Liquidez x rentabilidade: entenda melhor a relação

por Fernando Reis

Um grande dilema para todo investidor, especialmente na renda fixa, é aliar alta liquidez a alta rentabilidade. Essa relação liquidez x rentabilidade é uma regra básica do mundo dos investimentos, geralmente é preciso abrir mão de liquidez para ter uma rentabilidade melhor e vice-versa.

Aplicações que apresentam alta liquidez costumam ter uma rentabilidade menor, por outro lado, investimentos que oferecem melhor rentabilidade têm baixa liquidez com prazos maiores para resgate do dinheiro aplicado. Em meio a este trade-off, o que fazer? Fazendo uma analogia, seria como ter um cobertor curto. Do que abrir mão para se manter aquecido? Cabe ao investidor analisar o que ele deve priorizar já que não se pode ter tudo.

Neste post você vai descobrir o que representa a relação liquidez x rentabilidade em seus investimentos e tirar de vez todas as suas dúvidas!

O que é rentabilidade?

A rentabilidade está ligada ao retorno financeiro de um investimento. Ela está intimamente atrelada aos riscos que você vai assumir. Como regra, quanto maior for a rentabilidade de uma aplicação, maiores também serão os riscos. Desse modo, o investidor precisa pesquisar alternativas de investimentos que sejam adequadas ao seu perfil de risco.

Para quem tem um perfil mais conservador e não deseja correr riscos, recomenda-se que sejam procuradas aplicações pós-fixadas, ligadas à taxa básica de juros, a Selic, e que tenham algum tipo de segurança contra o risco de crédito (ou seja, o risco de calote do emissor do investimento). Nestes tipos de aplicações, embora a rentabilidade possa menor, as chances de perda são quase nulas.

Como exemplos, temos o Tesouro Selic, do Tesouro Direto, e títulos pós-fixados como CDB, LCI e LCA. Todos são ligados à Selic ou taxas próximas a ela, como o CDI. Além disso, o primeiro possui a garantia contra o risco de crédito do Tesouro Nacional enquanto os outros do FGC.

Por outro lado, para investidores com perfil mais arrojado, investir em renda variável pode ser uma opção interessante. Aplicações como ações, ETFs (fundos de índice), fundos de ações são exemplos de renda variável. No entanto, o risco a ser assumido é bem maior nestes tipos de aplicação, porém há chances de se obter alta rentabilidade, assim como também há chances de grandes perdas. De forma, geral a volatilidade é a um ponto a ser considerado por quem decide investir neste tipo de investimento.

O que é liquidez?

Podemos definir liquidez como a velocidade ou facilidade com que podemos converter um bem ou investimento em dinheiro. Ou seja, quanto menor for o tempo de espera para converter algo em dinheiro, maior será o nível de liquidez desse recurso.

Existem diferentes níveis de liquidez no mercado, pois a necessidade de transformação em dinheiro muda de acordo com a necessidade dos investidores. Normalmente, ativos de alta liquidez são aqueles que permitem ser facilmente resgatados ou seja convertidos em dinheiro de forma imediata. Já os de baixa liquidez são exatamente o oposto, costumam ter uma prazo específico para resgate que pode variar de dias ou até mesmo anos, dependendo do tipo de título.

Para ficar mais claro, observe alguns exemplos de investimentos, dos mais líquidos a mais ilíquidos:

  • Caderneta de poupança: têm alta liquidez, pois o dinheiro pode ser sacado a qualquer momento;

  • CDB: geralmente de liquidez diária, esse investimento tem a opção quase imediata de retirada do recurso; porém existem alguns CDBs que só permitem resgate no vencimento do título

  • Ações: dependerão do nível de fluxo do papel; se for um título muito circulado a liquidez será alta, com possibilidade de resgate em até 3 dias úteis;

  • Imóveis: têm geralmente uma baixa liquidez, já que não há prazo certo para a venda de um imóvel - pode demorar de meses até anos.

Como relacionar liquidez x rentabilidade?

Saber a relacionar os conceitos de liquidez e rentabilidade é essencial para evitar as armadilhas de mercado financeiro.

Essa análise deve ser guiada pelo viés do tripé dos investimentos, formado pela liquidez, rentabilidade e risco da aplicação. Dessa forma, o investidor deve avaliar cada pilar para considerar qual investimento balanceia de forma mais apropriada cada um deles.

liquidez x rentabilidade x risco

Normalmente, investidores iniciantes são atraídos pela alta rentabilidade de alguns investimentos e se esquecem de avaliar a liquidez e o risco. Quando isso acontece, a chance da aplicação não atender ao objetivo inicial é consideravelmente alta. O contrário também acontece: alguém que deixa o dinheiro na poupança pois valoriz a alta liquidez e o baixo risco, mas não avalia o custo de oportunidade de ter um baixo retorno.

Qual é o impasse entre liquidez x rentabilidade?

