após a aplicação, a 0%, do trigésimo dia em diante.

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Porém, como são raras as Letras de Crédito Imobiliário com prazo de vencimento menor que 90 dias, dificilmente o IOF será, de fato, cobrado.

É rentável investir em LCI? 

A Letra de Crédito Imobiliário é um título de renda fixa. Ao contrário do que o nome sugere, isso não quer dizer que o rendimento é sempre o mesmo, mas, sim, que as regras para a remuneração do investimento são conhecidas já no momento da aplicação, o que deixa tudo muito mais previsível. É diferente do que acontece, por exemplo, com as ações, cujo valor pode oscilar muito em um curto período de tempo.

Podemos dividir em três os tipos de títulos de renda fixa, de acordo com as regras de remuneração. São eles:

  • títulos pós-fixados, aqueles que acompanham as taxas de juros como o CDI vigentes durante a aplicação;
  • títulos prefixados, cuja remuneração é um percentual definido no momento da aplicação;
  • títulos atrelados à inflação, nos quais parte da remuneração depende da variação do índice de preços e parte é definida no momento da aplicação.

A seguir, falaremos um pouco mais sobre cada um deles. Acompanhe e descubra as diferenças!

Títulos pós-fixados

A LCI pode ser pós-fixada. Letras de Crédito Imobiliário pós-fixadas recebem esse nome pois sua remuneração estará diretamente atrelada às taxas de juros vigentes durante o período pelo qual o recurso ficará aplicado. Assim, só será possível descobrir quanto o investimento rendeu depois de resgatá-lo.

Esse é o tipo mais comum de remuneração para esse investimento. Geralmente, LCIs pós-fixadas estão atreladas ao CDI. Sigla para Certificado de Depósito Interfinanceiro, essa taxa de juros é definida pelos empréstimos feitos entre bancos com duração de um dia, como forma de garantir o balanço positivo e os depósitos compulsórios exigidos pelo Banco Central.

Sem entrar em mais detalhes de como ela é definida e calculada, podemos dizer que ela acompanha de perto a Selic. Também chamada de taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) a cada 45 dias, como forma de controlar a disponibilidade e o preço do crédito, visando aquecer a economia — como vem sendo feito nesse ano de 2017 — ou combater a inflação — o que aconteceu entre 2014 e 2016, último ciclo de alta da Selic.

Leia também: CDI: o que é essa taxa e como ela influencia seus investimentos?

                           O que é a taxa Selic e como ela afeta seus investimentos?

A rentabilidade de uma LCI pós-fixada é expressa na forma de uma porcentagem do CDI. Uma letra desse tipo pode pagar, por exemplo, 90% do CDI. Se o CDI estiver em 10% ao ano, por exemplo, isso significa que aquela LCI pagará 90% de 10%, isto é, 9% ao ano.

No entanto, o CDI pode variar, de acordo com a definição da Selic e as circunstâncias da economia brasileira.

A título de exemplo, imagine que você vai investir em LCI com vencimento para daqui a dois anos, que paga esses mesmos 90% do CDI. No primeiro ano, o CDI ficou em 10% ao ano. Isso quer dizer que a remuneração nesse primeiro ano foi de 9%. Porém, a inflação estava controlada e o índice de atividade econômica do país, patinando, com desemprego em alta. Por esses motivos, o Copom decidiu fazer um corte na Selic, como forma de incentivar o consumo e estimular a economia. A taxa de juros, então, caiu para 8% no segundo ano.

Isso quer dizer que a LCI de nosso exemplo teve remuneração de 7,2% (90% de 8%) nesse segundo ano.

Observe que a remuneração acompanhou as taxas de juros, a partir do momento em que elas foram ajustadas. A remuneração anterior à decisão de alterar a Selic não sofre nenhuma alteração.

