Letra Imobiliária Garantida (LIG): será o fim da LCI?

por Fernando Reis

Quem está em busca dos melhores tipos de investimento encontra diversas modalidades de aplicação no mercado. Uma das alternativas em renda fixa é a Letra Imobiliária Garantida, a LIG. Um título ligado ao mercado imobiliário, assim como a já famosa Letra de Crédito Imobiliário (a LCI).

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A Letra Imobiliária Garantida (LIG) é um tipo de investimento criado em 2014, mas que só começou a ser negociado em 2018 no mercado brasileiro.

Isso porque foi necessário regulamentar esse investimento e deixar bem clara a diferença entre LIG e LCI, que entenderemos melhor ao longo deste post.

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A inspiração para a criação da LIG vem do mercado financeiro no exterior. Esses papéis são parecidos com os covered bonds: títulos com garantia proveniente de dois ou mais ativos e que têm prazo de vencimento mais longo (sempre maior que 2 anos).

Porém, ainda há bastante confusão entre esses dois tipos de investimento. Mas não se preocupe! Estamos aqui para resolver isso!

Preparamos este texto para explicar tudo sobre essa nova forma de investimento. Aqui, você vai saber o que é a LIG, quanto ela rende, como investir e se essa aplicação vale a pena. Acompanhe!


O que é Letra Imobiliária Garantida (LIG)?

O mercado imobiliário precisa de crédito para financiar suas atividades. Por isso, algumas modalidades de investimento são utilizadas pelos bancos para levantar fundos para esse mercado. São elas:

  • poupança: alimenta o Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), que fornecem os recursos para os empréstimos para a compra de imóveis;
  • Letra de Crédito Imobiliário (LCI): os recursos captados pelos bancos são usados para fornecer crédito para a construção de empreendimentos imobiliários para as empresas;
  • Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI): título de dívida emitido por uma empresa para financiar um projeto imobiliário.

Nesse cenário, a LIG veio para reforçar os recursos usados para os financiamentos imobiliários. Ela é uma garantia de que sempre haverá dinheiro para que as pessoas consigam tomar dinheiro emprestado para comprar a casa própria.

É essa, aliás, a principal diferença entre a LIG e a LCI: o destino que os bancos dão aos recursos levantados.

Os recursos arrecadados com a LIG, segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), precisam ficar separados do patrimônio do banco. Assim, em caso de falência, essa reserva não será afetada.

No entanto, como se tratam de recursos separados do patrimônio do banco, a LIG não pode oferecer a cobertura do FGC, que garante a devolução de aplicações e depósitos até R$ 250 mil por instituição, com limite de R$ 1 milhão por CPF.

Quanto ao prazo de vencimento e à rentabilidade, cada banco é livre para definir seus critérios. E esses critérios dependem da necessidade que cada instituição tem de levantar recursos.

Assim, continua valendo algo que sempre mencionamos aqui no blog: os bancos médios têm mais necessidade de captar recursos do que os bancos maiores.

Por isso, a tendência é que eles ofereçam condições mais vantajosas para quem aplica o dinheiro, incluindo rentabilidade mais alta.

Até o momento, os bancos que oferecem a LIG na prateleira de investimentos são:

  • banco Santander
  • banco Itaú
  • banco Inter.

Quais são as vantagens de investir em LIG?

A principal vantagem de uma LIG é a possibilidade de obter um rendimento maior do que a LCI, dependendo das condições que o banco oferece.

Nos últimos anos, com a crise financeira no Brasil, a indústria de construção civil sofreu bastante e reduziu o número de empreendimentos imobiliários lançados.

Por esse motivo, as empresas tomaram menos crédito no banco para esse tipo de obra. Em consequência, a oferta de LCIs no mercado diminuiu.

No entanto, a LIG alimenta uma fonte de recursos para outro tipo de empréstimo - o financiamento da casa própria. Por isso, ela abre novas possibilidades para quem quer ter uma boa rentabilidade na renda fixa.

Além disso, as LIGs também são isentas do Imposto de Renda para pessoas físicas, assim como as LCIs e CRIs. Essa isenção funciona como uma espécie de incentivo e facilita a captação de recursos pelos bancos.

Quais são as desvantagens da LIG?

Os prazos mais alongados podem ser uma desvantagem para quem aplica em LIG, mas precisa de liquidez nos investimentos.

No entanto, investimentos com condições pouco flexíveis (como um prazo de resgate mais longo) tendem a oferecer rentabilidade maior.

Outra desvantagem é a ausência da cobertura do FGC, algo muito importante para quem prefere investimentos seguros. Porém, para compensar o risco, novamente a rentabilidade oferecida pode ser maior.

É seguro investir em LIG?

As LIGs são opções seguras e interessantes de investimento. Contudo, isso não significa que determinados cuidados básicos não devam ser tomados.

O principal deles é manter a estratégia de diversificação e não colocar todo o dinheiro disponível apenas nessa forma de aplicação (ou em qualquer outra).

Uma boa carteira combina diversas opções, de acordo com a estratégia e o perfil de quem está investindo. O objetivo é buscar o equilíbrio entre proteção e rentabilidade.

Qual é a diferença entre LIG, LCI e CRI?

Como vimos, as LIGs, as LCIs e os CRIs compartilham algumas similaridades, como o objetivo comum de financiar o mercado imobiliário e a isenção de IR. Mas qual a diferença prática entre elas? Vamos ver:

Prazo de vencimento

Existem LCIs no mercado com prazo de vencimento a partir de 3 meses. Por outro lado, as LIGs e CRIs têm prazo de vencimento mais longo, a partir de dois anos.

Garantia do FGC

As LCIs têm garantia do FGC, enquanto as LIGs e os CRIs não oferecem essa possibilidade. O risco maior dessas duas últimas modalidades pode fazer com que os bancos ofereçam uma rentabilidade maior para atrair clientes.

Quais bancos e corretoras podem oferecer LIGs?

Como as primeiras emissões de LIG são bem recentes, ainda é difícil encontrá-las no mercado.

Felizmente, isso tende a mudar com o tempo, pois várias instituições financeiras já estão aptas a emitir LIGs.

As instituições financeiras que podem oferecer LIGs são:

  • bancos múltiplos, de investimentos e comerciais;
  • sociedades de crédito;
  • companhias hipotecárias;
  • associações de poupança e empréstimo
  • caixas econômicas.

Resumindo, a LIG é mais uma alternativa para quem pretende investir em aplicações que oferecem rentabilidade maior do que a poupança.

Escolher a melhor opção depende de uma análise do seu perfil e dos seus objetivos. Isso tornará mais claro qual é o melhor investimento para o que você pretende alcançar.

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Fernando Reis é administrador e analista de marketing de conteúdo na Magnetis.

(Post atualizado em fevereiro de 2019)

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