Planejamento financeiro: tudo o que você precisa saber para cuidar melhor do seu dinheiro

por Mariana Congo | 30/05/2019

Planejamento financeiro: tudo que você precisa saber!

Quem guarda sempre tem. Você já deve ter ouvido esse ditado. Se você se preocupa com as suas finanças pessoais, o planejamento financeiro tem tudo a ver com isso. Afinal, é controlando melhor o próprio dinheiro que se consegue alcançar um futuro estável e equilibrado.

Se você estiver sem tempo para ler, sem problemas! Basta dar o play a seguir para ouvir este post na íntegra.

Planejar-se financeiramente significa gerenciar bem os seus gastos, quitar dívidas que possam existir, saber quanto é possível economizar e investir bem os recursos poupados. A questão é: como chegar a esse patamar?

É o que vamos explicar neste post. Aqui, você compreenderá melhor o que significa fazer um planejamento financeiro, de maneira a conquistar seus objetivos por meio dos investimentos.

Também vai entender qual é a diferença entre planejamento financeiro e orçamento, algo que ainda confunde muitas pessoas.

Uma vez que o dinheiro é um meio para conseguir o que você deseja, nada melhor do que cuidar do seu da forma mais eficiente, certo?

Então, aproveite a leitura para aprender mais e, se tiver alguma dúvida, fique à vontade para deixar o seu comentário. Boa leitura!

O que é planejamento financeiro?

O Dicionário Michaelis Online define planejamento como “organização de uma tarefa com a utilização de métodos apropriados”. Ao adaptar esse conceito para a questão financeira, a ideia é equilibrar renda e gastos para atingir os objetivos de curto, médio e longo prazos.

Para colocar esse conceito em prática, é essencial ter disciplina. Esse é o método que ajudará você a alcançar uma meta, seja ela uma viagem, a compra da casa própria, o pagamento de um curso universitário e assim por diante.

A maioria dos brasileiros ignora a importância do planejamento financeiro. Dados do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostram que 58% da população admite não controlar suas atividades financeiras. Além disso, 17% das pessoas utilizam o cartão de crédito e o cheque especial e pedem dinheiro emprestado com frequência.

Portanto, o planejamento financeiro é uma estratégia que deve ser seguida durante toda sua a vida. Isso não significa que é preciso fazer sacrifícios enormes ou deixar de lado o conforto no presente. Tudo se trata de equilibrar as suas finanças para suprir todas as suas necessidades agora e no futuro.

Como fazer isso? A resposta é simples! É preciso monitorar seu orçamento e seus gastos atuais. Com o planejamento financeiro adequado, você consegue traçar os caminhos necessários para chegar onde quer.

Com foco e disciplina, fica ainda mais fácil conquistar os seu propósitos. Isso porque, ao pensar em seu futuro financeiro, você transforma a sua relação com o dinheiro e passa a gastá-lo de maneira mais inteligente.

Para chegar nesse patamar, você precisa seguir alguns passos. Veja, a seguir, quais são.

Principais benefícios do planejamento financeiro pessoal

1. Evita dívidas

Pagar juros de dívidas é, literalmente, jogar dinheiro fora. Dois exemplos bastante comuns são quando você paga somente o valor mínimo da fatura do cartão de crédito ou quando utiliza o limite do cheque especial.

Para ter uma ideia, o valor médio dos juros nesses dois casos é de 275% para o cartão de crédito e 305% para o cheque especial. Ao controlar suas finanças, você evita entrar no cheque especial ou no rotativo do cartão de crédito — situações que podem levar ao superendividamento.

Esse é, aliás, um dos motivos que fez aumentar o número de inadimplentes no país. Atualmente, já existem 62,9 milhões de brasileiros com dívidas, o que representa 41% da população.

2. Proporciona o controle de gastos

O planejamento financeiro implica o controle de finanças pessoais. O dinheiro é gerido com mais inteligência e você define previamente em quais categorias ele será gasto. Simultaneamente, forma uma reserva de emergência e, posteriormente, consegue investir — medidas que ajudam a construir um patrimônio sólido.

