O que você sabe sobre Letra Financeira e como funciona esse investimento?

por Mariana Congo | 17/09/2019

O que você sabe sobre Letra Financeira e como funciona esse investimento?
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O mercado financeiro oferece um vasto leque de opções para quem quer investir. Uma dessas alternativas é a Letra Financeira (LF), uma aplicação em renda fixa emitida por bancos e outras instituições financeiras.

Ideal para quem já tem uma boa reserva de emergência e quer diversificar seus investimentos, ela atrai os investidores porque muitas vezes oferece rendimentos acima dos de outras aplicações de renda fixa.

Neste artigo, vamos explicar melhor o que é Letra Financeira, para quem é indicada, como funciona sua rentabilidade e quais são as vantagens de investir nesse produto. Acompanhe!

O que é Letra Financeira?

A Letra Financeira é um tipo de aplicação de renda fixa emitida por bancos e outras instituições financeiras. As LFs foram criadas em 2010, pela Lei nº 12.249/2010, e são, portanto, uma modalidade relativamente recente de investimento.

Ela tem algumas características bem próprias, como:

  • aplicação mínima de R$ 150 mil;
  • resgate apenas no vencimento, com prazo mínimo de dois anos.

Embora, à primeira vista, esses aspectos possam parecer negativos para o investidor, são eles que possibilitam a maior vantagem desse tipo de aplicação: uma rentabilidade acima daquelas praticadas por outras aplicações de renda fixa.

Essa rentabilidade varia de acordo com a instituição que está oferecendo o produto e com o prazo para resgate, mas pode chegar a 113% do CDI, algo bastante difícil de ser encontrado, por exemplo, em um CDB.

Para quem é indicado o investimento em LF?

Considerando o valor alto para aplicação mínima e o fato de que o dinheiro terá que permanecer pelo menos 24 meses aplicado, a Letra Financeira não é indicada para fazer parte da reserva de emergência de uma carteira de investimentos.

Afinal, essa reserva deve estar em aplicações de alta liquidez e baixo risco. Embora a LF seja de baixo risco, o fato é que o dinheiro ficará aplicado por pelo menos dois anos, sem poder ser resgatado a qualquer momento.

No entanto, é uma opção muito interessante para formar patrimônio. Nesse sentido, é indicada para quem já tem uma reserva de emergência e quer diversificar a carteira de investimentos.

Como é calculado o rendimento da Letra Financeira?

Assim como outras aplicações de renda fixa, a Letra Financeira pode ser pós-fixada ou prefixada. Nesse último caso, a rentabilidade é dada por um percentual conhecido no momento da aplicação e definido pela instituição que está oferecendo o produto.

Já na modalidade pós-fixada, a rentabilidade está sempre atrelada a um indicador financeiro, que pode ser, por exemplo, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) ou o índice de inflação IPCA.

Na maioria das vezes, esse indicador é mesmo o CDI, que é a taxa de juros praticada nos empréstimos entre as instituições bancárias e que é muito próxima da Selic, a taxa básica de juros do país.

Usando a calculadora do cidadão, do Banco Central, é possível checar quanto teria rendido uma aplicação que pagasse, por exemplo, 110%.

Vamos imaginar que você tenha investido R$ 150 mil em maio de 2017 e resgatado em maio de 2019. Ao fim desse período, você teria R$ 174.857, correspondente a uma valorização de 16,6%.

Aqui cabem duas ressalvas. A primeira é que esse valor não considera o Imposto de Renda. Na próxima seção veremos com mais detalhes como funciona a tributação das LFs.

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A segunda é que o CDI varia diariamente e acompanha a trajetória da taxa Selic, que vem caindo nos últimos anos. Em maio de 2017, por exemplo, ela estava em 11,25% ao ano, ao passo que, em julho de 2019, baixou para 6% ao ano.

Isso quer dizer que, provavelmente, essa rentabilidade será menor para quem começar a aplicar com a taxa de juros mais baixa. Por isso, não dá para esperar que aquela rentabilidade se repita.

Como a LF é tributada?

A tributação da Letra Financeira segue a dos investimentos de renda fixa, uma tabela em que o Imposto de Renda começa em 22,5% e termina em 15%. A alíquota vai diminuindo de acordo com a quantidade de tempo em que o dinheiro permanecer aplicado.

Na prática, como as LFs têm prazo mínimo de dois anos, o IR será sempre de 15% sobre os rendimentos, que é justamente a alíquota mínima.

Tirando isso, não existem outros impostos nem taxas para esse tipo de investimento.

Então, voltando ao nosso exemplo anterior, o investidor aplicou R$ 150 mil, com valor total final de R$ 174.857. O rendimento foi, portanto, de R$ 24.857. Considerando uma alíquota de 15%, ele pagaria R$ 3.728,55 de Imposto de Renda e ficaria com um rendimento líquido de R$ 21.128,45.

Quem oferece LF?

Como dissemos, as letras financeiras são emitidas por bancos e outras instituições financeiras. De acordo com dados do Banco Central, havia um estoque de R$ 383,99 milhões em letras financeiras no mercado em 31/12/2018.

Os principais bancos do mercado oferecem o produto. Em maio de 2019, o BTG Pactual, por exemplo, tinha LFs com rentabilidade entre 107% e 113% do CDI, dependendo do tempo em que o dinheiro permanecesse aplicado. Vale lembrar que 24 meses é o prazo mínimo, mas a LF pode ser mais longa.

Outras instituições, como banco Daycoval, BMG e Paraná Banco também disponibilizam a aplicação, com prazos e rendimentos variados. No Daycoval, por exemplo, os rendimentos variavam de 106% a 108% do CDI.

Quais são as vantagens de aplicar em Letra Financeira?

Como já mencionamos, o principal atrativo da Letra Financeira é a rentabilidade, que, em geral, é maior do que em outras aplicações de renda fixa.

No próprio banco Daycoval, por exemplo, um CDB com aplicação de R$ 150 mil renderia 104% do CDI. Se olhar para os grandes bancos, esse rendimento tende a ser ainda menor.

Como o dinheiro permanece aplicado por pelo menos dois anos, o investidor ainda tem a vantagem de pagar a menor alíquota do IR.

Aqui, no entanto, é preciso chamar a atenção para o fato de que algumas LFs pagam juros semestrais. Se for esse o caso, o IR sobre esses rendimentos vai respeitar a tabela, começando em 22,5% e reduzindo progressivamente até os 15% para aplicações acima de 720 dias.

É também uma opção fácil de aplicar, sem nenhuma complicação, e muito interessante para diversificar a parcela de renda fixa da sua carteira.

Agora você já sabe o que é a Letra Financeira, como ela funciona e pode decidir se é uma alternativa para compor a sua carteira de investimentos.

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