Pirâmide financeira e outros golpes: 6 situações mais comuns

por Mariana Congo

Golpes e fraudes em investimentos quase sempre começam com uma promessa de ganhar dinheiro rápido e fácil. Esse ganho geralmente é bem maior do que o oferecido nas aplicações tradicionais, como os investimentos de renda fixa ou de renda variável.

Por necessidade ou ganância, algumas pessoas entram em negócios que parecem ser bastante lucrativos à primeira vista, mas que acabam se revelando pirâmides financeiras.

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Um dos casos mais recentes no Brasil é o da Alcateia Investimentos, um autodenominado grupo de investimentos que prometia ganhos de até 2% ao dia.

Porém, a empresa deixou de cumprir algumas cláusulas de seus contratos e teve a administração assumida por outra instituição: a Maximus Digital.

No início de 2018, a Maximus Digital fechou e deixou 50 mil pessoas no prejuízo.

Em vários casos, as pessoas não se dão conta de que foram fisgadas em armadilhas relacionadas a investimentos. Isso se deve ao fato de esses golpes serem sofisticados, trazendo sempre uma novidade para enganar novas vítimas.

Com uma aparência de legalidade ou de algo inofensivo, supostas aplicações financeiras são oferecidas como uma ótima oportunidade de ganhar dinheiro de um jeito rápido e fácil. Para não cair em armadilhas, conheça seis situações comuns em casos de golpes ou fraudes em investimentos.


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1. Pirâmide financeira

Você talvez já tenha ouvido notícias de golpes sobre investimentos que envolviam as famosas correntes, em que um indivíduo leva outro a entrar para determinada organização em troca de rendimentos. Elas também são conhecidas como pirâmides financeiras ou esquemas ponzi.

O problema em uma pirâmide financeira ocorre quando as empresas não possuem uma atividade produtiva, mas somente negócios de fachada para dar credibilidade à farsa.

O sistema de pirâmide tem esse nome porque as pessoas da base, as últimas recrutadas, são aquelas que garantem os ganhos de quem está no topo.

É um modelo insustentável no longo prazo, pois é necessário atrair cada vez mais pessoas para o falso investimento para que ele seja lucrativo para quem entrou nesse esquema depois.

A pirâmide mais famosa dos últimos tempos é o caso Bernard Madoff. Famoso investidor de Wall Street, ele começou a atuar nos anos 1960 no mercado americano e enganou milhões de pessoas de todo o mundo, inclusive milionários famosos e celebridades.

As pessoas investiam seu dinheiro com Madoff em troca de retornos baixos, porém garantidos. O que elas não sabiam é que seu dinheiro não ia para fundos de investimento, mas sim para o bolso de investidores mais antigos do esquema. 

A fraude de Madoff foi revelada por ele mesmo durante a crise de 2008, quando o pânico no mercado financeiro levou muitos investidores a sacarem seu dinheiro dos bancos. Assim, não havia como manter os pagamentos e o esquema ruiu, deixando milhões de pessoas no prejuízo.

Embora as pirâmides tenham um robusto serviço de publicidade e de depoimentos pessoais, o investidor inteligente deve ser capaz de questionar os fundamentos do negócio propagado para discernir uma atividade verdadeira de mera enganação.

Desconfie de investimentos que prometem um ganho fixo mensal muito acima do que é usualmente oferecido pelo mercado.

Compare os resultados prometidos com os de outras aplicações financeiras e consulte um especialista em investimentos para saber se é possível alcançar o retorno oferecido.

2. Marketing multinível

O marketing multinível é um modelo de negócio baseado numa rede de contatos, em que há distribuição de serviços ou mercadorias. Nesse caso, as pessoas ganham comissões pela comercialização dos produtos ou pela indicação de novos vendedores.

Há muita discussão sobre o marketing multinível ser ou não uma forma de pirâmide financeira.

Uma diferença bastante comum entre esses dois tipos de sistemas é o primeiro se caracterizar por empresas que possuem 70% ou mais da receita proveniente de vendas de mercadorias.

Enquanto isso, o segundo não atinge esse patamar, uma vez que o faturamento basicamente vem do recrutamento de novos adeptos.

Muitas empresas buscam utilizar do marketing multinível de forma séria, como uma maneira de aumentar a distribuição de produtos ou serviços. Entretanto, como geralmente existem indicações de terceiros e comissões sobre as vendas deles, o sistema por vezes é confundido com a pirâmide.

Em certa medida, o marketing multinível se assemelha a uma atividade empresarial, porém, o interessado deve desconfiar das atitudes de “empreendedorismo de palco”, nas quais o produto a ser vendido é o método para atrair mais pessoas para o projeto.

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3. Mercado de Forex

Um mercado que movimenta trilhões, com grande liquidez e potencial para ganhos significativos. Aparentemente, seria uma grande oportunidade, não é mesmo?

Contudo, as operações com foreign exchange ou, apenas Forex, podem significar dores de cabeça para o investidor no futuro.

Nesse caso, o indivíduo faz apostas na valorização de uma moeda sobre outra, como dólar e euro.

Na prática, há uma grande diversidade de pares de moeda para se operar. Como as pessoas geralmente fazem transações com alavancagem (investem um dinheiro que não têm), é possível multiplicar os ganhos (e também as perdas) na mesma proporção.

