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O papel central das mulheres nas finanças de Manoel Lemos

Ele é sem dúvida um dos grandes nomes da internet no Brasil, destacando-se pela fundação de startups como BlogBlogs e Webco e pela atuação no Grupo Abril, onde é CTO. Mas na vida financeira, Manoel Lemos prefere ficar em segundo plano. O controle do orçamento ele deixa por conta da esposa, que colocou suas contas em ordem desde a época do namoro.

“Ela era e é muito boa nisso. Inclusive hoje a divisão em casa é: eu gero dinheiro e ela cuida”, resume, em tom de brincadeira.

A esposa, aliás, não é a única mulher com papel-chave nas finanças do executivo-empreendedor. Ele revela a preocupação em construir um patrimônio pensando no futuro, em especial considerando a formação das duas filhas.

“Vejo dois objetivos para os meus investimentos: ter uma reserva para alguma grande mudança de rumo e criar um capital que nos dê um bom padrão de renda mais para a frente. Também quero montar um fundo para as minhas filhas, para garantir que consigamos formá-las”, diz.

Os investimentos da família até aqui ficaram concentrados em imóveis, mas os planos são diversificar, incluindo crescentemente ativos financeiros.

Quer saber mais? Nesta entrevista para o blog, Lemos, que também está à frente do projeto Fazedores e é advisor do Magnetis, mostra que, embora atribua à mulher a responsabilidade por cuidar do dinheiro, sabe, sim, do que está falando. Ele lamenta não ter começado a investir mais cedo e fala sobre as dificuldades de deixar de gastar no presente pensando no futuro: “existe um trade-off entre gastar e poupar e às vezes é mais fácil se acostumar com o gasto”.

Acompanhe a entrevista completa:

 

Vida financeira e investimentos

Blog do Magnetis: Que estratégia você segue na vida financeira?

Manoel Lemos: Não tive nenhuma educação financeira. Comecei a me preocupar com dinheiro quando saí de casa. Fui para Campinas estudar e tive que cuidar da minha vida. Meu pai estava muito apertado nas finanças, então chegou uma época em que eu fazia contas para ver exatamente o que cabia no orçamento, do tíquete do bandeijão da faculdade a uma pizza às vezes com os amigos. Fui criando essa noção. Depois consegui uma bolsa da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que compensava um pouco financeiramente, mas mesmo assim não sobrava dinheiro para juntar, para investir.

E depois de formado, o que mudou?

Comecei a ganhar dinheiro. Não me preocupei e passei a gastar, até que chegou uma hora em que não tinha mais a menor noção do que entrava e do que saía. Preenchia cheques sem nem marcar no canhoto o valor e o destinatário. Com certeza, aumentei os gastos acima do que podia. Não tive presença de espírito para pensar em investir em um imóvel, um fundo, uma previdência privada, nada disso. Anos depois, conheci minha esposa e começamos a pensar em casar. Depois de uns dois anos de namoro, ela passou a olhar minhas contas.

Ela tinha uma visão mais estruturada das finanças?

Ela era e é muito boa nisso. Inclusive hoje a divisão em casa é: eu gero dinheiro e ela cuida. Na época, ela me alertou que eu estava numa situação complicada, devendo muito, e me ajudou a colocar a vida financeira em ordem. Foi dali que comecei a ter um pensamento mais organizado e fui equalizando essa área. Mas nunca tive uma sofisticação de investir. Hoje, entendo que tenho condição de investir e precisaria de alguma ajuda, como o Magnetis está oferecendo.

Sua esposa tem formação em finanças?

Não, é algo intuitivo. Ela é de controlar, economizar, ter paciência de olhar as contas todos os dias. Mas ajudo na automatização do controle. Há pouco tempo, ela comentou que estava ficando difícil administrar os recursos, então achamos uma ferramenta de orçamento. Montamos nossas contas e hoje temos uma visão bem clara de tudo.

Então, sua estratégia foi casar com uma mulher que cuida das finanças?

