Planejamento financeiro: qual a importância de planejar as finanças?

por Fernando Reis

Quando se trata de planejamento financeiro, o Brasil tem pouco a mostrar ao mundo: em um ranking divulgado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2016, o Brasil alcançou a 27ª posição em educação financeira entre 30 países. Em diversas pesquisas globais sobre o mesmo tema, o país figura sempre nas últimas colocações.

Infelizmente, a educação financeira não é incentivada por aqui desde a infância. Essa falta de preocupação com um assunto tão importante, leva o país a ter indicadores decepcionantes e que afetam diretamente o dia a dia dos cidadãos.

Cerca de 65% dos brasileiros não têm reserva financeira, por exemplo. E os que têm, continuam presos a investimentos tradicionais com rendimentos pouco vantajosos: o percentual de pessoas que investe fora da poupança não chega a 1%.

Gastar hoje e pagar amanhã está na cultura da maioria dos cidadãos do país. Para piorar, são poucos os que se dão ao trabalho de fazer um controle rígido de despesas, como um orçamento mensal e metas de construção de patrimônio.

O ideal é não deixar para amanhã o plano financeiro. Essa pode ser uma mudança transformadora! Está preparado para começá-la a partir de agora? Confira!

Qual é a dificuldade de fazer um planejamento financeiro?

Ter controle sobre o orçamento é um grande desafio. Muitos acreditam que é difícil se planejar financeiramente — e não porque tenham renda insuficiente ou falta de interesse no assunto, mas, simplesmente, porque não sabem como começar.

Isso leva a uma dificuldade importante: sem planejamento financeiro, é impossível progredir. Essa ação precede todos os passos na busca pelo sucesso e está presente na maioria das histórias de pessoas bem-sucedidas.

O planejamento financeiro é um processo de autoconhecimento. Começa com o acompanhamento das finanças, quando se faz uma apuração das atuais condições do orçamento. Depois disso, o passo seguinte é estruturar as ideias. Quais são os objetivos desejados e como eles serão alcançados?

Quando se sabe aonde se quer chegar, vem a necessidade de compreender melhor as formas de conseguir fazer isso de fato. Investir, na grande maioria das vez, é o melhor caminho para atingir as próprias metas, por isso saber quais tipos de investimento devem ser escolhidos é fundamental para ter sucesso nessa jornada.

Tenha em mente que sem planejamento financeiro, é impossível chegar a algum lugar.



De acordo com as palavras do estatístico William Edwards Deming:

William Edwards Deming

“Não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende, e não há sucesso no que não se gerencia.”

Ou seja, o planejamento financeiro é fundamental para qualquer pessoa ter sucesso. Mas você sabe exatamente como fazê-lo?  Fazer um bom planejamento financeiro não precisa ser complicado mas certamente é um desafio que exige primeiro força de vontade. Exatamente por achar que fazer planejamento financeiro é difícil é que muitas pessoas não se preocupam com ele ou se perdem. Os principais equívocos de quem não consegue fazer um planejamento financeiro costumam ser:

  • falta de análise sobre o próprio orçamento: é preciso saber para onde vai o dinheiro;
  • indefinição de propósitos: os objetivos devem estar claramente definidos;
  • desconhecimento: devem-se conhecer os mecanismos a serem usados para atingir as metas;
  • ausência de um plano de ação: é preciso saber quais passos devem ser seguidos para ser bem-sucedido;
  • falta de acompanhamento: é essencial avaliar se os objetivos estão sendo atingidos.

Quem não analisa as próprias finanças e não faz uma gestão eficiente do orçamento pode cair no descontrole.  Para evitar que isso aconteça com você, continue a leitura e descubra como você pode se beneficiar do planejamento financeiro.

Planejamento financeiro: o que é, para que serve?

Planejar é antever situações futuras, condicionar o comportamento às mudanças na trajetória e buscar garantir que os objetivos não serão afetados por fatos inesperados. Envolve disciplina, estudo e rearranjo constante. E mais: é uma atitude que está diretamente ligada à vontade de crescer.

Melhor do que explicar o que é planejamento financeiro, é dizer o que não é: uma pesquisa feita em 2016 pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) informa que 45,8% dos entrevistados não têm controle do próprio orçamento (29,3% organizam as finanças pessoais "de cabeça").

