Quando sua aplicação vira dinheiro: que é liquidez em investimentos?

por Daniel Jannuzzi

É sempre importante pesquisar e entender bem sobre as características que devem ser observadas na hora de escolher as melhores aplicações que combinam com seu perfil de investidor. É essencial ficar atento ao potencial de rentabilidade, à segurança, ao tempo de retorno e, claro, à liquidez daquela aplicação financeira.

Gostaria de entender melhor o que significa liquidez no mundo dos investimentos? Acompanhe nosso post e tire suas dúvidas!

O que é liquidez em investimentos?

O conceito de liquidez tem a ver com a velocidade e a facilidade com as quais é possível transformar um ativo em caixa, ou seja, converter aplicações ou bens em dinheiro vivo.

Se esse processo puder ser feito de maneira fácil e rápida, diz-se que o ativo possui alto nível de liquidez. Por outro lado, quanto mais difícil e demorado é obter capital financeiro a partir de um ativo, menor é o seu grau de liquidez.

Existem muitos fatores que afetam a liquidez de um bem ou investimento. Entre eles, temos as próprias regras daquela aplicação financeira (carência, por exemplo), a demanda do mercado (compradores) e o tipo de ativo e valor envolvido (quanto mais alto, maior a tendência de o ativo ter menor liquidez, embora haja exceções).

A expectativa de valorização do item também pode interferir na facilidade de vendê-lo, como no caso de ações que possuem boas chances de valorização, as quais podem atrair mais interessados em adquiri-las a um preço vantajoso.

Também existe outro fator que interfere no grau de liquidez: a perda de valor envolvida no processo de conversão. Isso porque quanto mais o valor de um ativo for reduzido, maior é a chance de ele ser convertido em dinheiro, pois a desvalorização faz com que ele seja atrativo para o mercado. Contudo, isso não é algo positivo para quem vende.

Desse modo, quanto mais fácil for converter o bem ou investimento em caixa, maior será sua liquidez — mesmo que seja apenas para recuperar o dinheiro sem que o valor diminua significativamente.

De outro modo, se para transformar um ativo em dinheiro for necessário reduzir substancialmente o seu valor devido à dificuldade de encontrar compradores, menor será o seu grau de liquidez.

Em outras palavras, a liquidez é dada pelo nível de facilidade e agilidade para se converter um ativo ou aplicação financeira em dinheiro.

Como a liquidez de um investimento se relaciona com o seu objetivo?

Observar o grau de liquidez de um ativo é essencial para você conseguir seus objetivos de investimento.

Por exemplo, se você deseja realizar uma viagem dentro de 2 anos com os ganhos obtidos em um investimento, é importante aplicar em um título que, ao fim desse tempo, já possa ser resgatado em dinheiro. Caso contrário, você vai precisar adiar a viagem até conseguir realizar essa conversão, o que pode atrapalhar seus planos, ou até mesmo perder dinheiro nessa transação.

Se você investir em uma aplicação de baixa liquidez, então é interessante tentar negociá-la um pouco antes da viagem. Assim, você evita ter que se desfazer dela por um valor menor do que o esperado quando a data estiver muito próxima.

Separar uma parte dos seus investimentos para opções com maior nível de liquidez ajuda a montar uma boa carteira de investimentos. Isso porque você pode se proteger melhor caso surja uma emergência, convertendo tais ativos rapidamente em caixa para usá-los no lugar de recorrer a um empréstimo, desfazer-se de um bem ou outra opção menos positiva no momento.

Lembre-se de que, se seus objetivos são de curto prazo, então é indicado adquirir opções com maior liquidez.

Exemplos de investimentos com diferentes características de liquidez

A seguir, separamos alguns exemplos de investimentos que possuem diferentes características de liquidez. Comparando-os, você entenderá melhor como esse conceito impacta nas aplicações, podendo ser um fator de grande importância para a escolha das melhores opções de ativos para você. Confira:

Imóveis

Os imóveis são os ativos que geralmente possuem os graus de liquidez mais baixos do mercado, pois envolvem valores elevados e nem sempre é fácil encontrar compradores para eles rapidamente.

Desse modo, o tempo de espera para a venda de um bem assim pode variar de meses a anos — a menos que diminua consideravelmente o seu valor, o que fará com que você perca dinheiro.

Títulos de renda fixa

A liquidez dos títulos de renda fixa varia conforme o papel escolhido. Por exemplo, há os investimentos que possuem um período de carência, como Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Letras de Crédito Imobiliário (LCI). Elas exigem que o investimento fique retido por determinado tempo, geralmente alguns meses, antes que possa ser sacado.

Existem alguns Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) — especialmente os que são prefixados —, que igualmente exigem um tempo até o dinheiro poder ser resgatado, ou seja, impossibilitam a retirada antecipada.

Por outro lado, há títulos de CDB que possuem liquidez diária, podendo ser sacados em qualquer tempo. Todavia, eles costumam oferecer uma rentabilidade bem menor do que os que têm períodos previstos para o saque.

Títulos de renda variável

O risco de liquidez também atinge os títulos de renda variável, como as ações. Elas podem ser negociadas a qualquer momento na bolsa de valores, porém possuem um risco atrelado à liquidez: se o investidor precisar vender um papel antes do previsto e isso ocorrer em um momento de desvalorização do título no mercado, haverá perda de dinheiro na transação.

Outro ponto a se destacar é que a liquidez varia conforme os tipos de ações (preferenciais e ordinárias), pois as preferenciais costumam ter maior liquidez, sendo geralmente mais negociadas na Bolsa.

Conhecendo e avaliando os graus de liquidez das aplicações pretendidas, você poderá estruturar melhor sua carteira de ativos, podendo alinhá-la mais facilmente aos seus objetivos pessoais.

Desse modo, evitará também passar por emergências, tendo que se desfazer de bens a preços menores do que o esperado, o que pode trazer perdas financeiras. Afinal, imprevistos ocorrem, por isso é importante se precaver e proteger seus investimentos principais.

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Daniel Jannuzzi é economista e consultor de investimentos da Magnetis

Daniel Jannuzzi é economista e consultor de investimentos da Magnetis.

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