O fotógrafo que se enforcou no cheque especial

por Mariana Congo

(Post originalmente publicado em outubro de 2014)

Quem nunca viu de perto ou viveu uma história complicada, que provocou perdas ou sofrimento na vida financeira? É para compartilhar essas experiências que publicamos aqui no blog a série "Histórias de Horror", uma sequência de posts para conscientizar você sobre as armadilhas que podem comprometer o seu dinheiro.

Os casos que publicamos aqui são relatos dos leitores do nosso blog, cuja identidade foi preservada com nomes fictícios. No final, essas histórias trazem um grande aprendizado e servem de alerta para que você não passe pela mesma situação. Aproveite a leitura!

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A história

Maurício é um fotógrafo talentoso, mas que, por não ter um salário fixo, via sempre sua renda oscilar. Como as despesas não davam folga e tinha três filhos para sustentar, virava e mexia caia no cheque especial, com juros na casa dos 8% ao mês. Logo que entrava o pagamento por algum trabalho realizado, quitava a dívida e tudo voltava ao normal. Assim ele levava a vida.

Porém, num ano difícil, em que as demandas por seus serviços caíram, o período no cheque especial se estendeu. E como o limite de que ele dispunha era alto, de quase R$ 30 mil, a dívida explodiu.  “Num dia eu devia R$ 5 mil, depois quase R$ 6 mil e assim por diante”, revela.

Maurício, então, para tentar sair daquela situação, pediu ao gerente do banco um empréstimo pessoal com juros mais baixos (4,5%) e trocou uma dívida pela outra. Os tempos bicudos continuaram e ele não conseguiu dinheiro suficiente para honrar a terceira parcela do empréstimo. Como foi paga? Novamente, com o cheque especial, que a essa altura cobrava juros mensais acima de 10%, pois ele passou a ser considerado um cliente com risco mais elevado.

Alguns meses mais tarde, a dívida chegou a R$ 44 mil. Ele tentou negociar e propôs quitá-la por R$ 24 mil (o valor do seu carro, que pretendia vender), mas o banco não aceitou. Hoje, após aproximadamente dois anos, o endividamento alcançou R$ 160 mil, montante que o profissional considera impossível de saldar.

Maurício espera por alguma campanha de renegociação do banco que aceite um valor com o qual possa arcar.

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As lições

O caso de Maurício é, infelizmente, muito comum. A pessoa recorre ao cheque especial para quitar alguns compromissos financeiros e acaba entrando numa espiral de dívidas sem fim.

Já vimos aqui no blog o efeito poderoso dos juros compostos, que faz crescer nossos investimentos exponencialmente ao longo do tempo. No caso de dívidas, o efeito dos juros compostos também existe, só que contra o devedor. Para piorar, devido aos juros elevados, esse fenômeno acaba sendo muito mais poderoso e devastador.

Se você passar por uma circunstância semelhante à do Maurício, a principal dica é evitar, a qualquer custo, recorrer ao cheque especial. A melhor forma de fazer isso é criar uma reserva financeira que ajude a atravessar eventuais tempos difíceis. Normalmente, é recomendável manter o valor equivalente a pelo menos três salários mensais. Se a sua profissão envolve receitas incertas, como no caso de um fotógrafo ou outros profissionais liberais, essa reserva deve ser ainda maior, em torno de até seis salários.

Se for necessário tomar um empréstimo, tente outras alternativas antes do banco: negociar com fornecedores, oferecer desconto a clientes para receber adiantado ou pedir ajuda a amigos. Se nada disso funcionar e precisar do banco, negocie uma modalidade com juros mais baixos do que o cheque especial. Refinanciamento de imóveis ou veículos é um boa opção para quem possui esses bens.

“Cheque especial é ilusão”, resume o fotógrafo.

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Mariana Congo, da Magnetis

Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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