Você sabe a diferença entre planejamento e orçamento financeiro?

por Mariana Congo

Ter controle sobre as finanças pessoais é algo com qual todos demonstram preocupação, porém pouco disso é colocado em prática. Prova de que a educação financeira é negligenciada pela maioria dos brasileiros é o alto índice de endividamento das famílias e de pessoas com o nome incluído nos serviços de proteção ao crédito. Exatamente por não se preocupar com as finanças é que muitos projetos acabam não saindo papel o que pode levar a uma vida inteira de frustração.

Mas mudar esta realidade é possível! Um dos primeiros passos para começar a gerir o dinheiro com mais cuidado é entender a diferença entre planejamento e orçamento financeiro. Embora sejam duas palavras normalmente utilizadas como sinônimos, elas têm sentidos diferentes, ainda que complementares.

Compreender isso certamente facilitará a organização das contas e a realização dos seus objetivos! Preparamos esse conteúdo que vai detalhar os dois conceitos, de que forma eles estão interligados e apresentar dicas para aplicá-los.

O que é um planejamento financeiro?

Se buscamos a definição do verbo planejar veremos que ele transmite a ideia de elaborar um plano, definir com antecedência uma série de ações ou ainda a demonstração do interesse em fazer algo.

Dessa forma, no contexto financeiro, um planejamento busca listar todos as metas financeiras a serem buscadas tanto no curto quanto no médio e longo prazo.

Contudo, um bom planejamento financeiro não se limita a isso. Ele também vai incluir os meios para que esses objetivos sejam alcançados, além de levantamentos sobre o patrimônio e dívidas que possam existir.

Se feito de maneira correta, ele servirá como guia de como o dinheiro deve ser empregado.

O que é um orçamento?

No entanto, antes de fazer planos, é preciso dar um passo atrás e elaborar um orçamento. Se formos mais uma vez em busca de definições, encontramos que orçamento é o: conjunto de receitas e despesas, quantia de dinheiro que se dispõe ou o custo estimado de algo.

Ou seja, fazer um orçamento, nesse caso, presume estimar todos os valores que serão gastos e recebidos durante um determinado período. Por mais que existam dificuldades em estimar algumas despesas variáveis, é preciso ter um orçamento bem-feito para conseguir controlar os gastos.

Como planejamento financeiro e orçamento financeiro se complementam?

De nada adianta ter objetivos incríveis se a forma de alcançá-los está distante. Como pensar em uma viagem de férias se ainda é preciso recorrer ao cheque especial para fechar o mês por pura desorganização?

É assim que o orçamento e o planejamento financeiro se complementam. O primeiro deve ser sempre visto como um passo para a implementação do segundo. A ausência de um orçamento torna o controle de despesas mais complicado, ao mesmo tempo em que não fazer um planejamento deixa mais difícil a concretização de objetivos no longo prazo.

Como fazer um planejamento e orçamento financeiro que funcionem?

Agora que você descobriu como os dois conceitos se complementam, é hora de colocar o conhecimento em prática. Para isso, listamos algumas dicas de como elaborar um orçamento e um planejamento financeiro que não fiquem apenas no papel.

Anote todos os gastos e receitas

Não saber quanto dinheiro pode ser gasto ou quais são as despesas mensais é algo bastante comum e que pode levar rapidamente ao descontrole financeiro.

Por isso, os primeiros campos a serem preenchidos em um orçamento são os referentes às receitas e despesas. E não adianta fazer isso de cabeça ou com base em uma especulação (o famoso "achismo").

Antes, é preciso primeiro definir o suporte onde o orçamento será elaborado. Quem possui facilidade com computadores e smartphones, pode optar por uma planilha ou um aplicativo de controle financeiro. A alternativa para quem não lida muito bem com a tecnologia é fazer isso no papel mesmo, sem problema algum.

O importante é que tanto tudo o que entra e o que sai seja detalhado No caso das despesas isso é ainda mais relevante. Por menores que elas sejam também devem ser consideradas. Geralmente são os pequenos gastos feitos de maneira recorrente que acabam por comprometer todo um orçamento financeiro.

Conseguindo fazer esses registros, ainda que de forma simples, em alguns meses, será possível ter uma média dos gastos, inclusive daqueles que mudam de um mês para o outro, como contas de consumo (água, energia e telefone, por exemplo), além de poder ter uma visão mais completa do real estado das suas finanças.

Identifique e elimine excessos

Com isso organizado, certamente vai ser mais fácil identificar os gastos em excessos, se eles existirem. A partir de então, serão necessárias atitudes para cortar ou reduzir o que for possível.

O que pode ajudar nisso é delimitar valores prévios para cada categoria de gasto, principalmente em setores como lazer, por exemplo. Isso evita que despesas prioritárias sejam deixadas de lado.

Comece uma reserva financeira

Anotar todas as receitas e despesas não é o único hábito novo a ser adotado. Economizar uma parte preestabelecida do salário é indispensável. A criação de uma reserva financeira é muito útil, principalmente para momentos de emergência. Ter uma reserva de emergência é recomendada para qualquer pessoa. O valor poupado pode ser de grande utilidade em situações inesperadas. Comece guardando pouco e depois vá aumentando gradativamente.

Quem tem dificuldade em fazer isso pode implementar a estratégia do "pague a si mesmo": imagine o valor reservado mensalmente para a formação da reserva financeira como uma despesa fixa, que deve ser paga religiosamente. Ou seja, é recebido o salário, a pessoa deve separar e investir exatamente a quantia que definiu. Desta forma, fica muito mais fácil conseguir poupar e evitar desculpas.

Defina metas

Com esses passos básicos, depois de algum tempo certamente as contas estarão organizadas. Porém, para dar continuidade ao planejamento financeiro e fazer esse orçamento ter algum sentido, metas se tornam muito bem-vindas.

Tais metas não precisam ser grandiosas em um primeiro momento: podem começar com algo simples, como quitar dívidas que estão incomodando ou fazer uma viagem de fim de semana. Com o passar do tempo, elas devem ir crescendo.

Objetivos claros motivam. Saber que a disciplina em manter um orçamento vai se transformar em algo palpável no futuro é um excelente incentivo para persistir.

Procure ajuda de especialistas

Se todas essas recomendações parecerem complicadas demais ou a se a sua situação financeira demandar atitudes mais radicais, não há nenhum problema em procurar ajuda de especialistas.

Além de ajudar com as questões mais básicas de um orçamento e um planejamento adequado, profissionais da área são capazes de oferecer alternativas interessantes para otimizar seus recursos por meio de investimentos adequados.

No começo realmente é difícil alterar hábitos construídos ao longo de muitos anos. Contudo, entender como o planejamento e orçamento financeiro funcionam certamente deixa essa tarefa menos árdua.

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Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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