Também há menos estresse nos gastos realizados, porque você conhece seu saldo e sabe quanto pode desembolsar. Em caso de imprevisto, tem um montante guardado e consegue utilizá-lo de forma racional.

3. Ajuda a cortar os gastos desnecessários

Os gastos desnecessários existem. A questão é: você sabe exatamente quais são eles? A maioria das pessoas desconhece, justamente, porque não faz o controle do orçamento doméstico.

Ao fazer um controle adequado, você verifica quanto desembolsa em cada categoria, por exemplo, aluguel, internet, TV a cabo, alimentação, lazer etc. A partir dessa análise, fica mais fácil descobrir onde estão os gastos excessivos e pensar em maneiras de diminuí-los.

É o caso da TV a cabo, que você pode trocar por um plano mais barato ou serviços on demand, como a Netflix. Da mesma forma, você pode perceber que está gastando muito com a alimentação fora de casa e determinar que vai sair apenas uma vez por semana.

4. Permite identificar onde o dinheiro foi gasto

A sensação de que parte do dinheiro sumiu é comum para quem não tem controle dos gastos. “Sobrar mês para o final do salário” é algo combatido com o planejamento financeiro, porque todos os desembolsos são anotados — e essa prática passa a fazer parte da sua rotina.

Essa identificação contribui de maneira direta para a eliminação dos gastos desnecessários. Então, fique atento ao que pode ser feito para melhorar suas finanças.

Agora que você sabe o que é e por que precisa fazer um planejamento financeiro, chega o momento de saber como elaborá-lo. Então, que tal ir para o próximo tópico?

Como fazer um planejamento financeiro pessoal?

O planejamento financeiro é o primeiro passo para equilibrar renda e gastos. Essa é uma forma eficiente de criar um cenário favorável para conquistar objetivos. No entanto, como já vimos, é essencial ter disciplina.

Essa é a chave para perseguir o planejamento e evitar dívidas. Junto a isso, é necessário ter uma estratégia. A ideia é fazer um diagnóstico da sua situação atual por meio da anotação de todos os seus gastos e rendimentos fixos e extras.

Isso pode ser feito com a ajuda de uma planilha ou aplicativo financeiro. Em seguida, vale a pena fazer algumas perguntas a si mesmo:

  • Onde você deseja chegar?
  • Como pretende estar em 5, 10, 15 e até 30 anos?
  • Qual é seu objetivo de vida quando se trata de dinheiro?
  • Como você planeja seu futuro?

Refletir sobre todos esses aspectos contribui para colocar em prática as etapas necessárias para um bom planejamento financeiro, que é o que apresentaremos em seguida. Confira!

1. Defina seus objetivos

Um planejamento depende da definição de objetivos — itens indispensáveis para quem deseja construir um patrimônio. Lembre-se de que é fundamental que as metas financeiras sejam realistas. Caso contrário, elas desestimulam.

Por exemplo: é impensável economizar R$ 500 mil se sua renda é de R$ 5 mil. Afinal, em um ano, ganha R$ 60 mil. Nesse caso, uma meta pode ser a formação de uma reserva de emergência (caso ainda não tenha) de três vezes o seu salário, ou seja, R$ 15 mil. Isso significa que precisa economizar R$ 1,25 mil por mês. Outra, de curto prazo, é quitar as dívidas que tem.

curso de investimento

Contudo, pense mais além. Defina metas a serem alcançadas em médio (entre 1 e 5 anos) e longo prazo (acima de 5 anos). Dois exemplos são uma viagem internacional e ter uma aposentadoria tranquila, respectivamente. Ou quem sabe fazer uma pós-graduação e comprar um imóvel.

2. Pesquise sobre investimentos

O conhecimento sobre o mercado financeiro é um dos requisitos necessários para quem deseja se dar bem no planejamento. É desnecessário conhecer todos os detalhes, até mesmo porque você não é economista e existem consultorias especializadas, que oferecem planos de investimentos personalizados.

Ainda assim, saber o básico é essencial para aplicar seu dinheiro. Primeiro, é necessário conhecer seu perfil para investir:

  • conservador: tem baixa tolerância ao risco e coloca a segurança em primeiro lugar;
  • moderado: prefere arriscar um pouco, desde que o potencial retorno do investimento seja interessante;
  • arrojado: opta por ganhar o máximo possível, mesmo que implique colocar a proteção do dinheiro de lado.