A alavancagem é um mecanismo pelo qual a pessoa multiplica a força do próprio capital. Na prática, é feito um financiamento com uma instituição, como uma corretora, que permite a transação. Por exemplo, quem tem R$ 1 mil e opera como se tivesse R$ 10 mil, está alavancado 10 vezes.

Um dos problemas do Forex é que ele não é um mercado regulado no Brasil. Logo, não é fiscalizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nem pelo Banco Central (Bacen).

Desse modo, o investidor não poderá se resguardar quanto a uma eventual fraude, diferentemente dos casos que envolvem aplicações aprovadas pelas entidades de supervisão do mercado financeiro nacional.

Vale lembrar que a CVM proíbe até mesmo que representantes estrangeiros de corretoras que atuam com Forex façam recrutamento de clientes no Brasil. Como a modalidade de aplicação é permitida em outras nações, as operações só são feitas pela internet, por conta e risco do interessado.

4. Transações com bitcoins

O mercado de moedas digitais está em franca ascensão, com destaque para o bitcoin, que passa por altas sucessivas.

Por outro lado, há analistas que alertam para o risco de uma bolha financeira, uma vez que os fundamentos para expressivo crescimento ainda não justificam tal elevação.

Isso justifica-se pelo fato de as criptomoedas ainda serem pouco utilizadas para transações convencionais, como comprar produtos, por exemplo.

Por estar em evidência na atualidade, com adesão de investidores que há pouco tempo não o consideravam como opção de aplicação, o bitcoin também passou a ser utilizado em golpes sobre investimentos, e o pior, associados a pirâmides e a marketing multinível. Em Brasília, por exemplo, muitas vítimas caíram no golpe da moeda falsa Kriptacoin.

Você já deve ter ouvido o ditado: “quando a esmola é demais, o santo desconfia”. Logo, fique atento a promessas de rentabilidade acima do comum e cheque o histórico da empresa que oferece o serviço.

5. Sites de apostas

Ganhar dinheiro de forma consistente, em poucas horas por semana, com uma atividade que dá prazer. Parece a oitava maravilha, concorda?

Com o crescimento da internet, surgiram muitos sites de apostas que prometem ganhos significativos, por exemplo, por meio do trading esportivo, em que os participantes apostam nos resultados dos jogos de futebol.

O problema ocorre quando, de repente, o site fica fora do ar e o aplicador perde todo o dinheiro investido, sem ter a quem recorrer.

Por geralmente não ser uma atividade regulamentada, tal oportunidade de ganho pode esconder armadilhas de grupos mal-intencionados, que só querem roubar o dinheiro de quem muitas vezes entrou no negócio por “brincadeira”.

6. Pessoas que se passam por profissionais de investimentos

Que tal uma oferta tentadora de ganho de 5% ao mês, destinada a um grupo seleto de investidores? Infelizmente, ainda há muitas pessoas que caem em histórias do tipo, seja por ganância ou por puro desconhecimento.

O fato é que o mercado financeiro brasileiro possui uma forte regulação. Por exemplo, para atuar no mercado de capitais, tanto as empresas quanto os profissionais devem ter aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entidade que estabelece regras para produtos e serviços financeiros comercializados no país.

Por isso, para fugir de armadilhas, cheque o registro na CVM dos profissionais e das entidades que o procuram para oferecer aplicações. No site da CVM, na parte do "Cadastro Geral de Regulados" você pode checar o CNPJ das empresas que ofecerem serviços relacionados a investimentos, como fundos, gestoras, consultorias e corretoras.

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Golpes sobre investimentos: como se prevenir?

Como você pode notar, são vários os tipos de golpes sobre investimentos. Em alguns casos, por mais que haja pessoas sérias no mercado, também há aquelas que querem se aproveitar da falta de conhecimento de investidores.

Para não cair em armadilhas, é indispensável que você mantenha em mente uma máxima do mercado financeiro: quanto maior o retorno que um investimento oferece, maior tende a ser o risco.

Logo, uma aplicação com chance de alta rentabilidade geralmente também envolve um risco maior. Existem diferentes tipos de risco nos investimentos. Os dois principais são:

  • risco de mercado: o preço dos ativos negociados pode mudar conforme o momento do mercado;
  • risco de calote: a instituição que oferece o investimento pode não conseguir devolver o dinheiro da aplicação no futuro.

Seja qual for a sua escolha, lembre-se de que é imprescindível saber em que você está investindo para reduzir a chance de ter prejuízo.

Além disso, cheque o histórico da empresa por meio da qual você investe junto a órgãos reguladores e procure saber se há alguma garantia  para seus investimentos em caso de falência da empresa ou calote.

No caso de algumas aplicações em renda fixa (como CDBs, RDBs, LCs, LFs, LCIs e LCAs), existe o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ele assegura aplicações e depósitos de até R$ 250 mil por instituição financeira, no limite de R$ 1 milhão por CPF.

Você também consegue consultar as aplicações registradas sob o seu CPF por meio do Canal Eletrônico do Investidor (CEI), da B3 (antiga BM&FBovespa).

No caso dos investimentos em títulos públicos, as aplicações podem ser consultadas no portal do Tesouro Direto.

Saber identificar um possível golpe ou fraude financeira é importante para proteger os seus investimentos. Falando nisso, que tal conferir as 5 características de um investimento seguro?

Mariana Congo, da Magnetis

Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

*Texto originalmente publicado em outubro/2017

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