Tudo o que você precisa saber sobre perfil de investidor

por Mariana Congo | 19/09/2017

Perfil de Investidor

Afinal, qual é o seu perfil de investidor? Conservador, moderado ou você não tem medo de arriscar e se enquadra em um perfil mais agressivo? Quem nunca conversou com o gerente do banco sobre aplicações financeiras ou fez algum teste rápido na internet e não se viu enquadrado em um desses perfis de investimento?

A verdade é que seria ótimo se fosse tão simples. No entanto, uma mesma pessoa está em constante transformação e possui diferentes ambições e necessidades em cada momento da vida. Por isso, saber em que ponto você está é crucial para aplicar seus recursos de forma estratégica e compor uma carteira com produtos rentáveis.

Pensando nisso, preparamos este post com o objetivo de lhe ajudar a refletir sobre o portfólio ideal para a sua realidade. Siga a leitura e confira como identificar o melhor cenário para investir de acordo com o seu perfil e como montar um plano de ação para isso!

Como a fase da vida influencia o seu perfil de investidor?

A sua idade, o ponto da carreira em que se encontra, as circunstâncias pessoais que vive: tudo isso importa na hora de definir seus investimentos.

Momento de vida

O exemplo de meu amigo Maurício

Para entender melhor como isso funciona, vejamos o exemplo de um velho amigo, o Maurício. Aos 20 anos, no início da sua carreira, o dinheiro que ganhava mal dava para pagar as contas. Mesmo assim, foi incentivado pelo pai a começar a acumular recursos. Todo mês, separava uma fatia do salário ­— sua renda ativa — para investir.

Perfil de investidor agressivo

Maurício sentia que tinha a vida toda pela frente e podia arriscar. Por isso, a carteira recomendada ao perfil de investidor dele — um jovem no início da carreira — foi bastante arrojada, composta em grande parte por fundos de ação e multimercados.

Em alguns anos, ele chegou a ter perdas de até 20%, mas que foram mais do que compensadas pelos retornos em períodos bons, quando chegou a ganhar 40% em um único ano.

Perfil de investidor moderado

Mais tarde, ao atingir o topo da trajetória profissional e seu salário ser bem maior do que os gastos, Maurício ampliou a parcela destinada aos investimentos. Sua meta era reunir recursos suficientes para no futuro contar com uma boa renda, que permitisse manter o padrão de vida mesmo sem trabalhar.

O objetivo maior de suas aplicações era a valorização do patrimônio a longo prazo. O seu perfil de investidor já não era mais tão arrojado quanto na juventude, mas, como os recursos investidos não seriam necessários tão cedo, aceitava correr riscos para obter maiores ganhos. Afinal, ainda que ocorressem eventuais perdas, haveria tempo para recuperá-las, porque ainda continuaria gerando renda ativa por algum tempo.

O portfólio adequado ao Maurício nessa fase da vida era mais moderado e incluía fundos multimercado e de ações, para possibilitar maiores chances de rentabilidade elevada, e uma participação de renda fixa, para garantir certa estabilidade em períodos de oscilações dos demais investimentos.

Perfil de investidor conservador

Mais anos se passaram. Maurício já estava próximo à aposentadoria e sua preocupação passou a ser preservar seu o patrimônio que tinha conquistado. Sabia que não haveria mais tempo suficiente para repor perdas e que os recursos acumulados seriam fundamentais para proporcionar as retiradas que complementassem a renda da aposentadoria.

Maurício estava se preparando para o período de desinvestimento, em que dependeria de renda passiva, isto é, não resultante do seu trabalho. Risco, naquele momento, era uma palavra que não fazia mais parte do seu vocabulário.

Nessa fase, o mais apropriado para Maurício era concentrar os investimentos entre fundos DI e renda fixa atrelada à inflação, de modo a minimizar riscos e evitar perdas.

Como você tolera os riscos?

A forma como você lida com risco também tem influência no seu perfil de investidor. Dependendo da sua personalidade e da sua reação a uma perda, a sua carteira ideal pode ser mais ou menos arriscada.

Voltemos à história do Maurício. Ele sempre enfrentou bem os riscos e demonstrou sangue frio para tolerar perdas em várias situações. Por isso, sua carteira era bastante arrojada na juventude e manteve essa característica, mais ponderadamente, ao longo da vida, até chegar a um momento em que, pela idade avançada, não podia mais tolerar perdas tão bem.

