Ficando rico devagar: o poder dos juros compostos

por Mariana Congo

Economizar, investir e aumentar o patrimônio. Quem não quer? Nessa jornada, existe um aliado fundamental: os juros compostos. São eles que farão seu dinheiro crescer de forma consistente e sem muitas surpresas.

Nos filmes de Hollywood, investir “com emoção” é a forma preferida de pessoas como Jordan Belfort, o especulador interpretado por Leonardo DiCaprio no filme “O Lobo de Wall Street”. Ou como gurus de investimentos que, volta e meia, aparecem por aí armados de alguma metodologia supostamente infalível. Apostam alto com a promessa de fazer você faturar milhões em pouco tempo.

Desnecessário dizer que esses métodos não funcionam na prática. Não existe “milagre” do mundo dos investimentos. A realidade é a busca por um equilíbrio entre risco e retorno – além dos bons hábitos financeiros.

Com isso em mente, saiba que a melhor forma de ficar rico é “sem emoção”. Devagar… Usando ao seu favor os juros compostos. Demora mais, mas você pode inclusive prever os resultados com muito mais segurança. Duvida? Então continue lendo.

Como os juros funcionam para te deixar mais rico

Você deve lembrar das aulas de matemática na escola, mas vamos rever aqui uma parte importante para você entender por que deve investir o mais cedo possível. No mundo real — isto é, na poupança, nos bancos, nos fundos de investimento, no cheque especial — os juros são sempre compostos. Isto quer dizer “juros sobre juros”: os ganhos de cada mês (ou ano) incidem sobre os ganhos anteriores, como uma bola de neve.

Para um empréstimo, isso significa que a dívida fica cada vez mais cara e, às vezes, impagável (lembre-se que o juro do cartão de crédito está em mais de 450% ao ano!). Mas o contrário também é verdadeiro: se é um investimento, ele renderá mais rápido.

Imagine que você faça um único depósito de R$ 1.000 em um fundo que renda 10% ao ano. Daqui a doze meses, esses R$ 1.000 terão se transformado em R$ 1.100. Os R$ 100 gerados sem trabalho vão ajudar o bolo a crescer ainda mais. Se o rendimento continuar em 10% ao ano, ao fim de 24 meses o saldo será de R$ 1.210. Note que no primeiro ano a variação foi de R$ 100 (10% de R$ 1.000), mas no segundo ano foi de R$ 110 (10% de R$ 1.100). A cada ano, portanto, o valor somado aumenta, mesmo que a taxa de juros permaneça igual e mesmo sem você acrescentar dinheiro extra na conta. Se você não movimentar a conta, o ganho do 4º para o 5º ano será de R$ 146, e ao final de 5 anos seu investimento de R$ 1.000 terá se transformado em R$ 1.610.

Note que R$ 1.610 é mais de 60% maior que seu valor inicial (R$ 1.000). Como isso é possível, se o dinheiro rendeu 10% por ano durante 5 anos? Não deveria render apenas 50%? Ou seja, não deveria render R$ 500 ao invés de R$ 610? Deveria – se os juros fossem simples. Mas eles são compostos: o juro incide sobre os juros anteriores.

Seja na renda fixa ou na renda variável, o poder dos juros compostos conta ao seu favor, pois o rendimento de um ano é somado ao bolo sobre o qual haverá o retorno do ano seguinte. No caso da Bolsa, apesar de ações não pagarem juros, os retornos são compostos. Por exemplo: imagine que o Ibovespa subiu 10% em um ano e mais 10% no seguinte. Após dois anos o seu retorno será de 21% (retorno composto) e não de 20% (simples).

E por isso tudo que é possível ficar rico devagar: deixando que os juros compostos trabalhem ao seu favor.

Dois cenários para entender juros compostos

Com os juros compostos, uma pequena diferença de investimento faz MUITA diferença em prazos mais longos.

Vamos supor que você passe a poupar R$ 100 por mês e aplique no final do ano em algum investimento. Para simplificar o argumento, pense assim: todo mês de dezembro, você retira R$ 1.200 do seu décimo-terceiro salário e aplica em um fundo (R$ 100 por mês = R$ 1.200 por ano) que renda 10% ao ano.

Ao final de 10 anos, você terá R$ 24.149.

Ao final de 20 anos, você terá R$ 83.676 — ou seja, mais do que o triplo de dez anos antes.

Mas e se você fizer um pouco mais de sacrifício?

Digamos que em vez de R$ 100 por mês você se esforce para poupar R$ 250 por mês (R$ 3.000 por ano), e aplique no mesmo fundo, que rende 10% ao ano. Todo mês de dezembro, você injeta mais R$ 3.000.

Ao final de 10 anos, você terá R$ 60.374.

Ao final de 20 anos, você terá R$ 209.190.

Se, em vez de investir, você gastar R$ 3.000 por ano, serão R$ 30.000 gastos em 10 anos. Mas investindo esse mesmo valor com juros de 10% ao ano, o resultado será um saldo maior que o dobro disso (R$ 60.374). No longo prazo, o investimento pode te dar mais prazer do que o consumismo imediato!

Uma comparação sobre o tempo

Imagine este exemplo: duas pessoas e um mesmo tipo de investimento em renda fixa com rendimento de 10% ao ano.

1- Uma investiu R$ 10 mil anualmente dos 25 aos 35 anos de idade. No total, ela investiu R$ 100 mil e deixou o dinheiro rendendo até se aposentar, aos 65 anos.

