Investir na poupança: entenda por que esse investimento não é para você!

por Mariana Congo

No Brasil, investir na poupança ainda é a principal escolha para guardar e fazer render o dinheiro. O problema é que, além de oferecer um rendimento inferior ao de outros instrumentos financeiros, a poupança dificilmente consegue recompor o poder de compra do valor investido.

De acordo com levantamento feito em 2016 pela Federação de Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio/RJ) e pelo instituto de pesquisa Ipsos, 76% dos brasileiros preferem colocar suas economias na poupança. Mas o que justifica essa escolha? Há muitos fatores que respondem a essa pergunta. O primeiro deles é cultural. A caderneta de poupança é a modalidade de investimento mais antiga no Brasil, criada ainda no século 19.

Além da tradição, existe a facilidade em aderir a ela, a segurança oferecida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e baixo custo para fazer aplicações. A questão é: por que continuar investindo na poupança se existem investimentos melhores, igualmente seguros e acessíveis? É isso que você conferir neste artigo. Acompanhe!

O que é a caderneta de poupança?

O termo caderneta de poupança remete ao tempo em que os poupadores só tinham como comprovante de depósito anotações feitas em bloquinhos de papel. Estamos falando de um investimento que surgiu no Brasil há mais de 150 anos, mas que segue até hoje como o mais acessado pelos brasileiros. As cadernetas de anotação saíram e o investimento que já era bastante simples se tornou ainda mais prático, rápido e acessível.

Em mais de um século e meio a economia evoluiu muito. Foram lançados inúmeros outros instrumentos financeiros para diferentes perfis de investidor.  Ainda assim, o percentual de pessoas que opta pela poupança é significativo.

Por fazer parte da vida dos brasileiros há tanto tempo, a poupança é a aplicação natural para quem está começando a guardar dinheiro. Tornou-se uma característica cultural. Isso não se deu à toa. Além de ser a modalidade de investimento mais antiga no país, há uma série de facilidades que faz com que ela pareça tão interessante para muitos. Confira alguns dos motivos que explicam essa relação:

  • tradição;
  • desconhecimento sobre outros instrumentos;
  • pequena quantia financeira a ser aplicada;
  • praticidade de abertura e aplicação;
  • alta liquidez;
  • rendimentos não tributados;
  • recursos garantidos pelo FGC;
  • regras de remuneração uniformes;
  • baixo custo de manutenção.

Investir na poupança é prático. O principal requisito para abrir uma conta nessa modalidade é ter recursos para depositar. O aporte inicial costumar se muito baixo. Acompanhar os rendimentos é simples, basta acessar o saldo ou o extrato bancário. Os custos de manutenção também são baixos e o investimento é isento de Imposto de Renda.

O poupador nunca vai se deparar com um rendimento nominal negativo. Sempre que consultar seu extrato, na "data do aniversário" verá que houve alguma remuneração positiva sobre o saldo. Ou seja, houve a aplicação dos juros sobre o dinheiro depositado. Isso, no entanto, não quer dizer que ele esteja remunerando o seu dinheiro. Quando a rentabilidade for inferior à inflação, o investidor estará perdendo dinheiro. Ainda que o saldo mostre um resultado nominal positivo, o ganho real será negativo, diminuindo assim o poder de compra do investidor ao invés de aumentá-lo. Isso aconteceu em 2015, por exemplo.

Há, ainda, o fato de que os recursos depositados na conta-poupança estão garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). No caso de ocorrer problemas de solvência do banco, o investidor será indenizado com recursos do fundo.

Outra facilidade diz respeito às regras de remuneração, que são as mesmas para qualquer instituição bancária, usando como indicadores a taxa básica de juros (Selic) e a Taxa Referencial (TR). 

O que a poupança indica sobre as condições econômicas dos brasileiros?

Por estar tão presente na vida dos brasileiros, a poupança pode ser vista como uma espécie de termômetro da situação econômica de boa parte da população. Em momentos econômicos mais prósperos, os depósitos tendem a aumentar, elevando as captações líquidas da poupança. O contrário também é válido: na crise, é difícil poupar.

Para ter uma compreensão melhor sobre esse contexto, vale observar o histórico de captações líquidas da poupança nos últimos anos. Recentemente, o Brasil encarou a pior crise econômica de sua história. A retração veio depois de um período de ascensão, portanto, há movimentos muitos claros de evolução e declínio no decorrer da última década.

