poupança: tudo o que você precisa saber para investir melhor

por Mariana Congo | 08/01/2019

Poupança: qual é o rendimento mensal? Como os juros são calculados?
curso de investimento

A poupança é a aplicação financeira mais utilizada pelos brasileiros. O primeiro contato de uma pessoa com a caderneta de poupança geralmente acontece ao abrir uma conta no banco. Isso porque ela é forma fácil de guardar dinheiro e pode ser vinculada à conta corrente.

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Praticidade e segurança são as duas principais características que tornam essa aplicação a preferida das pessoas. Porém, não é segredo para ninguém que o rendimento da poupança é baixo. Além disso, existem outras aplicações que rendem mais, com a mesma segurança.

Veja mais: Sabia que você pode investir com a Magnetis a partir de R$ 1 mil? Faça grátis a sua simulação

A partir de agora, vamos ver tudo o que você precisa saber para fazer investimentos melhores do que a poupança. Neste post, você vai entender:

Se você está buscando formas de fazer o seu dinheiro render mais, chegou ao lugar certo!

Aproveite a leitura para tirar suas dúvidas e fique à vontade para deixar o seu comentário ao final do post. Não se esqueça também de compartilhar este conteúdo com os seus amigos nas redes sociais. Vamos começar?

O que é poupança?

Poupança é qualquer quantia que você reserva da sua renda mensal para usar em outro momento. Significa literalmente guardar dinheiro para o futuro, seja qual for a finalidade.

No Brasil, poupança virou sinônimo de uma aplicação financeira muito popular: a caderneta de poupança ou conta poupança.

Ela foi criada junto com a Caixa Econômica Federal, em janeiro de 1861. Na época, o Brasil ainda era um império regido por D. Pedro II (1831-1899). O principal objetivo era atender às camadas mais pobres da população.

Até hoje, essa aplicação é sinônimo de segurança financeira. Não é à toa que um em cada três brasileiros tem dinheiro guardado na poupança, segundo o Raio X do investidor, uma pesquisa anual da Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima).

Porém, como já dissemos anteriormente, o rendimento da poupança é baixo. A seguir, vamos entender por quê.

Qual é o rendimento da poupança hoje?

O rendimento da poupança hoje é de 3,85% ao ano, ou 70% do CDI. Dessa maneira, se você depositar R$ 100 na poupança hoje, terá R$ 103,85 daqui a um ano.

Esse rendimento é considerado muito baixo comparado a outros investimentos do mercado.

Para você ter uma ideia, existem investimentos tão seguros quanto a poupança que rendem 100% do CDI ou até mais. Falaremos dessas alternativas mais adiante.

Por enquanto, vale destacar que esse rendimento é determinado pela Selic, a taxa básica de juros da economia.

Ela, por sua vez, é definida a cada 45 dias por um conselho de diretores do Banco Central do Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom).

Hoje a Selic está em 6,5% ao ano, o menor patamar da história. E como a rentabilidade da poupança sempre ficará abaixo da taxa básica de juros do país, ela sempre renderá menos do que outros investimentos de renda fixa.

Quanto rende a poupança por mês?

O rendimento mensal da poupança hoje é de 0,32%. Assim, cada R$ 100 depositados na poupança rendem R$ 0,32.

Diferente dos demais investimentos de renda fixa, o rendimento da poupança é contabilizado apenas uma vez por mês.

As outras aplicações seguras, por outro lado, oferecem rendimento diário.

Considerando que os juros que incidem sobre essas aplicações é que fazem o seu dinheiro se multiplicar, a poupança oferece um crescimento muito mais lento para as suas economias.

Na prática, quando você deixa seu dinheiro na poupança, está perdendo a oportunidade de fazer ele se multiplicar.

Vamos ver a seguir como os juros da caderneta são calculados e entender mais sobre esse processo.

Veja mais: Qual foi o rendimento da poupança em 2018? E da Nuconta? E dos CDBs? Confira tudo aqui!

Juros da poupança: como eles são calculados?

