PGBL e VGBL: tudo que você precisa saber sobre as modalidades de previdência

por Marcelo Romero, CQF | 18/01/2019

Previdência privada: a verdade sobre as diferenças entre PGBL e VGBL

“Não dá para contar apenas com os recursos do governo para ter uma aposentadoria confortável”. Se você se identifica com essa ideia, é provável que já tenha pensado em investir em previdência privada. Mas qual é a diferença entre PGBL e VGBL?

Veja mais: Sabia que você também pode investir em previdência privada com a Magnetis? Monte grátis o seu plano!

Sabemos que não é tarefa fácil escolher entre os diversos produtos de previdência que existem no mercado. São diversos detalhes para considerar na hora de decidir qual é o melhor investimento para a aposentadoria.

As dúvidas mais comuns são sobre o Imposto de Renda (IR) cobrado sobre essas aplicações e os benefícios tributários. É o tal dos 12% de dedução no PGBL e as tais tabelas Progressiva e Regressiva do IR.

Se na teoria já é confuso, imagina na prática! Mas calma, estamos aqui para resolver essa questão. Além disso, também fizemos um estudo para mostrar na prática qual é a diferença entre PGBL e VGBL. Porém, vamos recapitular alguns conceitos antes de começar.

O que é PGBL?

PGBL é a sigla para Plano Gerador de Benefício Livre. Trata-se de um plano de previdência cujo principal benefício é a possibilidade de dedução do Imposto de Renda.

Assim, quem investe em PGBL e faz a declaração completa do IR pode deduzir até 12% da renda tributável com esse investimento.

Outra característica importante do PGBL é a forma como o imposto incide sobre a aplicação: o IR é aplicado sobre o valor total do investimento (capital + rendimentos). Esse imposto é retido na fonte no momento do saque.

Tanto o PGBL quanto o VGBL podem ser compostos por aplicações de renda fixa ou de renda variável.

Os planos são personalizados e montados de acordo com seu perfil e as melhores condições tributárias para você. O saque do dinheiro pode ser feito uma única vez ou o investimento pode ser transformado em renda mensal no futuro.

O que é VGBL?

VGBL é a sigla para Vida Gerador de Benefício Livre. É atualmente o tipo de plano mais vendido do mercado de previdência no Brasil.

Um dos principais diferencias do VGBL é também a forma como os recursos são tributados: os impostos incidem apenas sobre o lucro do investimento.

Outra vantagem interessante é que o VGBL não entra em inventário e não está sujeito ao imposto sobre herança (o chamado ITCMD).

Assim, ele funciona de forma semelhante a um seguro de vida: a pessoa já escolhe seus beneficiários no momento da contratação do plano.

Como funciona a tributação do PGBL e do VGBL?

O Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) são os dois principais investimentos quando se fala em previdência privada.

Assim como os fundos de investimento, eles são estruturados por instituições especializadas.

Como já mencionamos, esses planos podem conter diferentes tipos de investimento (títulos públicos, títulos privados, ações, outro fundos, etc.) unificados em uma mesma aplicação.

Porém, a grande diferença entre esses planos e um fundo de investimento é que PGBL e VGBL não sofrem com o come-cotas (antecipação de Imposto de Renda a cada seis meses).

Assim, em vez de serem tributados uma vez por semestre, os recursos só estarão sujeitos à cobrança de IR no momento do resgate ou quando o contribuinte começar a receber uma renda mensal referente ao plano. Isso faz com que a quantia acumulada seja maior ao longo dos anos.

É importante lembrar que no caso do VGBL, o IR incide apenas sobre o rendimento, ou seja, sobre a diferença entre o que foi aplicado e o que foi resgatado. Já para o PGBL, o IR incide sobre o total de recursos investidos no plano.

Além disso, também existem dois regimes de tributação:

Tabela progressiva compensável

O IR deve ser recolhido pelo contribuinte no momento em que ele recebe os recursos de seu plano, seja como parcela única ou como renda mensal.

No caso de saque em parcela única, incide a alíquota de 15% de IR sobre o rendimento do VGBL. Para o PGBL, essa mesma alíquota é cobrada sobre o total dos recursos.

Caso o plano preveja renda mensal após a aposentadoria, as alíquotas sobre essa renda obedecem à tabela usada na declaração anual de IR. A seguir, você vê as alíquotas válidas para o ano de 2017.

Tabela Progressiva do IR para plano de previdência privada

Tabela regressiva definitiva

A tributação acontece na fonte, no momento do resgate, e as alíquotas diminuem ao longo do tempo até o mínimo de 10%. Assim, quanto mais tempo o seu dinheiro ficar investido, menos imposto você vai pagar.

Tabela Regressiva Imposto de Renda - Previdência Privada

Pensando nas vantagens e desvantagens de planos de previdência privada, a questão tributária é um dos principais fatores a serem levados em conta na hora de decidir entre o PGBL e o VGBL.