Como dissemos, o rendimento de um investimento em renda fixa pode variar. Porém, essa oscilação ainda é muito menor do que o preço de uma ação. Além disso, enquanto o preço de uma ação pode despencar de um dia para outro, a rentabilidade de um título de renda fixa é sempre positiva.

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Títulos prefixados

Ao investir em LCI, esse título também pode pagar um percentual fixo, que é oferecido no momento da aplicação: 9% ao ano, por exemplo.

Nesse caso, ele não estará atrelado a reajustes das taxas de juros que venham a ocorrer entre o momento do investimento e o resgate. Mesmo que a Selic e o CDI subam ou caiam, o rendimento daquela LCI continuará sendo 9% ao ano — nem mais, nem menos.

Isso não quer dizer, no entanto, que os prefixados são totalmente descolados da Selic e do CDI. O mercado financeiro faz previsões para o futuro dessas taxas de juros, de acordo com os cenários políticos e econômicos vislumbrados para os próximos meses e anos. São essas projeções que servem de base para uma instituição financeira oferecer um determinado percentual para um investimento prefixado.

Normalmente, se a tendência é que as taxas de juros caiam, a taxa oferecida será menor que o CDI atual; da mesma forma, se a expectativa é de alta dos juros, o percentual ofertado será superior ao CDI vigente.

Para saber se um investimento prefixado é bom ou não, é preciso conhecer o que o mercado financeiro espera para os próximos ajustes das taxas de juros. Em um cenário de queda juros, como o atual, muitos investidores querem saber onde investir para obter os melhores resultados. Ao contrário dos que muitos pensam, não necessariamente os prefixados serão a melhor e única opção, pois tudo depende de como o mercado vai se comportar.

Leia também: Como investir em tempos de quedas dos juros?

Títulos atrelados à inflação

Outra forma de remuneração das LCIs e demais títulos de renda fixa é baseada nas variações dos índices de preços. É importante destacar que são raras as LCIs com este tipo de remuneração, sendo mais comum em outros investimentos de renda fixa.

Esses investimentos pagam a inflação do período, medida por um índice como o IPCA — Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, indicador oficial da inflação, medido pelo IBGE. Ou o IGP-M — Índice Geral de Preços do Mercado, indicador independente, medido pela Fundação Getúlio Vargas e famoso por ser usado nos reajustes do aluguel.

Além dessa reposição da inflação, também é pago um percentual fixo. Por isso, há quem chame os títulos atrelados à inflação de “híbridos”, já que eles unem características de pós-fixados (a inflação) e prefixados (o percentual fixo).

Apesar de raro, é possível investir em LCI, por exemplo, que pague IPCA + 6%, por exemplo.

A grande vantagem desse tipo de investimento é a proteção do poder de compra do dinheiro e a garantia de um rendimento real, isto é, acima da inflação.

Em anos recentes, como 2015, a inflação medida pelo IPCA chegou a 10,67% em 12 meses. Isso quer dizer que qualquer investimento que rendesse menos que esse percentual estaria, na verdade, perdendo poder de compra, pois a remuneração não acompanharia a forte alta dos preços.

Foi o que aconteceu com a caderneta de poupança naquele ano: rendeu apenas 8,15%. Ou seja, o dinheiro que ficou ali parado passou a valer menos, mesmo com os juros pagos.

A LCI do nosso exemplo, em uma situação como essa, renderia 10,67% + 6% naquele ano, isto é, 16,67%. Se levarmos em conta que, no mesmo ano de 2015, a Selic chegou a 14,25%, quem tinha títulos atrelados à inflação pôde proteger seu patrimônio e ainda aproveitar uma boa rentabilidade.

LCI e Imposto de Renda

Como dissemos, a principal vantagem de investir em LCI é sua isenção de Imposto de Renda, que permite obter um rendimento líquido maior do que um CDB, mesmo que ele ofereça um rendimento bruto maior. Agora, vamos demonstrar de que maneira isso acontece.