Para entender quanto rende a poupança hoje, primeiro é preciso conhecer a regra de cálculo da caderneta.

Em 2012, o governo mudou a forma como os juros da poupança são calculados. Todos os depósitos feitos até 3 de maio de 2012 rendiam 0,5% ao mês, mais a Taxa Referencial, a chamada TR (taxa de que hoje está zerada). Em 2018, por exemplo, a poupança antiga rendeu 6,16%.

A partir de 4 de maio de 2012, a nova regra de cálculo da poupança passou a valer para depósitos feitos daquela data em diante. Essa regra diz o seguinte:

Rendimento da poupança: nova regra de cálculo

Desde setembro de 2017, quando a Selic caiu para 8,25% ao ano, a nova regra de cálculo da poupança foi acionada pela segunda vez desde sua criação.

A partir daquele momento, o rendimento da poupança ficou cada vez mais espremido, acompanhando a queda da Selic.

Assim, o rendimento da poupança hoje é de 70% da Selic, mais a TR (que está zerada). Em 2018, o rendimento da poupança nova foi de 4,68%.

Outro fator que faz a poupança render menos é a base utilizada para o cálculo dos juros.

Os juros da poupança são incorporados ao valor investido na caderneta a cada 30 dias corridos, no chamado aniversário da poupança.

Essa data começa a ser contada a partir da abertura da conta e aparece no extrato bancário ou no internet banking.

Segundo o Banco Central, a rentabilidade é calculada sobre o menor saldo de cada período de rendimento, contando a partir do aniversário.

No caso das demais aplicações de renda fixa, o rendimento é diário.

Como abrir uma conta poupança: quais bancos oferecem?

Abrir uma conta poupança é um processo simples. Basta entrar em contato com um banco e fazer a solicitação. Na maioria dos casos, é necessário apresentar os seguintes documentos:

  • documento de identificação com foto (RG ou carteira de motorista – CNH);
  • comprovante de residência;
  • em alguns casos, o banco pode solicitar um comprovante de renda.

Vale lembrar que os bancos não são obrigados por lei a abrir uma conta-corrente ou poupança solicitada por um cliente. Porém, todos precisam oferecer um pacote de serviços essenciais, pelos quais não há cobrança de tarifas.

Dos 43 bancos e cooperativas que existem hoje no Brasil, apenas sete oferecem conta poupança.

  • poupança da Caixa Econômica Federal;
  • poupança do Bradesco;
  • poupança do Banco do Brasil;
  • poupança do Itaú;
  • poupança do Santander;
  • poupança do Banco Inter;
  • poupança do Sicoob.

Nos grandes bancos, esse processo é mais burocrático e exige que a pessoa vá até a agência. Porém, nos bancos digitais já é possível abrir uma conta poupança online.

Investir na poupança: quando vale a pena?

O primeiro passo para começar a investir e ter a sua liberdade financeira é ter uma reserva de emergência.

Essa reserva é um valor que representa alguns meses das suas despesas recorrentes. O objetivo é que ela sirva como alternativa caso você perca a sua principal fonte de renda.

Nesse caso, a poupança pode ser uma alternativa para formar a sua reserva de emergência, principalmente se você movimenta a conta mais de uma vez por mês.

Isso porque existe um imposto chamado IOF – o Imposto sobre Operações Financeiras -, que incide sobre o rendimento de aplicações financeiras feitas há menos de 30 dias.

Porém, se você não precisa movimentar com frequência as suas reservas, vale a pena pesquisar mais sobre aplicações que oferecem liquidez diária, como o Tesouro Selic e os CDBs de liquidez diária.

Como a inflação afeta a rentabilidade da poupança?

Inflação pode ser definida como o aumento generalizado de preços em um determinado período de tempo.

Ou seja, os preços dos bens, produtos e serviços sobem de forma consistente e você terá de pagar mais caro para conseguir comprar a mesma quantidade de coisas: seu dinheiro perde valor.

