Qual é a melhor aplicação para a aposentadoria?

por Fernando Reis

Com as dificuldades enfrentadas pela Previdência Social e as incertezas trazidas pelas reformas, poupar para o futuro deixou de ser uma opção e se transformou em uma necessidade. No entanto, como saber qual a melhor aplicação para aposentadoria?

Se você já pesquisou um pouco sobre o assunto, deve ter consciência que os planos de previdência privada oferecem poucas vantagens. Existem opções muito mais interessantes, com taxas menores e rentabilidades mais elevadas. 

Falaremos um pouco sobre algumas delas neste artigo, como o Tesouro IPCA+, os fundos de investimento das categorias multimercado e renda fixa e os títulos de créditos privados, como CDBs, LCIs e LCAs.

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Tesouro IPCA+

O Tesouro Direto é um sistema criado para vender títulos da dívida pública, usados pelo Governo Federal para angariar recursos e financiar suas atividades. Em resumo, você empresta dinheiro para o governo, que é devolvido com juros depois de um tempo.

É preciso abrir conta em uma corretora de valores que opere no Tesouro Direto, transferir o dinheiro e comprar os títulos. É possível investir valores a partir de R$ 30.

As taxas são baixas:

  • taxa de custódia de cerca de 0,3% ao ano para a B3 (novo nome da BM&FBovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo, após a fusão com a Cetip);
  • taxa de administração paga à corretora de valores — muitas delas praticam a taxa zero.

Existem diversos tipos de Títulos do Tesouro Direto, cada um com uma forma diferente de cálculo da remuneração. Para quem visa à aposentadoria, a opção mais adequada é o Tesouro IPCA+, título que paga a inflação do período mais uma taxa de juros definida no momento do investimento.

Ela é a alternativa mais recomendada uma vez que a inflação é uma das maiores ameaças às reservas financeiras; a alta dos preços corrói o poder de compra do dinheiro — ou seja, uma mesma quantia em reais passa a pagar por menos produtos.

O Brasil é um país com indicadores de inflação historicamente altos — basta lembrar da hiperinflação dos anos 80 e 90, em que o preço de muitos itens dobrava em apenas um mês.

Por isso, é bom proteger seu patrimônio.

O risco do investimento é muito baixo, pois a moratória da dívida pública é vista como altamente improvável nos dias de hoje. Além disso, se o governo não conseguir honrar seus compromissos, outras aplicações financeiras (e a economia como um todo) também enfrentarão problemas.

O Tesouro IPCA+ tem as datas de vencimento mais longas entre todos os títulos — hoje, a opção mais próxima é para 2024, daqui a sete anos. Essa data é importante, pois a rentabilidade contratada só é garantida para quem deixa seu dinheiro investido até lá.

É possível resgatar antes, mas as oscilações da marcação podem fazer você perder dinheiro. Por outro lado, graças a elas, também é possível ganhar mais do que o combinado. Tudo depende das taxas e preços dos títulos no dia.

Fundos multimercados

Quem quer investir de uma maneira mais fácil pode procurar os fundos de investimento. Nessa modalidade, você e outros investidores entregam seus recursos a um gestor, que se encarrega de comprar os ativos financeiros de acordo com uma determinada estratégia, e pagam a ele uma remuneração por meio de taxas.

Existem, basicamente, quatro classes de fundos de investimento: renda fixa, ações, cambiais e multimercados.

Os fundos multimercados são uma boa alternativa para a aposentadoria. Eles têm a liberdade de investir em diversas classes de ativos financeiros, podendo comprar títulos de renda fixa — como os títulos públicos de que falamos acima, títulos de crédito privado e debêntures — e também ações de empresas.

Fundos multimercados do tipo macro são os mais indicados para quem busca retorno a longo prazo. Nesse tipo de fundo, os gestores fazem uma análise das condições macroeconômicas atuais e de suas tendências para os próximos anos. A partir dessa leitura da conjuntura econômica, escolhem os investimentos que provavelmente terão maiores retornos.

Outras opções são os fundos multimercados balanceados ou dinâmicos, que trabalham com a estratégia de alocação de ativos, ou seja, concentram-se na distribuição do dinheiro nas proporções corretas entre renda fixa e ações.

Por outro lado, há mais riscos nesse tipo de investimento. Os retornos a curto e médio prazo podem ser, inclusive, negativos. O prazo para resgate também pode ser demorado, levando alguns dias entre pedir a retirada e o dinheiro cair na sua conta.

Além disso, fundos multimercados costumam ter taxas de administração maiores. Isso se justifica, já que a gestão, nesse caso, é mais ativa e complexa do que em um fundo de renda fixa, por exemplo. A quantia inicial exigida para aplicar também costuma ser mais elevada que outros tipos de fundos.

Fundos de renda fixa

Outra opção para quem quer poupar para a aposentadoria são os fundos de renda fixa. O modo de funcionamento é o mesmo que o dos fundos multimercados, mas, como o nome sugere, eles só investem em produtos de renda fixa, como títulos de dívida pública e privada (“empréstimos” para bancos, financeiras e empresas).

As taxas de administração costumam ser mais baixas do que as praticadas nos fundos multimercados, principalmente nos produtos de gestoras independentes, que não são ligados aos grandes bancos comerciais.

Existem diversos tipos de fundos de renda fixa, desde os mais simples, que tentam seguir a taxa DI ou a Selic sem grandes oscilações. Estes são mais indicados para prazos curtos e podem ser uma ótima opção como reserva de emergência.

Já os fundos de renda fixa que buscam seguir um índice de mercado atrelado à inflação acabam sendo os mais indicados para a aposentadoria. Com um perfil mais de longo prazo são uma forma interessante de se proteger contra a alta dos preços e a perda do poder de compra ao longo do tempo, já que focam em superar o índice atrelado a inflação.

CDBs, LCIs e LCAs

Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), Letras de Crédito imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) são títulos de crédito. Quando você investe em produtos desse tipo, está emprestando dinheiro para o banco fornecer crédito a outros clientes.

Enquanto os CDBs permitem que os recursos sejam usados em qualquer tipo de empréstimo, as LCIs e LCAs destinam-se a esses setores específicos da economia e, por isso, são isentas da cobrança de Imposto de Renda.

CDBs, LCIs e LCAs de bancos pequenos e médios são distribuídos por corretoras de valores e oferecem boas rentabilidades, por exemplo, 105% do CDI. O risco de investir em títulos de uma instituição financeira menos conhecida é mitigado pela cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura depósitos e aplicações até a quantia de R$ 250 mil.

Por outro lado, títulos desses tipos com boas rentabilidades geralmente vêm com prazos fechados e só podem ser resgatados no vencimento. Além disso, nem sempre é possível investir com pouco dinheiro, principalmente na LCI e na LCA.

A melhor aplicação para aposentadoria

A melhor aplicação para aposentadoria entre as opções que apresentamos depende do seu perfil de investidor — em outras palavras, em que fase da vida você está, o quanto tem para investir e qual o risco que você está disposto a correr.

O ideal é montar uma carteira diversificada, que use todas essas opções como forma de diminuir os riscos.

Gostou do nosso texto? Agora que você já sabe qual é a melhor aplicação para aposentadoria, que tal conhecer mais sobre como planejar esses investimentos? Não deixe de ler mais posts do nosso blog sobre o assunto!

Fernando Reis é administrador e Analista de Marketing de Conteúdo da Magnetis.

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