Imagine, por exemplo, uma LCI que paga 90% do CDI e um CDB que paga 110% do CDI, ambos para um prazo de 360 dias e com investimento mínimo de R$ 10 mil

O CDB paga IR sobre os lucros de acordo com a seguinte tabela:

Tabela Regressiva de Imposto de Renda

Prazo da aplicação

Alíquota de imposto

Até 180 dias

22,5%

De 181 a 360 dias

20%

De 361 a 720 dias

17,5%

Acima de 720 dias

15%


Portanto, um CDB com prazo de um ano terá uma tributação de 20% sobre o rendimento.

Suponha, agora, que você tem os R$ 10 mil necessários para investir em qualquer uma das duas opções e que a taxa de juros está em 10% ao ano.

E aí? Qual vale mais a pena? Vamos fazer as contas para descobrir!

LCI:

90% do CDI x 10% (CDI vigente) = 9% ao ano

R$ 10.000 x 9% = R$ 900 de rendimento

Valor total final = R$ 10.900

CDB:

110% do CDI x 10% (CDI vigente) = 11% ao ano

R$ 10.000 x 11% = R$ 1.100 de rendimento

R$ 1.100 - 20% (IR)= R$ 880 de rendimento líquido

Valor total final = R$ 10.880

Portanto, a isenção do Imposto de Renda possibilita que a LCI tenha um resultado melhor que o CDB mesmo oferecendo um percentual menor do CDI.

Há outra forma de fazer os cálculos para comparar se vale a pena investir em LCI ou CDB com diferentes taxas. É uma fórmula razoavelmente simples, que dispensa fazer todo o cálculo do rendimento de cada um e dos impostos do CDB. Confira:

rentabilidade da LCI / (1 - IR do CDB) = rentabilidade equivalente do CDB

Vamos aplicar essa fórmula no exemplo anterior:

90% (rentabilidade do LCI) / 1 - 0,2 (IR do CDB)

90% / 0,8 = 112,5%

Isso quer dizer que investir em LCI que paga 90% do CDI no prazo de um ano é equivalente a um CDB que paga 112,5% do CDI nesse mesmo período.

Como vimos, isso é verdade: de fato, uma Letra de Crédito Imobiliário a 90% do CDI supera os resultados de um CDB a 110% do CDI.

É interessante ficar atento ao prazo e à tributação. Como as alíquotas variam em função do tempo, os mesmos rendimentos podem criar uma situação diferente se o vencimento for outro. Se o seu investimento é, por exemplo, por um prazo de três anos, a alíquota seria de 15%, neste caso, conforme a tabela acima. Você pode substituir este valor na fórmula e verificar o que vale mais a pena ao longo do tempo.

Saber fazer esses cálculos é uma boa opção para quem quer aproveitar as isenções tributárias da Letra de Crédito Imobiliário para investir em LCI. Uma alternativa ainda melhor é contar com um serviço de gestão automática de carteiras de investimento.

Com ele, você não precisa se preocupar com contas, cálculos ou pesquisas: os algoritmos se encarregam de avaliar as melhores opções disponíveis no mercado e montar um portfólio diversificado, construído sob medida para seu perfil de investidor e seus objetivos.

Assim, se você não tem problemas com encarar riscos, ele pode até mesmo ter uma pequena parcela de ações, como forma de obter possíveis ganhos com o crescimento da economia. Se você, por outro lado, não se sente confortável com o sobe e desce da Bolsa de Valores, o investimento terá apenas renda fixa para um crescimento constante e sem sustos.

Dessa forma, é possível aproveitar a rentabilidade da LCI e todo o potencial da isenção de impostos!

Além da Letra de Crédito Imobiliário, existe outro investimento bastante parecido: a Letra de Crédito do Agronegócio. Voltada a captação de recursos financeiros para financiar a produção agrícola, essa “irmã” da LCI também é isenta de IR e oferece boa rentabilidade. Quer saber mais? Leia nosso post sobre o assunto!

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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