Saiba escolher os melhores investimentos para aposentadoria

por Mariana Congo | 08/11/2016

Investimentos para a aposentadoria

Você sabia que existem inúmeras formas de investir na aposentadoria, além dos planos de previdência privada - os famosos PGBL e VGBL?

Para você que entende a necessidade de guardar dinheiro todo mês para manter a qualidade de vida no futuro, classificamos as milhares de opções existentes no mercado em seis grandes grupos, e explicamos a vantagens e desvantagens de cada um deles.

Mas antes vale a pena se fazer quatro perguntas: você já sabe...

  • ... quanto pretende gastar por mês durante a aposentadoria?

  • ... quanto dinheiro precisa juntar para cobrir esses gastos?

  • ... quanto aplicar por mês para atingir a reserva dentro do prazo desejado?

  • ... onde investir o dinheiro que você guardar todo mês?

Se você ainda tem dúvidas quanto aos três primeiros itens acima, dê uma olhada depois nesse post sobre como planejar sua aposentadoria.

Aqui na Magnetis nós recomendamos que você siga esses passos para ter a clareza dos frutos que vai colher a partir da economia que está fazendo a cada dia.

Muito além dos planos de previdência privada

O mercado brasileiro tem cada vez mais opções de investimento para quem quer investir para a aposentadoria.

Existem modalidades com ou sem taxa de administração, com mais ou menos risco, tributação regressiva ou progressiva, maior ou menor liquidez...

Para facilitar, classificamos as principais formas de investimento em aposentadoria em sete grandes grupos:

  • Planos de previdência privada (VGBL e PGBL)
  • Fundos de pensão / planos da sua empresa
  • Fundos de renda fixa e DI
  • Tesouro Direto
  • Ações e ETFs
  • Imóveis
  • Fundos imobiliários
O investimento certo para a aposentadoria

Identificando um bom investimento

A escolha da modalidade de investimento vai depender das suas necessidades e possibilidades, bem como do seu grau de aversão ao risco.

Porém destacamos abaixo três pontos importantes que devem ser observados por qualquer pessoa que está investindo para a aposentadoria.

1 - Busque a melhor rentabilidade líquida

Dependendo da modalidade de investimento, você pode pagar mais ou menos Imposto de Renda (IR), e nem sempre isso estará claro nas propostas que você receber do banco.

Em um plano PGBL, por exemplo, se você juntou R$ 1 milhão ao longo de 30 anos, pagará um IR de R$ 150 mil se resgatar tudo, caso tenha escolhido a tributação progressiva.

Já no Tesouro Direto, o IR incide apenas sobre o rendimento. Se você vai resgatar o mesmo R$ 1 milhão, dos quais R$ 300 mil são juros, o seu IR será de apenas R$ 45 mil.

Em compensação, no PGBL você consegue desconto de até 12% no Imposto de Renda enquanto está juntando o dinheiro.

Sim, é confuso e dá trabalho comparar a rentabilidade líquida de cada tipo de aplicação. Mas no final a diferença pode equivaler ao valor de um bom carro.

2 - Pense no rendimento real

De nada adianta você ganhar juros de 1% ao mês se a inflação mensal estiver em 1,5%. Por isso, é muito importante pensar na rentabilidade real, ou seja, o quanto seu dinheiro rendeu quando descontada a inflação.

Esse é o principal motivo que faz a poupança ser atualmente um investimento ruim, por exemplo. Preparamos uma calculadora da poupança que lhe permite ver justamente quanto dinheiro você pode estar deixando na mesa a cada dia.

Uma das maneiras de lidar com essa necessidade é procurar alocar ao menos parte da sua carteira em títulos ou fundos que acompanhem a inflação.

O Tesouro IPCA+ (antiga NTN-B) do Tesouro Direto, por exemplo, hoje oferece uma rentabilidade em torno de 6% acima do índice oficial de inflação (o IPCA).

Isso quer dizer que não importa quanto os preços subam no país, você receberá na data de vencimento o valor total investido, corrigido pela inflação, e ainda 6% de rentabilidade.

Por outro lado, se a inflação ficar muito baixa, um papel prefixado que não acompanha nenhum índice de preços pode gerar uma rentabilidade real bem maior.