Mas nem todos são como o Maurício. Outro amigo, o João, tem uma personalidade diferente. É daquelas pessoas que perdem o sono só de pensar que amanhã podem ter menos dinheiro do que hoje. Portanto, claramente tem um perfil de investidor conservador.

É natural, portanto, que João opte por uma carteira mais conservadora do que Maurício, ainda que ambos estejam na mesma fase da vida.

A composição de investimentos de João no auge da sua carreira foi centrada em títulos de renda fixa e fundos DI, para evitar variações e perdas, ainda que momentâneas. Essa é uma alocação mais defensiva pela qual Maurício só optou próximo à sua aposentadoria.

Como anda sua educação financeira?

Quando você domina um assunto, sabe bem os riscos que suas decisões envolvem e pode tomá-las de modo mais consciente. Por outro lado, a falta de informação pode levá-lo a aplicar recursos em situações com riscos que não compensam ou a perder boas oportunidades de investir a longo prazo.

Aqui também o exemplo do Maurício é importante. Desde jovem, ele procurou estudar sobre o mercado financeiro, o que lhe deu condições de conviver melhor com os riscos e avaliá-los. Contrariamente, Maurício viu muitos amigos descartarem investimentos com ótimas chances de retorno por estarem diante do desconhecido e se sentirem inseguros. Juliana era uma dessas pessoas.

Enquanto Maurício, em seu auge profissional, investia numa carteira moderada, Juliana, que tinha uma renda parecida com a dele, preferiu investir apenas em fundos de renda fixa. Ela não teve de lidar com oscilações, porém, ao chegar à aposentadoria, seu patrimônio se mostrou bastante inferior ao acumulado por Maurício.

Quais são os seus objetivos financeiros?

Seus objetivos pessoais vão determinar seus objetivos financeiros. E seus objetivos financeiros vão indicar de que forma você deve investir em cada momento, correndo mais ou menos riscos.

Renda Ativa X Renda Passiva

Nosso já conhecido Maurício traçou uma meta ainda na juventude: trabalhar duro até os 70 anos e ficar milionário. Esses planos ambiciosos foram determinantes para que a carteira dele fosse arrojada ou moderada na maior parte da vida.

E se Maurício tivesse outros planos?

Se seus objetivos fossem outros, como parar de trabalhar aos 50 anos e abrir uma pousada no litoral da Bahia, o portfólio de investimentos teria sido diferente. Ele teria optado por uma carteira mais conservadora, focada em renda fixa e DI, com participação menor de fundos multimercado. Isso porque não estaria em busca de uma valorização tão grande e estaria sujeito a menos perdas, por precisar dos recursos mais cedo.

De outra forma, caso pretendesse guardar dinheiro para pagar a faculdade do filho, sua carteira, independentemente da fase da vida em que estivesse, teria características mais arrojadas. Isso para oferecer maiores oportunidades de valorização considerando um prazo relativamente longo.

Já se ele desejasse comprar uma casa dentro de poucos anos, seu portfólio de investimentos, também sem importar a fase da vida, seria predominantemente conservador, sem margem a grandes perdas.

Conhecer-se bem para investir bem

Para começar a investir de forma assertiva, é preciso, primeiro, que você reflita sobre as seguintes perguntas:

-Momento de vida: você está começando a vida profissional, no auge da carreira ou perto da aposentadoria?

-Perfil pessoal: você aceitaria riscos na expectativa de que a longo prazo seu patrimônio possa se multiplicar ou teria dificuldade para lidar com oscilações?

-Conhecimento sobre finanças: você considera o universo dos investimentos obscuro ou está disposto a desvendá-lo e escolher com critério onde colocar seu dinheiro?

-Objetivos para o futuro: você tem metas ambiciosas de acumular patrimônio ou basta viver com conforto?

As respostas serão determinantes para a composição da sua carteira de investimentos. É preciso que você se conheça bem para obter uma alocação de recursos realmente compatível com o seu perfil de investidor em cada fase da vida.

A composição do seu portfólio de investimentos é, sem dúvida, a decisão mais importante para você alcançar seus objetivos financeiros e, consequentemente, seus objetivos pessoais.

Como montar um plano de ação para organizar seus investimentos?

Agora que você já entendeu melhor como traçar um planejamento financeiro eficiente e aprendeu com as histórias do Maurício, do João e da Juliana qual é o cenário adequado para investir em cada momento da vida, vamos ao que realmente interessa:

Como colocar a mão na massa para concretizar seus objetivos financeiros?

