Lições dos americanos sobre finanças e investimentos, por Bel Pesce

por Magnetis | 31/03/2014

Bel Pesce fala sobre finanças einvestimentos

Boa parte dos americanos tem uma cultura de investimentos maior do que os brasileiros. Eles guardam dinheiro desde crianças e crescem conhecendo diferentes possibilidades de aplicação.

“Há mais visão de longo prazo, enquanto aqui somos muito de curto prazo”, compara Bel Pesce, a brasileira que estudou no MIT, estagiou em gigantes da tecnologia no Vale do Silício e hoje está à frente da FazINOVA, uma escola voltada ao desenvolvimento de talento instalada em São Paulo.

Conhecida como A Menina do Vale – título de seu primeiro bestseller, cuja versão online já ultrapassou um milhão de downloads -,  Bel defende que os brasileiros sigam o exemplo dos americanos e encarem o dinheiro de forma mais positiva e objetiva. Orgulho de ganhar e compartilhamento de como isso se tornou possível são atitudes que ela gostaria de ver mais no País.

Bel visitou a sede do Magnetis recentemente e falou conosco com exclusividade. Contou, entre outras coisas, que acaba de implementar um curso de gestão financeira na sua escola por considerar esse um tema essencial ao desenvolvimento de talentos.  Acompanhe a entrevista:

 

Blog do Magnetis: A FazINOVA recentemente incluiu em seu portfólio um curso sobre gestão de finanças. Como surgiu essa ideia?

Bel Pesce: A FazINOVA é uma escola de desenvolvimento de talento, criada para falar sobre as pequenas e grandes coisas que realmente são importantes para crescer na vida profissional e pessoal. Temos desde cursos comportamentais de liderança, relacionamento e autoconhecimento até  ferramentas mais específicas sobre como criar projetos. Nosso carro chefe é desenvolvimento de talentos, mas achamos que uma parte essencial disso é conseguir administrar as finanças.

Por que?

Para crescer na vida profissional, há um assunto que ainda é tabu, mas tem muita relevância: o dinheiro. Este tema está muito ligado a saber o valor que você tem e cria, conseguir cobrar de uma forma justa, considerando os dois lados [de quem paga e quem recebe], e administrar os recursos de maneira que gerem ainda mais riqueza para você. Tem muito a ver com fazer o dinheiro trabalhar para você, e não você trabalhar para o dinheiro. Então, decidimos falar de pequenas mudanças no modo de pensar que achamos serem muito importantes para se conseguir administrar o dinheiro e que ele seja um bem, não uma dor. Quando pensamos em sucesso, em riqueza, o que é isso de verdade? Não é só dinheiro.  É como você vê se está satisfeito realmente com o que está fazendo e como você usa o que conseguiu até agora para fazer mais, dentro daquilo que é sucesso para você. Achamos que isso é um conhecimento básico que, se todos tivessem, muitos projetos poderiam acontecer e avançar mais rapidamente.

Como o curso está estruturado?

Oferecemos o fundamental para a pessoa ver um pouco desta mentalidade: como faço o dinheiro trabalhar para mim, o que é passivo e o que é ativo, quais são os pilares de investimento, se eu investir de tal maneira, deixar dinheiro investido por um tempo e tiver certo retorno, o que aconteceria. É um curso básico, mas queremos mostrar essa mudança de pensamento para você ver o dinheiro como algo que você possa usar para seu bem e para que mais projetos possam acontecer.

Bel Pesce fala ao blog do Magnetis sobre finanças e investimentos

Bel Pesce fala sobre finanças e investimentos

Como você, que já estudou e estagiou nos Estados Unidos, compara o modo como brasileiros e americanos lidam com suas finanças?

Há várias coisas muito interessantes. Falo do mundo em que vivi, ou seja, Nova York, Boston e São Francisco, que não são a média americana, sem generalizar. A primeira grande diferença entre brasileiros e americanos é que lá é um orgulho falar que se fez dinheiro. Aqui, as pessoas escondem. Lá, quem vende uma empresa por milhões de dólares grita isso e é admirado. Aqui, fazer dinheiro às vezes é uma vergonha. Então, há uma relação com o dinheiro bem diferente.  Veja, por exemplo, a história da Google. É uma baita empresa e eles têm muito orgulho por fazer muito dinheiro. Aqui, existe a visão de que só é bacana quando se faz algo de graça. A partir do momento em que começa a ganhar, tem gente que fica com o pé atrás. Isso é uma pena porque o dinheiro nada mais é do que uma ferramenta para fazer as coisas acontecerem. Falar abertamente, sem ser criticado, sobre como um negócio aconteceu e cresceu é legal.

E com relação aos investimentos, também há diferenças?

Desde pequenos, os americanos têm uma cultura grande de investimento. Com oito anos, já guardam o dinheiro que receberam por cortar a grama. Lá, ainda mais nesses lugares em que estive, há muita gente que cresce sabendo que pode comprar uma ação, um título do governo. Não me refiro a 100% da população nem ao país todo, mas existe mais educação sobre isso e eles veem o dinheiro mais como uma ferramenta do que como um desespero porque têm que gastar. Há mais visão de longo prazo, enquanto aqui somos muito de curto prazo.

Qual é a lição mais importante que os americanos têm a dar aos brasileiros nesse assunto?

Eles também são muito consumistas, mas acho que a parte mais positiva é a disponibilidade de informação. Há uma cultura muito forte de dizer como fazem para ganhar dinheiro e explicar para os outros. Aqui, as pessoas têm vergonha, não contam para ninguém; então, como outros vão fazer também? Pelo menos nos lugares em que vivi havia algo muito forte de compartilhar sem medo. Seria muito legal ter isso aqui, e é parte grande do que o Magnetis está fazendo agora com o blog.

Créditos das fotos: Divulgação Bel Pesce/ Ayla Safir (topo) e Divulgação Bel Pesce (centro)

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