Por que maio é um mês ruim para a bolsa de valores? Será que sempre foi assim?

por Malena Oliveira | 16/05/2019

Maio é um mês ruim para a bolsa?

O mês de maio chegou e junto com ele vieram algumas turbulências no mercado financeiro. Aliás, nos anos anteriores também foi assim. Mas será que maio é, de fato, um mês ruim na bolsa de valores?

Quando analisamos o que vem acontecendo nos últimos meses de maio, vemos eventos que refletem decisões políticas. Vamos relembrar alguns fatos que influenciaram o desempenho ruim da bolsa nos meses de maio:

  • 2016: impeachment da presidente Dilma Rousseff
  • 2017: delação da JBS envolvendo o então presidente Michel Temer
  • 2018: greve dos caminhoneiros

Este ano, o que afeta o desempenho da bolsa e faz o dólar subir é o cenário internacional (especialmente questões envolvendo Estados Unidos e China) e as discussões sobre a Reforma da Previdência no Brasil.

Mas considerando que todos esses eventos são políticos, como as pessoas podem lidar com esse sobe e desce?

Esse foi o assunto de um bate-papo ao vivo no canal da Magnetis no Youtube. Nele, eu contei com a participação de Lucas Taxweiler, especialista em investimentos aqui da Magnetis. 

A seguir, você confere o vídeo na íntegra e as principais conclusões que tiramos. Acompanhe!

Sell in may and go away: o que significa?

Já faz algum tempo que o mês de maio é complicado para a bolsa brasileira. No entanto, não é só no Brasil que esse fenômeno acontece. 

Existe até uma expressão estrangeira que reflete essa preocupação: sell in may and go away (em inglês, seria algo semelhante a "venda em maio e caia fora").

Segundo o site Investopedia, a expressão sell in may and go away compreende um período de seis meses entre maio e outubro.

Durante esse tempo, o mercado tende a ficar mais volátil (ou seja, aumenta o sobe e desce) e os investimentos nas bolsas de valores podem apresentar desempenho negativo com mais frequência. 

Curiosidade:

A expressão sell in may and go away vem de um adágio que se popularizou em Londres, onde surgiu a primeira bolsa de valores do mundo. A frase original era sell in may and go away, and come back in St Leger's Day.

Ela reflete o costume de as pessoas tirarem férias longe da cidade durante o verão no Hemisfério Norte.

St Leger's Day é uma data comemorativa em meados de setembro em que tradicionalmente havia corridas de cavalo na cidade.

O período marcava a volta das férias e, também, a volta do movimento na bolsa de valores.

Um estudo apresentado em 2015 pelo site americano Tasty Trade mostrou que, na história do S&P 500 (índice que reúne as 500 maiores empresas da bolsa dos EUA),  apenas metade dos meses de maio teve performance negativa. Os dados foram compilados em um vídeo, que você pode conferir a seguir.

(O vídeo está em inglês, mas é possível ativar legendas em Português. Basta clicar em "CC", depois em "Configurações (Settings)", em seguida em Legendas (Subtitles/CC) e selecionar a opção "Auto-translate". Lá, você vai encontrar a opção Português).

Veja mais: Sabia que você pode investir em S&P 500 com a Magnetis? Entenda como!

Uma das possíveis conclusões desse estudo é a seguinte: o mês de maio costuma ser ruim para a bolsa porque as pessoas se antecipam e começam a vender seus ativos. 

É isso o que gera parte do desempenho negativo. Afinal, se a bolsa cai, é porque os investimentos estão sendo vendidos por um preço mais baixo.

Mas será que essa lógica também funciona na bolsa brasileira? Vamos ver a seguir.

Maio também é um mês ruim para a bolsa no Brasil?

No início de 2019, a bolsa brasileira deslanchou. Começou na casa dos 90 mil pontos e, em março, bateu um recorde histórico: chegou ao patamar dos 100 mil pontos.

No entanto, logo devolveu esses ganhos e voltou a ficar mais próxima dos 90 mil pontos ainda no mês de março. Apesar de uma leve recuperação em abril, maio chegou. De novo, surgiu um movimento de baixa.