O planejamento financeiro é a bússola da viagem da vida inteira de um indivíduo rumo a seus objetivos pessoais. Trata-se da sistematização de todas as suas receitas e despesas, bem como do gerenciamento do controle do dinheiro como se faz em uma empresa.

Sabia que o simples ato de transferir o orçamento doméstico da mente para uma planilha pode resultar em uma redução considerável nas despesas mensais? Que tal fazer esse teste?

Afinal, quando o dinheiro deixa de ser um inimigo incontrolável para estar sob o seu comando, você passa a estar bem encaminhado para alcançar a tão sonhada independência financeira.

Quais os benefícios gerados pelo planejamento financeiro?

São vários os benefícios que vêm do planejamento financeiro. Um dos principais deles é melhorar a vida financeira e os hábitos de consumo do indivíduo, além de proporcionar o autoconhecimento sobre a própria realidade financeira a partir de três frentes:

  • quanto ganha;

  • quanto gasta;

  • quanto consegue economizar a cada mês.

Muitos não têm a mínima noção de quanto gastam — e isso sem contar os casos de quem gasta mais do que ganha. É exatamente nesse ponto que a maioria se perde. Com planejamento financeiro, isso pode ser resolvido.

Conseguir organizar a vida financeira sem a necessidade de tomar empréstimos e não ser pego de surpresa com contas inesperadas ou não planejadas são grandes vantagens — e estão entre os maiores desejos de muitos. Na prática, infelizmente, nem sempre é isso que acontece com a maioria.

Aqueles indivíduos que têm um planejamento financeiro adequado, por sua vez, sabem exatamente quais são as contas que devem pagar ou quando suas dívidas vencem. Assim, podem ficar muito mais tranquilos e se planejar mais facilmente.

Outro grande benefício é alcançar objetivos financeiros mais rapidamente. Sabe aquele projeto ou sonho que sempre acaba adiado? Como é difícil fazer sobrar um pouco de dinheiro no fim do mês, ele jamais entra em pauta. A boa notícia é que nunca é tarde demais para começar a se planejar.

É fundamental organizar as contas mês a mês, mas é interessante se planejar considerando o médio e o longo prazos. Com um planejamento financeiro, podem-se pôr em prática planos de longa duração, com objetivos e metas mais ambiciosos. Para isso, é preciso economizar e investir parte do dinheiro sempre que possível.

Muitos questionam a possibilidade de economizar quando mal conseguem pagar as contas. Mas isso é um grande mito! Uma forma de economizar é começar aos poucos e aumentar gradativamente — claro sempre avaliando as suas necessidades. Isso requer apenas planejamento e uma boa dose de determinação.

É importante entender que não é saudável viver em função do dinheiro. Por outro lado, é, sim, fundamental manter uma boa relação com ele. Afinal, só assim é possível fazer que ele o ajude a realizar seus sonhos e atingir seus objetivos.

Como começar um planejamento financeiro?

Aprender a ter mais controle sobre as próprias despesas é essencial para quem quer alcançar a independência financeira. Reconhecer que poderia estar em situação patrimonial melhor do que a atual pode ser um bom incentivo para uma mudança de hábitos.

Por isso, separamos algumas dicas rápidas de como fazer um planejamento financeiro para você dar uma virada nessa trajetória. Confira:


1. Esquematize seu orçamento pessoal

Coloque tudo na "ponta do lápis". Sistematize as entradas e as saídas, sem desprezar valores pequenos. Gastos como transporte e lazer devem ser contabilizados e encaixados em metas. Deve haver limite para todas as despesas. Existem várias ferramentas para controle financeiro que podem ajudar nessa organização.

2. Pense bem antes de pagar a prazo

Quando você se entrega aos “prazeres do consumo fácil”, mediante parcelamentos, você deixa parte de seus recursos escorrerem pelos dedos no pagamento de juros. Em alguns casos excepcionais você não tem escolha a não ser comprar parcelado, mas, sempre que possível, procure comprar à vista e ainda pedir descontos. Pode não parecer, mas faz uma diferença enorme!

3. Faça da reserva financeira uma nova conta

Crie o hábito de economizar! Ao conhecer melhor o patrimônio e o orçamento, é possível definir um percentual dos ganhos para transformar em reserva financeira. Corte gastos supérfluos e estabeleça um valor específico para poupar e investir com frequência. Se for criado um hábito, a reserva financeira se torna uma “obrigação mensal”.

