Quatro fatores para considerar antes de investir em um título de renda fixa

por Francis Wagner | 15/02/2018

Quatro fatores a considerar antes de investir em um título de renda fixa

Quando o assunto investimentos entra na pauta da roda de conversa, muitas pessoas se perguntam qual é a melhor aplicação, principalmente quando se fala em renda fixa.

A grande questão é que não existe uma resposta certa para essa pergunta, uma vez que cada pessoa tem um objetivo a ser alcançado. O investimento que é bom para seu vizinho não é, necessariamente, bom para você.

Podemos comparar a escolha do investimento ideal com a aquisição de um veículo, por exemplo. Uma família composta por seis pessoas que tem a necessidade de usar diariamente um carro para locomoção precisa de um veículo muito maior do que uma família composta por três pessoas.

Para a família de três pessoas, um carro com cinco lugares está de bom tamanho. Já a família de seis pessoas vai achar este mesmo carro muito pequeno, e terá que procurar opções com espaço suficiente para todos os membros.

O carro que é ideal para a família de três pessoas é totalmente inviável para a família de seis, já que há a necessidade de mais espaço e lugares para garantir todo conforto e segurança exigidos.

Vale mencionar que o número de pessoas que dependem do carro para locomoção diária é só um entre tantos fatores que devem ser levados em conta no momento da escolha do carro ideal.

Voltando para a renda fixa, na escolha dos investimentos ocorre a mesma situação. Para encontrar os títulos ideais, uma série de fatores também devem ser levados em consideração.

Para ajudar, explicamos em detalhes cada fator que deve ser analisado para tomar a decisão adequada sobre qual título de renda fixa é o ideal. São eles:

  • Liquidez;
  • Prazo;
  • Emissor do título;
  • Rentabilidade.

Vamos começar? Tenha uma ótima leitura!

1. Liquidez

A liquidez é a facilidade de um ativo ser transformado em dinheiro. Esse é um fator que, muitas vezes, não é levado em consideração. Os olhos de grande parte das pessoas estão quase totalmente voltados para a rentabilidade oferecida, e isso pode ser um grande erro.

Existem, basicamente, dois tipos de liquidez que você irá encontrar nos títulos de renda fixa: a diária e a liquidez no vencimento.

Investimentos com liquidez diária permitem o resgate a qualquer momento, e são ideais para as pessoas que não sabem quando irão precisar do capital investido.

Aplicações com essa característica são indicadas para a formação de uma reserva de emergência, já que o dinheiro pode ser sacado quando for necessário, sem nenhum tipo de prejuízo.

Em contrapartida, os investimentos com liquidez no vencimento, por via de regra, não permitem o resgate antes da data de vencimento previamente acordada. Em alguns casos o resgate é permitido, mas o investidor perderá parte ou toda a rentabilidade do período.

2. Rentabilidade

Este é o primeiro fator que a maioria dos investidores analisa. A renda fixa tem esse nome porque no momento da aplicação você já tem condições de prever a rentabilidade do título, ou seja, já sabe quais critérios serão utilizados para remunerá-lo.

Dentro desse contexto, os títulos de renda fixa podem ser divididos em duas categorias distintas: prefixados e pós-fixados. Para fazer a melhor escolha para seus objetivos, é preciso precisa entender qual é a diferença entre essas duas categorias de títulos e como eles funcionam.

No caso dos títulos prefixados, você já sabe o quanto irá receber na data de vencimento da aplicação. Basicamente, você compra um título hoje já sabendo o valor de resgate no vencimento do título. A rentabilidade é apresentada sempre em forma de porcentagem: 10% ao ano, 12% ao ano, 9% ao ano, etc.

Lembrando que, para investimentos que não são isentos de Imposto de Renda, essa rentabilidade prometida não considera a alíquota que será aplicada sobre o rendimento do título.

Como a tabela do IR é regressiva, quanto maior o prazo de resgate, menor será essa alíquota. A maior delas é 22,5% para aplicações inferiores a seis meses. A menor é 15% para investimentos feitos por pelo menos dois anos, ou 721 dias.

