Veja o que é o IPCA e como ele pode influenciar seus investimentos

por Fernando Reis

Para minimizar os riscos e ter mais firmeza nas decisões de investimentos é necessário muito conhecimento sobre os índices econômicos do Brasil. Um dos indicadores mais importantes, tanto para o bolso de investidores quanto para os consumidores, é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Se você deseja ter uma rentabilidade segura e promissora, é essencial possuir um conhecimento básico sobre esse índice de inflação.

Um dos principais objetivos de qualquer investidor é proteger seu patrimônio da inflação. Isso é importante, pois a inflação corrói o valor do dinheiro ao longo do tempo. Por exemplo, se você guardar o dinheiro embaixo do colchão, como algumas pessoas faziam no passado ao invés de investir em alguma aplicação, com o passar do tempo ele perde valor - R$ 1 em 1994 comprava muito mais do que R$ 1 hoje em dia. Desta forma, é preciso ficar atento caso não queira ver o seu poder de compra ser consideravelmente reduzido pela inflação.

Pensando nisto, reunimos neste post tudo o que você precisa saber sobre o IPCA, desde seu conceito, qual sua relação com a inflação e com os diferentes mercados e até como reagir diante de altas e quedas em seus valores. Quer descobrir? Então confira!

Conceito de IPCA

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é um medidor criado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Seu objetivo é medir a variação de preços de despesas essenciais para famílias brasileiras com renda entre um e quarenta salários mínimos. A medição é feita mensalmente e busca detectar aumentos e diminuições de preços para averiguar se houve mudança no poder de compra dos cidadãos.

Confira quais são os itens que são considerados ao calcular o índice e seus respectivos pesos na conta:

  • alimentação e bebidas: 23,12%;

  • transportes: 20,54%;

  • habitação e moradia: 14,62%;

  • saúde e cuidados pessoais: 11,09%;

  • despesas pessoais: 9,94%;

  • vestuário: 6,67%;

  • comunicação: 4,96%;

  • artigos de residência: 4,69%;

  • educação: 4,37%.

A pesquisa dos preços é realizada em algumas das principais regiões metropolitanas e municípios do país. São eles: Belém; Belo Horizonte; Brasília; Curitiba; Fortaleza; Goiânia; Recife; Rio de Janeiro; Salvador e São Paulo.

Relação do IPCA com a inflação

Se os produtos listados anteriormente sofrerem um aumento contínuo e generalizado dos preços, ocorrerá o efeito conhecido como inflação. A inflação faz com que seja necessária uma quantia maior de dinheiro para ser possível adquirir o mesmo bem, diminuindo o poder de aquisição da moeda. Como o IPCA mede o valor desses produtos, ele consiste no próprio índice de inflação em si.

Além disso, o valor do índice pode indicar outros fatos econômicos: se o valor do IPCA cair, ou seja, caso seu percentual seja reduzido no próximo mês, significa que os preços dos produtos subiram menos em relação ao mês anterior. Porém, se os cálculos demonstrarem um percentual negativo, tal conta revelará que ocorreu o efeito de deflação, ou seja, houve diminuição dos preços.

É importante ressaltar que o IPCA não é a única métrica utilizada para acompanhar a inflação no Brasil. Existem outros índices como ….Ainda assim, é utilizado pelo Banco Central (BACEN) como medidor oficial do fenômeno em nosso país e também é usado pelo Governo como referência para verificar se a meta inflacionária estabelecida está sendo cumprida.

Como o IPCA influencia no mercado

O IPCA é a referência central para que o Governo monitore sua meta de inflação, adote medidas econômicas e defina políticas monetárias. Qualquer alteração em seu valor fará com que ocorram mudanças tanto no mercado financeiro quanto no consumidor. Confira, a seguir, quais são os impactos do índice nesses mercados:

No mercado financeiro

Essa modalidade de mercado se resume nas negociações relativas à compra e venda de valores mobiliários — ações e títulos, moedas estrangeiras — câmbio e mercadorias em geral. Os índices inflacionários atuam diretamente na tomada de decisões dos investidores quanto a diferentes aplicações. Confira alguns exemplos práticos:

Tesouro Direto

Os valores dos títulos do tesouro direto são indexados considerando a taxa básica de juros (Selic) e a inflação (IPCA). Dessa forma, saber os valores atuais e previstos desses indexadores é um requisito básico para calcular os rendimentos deste investimento.