Fixe um percentual e siga-o, sem abrir exceções: lembre-se de que a disciplina é a chave do sucesso. A reserva financeira ou reserva de emergências é uma quantia que você mantém aplicada para imprevistos. Essa é uma forma de fazer com que você tenha mais tranquilidade na sua vida financeira. É essa perseverança que define o esforço de economizar dinheiro a ser destinado à construção do patrimônio. 

Para montar uma reserva de emergência é recomendado investir em aplicações com baixo risco e alta liquidez, já que deve permitir resgate com facilidade.
Mas não necessariamente é preciso colocar esse dinheiro na poupança. O rendimento da caderneta de poupança hoje é ruim, mesmo que ela sirva apenas como reserva para imprevistos e não, propriamente, como investimento. É possível guardar essa quantia em outros instrumentos que oferecem liquidez diária com a mesma segurança e rentabilidade maior.
Há muitas opções no mercado, como Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Tesouro Direto (TD) e fundos de investimento, entre outros.

4. Recorra ao auxílio de especialistas

Se você acha que não consegue fazer tudo sozinho, procure a ajuda de especialistas. Existem diversos profissionais que estudam o mercado há décadas e podem te auxiliar não somente em seu planejamento, mas, também, no alcance de sua independência financeira. Consultorias de investimentos, por exemplo, conseguem avaliar seu perfil de investidor e recomendar as melhores opções mais adequadas para você.

5. Não desanime

Como falamos no começo do texto, conseguir fazer um planejamento financeiro é de fato, um enorme desafio. Muitas pessoas tem medo até de começar porque acham que é impossível. Mas como você deve ter visto, é importante dar o primeiro passo e sair da inércia da falta de controle financeiro. Uma vez feito isso, a principal dica é não desistir. Não é fácil, mas a recompensa no final vale muito a pena. Acredite!

Qual a melhor forma de estabelecer objetivos financeiros?

O planejamento financeiro não atende apenas às necessidades básicas de consumo de um indivíduo. Ao contrário, ele deve servir como mecanismo para ajudar a alcançar os objetivos de curto, médio e longo prazos. Veja, a seguir, como planejar o seu orçamento ao longo do tempo!

Objetivos de curto prazo

Os objetivos de curto prazo são programados para serem realizados em até um ano. Precisam, portanto, estar alinhados às condições financeiras atuais do indivíduo. Pelo prazo menor, alguns cenários dificilmente são modificados de forma acentuada.

É preciso, então, ser realista ao traçar esse tipo de meta. Quando pensar em planos para o curto prazo, lembre-se daquelas metas estabelecidas de um ano para o outro. É possível realizar muito em um ano. Se houver planejamento financeiro condizente com os propósitos, certamente eles serão alcançados.

Em geral, os planos traçados para serem conquistados em um período curto de tempo têm um custo menor. Entretanto, requerem, da mesma forma, um controle rigoroso sobre o orçamento. Entre os principais objetivos possíveis de serem alcançados nesse caso estão a aquisição de bens duráveis de valor moderado.

Reflita se os seus objetivos de curto prazo têm sido alcançados. Se a resposta for não, algo está errado no seu controle financeiro. Tente entender o que o impede de atingir as metas: avalie, então, se os projetos são compatíveis com a sua capacidade financeira ou se o dinheiro tem sido preservado para a realização de sonhos mais distantes.

Objetivos de médio prazo

Os planos que se tem para um período de um a cinco anos são os objetivos de médio prazo. Esse é um horizonte de tempo que permite planejar conquistas maiores, como uma graduação universitária ou uma especialização, a viagem dos sonhos, a compra de um carro, a entrada de um imóvel (ou o total para comprá-lo à vista, de acordo com as condições de renda), um empreendimento e muitos outros.

Nesse caso, além de ter os pés no chão, são necessários empenho e disciplina ainda maiores. Isso porque muitos fatos podem ocorrer nesse período e o efeito deles pode tirá-lo do foco. Afinal, sempre prevalece a ideia de que é possível dar conta do projeto, mesmo que, vez ou outra, se saia da linha.

Quando o planejamento tem o objetivo de realizar um sonho de médio prazo, há o comprometimento com aplicações financeiras periódicas. No decorrer desse período, é provável que se queira realizar desejos menores, que talvez sacrifiquem os investimentos direcionados a este tipo de objetivos.

