O que é liquidez? Como ela afeta seus investimentos?

por Daniel Jannuzzi, CFP® | 26/02/2019

Liquidez: o que é? Como escolher o melhor investimento?

Na hora de escolher entre os diversos tipos de investimento, é comum se deparar com várias opções de liquidez. Mas do que essa característica se trata exatamente? É isso o que você vai descobrir a partir de agora!

Tão importante quanto decidir em qual aplicação você vai investir, também é fundamental saber quanto tempo o seu dinheiro levará para ser resgatado.

Falaremos sobre isso em detalhes neste post. Mas já adiantando, quanto maior é a liquidez, menor tende a ser a rentabilidade de um investimento, em geral.

Quer entender melhor o que significa liquidez nos investimentos? Acompanhe nosso post e tire suas dúvidas!

O que é liquidez?

O conceito de liquidez tem a ver com a velocidade e a facilidade com que é possível converter um investimento em dinheiro.

Se esse processo puder ser feito de maneira fácil e rápida, diz-se que o chamado ativo tem alta liquidez.

Por outro lado, quanto mais difícil e demorado é transformar esse ativo em dinheiro, menor é a sua liquidez.

Um exemplo clássico é o da água. Se você está com sede, com certeza levará mais tempo para se saciar caso a água esteja congelada.

Acontece algo semelhante com um investimento com baixa liquidez: transformá-lo em dinheiro exige um pouco mais de tempo e paciência.

O exemplo mais comum de investimento com baixa liquidez é o imóvel, pois vendê-lo é algo que leva tempo e depende de vários fatores. Além disso, receber o valor à vista é algo bastante raro.

O que é liquidez diária?

A liquidez diária nada mais é do que a possibilidade de resgatar um investimento a qualquer momento. Esse, aliás, é um dos principais atributos dos investimentos seguros.

Mais adiante, mostraremos como identificar rapidamente a liquidez de um investimento. Mas, de forma geral, todo investimento com liquidez diária vem acompanhado da sigla d+0 (zero).

Qual é o impacto da liquidez nos investimentos?

Para que uma aplicação financeira atinja os resultados esperados, é fundamental fazer um planejamento financeiro adequado.

Acontece que, sem considerar os prazos de resgate do investimento, fica simplesmente impossível elaborar um plano eficaz.

Esse cuidado é especialmente importante para aqueles investidores que eventualmente pretendem utilizar parte do montante investido como uma reserva de emergência.

Afinal, como se programar para os compromissos, principalmente os gastos inesperados, sem saber quando as suas aplicações se transformarão em dinheiro?

Dessa forma, aqueles que desejam manter seu dinheiro investido mas sem deixá-lo inacessível, devem se resguardar compondo sua carteira de investimentos com papéis de alta liquidez.

Caso contrário, você pode ficar sem acesso ao dinheiro até o final do prazo da aplicação ou ter seus rendimentos prejudicados se precisar retirar o dinheiro antes de um prazo determinado.

Além da liquidez, é preciso estar atento também ao prazo de carência de algumas aplicações. Durante esse período de carência, não é possível fazer resgates, o que exige um planejamento ainda mais exato.

Como a liquidez de um investimento é definida?

Existem muitos fatores que definem a liquidez de um bem ou investimento. Entre eles, temos:

  • a demanda do mercado;
  • o tipo de ativo;
  • o preço desse ativo (quanto mais alto, menor tende a ser a liquidez);
  • as próprias regras das aplicações financeiras (carência e a própria rentabilidade, por exemplo).

Em outras palavras, a liquidez é dada pelo nível de facilidade e agilidade para se converter um ativo ou aplicação financeira em dinheiro.

Observar o grau de liquidez de um ativo é essencial para você investir bem o seu dinheiro.

Se você deseja realizar uma viagem daqui a seis meses, por exemplo, não faz sentido aplicar em um investimento com prazo de resgate de dois anos.

Da mesma forma, também não adianta investir em uma aplicação com liquidez diária pensando na sua aposentadoria. A seguir, vamos entender melhor a relação entre liquidez e rentabilidade.

Liquidez e rentabilidade nos investimentos: qual é a relação?

A rentabilidade dos investimentos de renda fixa também pode ser determinada liquidez.