Os títulos pós-fixados são aqueles cuja rentabilidade está atrelada à variação de um índice, como a taxa DI (CDI), a Selic (taxa básica de juros da economia) ou mesmo a inflação oficial do país (IPCA). Opções de indexadores não faltam, e você deve analisar com calma como funciona a rentabilidade de cada um deles.

Os títulos indexados ao CDI, por exemplo, divulgam a rentabilidade na forma de percentual, como 95% do CDI, 100% do CDI, 125% do CDI, etc. Isso significa que, independentemente da variação do CDI, a rentabilidade do título será sempre a porcentagem contratada no momento da aplicação. Consequentemente, a rentabilidade vai sempre acompanhar o CDI.

Já os títulos indexados ao IPCA funcionam de forma um pouco diferente, já que o título tem uma parte da rentabilidade prefixada e a outra pós-fixada.

Por exemplo, ao contratar um título com rentabilidade de IPCA+5%, significa que o título terá uma taxa de juros fixa de 5%, além da variação do índice de inflação oficial, desde que o resgate não seja feito antes da data de vencimento do título.

Muitos consideram esse tipo de remuneração como mista ou híbrida, já que é composta por um índice, mais uma parte pré-fixada.

3. Emissor do título

Os emissores são as instituições que lançam os títulos de renda fixa no mercado com o objetivo de captar recursos para financiar seus negócios.

Entre os emissores estão os bancos, as financeiras e até o próprio governo federal (no caso de títulos públicos).

Empresas também podem ser emissoras. São elas que lançam as debêntures, títulos privados usados para financiar seus projetos.

Para facilitar, aqui vai uma relação dos principais títulos de renda fixa e seus respectivos emissores:

  • CDB (Certificado de Depósito Bancário) – Bancos;
  • RDB (Recibo de Depósito Bancário) – Bancos e Financeiras;
  • ​LCI / LCA (Letra de Crédito Imobiliário e do Agronegócio, respectivamente) – Bancos;
  • ​LC (Letra de Câmbio) – Financeiras;
  • Títulos do Tesouro Direto – Tesouro Nacional;
  • Debêntures – Empresas.

Dessa forma, o risco de quem investe em qualquer um dos títulos citados acima é o de a instituição emissora não conseguir honrar com a dívida, ou seja, dar calote.

4. Prazo

O prazo nada mais é do que a duração do investimento. Os prazos de vencimento dos títulos de renda fixa variam de emissor para emissor.

Os títulos públicos via Tesouro Direto são os que possuem os maiores prazos de vencimento. Atualmente, os vencimentos disponíveis vão do ano de 2023 (Tesouro Selic) até o ano de 2050 (Tesouro IPCA+).

Por mais que a data de vencimento seja longa, você pode resgatar esses títulos a qualquer momento, mas seu valor oscila todos os dias. Em caso de resgate antecipado, é possível até ter prejuízo no investimento, já que o Tesouro Nacional recompra o título pelo valor de mercado no momento da venda.

Porém, se você levar o título até o vencimento, sua remuneração será exatamente a contratada no momento do investimento.

É importante separar seus objetivos em curtíssimo prazo (liquidez diária), curto prazo (até dois anos), médio prazo (de dois a cinco anos) e longo prazo (acima de cinco anos). O ideal é ajustar os objetivos financeiros às datas de vencimentos dos títulos escolhidos.

Se, por exemplo, você quiser comprar uma casa nos próximos cinco anos, pode deixar o dinheiro reservado em uma aplicação de médio prazo. Mas se a ideia for poupar para a aposentadoria, por que não investir no longo prazo?

Espero que esse artigo tenha ajudado você a entender o que considerar antes de investir em um título de renda fixa. Ficou com alguma dúvida ou quer compartilhar a sua experiência? Deixe aqui o seu comentário.

Até a próxima!

Francis Wagner é fundador e CEO do App Renda Fixa. Desenvolvedor de software há mais de 20 anos, atuou em grandes bancos brasileiros.

Quatro fatores para considerar antes de investir em um título de renda fixa
5 (100%) 1 vote[s]