Me casei com alguém que tem consciência disso.

Que dica para as finanças funciona/ funcionou para você e poderia compartilhar com nossos leitores?

A dica mais básica para mim é: cuidado com como você gasta. Realmente, nunca a conta vai fechar se você gastar mais do que ganha. Outro ponto que fui entendendo com o tempo é que existirão imprevistos no meio do caminho. Você pode trocar de emprego, bater o carro, ter um filho sem planejar… É muito fácil aparecer despesa nova e, se você não está preparado, isso pode gerar um efeito dominó na sua vida. Não passei por esse tipo de coisa, mas estava entrando claramente por esse caminho. Hoje vejo que teria um grande problema muito rapidamente se não tivesse passado a tomar cuidado. Eu e minha esposa acabamos investindo muito em imóveis, aproveitamos esse boom do mercado imobiliário um pouco por sorte e um pouco por consciência. Daqui para a frente, essa pode não ser mais a melhor estratégia, então começamos a discutir muito a respeito de diversificação.

Considera que já deu algum mau passo na vida financeira?

Sim, naquela fase pregressa, de gastar sem pensar. Hoje, a única coisa de que me arrependo é não ter começado a poupar e investir mais cedo.

Dizem que a bolsa de uma mulher conta muito sobre ela. E sua carteira, o que fala sobre você? O que carrega nela?

Só carrego cartões de crédito e débito. Praticamente não levo dinheiro porque cada vez uso menos, nem cheque porque não tenho mais o paradigma de dar um pré-datado. Além disso, guardo documentos e fotos da minha esposa e das minhas filhas. Tento ser o mais leve possível e virtualizar as coisas ao máximo. Isso me dá agilidade no dia-a-dia.

Você tem preferência por cartão de crédito ou de débito?

Recentemente, decidimos passar a usar só cartão de crédito. A ideia é concentrar os pagamentos e acumular milhas, sem cair no pagamento de juros. O cartão de débito não tem essas vantagens.

Que livro mais lhe ensinou sobre finanças?

Leio mais sobre outros temas. Agora estou escutando o audiobook “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes“, que fala muito sobre achar equilíbrio na vida. Este tema está presente em uma discussão que venho tendo com minha esposa: será que precisamos de tantas coisas? Depois de já termos algum conforto, começamos a querer nos libertar de precisar querer gastar mais. Acho que é um pensamento saudável.

Como surgiu essa reflexão?

Carro é algo que não faz mais diferença para mim. Também já tenho uma boa casa. Há fontes para essa preocupação: minhas filhas. Olho para elas e me pergunto: qual é o orçamento delas para os próximos 20 anos? Não é pequeno. Fui parar de dar despesa aos meus pais com 20 e poucos anos. Então, neste momento, talvez muitas das coisas que eu achava importantes, com as quais gastaria dinheiro, não o são mais. Isso é bom. Gastando menos, posso guardar mais.

Que lição sobre a vida financeira recebeu de seus pais?

Meus pais, por terem vivido a época da inflação, tinham muito pouca confiança nas instituições financeiras, então preferiam coisas paupáveis: uma casa, fazenda, gado… Mas meu pai sempre disse: pague suas contas. Esse é um valor importante. Ele fala muito: faça uma poupança. Porém, para ele, isso significa: compre outro apartamento. Já eu acho, hoje, que devo olhar para outros tipos de investimentos.

O que ensinará às suas filhas?

A principal coisa a passar para elas é que têm que achar algo que gostem de fazer, antes de mais nada. Além disso, é importante poupar desde cedo. Quero que elas deem valor às coisas. Essa é outra discussão que tenho hoje com a minha esposa. Perguntamos: como, neste mundo em que tudo é tão abundante, se faz alguém valorizar as coisas? Atualmente, tudo está a uma passada de cartão de crédito de distância. Não sei o quanto isso é bom ou não.

Quando começou de fato a investir seu dinheiro?