Confira, no quadro abaixo, o desempenho da poupança entre 2008 e 2017:

                                  Fonte: Abecip — Inteligência de Mercado

Observe que nos últimos 10 anos a captação líquida da poupança ficou negativa apenas no biênio 2015/2016, o mesmo período em que o Brasil viveu a maior retração econômica de sua história. No mesmo período, a captação líquida da poupança ficou negativa em mais de 14%.

Essa situação se dá quando ocorrem mais retiradas de recursos dos aportes. Diante da queda na renda dos brasileiros e do aumento do desemprego, esse é um movimento esperado. Mas você deve estar refletindo que esse mesmo cenário será observado em qualquer modalidade de investimento. Nenhum outro tipo de aplicação trará um retrato melhor das condições econômicas da população do que a poupança.

Qual a diferença de rendimento entre a nova e a antiga poupança?

Para quem tem dinheiro aplicado na poupança com depósitos realizados até 3 de maio de 2012, as oscilações na taxa básica de juros não têm qualquer impacto sobre os rendimentos. O investimento continua rendendo 0,5% ao mês + TR.  A partir de 4 de maio de 2012,uma nova regra foi adotada. O rendimento segue as normas do Banco Central, que, atualmente, prevê dois cenários distintos:

  • Se a taxa Selic igual ou inferior a 8,5% ao ano, a poupança pagará 70% da Selic + TR;
  • Se a taxa Selic superar 8,5% ao ano, a remuneração será de 0,5% ao mês + TR.


Antes disso, havia uma única condição de remuneração: 0,5% ao mês (6,17% ao ano) + TR. Esse cálculo continua valendo para todos os depósitos feitos até 3 de maio de 2012. Comparando com as regras atuais, é possível notar que as condições antigas eram mais vantajosas. 

Como a queda de juros impacta na poupança?

Diante desses contextos, fica o questionamento: afinal, a qual é o impacto da queda de juros na rentabilidade da poupança? A Selic tem um efeito significativo no rendimento. Existe uma relação direta entre a taxa de juros e a remuneração do saldo da poupança. A tendência é de que a remuneração aumente com a elevação da Selic, ainda que não na mesma medida da alta.

É importante notar o seguinte: a poupança tem rendimentos limitados. Observe:

Cenário 1: Selic em 8,5%

Atingindo o ponto máximo na primeira regra de remuneração, com a taxa de juros fixada em até 8,5%, o poupador terá a rentabilidade definida em 70% da Selic + TR. Assim, terá, em um ano, a remuneração máxima de 70% sobre os 8,5% da poupança + TR. Dessa forma, obtendo 5,95% ao ano + TR (com taxas próximas de zero, atualmente).

Cenário 2: Selic acima de 8,5%

Qualquer taxa de juros acima de 8,5% rende, na poupança, 0,5% ao mês. Ou seja, em um ano, o rendimento será de 6,17% + TR.

É possível observar, portanto, que a remuneração tende a ser pior quando a Selic regride abaixo de 8,5%. Se os juros caírem mais, os ganhos serão ainda menores. Em um cenário com a Selic reduzida a 5%, por exemplo, a remuneração da poupança seria de 3,5% ao ano.

Qual é o rendimento atual da poupança?

Como você viu, o rendimento da poupança depende da Selic e da TR. De acordo com as condições predefinidas pelo Banco Central, o investidor terá a taxa básica de juros como norteadora. Até 8,5% ao ano a regra é uma, passando disso o padrão de rendimento será outro.

Desde o segundo semestre de 2017, os juros estão em queda no Brasil. Em março de 2018, a Selic atingiu seu menor patamar histórico, chegando a 6,5% ao ano.


Esse é um cenário que não será revertido em pouco tempo. Então, podemos assumir que, atualmente, a poupança apresenta as seguintes condições de rendimento:

Poupança = 70% da Selic + TR

Já sabemos que os juros estão em 6,5% a.a., mas o que é a Taxa Referencial? Criada no início da década de 1990 com o intuito de conter o avanço da inflação, a TR é determinada pelo Banco Central. Ela cumpre um efeito compatível com o dos juros, impactando a remuneração da poupança, saldos do FGTS, financiamento imobiliário, títulos públicos etc.

Com a estabilidade econômica, a TR atingiu patamares mínimos. No período recente, tem se mantido próxima de 0%, muito diferente dos percentuais elevados registrados nos anos 1990. Em 1994, a TR era de 2.474%.