Essas informações devem estar alinhadas aos seus objetivos financeiros. Por exemplo: se sua ideia é ter uma aposentadoria tranquila, ser conservador ou moderado é uma alternativa mais interessante, com foco em investimentos de longo prazo.

3. Escolha uma estratégia

O planejamento é uma ação de longo prazo — por isso, considera o tempo. Ao definir sua estratégia, pense sobre alguns aspectos relevantes, como custos, riscos, inflação (que corrói seu poder de compra) e segurança no futuro.

Além disso, a taxa de juros é um fator importante. De modo geral, o Brasil é um dos países com índices mais elevados. Por isso, títulos pós-fixados, que variam conforme um indexador, tendem a ser interessantes. Caso a perspectiva econômica seja de queda, os ativos prefixados são melhores.

Mais do que isso, avalie os custos dos investimentos, como cobrança de Imposto de Renda, taxas de administração, performance e corretagem, e por aí vai. Ao analisar todas essas variáveis, fica mais fácil determinar uma estratégia precisa, que ajude você a conquistar seus objetivos.

4. Anote suas receitas e despesas

Os valores que entram e saem devem ser anotados para garantir um bom planejamento financeiro. Como indicamos, isso pode ser feito com a ajuda de um aplicativo ou planilha. No entanto, registre todos os gastos e ganhos, até mesmo os menores, como a compra de um chocolate.

O ideal é fazer os registros todos os dias para evitar esquecimentos. Essa atitude também fornece uma visão mais abrangente e realista das finanças. O próximo passo é reorganizar os gastos para cortar aqueles que forem supérfluos.

5. Aprenda a poupar dinheiro

Junto à disciplina do planejamento financeiro, a análise de receitas e despesas leva a um propósito: gastar menos do que se ganha para aprender a poupar. Por mais que essa dica seja simples e até óbvia, é claro que nem todo mundo consegue fazer isso.

Sem aprender a poupar, as finanças ficam no vermelho e é comum ter que recorrer a empréstimos e cheque especial. Por outro lado, quando você tem disciplina, avalia as despesas de maneira objetiva, mantém em mente suas metas, e tem paciência e determinação para alcançar seus propósitos.

Como você viu, o planejamento financeiro é colocado em prática a partir de atitudes bastante simples. O resultado é começar a investir para fazer seu dinheiro render e, então, conquistar seus objetivos. Porém, quais são as melhores aplicações para alcançar esse patamar? É o que veremos em seguida.

O que é um orçamento? O que ele tem a ver com planejamento financeiro?

Se formos mais uma vez em busca de definições, veremos que orçamento é o conjunto de receitas e despesas, quantia de dinheiro que se dispõe ou o custo estimado de algo.

Ou seja, fazer um orçamento, nesse caso, presume estimar todos os valores que serão gastos e recebidos durante um determinado período.

Por mais que existam dificuldades em estimar algumas despesas variáveis, é preciso ter um orçamento bem-feito para conseguir controlar os gastos.

De nada adianta ter objetivos incríveis se a forma de alcançá-los está distante. Como pensar em uma viagem de férias se ainda é preciso recorrer ao cheque especial para fechar o mês por pura desorganização?

É assim que o orçamento e o planejamento financeiro se complementam. O primeiro deve ser sempre visto como um passo para a implementação do segundo.

A ausência de um orçamento torna o controle de despesas mais complicado, ao mesmo tempo em que não fazer um planejamento deixa mais difícil a concretização de objetivos no longo prazo.

Quais são os melhores investimentos para os seus objetivos?

Investir é uma ação que vai além de conseguir a maior rentabilidade possível. Ela visa, principalmente, à proteção do capital para construir um patrimônio sólido. Porém, para fazer boas aplicações e atingir seus objetivos, é necessário conhecer alguns detalhes relevantes nesse processo.

O primeiro deles é o perfil de investidor. Já citamos rapidamente, mas, agora, vamos explicar melhor. Basicamente, esse conceito passa pela determinação da sua tolerância a correr riscos.

