Você sabe como funciona o mercado de derivativos?

por Mariana Congo

Você já ouviu falar do mercado de derivativos? Se sim, deve ter ficado com dúvidas ou ter tido receio sobre a especulação e o alto risco dessa modalidade de investimento.

É verdade que esse é um tipo mais avançado de aplicação financeira, mas também é fato que esse mercado é acessível para qualquer pessoa que esteja disposta a aprender como ele funciona.

Para tirar as suas dúvidas sobre o assunto, veja o post a seguir e entenda o que é um derivativo, como funciona esse mercado e para qual perfil de investidor ele é mais indicado!

O que são derivativos?

Os derivativos são contratos financeiros estabelecidos entre duas pessoas. O valor desses contratos depende (ou, de acordo com o termo, deriva) dos valores de outros ativos em uma data futura, daí o nome.

Esses ativos podem ser taxas de juros, indicadores financeiros, ações, moedas (como dólar, euro e iene, por exemplo), commodities (como ouro, petróleo e soja, por exemplo), ou qualquer outro ativo negociável em bolsa de valores.

É possível, por exemplo, comprar derivativos do mercado futuro de ouro, de dólar ou mesmo de taxa Selic.

Como funciona o mercado de derivativos?

A negociação dos derivativos se dá por meio de contratos padronizados nas bolsas de valores.

Eles são padronizados quanto à quantidade que pode ser comprada ou vendida (lote padrão), prazo de liquidação e forma de cotação do ativo que vai servir de base para a transação, de modo a garantir segurança para ambas as partes.

Aqui no Brasil, quase todos os derivativos são negociados no pregão eletrônico da B3, a bolsa de valores brasileira.

Também há na B3 o mercado de balcão, para contratos personalizados. Esse tipo de contrato, no entanto, costuma ser feito por grandes instituições ou investidores com uma necessidade muito específica, pois é necessário encontrar uma contraparte para o cumprimento do contrato.

Quais são os principais tipos de operações com derivativos?

Entre as muitas opções disponíveis de operações no mercado de derivativos, existem quatro modalidades mais comuns:

  • mercado a termo;

  • mercado futuro;

  • opções;

  • swaps.

Mercado a termo

O mercado a termo é uma modalidade mais simples de investimento no mercado de derivativos.

Uma operação a termo acontece quando os envolvidos no negócio fecham um acordo de compra e venda que se concretizará em uma data futura estabelecida no momento da negociação.

Pense em dois investidores: o primeiro compra ações de uma empresa hoje. Depois, ele vai ao mercado de derivativos oferecendo um contrato que oferece a um segundo investidor a possibilidade de comprar aquelas ações por um preço estabelecido entre eles.

Esse preço não precisa necessariamente ser o mesmo pago pelo primeiro investidor no momento de sua compra. Quando chegar a data da operação, ocorre a liquidação e a venda das ações é concretizada pelo preço combinado.

Mercado futuro

O mercado futuro funciona de acordo com os mesmos princípios do mercado a termo, mas possui uma diferença fundamental.

No mercado futuro, não há vinculação entre as partes nos contratos, o que significa que um investidor pode vender um contrato que tenha comprado mesmo antes de seu vencimento. Assim, essa opção de investimento tem muito mais liquidez.

Além disso, os contratos desse tipo sofrem ajustes diários de preço, de acordo com as variações do mercado.

Opções

O mercado de opções dá ao comprador a possibilidade de comprar um ativo a determinado preço e quantia no futuro, de acordo com o que foi estabelecido entre as partes. Não há, contudo, obrigação da efetivação da operação na data da liquidação do contrato.

Exemplificando: um investidor adquire uma opção de compra de dólares a R$ 3 para daqui a 90 dias. Quando o prazo vencer, o comprador escolhe ou não se vai realizar a compra dos dólares, considerando o preço à vista da moeda hoje.

Se ela estiver cotada a mais do que R$ 3, executar a opção será um bom negócio, ele vai desembolsar menos reais para adquirir os dólares.

Quem compra uma opção faz isso de um outro investidor, que passa a ter uma obrigação de venda a partir dessa operação.

O comprador deve pagar um prêmio ao vendedor na hora da negociação do contrato, representando uma parte do valor total do negócio. Essa quantia funciona com uma espécie de sinal de compra.

É normal que contratos do tipo também contenham travas de preços para limitar eventuais prejuízos.

Swaps

Por fim, temos os swaps. Menos comuns, os swaps fazem com que ambas as partes assumam tanto a posição ativa (credora) e passiva (devedora) e troquem a rentabilidade entre dois ativos.

Para facilitar, imagine que dois investidores estabeleçam um contrato de swap de petróleo e dólar.

Se na data do vencimento, a valorização da cotação do petróleo for maior que a do dólar, quem comprou o petróleo paga a diferença para o outro com os dólares. Se o dólar obtiver maior rentabilidade, acontece o contrário.

E, como no mercado a termo, a liquidação acontece apenas no vencimento.

Grandes empresas costumam fazer esse tipo de operação para tornar seus resultados mais previsíveis quando têm negócios relacionados ao mercado de exportações ou de commodities.

Quais são as vantagens e desvantagens do mercado de derivativos?

Os derivativos têm duas grandes vantagens: oferecer proteção ou possibilitar altos retornos em um curto espaço de tempo.

Operações desse tipo são interessantes para quem precisa se proteger de oscilações bruscas dos preços de moedas estrangeiras ou commodities.

Como mencionado no tópico anterior, uma empresa pode recorrer a um derivativo atrelado a cotação do dólar para contar que a moeda mantenha o preço atual em determinado período. Operações desse tipo são conhecidas como hedges.

Quem está disposto a assumir mais riscos em troca de maior rentabilidade tem algumas estratégias. Por meio da chamada alavancagem é possível obter lucro apostando em determinado ativo sem, no entanto, ter toda a quantia de dinheiro disponível no momento.

Nesse tipo de estratégia, o investidor assume uma posição que tenha pouca relação com o mercado atual, apostando que determinado ativo vai alcançar patamares elevados de preços em um curto prazo.

Se a especulação se mostrar certeira, os lucros podem ser enormes, da mesma forma que os prejuízos, se a escolha der errado.

Por outro lado, o mercado de derivativos não é indicado para iniciantes. Fora o fato de ser negociado majoritariamente por pessoas jurídicas, os riscos envolvidos são altíssimos, exigindo que o investidor tenha um grande conhecimento do seu funcionamento e faça um acompanhamento detalhado de todas as variações do mercado.

Ou seja, para quem está começando, o ideal é procurar outras formas de aplicar seu dinheiro que oferecem menos riscos, sem abrir mão de uma boa rentabilidade.

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Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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