Voltando para a remuneração atual da poupança, o impacto da TR é inexpressivo, portanto, podemos admitir que a poupança rende, de fato, o montante atrelado à Selic. Então atualmente, a rentabilidade anual da poupança está em 4,55%, isso porque está pagando 70% dos 6,5% atualmente fixados como juros básicos.

Qual é a relação entre a poupança e a inflação?

Além do cálculo do rendimento da poupança, o investidor precisa verificar se a aplicação vai gerar um ganho real. Ou seja, se o retorno será superior aos índices de inflação. Isso porque, no decorrer de um determinado período, a alta dos preços retira o poder de compra.

É importante observar que a relação entre poupança e inflação nem sempre resulta em rentabilidade real negativa. Pelo contrário, a tendência é de que a poupança supere a alta dos preços. De qualquer forma, o ganho da poupança, que já não é tão interessante assim, fica menor quando considerada a alta dos preços.

Ao longo de 2017, por exemplo, a poupança ofereceu rendimento nominal de 6,93% enquanto a inflação alcançou quase 2,95%. Efetivamente, a poupança alcançou um ganho real de 3,88% no ano, o maior desde 2006.

Quanto você perde ao investir na poupança?

Como os cálculos demonstram, o rendimento real da poupança é baixo, podendo ser negativo, em alguns casos. Mas mesmo quando há, efetivamente, ganho de capital, será que ela é a melhor opção? Quanto na prática você perde investindo na poupança? Todos esses aspectos precisam ser avaliados na hora de aplicar o seu dinheiro.

Existem ferramentas que podem tornar essa análise mais simples. Uma opção é a Calculadora do Cidadão, desenvolvida pelo Banco Central. Entre os cálculos disponíveis, está a correção de valores, aplicada à poupança, índices de inflação, taxa Selic, entre outros.

Outro recurso é o simulador de poupança Magnetis, que, além de calcular o rendimento da poupança, compara o retorno com o de uma carteira de ativos de renda fixa. 

Diferentemente da Calculadora do Cidadão, que só realiza cálculos com base em períodos passados, a ferramenta da Magnetis faz projeções considerando o prazo de manutenção do investimento e aportes mensais, tendo como base as atuais taxas de juros.

Por que não diversificar seus investimentos?

Se você é um investidor da poupança, provavelmente, se identifica com o perfil conservador. Além disso, é provável que priorize a praticidade na hora de investir. Mas, certamente, se puder ganhar mais, mantendo as mesmas facilidades e sem correr riscos, vai preferir. Ninguém quer perder dinheiro ou obter um retorno menor do que o possível.

Como frisamos, vale a pena simular os ganhos da poupança e compará-lo com outras modalidades de investimentos. E as opções que se encaixam no perfil do poupador tradicional são muitas. Um exemplo são os Certificados de Depósito Bancário (CDBs).

Os CDBs são títulos de renda fixa assegurados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para valores de até R$ 250 mil por CPF com liquidez diária. Não há, portanto, risco em caso de crise bancária ou e o investimento pode ser retirado a qualquer momento. Mas e quanto aos ganhos? O rendimento, nesse caso, vai depender de três fatores:

  • da taxa CDI, que costuma acompanhar a variação dos juros básicos;
  • da escolha dos títulos, que podem ser pré ou pós-fixados;
  • do prazo de manutenção do investimento.

Ao longo de 2017, quando a poupança rendeu 6,17%, o retorno do CDI foi de 9,92%. O CDB, em geral, remunera um percentual do CDI. Nesse caso, um título com rendimento de 95% do CDI, rendeu, nesse período, 9,40%. Esse é apenas um exemplo de investimento tão simples quanto a poupança, mas com rendimento bem mais interessante.

E que tal montar uma carteira diversificada? É completamente viável manter o mesmo padrão de investimento, compatível com o perfil conservador, e, ainda assim, alcançar ganhos ainda mais vantajosos. Na Magnetis temos carteiras de investimento recomendadas para quem preza por rentabilidade sem abrir da segurança.

Investir na poupança não é um bom negócio. Definitivamente, você não precisa e nem deve se contentar com baixos ganhos. Que tal explorar novas possibilidades? A Magnetis pode te ajudar a dar o primeiro passo e sair da poupança. Faça uma simulação gratuita e veja como investir de forma simples, rentável e segura pode ser simples.

Mariana Congo, da Magnetis

Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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