Sempre que você fizer uma conta em uma corretora de valores, terá que responder a um formulário para delimitar sua categoria, ou seja, conservador, moderado ou arrojado. Tenha em mente que a característica de cada um deles é:

  • conservador: proteção do patrimônio e segurança do capital. Diversifica os investimentos, mas com opções de baixo risco;
  • moderado: tolerância a riscos de longo prazo e escolha de alternativas mais arriscadas, a depender da situação. Tem mais conhecimento de mercado e um patrimônio em alta. Investe em renda fixa e variável;
  • arrojado: maximização do retorno, mesmo que a segurança seja colocada em segundo lugar. Lida com perdas de curto prazo por entender que são necessárias para lucrar mais no futuro.

Como destacamos, seu perfil de investidor precisa estar alinhado à estratégia e aos objetivos delineados. Nesse escopo, existem algumas opções de investimentos que você precisa considerar. Confira as principais!

1. Tesouro Direto

É uma alternativa interessante para quem deseja formar uma reserva de emergência. Isso é derivado da alta liquidez dos investimentos, o que permite resgatar o valor a qualquer momento.

Consiste em títulos emitidos pelo governo federal, que têm rentabilidade prefixada, pós-fixada ou híbrida. As opções existentes são:

  • Tesouro Prefixado, com e sem pagamento de juros semestrais: tem fluxo de pagamento simples ou a cada seis meses. É indicado para períodos em que há tendência de queda da taxa básica de juros, a Selic;
  • Tesouro IPCA+, com e sem pagamento de juros semestrais: tem rentabilidade híbrida com pagamento na data de vencimento ou com bônus a cada semestre. Sua vantagem é proteger o investimento da inflação, já que o retorno varia conforme o IPCA e mais uma taxa fixa;
  • Tesouro Selic: é pós-fixado e tem apenas o fluxo de pagamento simples. O retorno varia conforme a Selic. Há baixa oscilação e é a única modalidade em que nunca há perda em caso de resgate antecipado. Por isso, é ideal para formar uma reserva de emergência.

O Tesouro Direto é bastante seguro e tem uma rentabilidade previsível. É recomendado para quem tem perfil conservador e também para os moderados que desejam diversificar a carteira de investimentos.

As aplicações exigem conta em uma corretora de valores, mas podem ser feitas no Portal do Tesouro Direto. O valor inicial é de R$ 30,00. Os custos são:

  • taxa de administração: varia conforme a instituição financeira;
  • taxa de custódia: 0,25% ao ano;
  • Imposto de Renda (IR): determinado pela tabela regressiva, isto é, quanto maior for o tempo de aplicação, menos tributo será aplicado;
  • Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): existe apenas para aplicações com menos de 30 dias.

2. Bolsa de valores

A bolsa de valores é um pregão eletrônico no qual são negociados produtos financeiros e ações empresariais. A finalidade é a captação de recursos. Em troca, quem compra os ativos recebe juros. As operações são feitas de forma online por meio do home broker. As ações são armazenadas na Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).

Existem diferentes tipos de investimentos negociados na bolsa brasileira, a B3. Há alguns mais e menos arriscados, a depender das suas características. Alguns dos principais são:

  • ações;
  • ETFs;
  • fundos imobiliários.

O índice Bovespa, Ibovespa, funciona como um termômetro do mercado. Quando esse indicador cai, significa que boa parte das empresas que negociam nesse ambiente também está em queda. Para começar a aplicar, é preciso ter uma conta em uma corretora de valores.

Ao longo deste material, você viu que o primeiro passo para alcançar seus objetivos é fazer um bom planejamento financeiro. Para isso, é preciso se organizar, pagar as contas em dia e montar uma reserva de emergência.

Mais do que isso, é necessário definir uma estratégia adequada e investir seu dinheiro para que ele renda no futuro. É assim que você conseguirá construir um patrimônio sólido e ter maior estabilidade financeira.

Então, que tal colocar esses conhecimentos em prática e pensar nos seus objetivos a partir de agora? Lembre-se: nunca é tarde para começar! Com o tempo, você verá que realmente vale a pena.

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