Como falamos no início do post, também foi assim nos três maios anteriores: alguma coisa aconteceu no cenário econômico e levou a bolsa para baixo. Mas será que sempre foi assim?

Aqui na Magnetis, o Carlos Resende, do nosso time de Análise Quantitativa, replicou o estudo do Tasty Trade para o Índice Bovespa, a principal referência do mercado brasileiro de ações. 

O período da análise foi de 1995 até 2018. Antes disso, o histórico de inflação alta no Brasil não permite conclusões precisas. Veja o que ele descobriu a seguir:

Maio da bolsa de valores - análise histórica

(clique na imagem para ampliar)

A principal conclusão foi que, nos últimos 23 anos (1995-2018), apenas 29,17% dos meses de maio foram positivos para o Ibovespa. Além disso, o retorno médio desse índice costuma ser negativo em 1,48% nesses períodos.

Novamente, não dá para saber quem vem primeiro: os problemas no cenário econômico ou a baixa do índice.

Isso porque, quando analisamos o Ibovespa como um todo, vemos que não é só em maio que as coisas não vão muito bem.

Ibovespa histórico

(clique na imagem para ampliar)

Como você pode ver no gráfico, eventos como a crise de 2008 (setembro) e a então possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff (janeiro de 2016) influenciaram bastante o mercado.

Eles não ocorreram necessariamente no mês de maio, mas acabaram tendo desdobramentos ao longo do tempo.

Mas afinal, vale a pena investir na bolsa no mês de maio?

Depois de todos esses números, muitas pessoas podem perder o interesse em investir na bolsa por acreditarem que terão resultados negativos. Mas você consegue perceber onde está o erro nessa análise?

Você acertou se respondeu que a bolsa é um investimento para longo prazo. De fato, há altos e baixos no meio do caminho, mas se você reparar no gráfico anterior, vai perceber que quem conseguiu controlar as emoções teve bons resultados.

Essa é a principal lição que podemos tirar de todos esses dados: investimento exige tempo para entregar bons resultados.

É claro, nem todas as pessoas têm perfil para investir na bolsa por conta própria, mas sabia que você não precisa ser especialista para isso?

Hoje, com a tecnologia, ficou muito mais fácil investir em ações e outros ativos mais sofisticados e que buscam rentabilidade maior do que a renda fixa tradicional.

Fintechs, como a Magnetis por exemplo, ajudam as pessoas a montarem as carteiras de investimento mais adequadas para seu perfil e investir sem sustos.

Como investir na bolsa em tempos de alta volatilidade?

Investimentos mais arriscados costumam exigir mais sangue frio das pessoas. Ver o gráfico negativo é algo que incomoda bastante, principalmente se ele fica nessa situação por mais tempo.

Mas existe uma forma de investir com mais rentabilidade e, ao mesmo tempo, proteger a sua carteira contra as oscilações do mercado.

Essa técnica é a diversificação. Ela consiste em combinar ativos que ofereçam proteção para o seu patrimônio e busquem rentabilidade maior.

Durante o nosso bate-papo, mostramos alguns exemplos dos benefícios da diversificação: resistência contra o sobe e desce do mercado e retorno consistente no longo prazo.​

A seguir, você pode ver como funciona na prática, comparando o retorno de dois dos ativos que compõem as Carteiras Magnetis.

Benefícios da diversificação de investimentos

(clique na imagem para ampliar)

Em resumo, você pode investir bem o seu dinheiro sem ter de correr riscos desnecessários. Basta ter uma boa estratégia e controlar as emoções para ver bons resultados!

Então, se você se interessa pelo mercado de ações, mas não tem tempo para analisá-lo, que tal conhecer um serviço que faz isso por você? Aqui estão 5 perguntas e respostas sobre como funciona uma consultoria de investimentos. Aproveite para tirar suas dúvidas e investir no que importa!

Luciano

Malena Oliveira é jornalista especializada em Finanças Pessoais e redatora na Magnetis.

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