Não foi algo pensado. Quando comecei a pensar em casar, resolvi comprar um apartamento e financiei uma parte. Com o tempo e por algumas situações conjunturais, acabamos ficando com mais de um imóvel e isso foi ótimo porque aconteceu num período em que houve grande valorização desse tipo de ativo. Então, foi um bom investimento. Hoje, muito provavelmente não seria uma aplicação tão boa. Agora estamos pensando em como investir em ativos do mercado financeiro. Já estamos muito concentrados em imóveis. Queremos diversificar.

Que tipo de ativo está considerando?

Quero usar o Magnetis para me ajudar, mas, basicamente, penso em fundos. Quero montar um portfóilio e ter ajuda no processo.

Tem um objetivo específico para os investimentos?

Vejo dois objetivos. Um de curto prazo, que é uma reserva para alguma grande mudança de rumo, como troca de emprego ou acidente. Acredito que é importante ter uma fatia do patrimônio bem líquida, à qual possamos ter acesso fácil. O outro objetivo é criar um capital que nos dê um bom padrão de renda mais para a frente. Também quero montar um fundo para as minhas filhas, para garantir que consigamos formá-las.

Quais as principais dificuldades que enfrentou desde que começou a investir?

Existe um trade-off entre gastar e poupar e às vezes é fácil se acostumar com o gasto. A não ser que a pessoa seja obrigada a mudar seu padrão de vida e isso aconteça por necessidade, é difícil abrir mão de algo a que se acostumou por opção, mesmo que seja por uma coisa boa lá na frente. Então, acredito que o mais difícil é esse tunning de comportamento.

Vida profissional

O que você descreveria como sua maior realização na vida profissional?

Todas as realizações foram boas, e as melhores naqueles momentos. Posso citar minhas realizações na vida acadêmica, minhas startups BlogBlogs e Webco, os projetos que toquei na Abril e agora o Fazedores. O que foi muito importante na minha carreira profissional, e só hoje isso fica mais claro, é a minha capacidade de fazer a ponte entre o negócio e a tecnologia, desde o ponto de vista da linguagem até entender as dores, necessidades e sonhos dos dois lados, para então criar um diálogo. O grosso da minha vida profissional foi construído em cima disso.

Cada uma dessas coisas foi contribuindo de alguma forma para as seguintes…

Exatamente. Analisando agora, penso que o grande marco na minha vida, que mudou tudo, foi o BlogBlogs. Ele me levou à Abril e a partir daí passei a trabalhar só com internet.

E o Fazedores?

Meus projetos pessoais nascem muito de uma inquietação que tenho de estar sempre aprendendo coisas novas e também de paixões. Com o Fazedores também foi assim. Sempre gostei de hardware. Com oito anos, comecei a fazer projetos de eletrônica e mais tarde estudei Engenharia da Computação, mas depois não mais mexi mais com essa área. Há uns quatro anos, tive contato com o Arduino, uma plataforma de prototipação eletrônica, e percebi que com ele ficava muito mais fácil e acessível trabalhar com hardware de novo. Comprei alguns, comecei a estudar e, aos poucos, fui descobrindo que existia um mundo de gente trabalhando com isso, integrando-se a um movimento maior, o movimento Maker. Fui me apaixonando pela história do movimento e comecei a escrever sobre o que estou estudando e aprendendo desse universo. A ideia, com o Fazedores, é tentar criar um ponto de encontro para as pessoas falarem disso e ajudar a disseminar essa cultura Maker no Brasil. Coloquei o site no ar em dezembro do ano passado e já estamos batendo mais de 120 mil pageviews por mês.

Que planos está traçando para o futuro da sua vida profissional?

Tenho gostado cada vez mais de ajudar empreendedores a tocar seus projetos, apoiar essas pessoas apaixonadas por suas ideias para tirarem o melhor possível dos recursos e do tempo que têm. Para o futuro, gostaria de trabalhar mais com isso, além de levantar o Fazedores, fazê-lo atingir mais gente.

 

Foto: Divulgação

 

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