2- Outra investiu R$10 mil anualmente entre os 35 e os 65 anos. No total, ela investiu R$ 300 mil.

A pergunta: quem aposentou, aos 65 anos, com mais dinheiro?

Apesar da pessoa 1 ter investido um valor menor (R$ 100 mil), como ela investiu mais cedo, os juros compostos tiveram mais tempo para trabalhar e, no fim do período, ela obteve um patrimônio acumulado de R$ 3.059.083,86.

A pessoa 2, que deixou para começar com uma idade mais avançada, investiu mais dinheiro mas teve um resultado pior: patrimônio acumulado de R$ 1.809.434,25.

Viu o poder multiplicador dos juros compostos no longo prazo? No gráfico abaixo fica simples perceber:

Juros compostos: gráfico compara dois investimentos por prazos diferentes

Tipos de investimentos

Quanto mais cedo você começar a investir, mais tempo os juros compostos terão para fazer seu dinheiro se multiplicar sem o seu esforço.

Com isso em mente, você deve considerar o seu perfil para escolher onde investir. Um perfil mais conservador pede investimentos mais seguros, de renda fixa, como títulos emitidos pelo governo (Tesouro Direto), CDBs de bancos, LCI, LCA ou mesmo fundos.

Quem é mais jovem pode arriscar mais e investir na Bolsa. Quanto mais tempo você tiver, mais pode arriscar, potencialmente sofrendo prejuízos no curto prazo em nome de ganhos maiores no futuro.

 

Uma forma de tentar conseguir o melhor dos dois mundos (rentabilidade e segurança) é diversificar sua carteira. Ou seja, não colocar todos os ovos na mesma cesta. Isto significa ter um pouquinho em ações, outro pedaço no Tesouro Direto, outro em fundos de investimentos e assim por diante. A Magnetis tem um simulador de plano de investimento para te ajudar a montar essa carteira diversificada sem esforço.

É importante lembrar também o efeito da inflação. Se a inflação estiver em 8% ao ano, isso significa que você só tem ganhos reais se seus investimentos rendem acima disso. Um rendimento de 5% ao ano seria, na verdade, um prejuízo, pois você não conseguiu vencer a inflação.

Controle e disciplina financeira

A prática leva à perfeição. O melhor atleta não é necessariamente o mais talentoso, mas aquele que treina sempre e se dedica. Nas finanças pessoais, este fenômeno se repete: cultivar e manter bons hábitos leva ao sucesso ao longo do tempo, sem a necessidade de “dar a sorte grande” ou ter uma grande sacada. Como você viu acima, graças ao poder dos juros compostos, devagar se vai ao longe.

O mandamento mais importante para ficar rico devagar é acrescentar sempre dinheiro novo aos seus investimentos. Todo mês é possível economizar um pouco e aumentar sua carteira de investimentos. Devagar se vai ao longe.

E não se esqueça:na Magnetis, você encontra ferramentas para ajudar você a entender como pequenos investimentos agora renderão uma montanha de dinheiro no futuro. Tem alguma dúvida? Comente aqui e entre nessa conversa.

Leia também: O Guia do Investimento em Renda Fixa

  • Sergio Ellegancy Costuras

    Se capacitar pra ganhar cada vez mais renda, se esforçar para gastar menos( poupar) e ter inteligência financeira para aplicar em algo melhor que a poupança e CDB. Se conseguirmos seguir essas 3 regras prosperaremos, do contrário só ficaremos na zona de conforto, e se não seguirmos nenhum desses 3 passos seremos miseráveis financeiramente falando.

    • Olá Sergio! Muito legal seu comentário. Concordamos com suas 3 regras 🙂 Abraço!

  • Alexandre Luchi

    Olá eu ainda tenho 16 anos, consegui meu primeiro emprego a pouco tempo, irei receber meu primeiro salário á poucos dias… Eu tive aula de juros compostos e vi que é uma boa forma de ganhar dinheiro, só que eu nao sei como começar, eu costumo guardar dinheiro mais sempre quando chega em uma certa quantidade, eu nao sei com o que gastar, dai o dinheiro vai embora em besteiras. Eu queria saber se eu juntar dinheiro até os 18 anos por onde eu começo a investir? Ou se tem como eu investir uma certa quantidade por ano?

    • Oi Alexandre! Muito legal ver sua preocupação com suas finanças desde cedo, já agora no seu primeiro emprego. Você está começando no caminho certo e com certeza vai colher bons frutos se seguir nele. Você não precisa esperar fazer 18 anos para começar a investir, pode começar já agora, sabia? Como primeiro passo você precisa ter uma conta em banco, pode ser tipo um conta salário ou poupança. Daí, mês a mês, você separa um pedaço do seu salário para investir no seu futuro. Para isso funcionar e virar um hábito, pense que o investimento é uma obrigação assim como pagar uma conta. Daí, todo mês, assim que entrar seu salário, você separa aquela quantia e investe, pode ser na poupança ou no Tesouro Direto, para começar. Vou deixar aqui dois outros textos que podem te ajudar:
      1. Para ajudar você a se organizar: https://blog.magnetis.com.br/6-passos-para-organizar-suas-financas-pessoais-e-fazer-sobrar-dinheiro/
      2. Para você ver que até menores de idade podem investir: https://blog.magnetis.com.br/como-nos-garantimos-a-educacao-do-nosso-filho/
      Qualquer outra dúvida, fale com a gente! Abraço! 😉