Júlio se esqueceu de fechar uma conta no banco. Resultado?

por Mariana Congo

(Post originalmente publicado em outubro de 2014)

Quem nunca viu de perto ou viveu uma história complicada, que provocou perdas ou sofrimento na vida financeira? É para compartilhar essas experiências que publicamos aqui no blog a série "Histórias de Horror", uma sequência de posts para conscientizar você sobre as armadilhas que podem comprometer o seu dinheiro.

Os casos que publicamos aqui são relatos dos leitores do nosso blog, cuja identidade foi preservada com nomes fictícios. No final, essas histórias trazem um grande aprendizado e servem de alerta para que você não passe pela mesma situação. Aproveite a leitura!

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A história

Ter uma conta-corrente é quase que básico para qualquer pessoa poder realizar transações financeiras. Entre elas receber o salário todos os meses. Algumas empresas inclusive exigem que seus funcionários tenham contas especificas de alguns bancos.

Assim, não é raro se ao entrar em uma nova empresa você tenha que abrir uma nova conta-corrente ou uma outra modalidade chamada conta-salário. Mas caso eventualmente você saia de uma empresa será que é necessário fechar a conta junto ao banco ou a própria empresa deve encerrar? Vamos ver o que acontecer com o Júlio.

Júlio recebeu uma ótima proposta de trabalho e resolveu aceitar. Pediu demissão e ‘zerou’ a conta-corrente em que até então recebia seu salário. Não precisaria mais dela, pois o novo empregador usava outro banco para pagar os funcionários.Começou suas novas atividades, foi tocando a vida e assim se passaram anos.

Quando novamente decidiu trocar de trabalho, soube que a remuneração seria feita por meio da sua antiga instituição financeira. Qual não foi sua surpresa ao constatar que a conta que tinha dado por encerrada, por ter sacado todo o dinheiro disponível, na verdade havia permanecido ativa durante todo aquele tempo.

As tarifas de manutenção cobradas pelo banco foram se acumulando, mês a mês, e, por falta de saldo positivo, ele entrou no cheque especial.

Resultado: uma dívida de mais de R$ 600 em tarifas e juros que ele nem imaginava que pudesse existir e precisou quitar.

“Assumi, erroneamente, que o banco não cobraria tarifas se a conta não fosse movimentada”, lastima. Júlio lamenta sobretudo o fato de a instituição financeira nunca ter enviado uma comunicação indicando que a conta seguia ativa e que ele estava em débito.

Por que será que o gerente não se preocupou em avisar?

As lições

Jogar dinheiro fora é algo que ninguém em sã consciência faz. Certamente Júlio não esperava passar por isso. No entanto, talvez por ingenuidade, desorganização ou por se deixar levar pela correria do dia-a-dia, cometeu um erro que o levou a uma perda desnecessária.

Muitas pessoas têm mais de uma conta-corrente. Normalmente, movimentam apenas uma: aquela em que recebem o salário. Mas podem ter outras que foram abertas, por exemplo, para receber a remuneração de um emprego anterior – caso do Júlio – ou para conseguir um financiamento em condições diferenciadas.No geral, essas contas ‘a mais’ acabam ficando sem uso e aqui vai um aviso: deixar uma conta parada nunca é bom negócio. Você vai pagar por um serviço que não usa. Um desperdício!

Os pacotes de tarifas de contas-correntes, no geral partem de R$ 9 ao mês e podem chegar a mais de R$ 100, lembrando que há grandes diferenças de valores entre os bancos. Basta multiplicar esses montantes por 12 para perceber que o gasto anual definitivamente não é baixo. Imagine então a despesa de alguém que tenha várias contas simultâneas!

Nossas dicas, então, são:

1 - Mantenha aberta(s) somente a(s) conta(s) que você realmente usa

Esta dica parece um pouco óbvia, mas é importante que você possua apenas contas que você de fato movimente. É bastante comum pessoas terem contas antigas que não utilizam mas que permanecem ativas. Se é uma opção da própria pessoa não tem problema ter várias contas, mas é essencial ficar atento (a) quanto as taxas cobradas para evitar surpresas desagradáveis como aconteceu na história.

2 - Feche formalmente as contas que não têm mais utilidade para você

Isso envolve não apenas sacar os recursos, como fez o Júlio, mas quitar dívidas que eventualmente existam, cancelar débitos automáticos e assinar, na agência, uma requisição de encerramento da relação com a instituição. Você deve levar uma cópia desse documento com você ou um comprovante da operação.

3 - Concentre suas operações bancárias em uma ou poucas instituições

Isso pode significar não apenas tarifas mais baixas ou mesmo gratuitas, como também serviços personalizados. Atualmente os bancos possuem serviços completos em uma mesma instituição o que faz com que não seja necessário ter mais de uma conta. 

4 - Comece a investir mesmo pequenas quantias

Por fim, mas não menos importante, em vez de desperdiçar dinheiro com inúmeras tarifas, invista esses recursos. Por mais que os valores pareçam pequenos, lembre-se de que você tem a seu favor o poderoso fenômeno dos juros compostos, ou seja, juros incidindo sobre juros. Ele vai multiplicar o seu dinheiro a longo prazo.

Importante: diferente da época em que aconteceu esse episódio com o Júlio, hoje os bancos são obrigados a mandar um comunicado ao cliente sobre as tarifas cobradas quando ele tem uma conta sem movimentação há mais de 90 dias. Além disso, a partir de seis meses sem movimentação, fica proibida a cobrança de tarifas e encargos sobre o saldo devedor.

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Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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