No caso do PGBL, há mais um detalhe tributário. É possível aproveitar um benefício fiscal que permite deduzir até 12% da renda bruta anual para investir esses valores no plano. Dessa forma, o contribuinte adia o pagamento do IR para quando sacar o dinheiro ou começar a receber sua renda mensal no futuro.

Porém, para aproveitar esse benefício é preciso fazer a declaração completa do IR e também contribuir com um regime de previdência oficial, mesmo no caso de quem trabalha por conta própria.

Ou seja: quem opta por essa modalidade, mas faz a declaração simples do IR ou não contribui para o INSS – ou outro regime de previdência oficial, no caso de servidores públicos – não consegue usufruir do benefício.

Previdência privada: quanto rende o dinheiro investido em PGBL ou VGBL?

Não saber exatamente como um produto financeiro funciona pode fazer com que você invista seu dinheiro em algo que não está de acordo com o seu perfil. Em casos extremos, você pode até perder dinheiro se resgatar antes do prazo recomendado ou não aproveitar os benefícios oferecidos.

Fizemos um estudo para mostrar como a relação entre PGBL, VGBL e Imposto de Renda funcionam na vida real.

Comparamos a previdência privada com outros investimentos de renda fixa. Nossos cálculos mostraram, na prática, que um investimento bem planejado pode representar o dobro do valor de outro que não leva em consideração o perfil do investidor.

Imagine a diferença entre ter R$ 250 mil e R$ 500 mil (!!!) na sua conta no momento da aposentadoria.

Outros investimentos para a aposentadoria

Além do PGBL e do VGBL, consideramos também investimentos como o Tesouro Selic e um CDB que rende tal como os encontrados em grandes bancos.

Também acrescentamos a Carteira Magnetis 2 à simulação, pois ela permite a diversificação nos investimentos e aumenta as chances de um retorno maior em prazos mais longos.

Além disso, a estratégia usada para montar essa carteira também a torna mais resistentes às turbulências na economia.

Quanto às taxas cobradas por cada produto, simulamos diferentes faixas de taxa de administração para o PGBL e o VGBL, de modo a ver o impacto dessas tarifas em um prazo mais longo.

Lembrando que para o Tesouro Selic existe uma taxa de custódia de 0,25% ao ano sobre o valor total dos títulos. No caso da Carteira Magnetis 2, há uma taxa de consultoria de 0,4% ao ano, também sobre o valor investido.

Dadas todas essas informações, ainda foi preciso considerar a forma como os impostos incidem sobre essas aplicações.

No caso de Tesouro Direto e CDB, como você já sabe, as alíquotas de IR vão de 22,5% (para aplicações de até seis meses) a 15% (para investimentos acima de dois anos). Esse imposto, como o nome já diz, incide apenas sobre a diferença entre o valor investido e o valor resgatado.

Como a Carteira Magnetis 2 é montada com títulos privados (geralmente CDBs de bancos médios, que oferecem melhor rentabilidade), consideramos os mesmos custos para esses produtos.

Há também uma parcela de 20% dessa carteira alocada em fundos (10% em fundos DI, cuja taxa de administração é de 0,3% ao ano, e 10% em fundos multimercado, cuja taxa de administração média é de 2%).

Já os impostos sobre PGBL e VGBL podem ser cobrados de forma diferente, conforme vimos no tópico anterior.

Esclarecidos todos esses pontos, agora sim vamos aos números da nossa simulação.

IR Progressivo

PGBL com benefício fiscal - Imposto de Renda ProgressivoPGBL sem benefício fiscal - Imposto de Renda ProgressivoTesouro SelicCarteira Magnetis 2

IR Regressivo

PGBL com benefício fiscal - Imposto de Renda RegressivoPGBL sem benefício fiscal - Imposto de Renda RegressivoVGBL - Imposto de Renda Regressivo

Um dos primeiros detalhes em que você vai reparar é no impacto da taxa de administração sobre os investimentos ao longo do tempo.

É essa taxa que faz o VGBL ter um rendimento menor do que o Tesouro Selic em todos os cenários, pois a menor taxa de administração de um VGBL (0,5% ano ano) ainda é maior do que a taxa de custódia do Tesouro Selic (0,25% ao ano).

E mesmo um CDB de um grande banco pode render mais do que um VGBL, dependendo da taxa de administração deste último.

Em períodos mais curtos, essas taxas podem não fazer uma diferença tão grande. O quadro, porém, se inverte quanto maior for o prazo da aplicação.

O prazo, aliás, também é crucial para o rendimento de um investimento, como já explicamos neste outro post sobre o poder dos juros compostos. Nesta simulação, é possível ver claramente que, quanto mais tempo o dinheiro permanece aplicado, maior é o efeito multiplicador sobre ele.

Na comparação com outros investimentos, a Carteira Magnetis 2 tem um resultado consistente em prazos mais longos. Nossa estratégia de diversificação mescla ativos de diferentes classes e permite aproveitar os melhores resultados de cada investimento com menor risco.