LCI e LCA

Existe a possibilidade das Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e da Letra de Crédito Agronegócio (LCA) serem intrinsecamente atreladas ao IPCA.

Fundos de Investimento

Diversos fundos de investimento de renda fixa levam o IPCA em consideração nos cálculos da remuneração. Inclusive, alguns fundos colocam o IPCA como uma referência, ou seja, são fundos que definem como objetivo ter uma rentabilidade maior que a inflação.

No mercado consumidor

Conforme diminui ou aumenta o índice inflacionário do país, o Governo altera a taxa de juros (Selic), a fim de controlar a emissão, compra e venda de títulos. A tomada de decisões acerca desse indexador traz consequências diretas na vida dos consumidores de forma geral.

Em um cenário de alta inflação, haverá diminuição do poder de compra dos cidadãos, corroendo o valor do dinheiro ao longo do tempo. Houve um momento em que a população brasileira sofreu com esse cenário; trata-se da hiperinflação ocorrida na década de 1980. Os preços subiam rapidamente nessa época, fazendo com que os consumidores fossem obrigados a comprar apressadamente seus alimentos e estocá-los, pois em pouco tempo o dinheiro já não seria suficiente para comprar os mesmo itens. Essa situação foi estabilizada pelo Plano Real no início dos anos 1990.

Voltando aos dias atuais, quando a inflação estiver alta, o Governo poderá aumentar a taxa Selic, restringindo o crédito ao consumidor, objetivando frear o consumo e estimulando os comerciantes a baixarem os preços de seus produtos. Porém, se a economia se encontra estável, a baixa da taxa pode acelerar o crescimento econômico.

Percebe-se que as alterações na taxa Selic afetam praticamente todos os setores de comércio do Brasil. Como esse índice está atrelado à inflação determinada pelo IPCA, o conhecimento prévio sobre as mudanças também é essencial para que os mercadores possam projetar a receita e despesas dos próximos meses.

Como lidar com mudanças do IPCA

Apesar das mudanças no índice não dependerem das ações do investidor, ele será capaz de usar o IPCA a seu favor, seja em cenários de queda ou alta na inflação — basta possuir uma noção sobre o tema. Veja alguns exemplos abaixo:

Alta do índice

Em uma situação de inflação econômica, o investidor deve estudar quais são as aplicações cuja rentabilidade está protegida contra a alta do índice. Um exemplo é o Tesouro Direito, que possui duas modalidades de investimento: Tesouro Selic (LFT) e o Tesouro IPCA+ (NTN-B). Os rendimentos do primeiro são calculados a partir da taxa básica de juros da economia brasileira, enquanto o segundo, das alterações do IPCA.

Queda do índice

Nesse cenário é bastante interessante investigar a aplicação em investimentos de renda fixa, pois, se não há inflação alta, não há necessidade urgente de se proteger contra ela. Portanto, o investidor terá mais liberdade em suas escolhas, podendo optar por outros fundos de investimentos, ou investir em títulos de renda fixa que não sejam atrelados ao IPCA.

As mudanças dos valores do IPCA geram uma reação em cadeia em toda a economia do país, pois sua influência recai sobre importantes decisões governamentais, provocando o completo rearranjo das políticas monetárias, no preço dos produtos para os consumidores e na remuneração dos investimentos.

Esperamos que este post tenha sido útil para entender como funciona o IPCA e qual sua relação com a inflação. Assine nossa newsletter e receba, gratuitamente, mais materiais como este!

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Fernando Reis é administrador e Analista de Marketing de Conteúdo da Magnetis.

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