Considere que esse tipo de aplicação trata-se de uma espécie de empréstimo feito para um banco ou para o próprio governo (no caso do Tesouro Direto).

Assim, quanto mais tempo você deixar o seu dinheiro com essas instituições, maior tende a ser a sua rentabilidade.

É claro, há algumas exceções. Por isso é muito importante prestar atenção às condições de cada investimento para não deixar dinheiro na mesa.

O melhor exemplo é a diferença na rentabilidade entre os CDBs de grandes bancos e os CDBs de bancos médios.

Geralmente, os bancos médios tendem a oferecer condições melhores para investimento, em busca de atrair mais dinheiro para suas operações.

Como saber qual é a liquidez de um investimento?

O mercado financeiro desenvolveu uma forma prática de saber quanto tempo um investimento leva para ser resgatado.

Os prazos de resgate de um investimento são determinados por siglas como d+0, d+1, d+2 e assim por diante. Vamos entender melhor:

  • d+0: significa que qualquer ordem de aplicação ou resgate de um investimento será processada no mesmo dia;
  • d+1: uma ordem de aplicação ou resgate levará um dia útil para ser processada;
  • d+2: essa ordem levará dois dias úteis depois do pedido para ser processada.

Cada tipo de investimento tem essas especificações, que geralmente aparecem junto com o detalhamento da aplicação (rentabilidade, custo e prazo do investimento).

Vale prestar atenção ao horário em que as ordens de aplicação ou resgate são aceitas por seu banco ou corretora.

Se elas ocorrem em dias não úteis (feriados ou fins de semana) ou ainda fora do horário aceito pela instituição, sua ordem pode levar mais tempo para ser processada. 

Qual é a liquidez dos principais tipos de investimento?

A seguir, separamos alguns exemplos de investimentos que possuem diferentes características de liquidez.

Comparando-os, você entenderá melhor como esse conceito impacta nas aplicações, podendo ser um fator de grande importância para a escolha das melhores opções de ativos para você.

1 – Caderneta de poupança

A caderneta de poupança é o investimento mais popular entre os brasileiros. Uma das características que garante essa popularidade é justamente a liquidez diária.

Os recursos depositados em uma conta poupança podem ser resgatados a qualquer momento. No entanto, vale lembrar que só há rendimento sobre os valores que completarem pelo menos 30 dias aplicados.

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2 – Títulos públicos do Tesouro Direto

Os títulos públicos são papéis emitidos pelo governo federal e negociados por meio da plataforma do Tesouro Direto.

Por aliar características como baixo risco e rentabilidade superior à poupança, esse tipo de investimento caiu nas graças dos brasileiros nos últimos anos.

Todos os títulos públicos disponíveis no Tesouro Direto possuem liquidez diária.

Pode acontecer de o resgate levar um dia útil para cair na sua conta corrente caso você faça uma transferência a partir da sua conta na corretora.

Vale lembrar, porém, que os preços de boa parte dos títulos do Tesouro Direto mudam todos os dias.

Assim, para evitar o prejuízo, o ideal é prestar atenção para vender esses papéis somente por um valor maior do que o preço de compra.

3 – Fundos de investimento

Fundos de investimento são aplicações muito versáteis, podendo possuir características que atendem aos mais diversos perfis.

Os fundos de renda fixa costumam ter mais liquidez, uma vez que geralmente concentram boa parte de seus ativos em títulos públicos.

Para um fundo de renda fixa, é bastante comum ver liquidez em d+0 ou d+1.

Por outro lado, os fundos multimercado e os fundos de ações podem levar mais tempo para serem resgatados. Nesse caso, pode acontecer de a liquidez ficar entre d+5 e d+30, dependendo da estratégia do fundo.

Como se tratam de carteiras mais diversificadas, também é comum ver um prazo de um a dois dias úteis para processar as ordens de aplicação.

No entanto, se o que você busca é alta liquidez, o ideal é optar pelos fundos DI, que são aqueles que possuem rendimentos atrelados à taxa Selic e ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

Os resgates podem ser solicitados a qualquer momento e o dinheiro fica disponível em poucos instantes.