Você vai notar que, no caso da tabela progressiva, ela é a aplicação com a melhor rentabilidade.

Isso porque, nessa modalidade, a tributação dos rendimentos do PGBL e do VGBL ficar maior conforme a renda recebida. E como para os demais investimentos vale a alíquota de 15% após dois anos da aplicação, o rendimento da Carteira Magnetis 2 se sobressai.

No caso da tabela regressiva, o PGBL com taxa de administração abaixo de 1% acaba tendo performance melhor se o benefício fiscal for aproveitado. A possibilidade de recolher IR somente ao final do período de acumulação a uma alíquota de 10% é o que torna o investimento mais vantajoso.

Porém, a conclusão mais impressionante está relacionada à questão fiscal.

O impacto do Imposto de Renda nos planos de previdência privada

A principal conclusão que tiramos deste estudo é o quanto é importante investir de acordo com o seu perfil, inclusive tributário.

Escolher um plano do tipo PGBL ou VGBL em um regime tributário progressivo pode ser vantajoso para quem tem rendimentos enquadrados nas duas primeiras faixas do IR (ou seja: não precisa declarar IR ou é tributado em até 7,5%).

A partir da faixa seguinte, o regime regressivo faz mais sentido para quem tem renda maior.

Além disso, há uma diferença bem grande entre aplicar em PGBL com ou sem benefício fiscal. Esse benefício, como já explicamos, trata-se da possibilidade de adiar o pagamento do IR sobre esse investimento, destinando até 12% da renda anual para a aplicação.

Considerando um investimento nesse tipo de produto com as mesmas condições (aplicação mínima, aportes adicionais e taxa de administração), a diferença entre usufruir ou não desse benefício pode significar cerca de R$ 100 mil a mais ou a menos para um investidor ao final de três décadas e meia.

Observe a coluna do ano 35 na simulação e note o rendimento das aplicações em PGBL em cada período nos dois regimes tributários, com e sem benefício fiscal.

A diferença no regime regressivo é de, no mínimo, R$ 79,6 mil para uma taxa de administração de 2% ao ano. Para uma taxa de 0,5% ao ano, chega a R$ 112,8 mil.

No caso do regime progressivo, a diferença mínima é de R$ 64,1 mil para a taxa de administração de 2%. O impacto chega a R$ 90,1 mil para a taxa de 0,5%.

Com o IR incidindo apenas no resgate ou no recebimento da renda obtida com esse PGBL, o efeito multiplicador dos juros compostos mostra o seu poder ao longo dos anos. Afinal, ao invés de pagar IR uma vez por ano ao longo de 35 anos, o investidor mantém o dinheiro investido e paga o imposto apenas quando o período de acumulação terminar.

Ficou claro que um mesmo investimento pode tanto ter o melhor desempenho da sua carteira quanto ser o seu pior pesadelo. Tudo depende de saber aproveitar ou não as vantagens que ele oferece e casar isso com o seu perfil financeiro.

O que levar em conta ao montar seu plano para a aposentadoria

Nem só de PGBL e de VGBL se faz um plano de previdência privada. Tesouro Direto, renda fixa, imóveis e até renda variável podem fazer parte de uma carteira de investimentos para a aposentadoria.

É preciso ter objetivos claros na hora de investir. Saber quanto dinheiro você precisa guardar para ter determinado padrão de vida no futuro vai ajudar muito na hora de escolher quais são as melhores aplicações para seus objetivos financeiros.

Também é fundamental saber qual nível de risco você está disposto a suportar para obter determinado rendimento. No entanto, tenha em mente que o objetivo principal de investir para a aposentadoria é preservar o poder de compra.

Assim, não faz sentido colocar essa reserva em uma aplicação mais arriscada, buscando o máximo de retorno. O risco de perdas geralmente é grande.

Quem não leva esses pontos em consideração pode estar aplicando dinheiro em um produto inadequado para o seu perfil. E, como já vimos na simulação acima, é possível perder muito dinheiro ao longo do tempo fazendo um investimento equivocado.

A estratégia ideal é construir uma carteira diversificada, balanceando aplicações que oferecem um pouco mais de risco com outras que preservem o patrimônio.

Ter várias aplicações financeiras em sua carteira é importante para ter mais segurança em seus investimentos. Isso porque se houver alguma turbulência que prejudique o rendimento de parte dos ativos dessa carteira, os demais terão força para compensar o efeito negativo.

E para diversificar seus investimentos com praticidade e mais segurança, pode contar com a Magnetis! Nossas carteiras são montadas para entregar a melhor rentabilidade com o menor custo, oferecendo aplicações compatíveis com cada perfil de investidor.

Monte grátis o seu plano de investimentos e comece hoje mesmo a cuidar melhor do seu dinheiro!

(Post originalmente publicado em dezembro de 2017)

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