Como não é possível prever com precisão como ficará a inflação nas próximas décadas, o melhor é sempre diversificar seus investimentos.

3- Conheça as características dos investimentos

Uma recomendação importante: escolha os investimentos pelas características dele, não pelo desempenho dos últimos meses.

Se você está lendo este texto é porque tem interesse em investir para a aposentadoria, ou seja, é um objetivo de longo prazo.

Assim, se uma ação na Bolsa subiu ou caiu 5% no mês passado, não é isso que vai afetar a sua aposentadoria. O mesmo papel pode subir 10% no mês seguinte.

O correto não é tentar adivinhar o que vai acontecer com esta ou aquela aplicação daqui a 20 ou 30 anos, e sim ter ciência dos riscos, vantagens e desvantagens de cada uma delas.

Dessa forma você consegue combinar diferentes tipos de investimento que, juntos, refletem a sua tolerância ao risco e a sua capacidade de fazer aportes mensais.

Tipos de investimento

Vamos agora às características de sete modalidades de investimentos que podem ser usadas para a aposentadoria.

Planos de previdência privada (PGBL / VGBL)

O que são:

Fundos de investimentos que punem quem resgata o dinheiro muito cedo e dão incentivos tributários para você manter a aplicação em longo prazo

Valem a pena para quem:

Não tem disciplina e corre risco de gastar o dinheiro com bobagens.

Faz declaração completa do Imposto de Renda, pois pode abater até 12% da renda tributável, se o plano for PGBL.

Riscos e desvantagens:

Se você resgatar em curto ou médio prazo, deixará um bom naco para o governo. Na tributação regressiva, perde 35% do valor total da aplicação quem resgata em menos de dois anos;

Têm taxa de administração, que comem parte da rentabilidade;

Vários planos cobram taxa de carregamento sobre os aportes, que pode ficar em torno de 1% sobre o valor aplicado.

Vantagens e desvantagens da previdência privada

Caso você esteja interessado em ver mais sobre a previdência privada, veja nossa participação discutindo o tema no programa Conta Corrente, da GloboNews!

Fundos de Pensão / Plano da sua empresa

O que são:

Fundos de investimento que pertencem aos funcionários de uma organização. Para cada aporte que você faz, a empresa faz outro, até um determinado limite.

Valem a pena para quem:

Tem esse benefício na empresa em que trabalha e confia na organização.

Riscos e desvantagens:

Esses fundos costumam investir mais em papéis de baixo risco. Mas há casos em que os fundos não conseguem pagar o que se esperava, seja por má administração ou fraude. Os funcionários da Varig, por exemplo, acabaram tendo uma aposentadoria abaixo da expectativa.

Só permitem fazer resgate parcial após 36 meses de contribuição – e ainda assim com limite de 20% do valor investido. Caso você precise do dinheiro antes de se aposentar, terá que fazer o resgate total e abandonar o plano.

Tesouro Direto

O que é:

Títulos públicos que podem ser adquiridos diretamente pelo investidor pessoa física, sem necessidade de um fundo como intermediário

Vale a pena para quem:

Quer minimizar os riscos. Os títulos públicos são os investimentos mais seguros de um país. São papéis de renda fixa – logo, oscilam menos que ações. Você só leva calote se o governo ficar insolvente, mas se isso acontecer os títulos privados e as ações também estarão em maus bocados.

Deseja boa rentabilidade mesmo na renda fixa. Os papéis do Tesouro costumam render mais do que fundos de renda fixa ou DI, pois não há taxa de administração.

Tem disciplina e não vai vender os papéis antes da data de vencimento.

Riscos e desvantagens:

Se você vender os papéis antes da data de vencimento, pode perder dinheiro.

Nem sempre a data de vencimento vai coincidir com o momento em que você quer resgatar. Hoje, por exemplo, não tem papéis que vençam, por exemplo, em 2040. Tem para 2035, e depois só em 2045.

Calculadora do Tesouro Direto

Quer projetar sua rentabilidade no Tesouro? Nossa calculadora do Tesouro Direto apresenta o resultado em menos de 2 minutos!