Se você investir por meio de uma corretora, considere também o prazo da TED para transferir o dinheiro para a sua conta corrente.

Quanto à rentabilidade desse fundo, o ideal é que ela seja superior a 100% do CDI. Além disso, também é interessante que a taxa de administração do fundo seja menor do que 1% ao ano para não comprometer o rendimento.

4 – CDB (Certificado de Depósito Bancário)

investimento em CDB é outra boa opção para quem busca uma aplicação ajustável ao seu perfil. Isso porque é possível escolher entre papéis com liquidez diária ou com resgate apenas no prazo de vencimento.

A diferença fica por conta da rentabilidade, que é mais atrativa nos casos em que o dinheiro fica aplicado por todo o período contratado.

Além disso, as opções com liquidez diária costumam exigir um aporte financeiro maior por parte do investidor.

Também é preciso levar em conta a tributação que incide em cada alternativa.

A alíquota do Imposto de Renda começa em 22,5% para aplicações inferiores a 180 dias, mas cai para 15% se o prazo superar os 720 dias.

Além disso, há cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para resgates antes de 30 dias, o que deve ser avaliado por quem busca um investimento de curto prazo.

5 – Ações

Para quem tem um perfil mais arrojado e está disposto a correr mais riscos investir em ações pode ser uma boa opção.

Assim como existe a chance de ter ganhos superiores que outros tipos de investimentos, o investidor também pode incorrer em perdas.

Em relação a liquidez, vai depender do tipo da ação. Elas também podem ter liquidez diária ou serem resgatadas ou vendidas de maneira rápida.

O que vai determinar esta facilidade é o interesse de outras pessoas por determinada ação.

Ou seja algumas ações têm maior liquidez porque há uma demanda maior por elas, então sempre que houver demanda, o investidor não terá muitos problemas para liquidar o investimento (por exemplo, as chamadas blue chips, como Petrobrás, Vale e Ambev).

Porém existem ações que têm menor liquidez e podem ser mais interessantes para quem quer investir com foco no longo prazo.

A liquidação financeira da compra e venda de ações, que é quando o valor de fato é creditado ou debitado na conta do cliente, é feita em 3 dias úteis (D+3).

6 – LCI e LCA

Entre os tipos de investimento mais populares, as LCI e LCA geralmente possuem liquidez entre um e três anos. O maior atrativo dessas aplicações é a isenção de Imposto de Renda (IR).

Há algumas exceções, é claro. O Banco Inter, por exemplo, oferece LCIs com liquidez a partir de 90 dias.

A rentabilidade depende diretamente da liquidez desejada, sendo que os melhores resultados são obtidos pelos papéis de longo prazo.

7 – Imóveis

Os imóveis são os ativos que geralmente possuem os graus de liquidez mais baixos do mercado, pois envolvem valores elevados e nem sempre é fácil encontrar compradores para eles rapidamente.

Desse modo, o tempo de espera para a venda de um bem assim pode variar de meses a anos — a menos que diminua consideravelmente o seu valor, o que fará com que você perca dinheiro.

Risco de liquidez: o que é e como evitá-lo?

Risco de liquidez é o risco de perder dinheiro caso você não consiga resgatar seus investimentos quando precisa.

Acontece geralmente com investimentos de renda variável, cuja rentabilidade não obedece a nenhuma regra.

Quando falamos em risco de liquidez, o mais importante é casar o prazo das suas aplicações com os seus objetivos e necessidades. O segredo do sucesso é ter um bom planejamento financeiro.

Um exemplo é a reserva de emergência. Por estar relacionada a imprevistos, essa reserva deve ser feita por meio de investimentos com muita liquidez, como Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária, fundos de investimentos em renda fixa com resgate em D+0 ou mesmo na poupança.

Já outros objetivos de investimento, como compra da casa própria ou aposentadoria, têm horizontes mais longos e podem ter outros tipos de liquidez.

Para o gerenciamento de risco de liquidez, o melhor é sempre fazer investimentos considerando cada prazo de resgate.

Agora que você entende melhor sobre liquidez e como identificar os diferentes prazos, que tal saber quais aplicações financeiras estão à sua disposição? Baixe grátis o nosso Guia Completo sobre os Tipos de Investimento e tire suas dúvidas!

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