O perfil de um investidor definirá qual fator faz diferença dentro do tripé dos investimentos. Geralmente, os de perfil conservador vão optar por baixo risco mesmo que com baixo retorno, enquanto que um investidor arrojado pode preferir um título de alta rentabilidade, mas é capaz de tolerar o risco de perdas.

Uma dica aqui é: crie objetivos. Abrir um novo negócio a longo prazo? Investir em sua para a sua aposentadoria? Preparar uma viagem no curto prazo? Essa perguntas podem ajudá-lo na sua escolha.

De maneira geral, quanto mais alta a liquidez de um investimento, menor será a sua rentabilidade e vice-versa. Para exemplificar melhor esse dilema, confira alguns dos investimentos mais utilizados no mercado e a relação liquidez x rentabilidade que eles apresentam:

Poupança

A caderneta de poupança é definitivamente a aplicação preferida da maioria dos brasileiros. É quase que um fator cultural quando o assunto é poupar e investir dinheiro. Esta escolha reflete muito do perfil do investidor brasileiro. Seja pela facilidade e mesmo desconhecimento de outros investimentos seja pela segurança pois a poupança é considerada uma aplicação de baixo risco.

Relação liquidez x rentabilidade:

  • tem liquidez imediata, ou seja, permite resgate ou saque a qualquer momento;

  • tem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em caso de falência da instituição;

  • rentabilidade atrelada a taxa básica de juros da economia. No momento está em níveis muito baixos, logo a rentabilidade da poupança está ainda menor do que antes;

  • isenta de Imposto de Renda para pessoas físicas.

CDB

Os Certificados de Depósito Bancário são títulos de renda fixa emitidos pelos bancos para captação de recursos. Sua rentabilidade pode ser pré ou pós-fixada, ou seja, no primeiro caso há um valor de retorno fixo, enquanto que o segundo varia com taxas do mercado.

Os títulos são garantidos pelo FGC até o valor máximo de R$ 250 mil e seus rendimentos sofrem dedução do Imposto de Renda.

Relação liquidez x rentabilidade:

  • Alguns CDBs têm liquidez diária, ou seja, podem ser convertidos facilmente em dinheiro; porém alguns só permitem resgate no vencimento;

  • tem garantia do FGC;

  • geralmente, quanto maior o prazo de vencimento, maiores as taxas de retorno, principalmente se a liquidez for só no vencimento;

  • a alíquota do Imposto de Renda pode ser maior caso você faça um investimento por curto prazo. Um CDB com prazo de vencimento de 1 ano tem alíquota de Imposto de Renda maior que um CDB com prazo de vencimento acima de 2 anos, por exemplo.

LCI e LCA

As Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) são aplicações bastante similares ao CDB, porém direcionadas para áreas específicas: setor imobiliário (LCI) e de agronegócio (LCA). São títulos de renda fixa e podem ser do tipo prefixado, pós-fixado ou misto — um modelo que une taxas pré e pós-fixadas.

Assim como o CDB, esses títulos são garantidos pelo FGC até o valor de R$ 250 mil, porém, diferentemente do primeiro, contam com a vantagem de serem isentos de Imposto de Renda para pessoa física.

Relação liquidez x rentabilidade:

  • geralmente apresentam baixa liquidez, só permitindo resgate no vencimento;

  • baixo risco para pessoas físicas graças à garantia do FGC;

  • chances de boa rentabilidade, pois são geralmente título de médio ou longo prazos;

  • há isenção de Imposto de Renda.

Ações

Negociados na bolsa de valores ou no mercado de balcão, esses papéis são títulos de renda variável e geralmente podem apresentar uma rentabilidade maior que na renda fixa. No entanto, o investidor que decide aplicar no mercado de ações acaba assumindo mais riscos já que existem chances de perdas.

Se dividem em ações ordinárias, em que o sócio tem direito de voto; ações preferenciais, no qual o sócio não tem poder de decisão.

Relação liquidez x rentabilidade:

  • pode apresentar alta rentabilidade mas agrega muito risco para o investidor;

  • não possui nenhum tipo de garantia, pois é renda variável;

  • alta liquidez, permite o resgate em até 3 dias úteis (D+3), a partir da data de negociação.

  • a alíquota de imposto de renda cobrada na compra e venda de ações incide sobre os rendimentos dependendo do tipo da operação. Se for Day-trade (no mesmo dia) é de 20% e se for uma operação normal é de 15%. Há isenção no caso de alienação até R$ 20 mil em um único mês. O investidor deverá pagar o IR devido recolhendo através de emissão de DARF (Documento de Arrecadação da Receita Federal)

E como saber qual destas é a melhor aplicação? A resposta é que a melhor é aquela que esteja mais alinhada ao seu perfil de risco e seus objetivos.

Agora que você está ciente do tripé dos investimentos e da relação entre liquidez x rentabilidade, ficará mais fácil criar seu plano de negócios com base nas suas necessidades e expectativas. Quer saber o que é melhor para você? Faça uma simulação gratuita na plataforma da Magnetis. É super simples e rápido!

Fernando Reis é administrador e Analista de Marketing de Conteúdo da Magnetis.

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