Ações e ETFs

O que são:

Ações são títulos privados que representam a sua participação em uma empresa. Quem tem esses papéis é dono de uma fração da companhia.

ETFs, na prática, são como fundos de ações, mas de gestão passiva. Ou seja, seguem a rentabilidade de um índice ao investir de fazer gestão ativa e tentar superar os índices do mercado (em um estudo que fizemos, ficou claro que poucos fundos de gestão ativa conseguem superar a passiva). Com eles, é possível investir no S&P 500, o índice das 500 principais ações negociadas em Nova York ou no Ibovespa, principal índice brasileiro.

São bons para quem:

Tem sangue frio e não vai resgatar o dinheiro se os papéis caírem.

Ainda vai demorar para se aposentar e pode aguardar as ações se recuperarem, caso elas recuem em curto prazo.

Riscos e desvantagens:

Como renda variável, o preço dos papéis oscila muito mais do que os títulos de renda fixa públicos e privados, ou os fundos de renda fixa ou DI.

Magnetis divulga estudo de caso sobre rentabilidade de fundos de índices

Imóvel para alugar

O que é:

Casa, apartamento ou qualquer propriedade para quem quer viver de aluguel.

Vale a pena para quem:

Tem também outros investimentos, em aplicações diversificadas e com maior liquidez, para mitigar riscos do mercado imobiliário e para poder resgatar rapidamente em caso de emergência.

Não se aborrece ao lidar com burocracia, síndico, imobiliária, inquilino, pedreiro, encanador etc.

Riscos e desvantagens:

  • Pode ser difícil encontrar um inquilino
  • Pode haver inadimplência
  • Se precisar vender com urgência, pode perder dinheiro
  • Se tiver imobiliária, a taxa cobrada pode chegar a 10% do valor do imóvel – ou mais
  • O imóvel se deteriora com o tempo, sendo necessário reservar parte do rendimento para reformas e consertos
  • A taxa do condomínio, se houver, pode aumentar com o tempo, devido a necessidade de reformas

Fundos Imobiliários

O que são:

Fundos de investimento que aplicam em negócios imobiliários, como construção de imóveis, compra e venda de propriedades, aquisição de títulos financeiros do setor etc. Os fundos imobiliários são classificados como renda variável.

Valem a pena para quem:

  • Quer investir em vários imóveis ao mesmo tempo, para diversificar a carteira e mitigar riscos.
  • Deseja uma liquidez maior que a do imóvel inteiro, para resgatar o dinheiro mais rapidamente em caso de emergência.

Riscos e desvantagens:

  • O preço dos imóveis pode cair e surpreender, como ocorreu na crise de 2008 nos EUA
  • A liquidez ainda é baixa em comparação com outros fundos, como os de ações ou os de renda fixa

Fundos de renda fixa ou DI

O que são:

Fundos que aplicam em títulos públicos ou privados

Valem a pena para quem:

Pode precisar resgatar parte do dinheiro em médio prazo. A partir de dois anos, o Imposto de Renda já chega à alíquota mínima, de 15% (exceto fundos de curto prazo, em que o IR mínimo é de 20%)

Não quer correr riscos e já juntou uma reserva grande o bastante para conseguir taxas de administração mais baixas

Riscos e desvantagens:

Há taxas de administração, que comem parte considerável da rentabilidade; no Tesouro Direto, não há.

A alíquota mais baixa do IR é de 15%; nos planos de previdência privada, ela chega a 10% para quem optou por tributação regressiva.

Como diversificar para investir na aposentadoria

Você viu que cada modalidade de investimento tem as suas características. Como ninguém consegue prever o futuro com precisão, o ideal é compor uma carteira diversificada, que reflita o seu grau de tolerância ao risco.

Por exemplo, se você acha que a qualquer momento pode precisar fazer um resgate de até R$ 50 mil, então deixe esse valor em um fundo de renda fixa. Já o montante que sabe que não vai precisar em menos de 10 anos, escolha títulos do Tesouro Direto de longo prazo. Caso aceite perder 10% de toda a sua reserva, avalie colocar esse dinheiro em ações.

Quer saber se você está diversificando da melhor forma possível?

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Luciano

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.





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