É assim que os projetos começam a desandar e, por isso, é tão importante manter a disciplina e o foco. Uma solução para evitar isso é ter sempre uma reserva financeira para imprevistos ou necessidades de curto prazo.

Objetivos de longo prazo

Quando se determina um prazo mais longo para alcançar um objetivo, também é essencial ter muita disciplina. E, mais do que isso, tomar melhores decisões de investimento, isso porque o efeito dos juros composto​s no longo prazo faz toda a diferença no resultado final. Entre os planos para o longo prazo estão a compra de um imóvel, o acúmulo de patrimônio, a educação dos filhos, a aposentadoria, o primeiro milhão e mais uma série de propósitos que podem não ser realizados em menos de cinco anos.

A principal vantagem dos planos para o longo prazo está no poder dos investimentos, a medida que o dinheiro que se investe no decorrer desse período vai alcançar rendimentos maiores. Isso ocorre porque, à medida que o volume de recursos investido aumenta, os ganhos são mais elevados.

Esse é um estímulo para quem planeja alcançar objetivos de longo prazo. Afinal, quanto maior for o saldo investido, maior será o retorno. Ver o crescimento dessas cifras é bastante motivador, mas é preciso fazer boas escolhas, além de ser persistente, paciente e ter disciplina.

Como se planejar para alcançar os objetivos financeiros?

Alguns passos básicos são essenciais na jornada do planejamento financeiro. Depois de compreender a importância de definir seus objetivos para curto, médio e longo prazos, você certamente estará mais organizado quanto a seu próprio orçamento e mais consciente do tempo necessário para atingir suas metas.

Falta, então, fazer uma programação consistente para chegar lá:

Faça um balanço do próprio patrimônio

A avaliação do seu patrimônio atual serve para identificar a sua situação financeira. Para fazer esse balanço, é preciso considerar, de um lado, tudo o que tem em crédito já consolidado e a receber. Entram aí os bens, como imóveis e veículos,  saldos a receber bem como os seus investimentos.

Na outra ponta, estão as dívidas, que podem ser de médio e longo prazos, como empréstimos, financiamentos e débitos a pagar ou mesmo de curto prazo, como despesas recorrentes.

Quanto às dívidas, é preciso reunir todas — empréstimos, financiamentos, boletos e carnês —, independentemente do valor e do prazo para quitação. O objetivo é levantar quais são os débitos no momento. Lembre-se de colocar o valor de cada item na hora de listar todas essas despesas. Dessa forma, fica mais fácil identificar o montante do seu patrimônio. Fazer essa análise é um passo importante no seu planejamento financeiro e para conseguir alcançar suas metas.

Organize os objetivos

Está na hora, enfim, de se planejar para os objetivos de curto, médio e longo prazos. Faça uma lista de metas e estime o montante necessário para realizá-las. Seja realista nessa etapa, tanto em relação aos prazos quanto aos valores.

Primeiramente, lembre-se de que o dinheiro necessário para cada objetivo deve ser o mais preciso possível. Depois, é necessário calcular quanto se deve guardar por mês para atingi-los. Nesse cenário, a conta fecha ou não?

Se não fechar, é preciso fazer correções. Reveja se o problema é o prazo, que precisa ser estendido, ou a quantia necessária, que precisa ser elevada. Talvez seja o momento de reavaliar as finanças, cortar gastos e, de alguma forma, equalizar melhor as variáveis.

Monte um planejamento financeiro alinhado às metas

Quando se junta tudo, obtém-se o contexto que deve ser resumido em um plano de ação. Você já sabe que deve avaliar a atual situação do seu patrimônio e, também, como estão as finanças cotidianas. Além disso, deve quais são seus objetivos e em qual prazo pretende alcançá-los. Agora, pode fazer o planejamento financeiro com base em metas, prazos e valores.

Investir é uma prática que deve fazer parte do planejamento financeiro. Afinal, tem-se um ponto de partida e um de chegada, e, em finanças pessoais, o que leva de um ponto a outro são as aplicações financeiras. A Magnetis pode te ajudar exatamente nesse processo. Está preparado agora para fazer seu planejamento financeiro? Mãos à obra!  Monte gratuitamente um plano de investimentos diversificado, alinhado aos seus objetivos e condição financeira.

*Texto originalmente escrito em Novembro de 2017 e atualizado em Agosto de 2018.

Fernando Reis é administrador e Analista de Marketing de Conteúdo da Magnetis.

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