O que é um plano de ação?

Para investir de forma estratégica e alcançar a tão sonhada estabilidade financeira, é preciso que você comece a agir agora! Parece simples, não? Mas, na verdade você só vai conseguir fazer isso se traçar um plano de ação para os seus investimentos.

O plano de ação nada mais é do que uma ferramenta para o planejamento e monitoramento de seus objetivos e aplicações financeiras. Ou seja, ele é utilizado para garantir que você visualize melhor as suas metas e tenha força de vontade para alcançá-las.

Essa ferramenta pode ser criada de diversas formas, mas a dica de ouro é torná-la física, seja por meio de uma planilha no Excel ou com o bom e velho papel e caneta. O mais importante é que nessas anotações você defina seus objetivos e estratégias para alcançar determinado resultado, no curto, no médio e no longo prazo.

Então, por exemplo, se a sua meta for trocar de carro no final do ano, você pode criar linhas e colunas na planilha com as informações:

Meta

Trocar de carro em dezembro de 2017

Prazo

Curto (3 meses)

Origem dos recursos

1 hora extra por semana na empresa + rendimentos dos investimentos feitos em renda fixa

Montante a ser economizado

R$ 5 mil

A cada mês, o montante a ser economizado deve ser atualizado na tabela. Com o bolo crescendo, você ficará mais motivado e não desistirá de seguir em frente e realizar o seu sonho.

Como criar um plano de ação para os seus investimentos em 4 passos

Como todo processo de planejamento e acompanhamento, o plano de investimento precisa seguir algumas etapas para ser bem-sucedido. Assim, podemos dividi-lo em 4 momentos:

Como todo processo de planejamento e acompanhamento, o plano de investimento precisa seguir algumas etapas para ser bem-sucedido. Assim, podemos dividi-lo em 4 momentos:

  • Planejar
  • Executar
  • Diversificar
  • Monitorar

Ficou perdido? Não se preocupe! Vamos entender cada uma dessas etapas agora.

Planeje

Essa fase é dedicada para que você avalie quais são seus objetivos e expectativas em relação aos investimentos.

​Uma vez definidas suas ambições, chegou a hora de estruturar como acumular recursos e investi-los de forma a otimizar seus lucros. Planejar seu futuro financeiro é importante para que você tenha controle e não caia na primeira tentação de gastar dinheiro.

Execute

Se você já tem uma quantia considerável para investir, é hora de escolher os investimentos de acordo com as expectativas da etapa de planejamento.

Se, por exemplo, a previsão do seu sonho é realizá-lo em até 5 anos, você pode buscar títulos do Tesouro Direto, Certificados de Depósito Bancário (CDB) ou investir em ações.

​Por outro lado, caso esse sonho supere os 5 anos, você pode investir em ativos com maior rentabilidade em detrimento de uma menor liquidez como nos fundos de investimentos em renda fixa, títulos públicos, LCI, LCA ou CDB.

Diversifique

O grande segredo é sempre aplicar dinheiro em vários produtos para aumentar a rentabilidade de seu capital e, de quebra, evitar riscos de perdas. Aqui, será crucial que você considere o seu perfil de investidor e o quanto está disposto a ousar.

Para diversificar suas reservas, você pode colocar uma parte do seu dinheiro em títulos de renda fixa, que costumam ser mais seguros, e outro percentual pode ser usado para investir em ações, que costumam trazer alta rentabilidade aos investidores.

Monitore

Agora que você já colocou o seu planejamento em prática, é preciso ficar de olho em suas aplicações. Esteja sempre atento e cheque se o capital aplicado está rendendo como você esperou.

De tempos em tempos, será necessário reavaliar os seus ganhos e refletir se eles serão suficientes para realizar as suas metas.

Se ficar na dúvida ou não se sentir preparado para tomar decisões importantes como retirar capital de aplicações antes do vencimento, peça ajuda qualificada e busque o máximo de informações possíveis. Lembre-se: a educação financeira é a chave para todo investimento de sucesso.

Embora seja comum colocar o investidor iniciante em “caixinhas” classificando-o como conservador, moderado ou agressivo, pudemos perceber que determinar um perfil de investidor é mais complexo do que parece.

Mais do que receber uma resposta pronta do gerente do banco, ninguém melhor do você para definir em qual perfil seus sonhos se enquadram. Autoconhecimento é o segredo para estipular metas sólidas e compor um portfólio de investimentos bem-sucedido.

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Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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