A inflação atinge produtos básicos (como alimentação e bebidas), afeta o custo de vida (habitação, vestuário, transporte e educação – além de outros itens, dependendo do índice) e influencia também na rentabilidade dos seus investimentos.

Apesar de não estarmos mais na era da Selic de dois dígitos, por algum tempo a distância entre a inflação e a taxa de juros foi maior.

Essa situação, porém, já está mudando. Como você vê no gráfico a seguir, a inflação atingiu mínimas históricas entre 2016 e 2017, mas já voltou a subir levemente.

Por outro lado, a taxa de juros, que está no mesmo patamar desde março de 2018, torna mais espremida a rentabilidade real dos investimentos em renda fixa. Veja a diferença no gráfico a seguir:

Rentabilidade real: Selic x inflação

Quando os juros estavam em 14,25% ao ano – entre julho de 2015 e setembro de 2016 -, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) era mais alta e, portanto, afetava mais os ganhos das aplicações financeiras. Logo, a rentabilidade real era menor.

Repare no gráfico que o ganho real está justamente na região entre a linha do IPCA e a da Selic.

Ou seja: nos tempos dos juros altos, os dois dígitos eram uma ilusão, uma vez que o ganho real era menor e a inflação alta consumia boa parte do poder de compra das pessoas.

Agora veja como ficou a situação no período de setembro de 2017 até maio de 2018. Note que, com a queda dos juros, o espaço entre a Selic e a inflação ficou maior.

Porém, mais recentemente, a inflação voltou a subir de forma discreta. Assim, não somente a poupança, mas outras aplicações de renda fixa tiveram que ir para o divã, com muitas pessoas se perguntando onde investir com a queda dos juros. Aliás, vamos ver algumas opções no próximo tópico.

Quais são os investimentos melhores do que a poupança?

Muitas pessoas acreditam que não é possível investir bem com pouco dinheiro. No entanto, graças à tecnologia, essa já é uma realidade no Brasil. Confira algumas alternativas de investimentos melhores do que a poupança:

1 – Tesouro Direto

Mesmo quem não tem muito dinheiro para começar a investir consegue encontrar opções de investimentos seguros. Prova disso são os títulos do Tesouro Direto, que permitem aplicações a partir de R$ 30.

A lógica por trás desses títulos é bastante simples: para se manter funcionando, o Estado precisa de recursos que vão além daqueles arrecadados com a cobrança de impostos. Por isso, ele emite papéis para captar dinheiro e qualquer pessoa pode investir alguma quantia.

Em troca, há o pagamento de juros dentro do prazo estipulado pelo título. Ou seja, quem investe no Tesouro Direto está emprestando dinheiro ao Estado.

Embora não haja a cobertura do FGC, o risco desses títulos é baixíssimo. Eles não serão pagos apenas em caso de insolvência total do Estado, o que é muito difícil de acontecer, mesmo em momentos de dificuldade econômica.

Em última instância, o Estado pode imprimir moeda para honrar o pagamento dos títulos.Para investir no Tesouro Direto, é preciso ter conta em um banco ou corretora autorizada. Com o cadastro na instituição, será possível acessar a plataforma na qual os títulos são negociados.

São várias as opções de títulos disponíveis, divididos entre prefixados (com o rendimento definido na hora da compra) e pós-fixados (corrigidos de acordo com uma taxa, como o IPCA e a Selic). É preciso observar as taxas e impostos, para que elas não comprometem o retorno da aplicação.

2 – CDB

Lembra quando falamos dos títulos do Tesouro Direto e dissemos que eles funcionam como uma espécie de empréstimo ao Estado pelo qual quem aplica o dinheiro é remunerado?

A lógica do CDB (Certificado de Depósito Bancário) é a mesma, mas quem capta os recursos são bancos privados, que utilizam o dinheiro para emprestá-los a outros clientes.

Diferente dos títulos públicos, os CDBs são cobertos pelo FGC, dentro do limite estipulado.

O retorno de um CDB está geralmente atrelado ao já mencionado CDI e quase sempre é maior do que a rentabilidade das cadernetas de poupança, ainda que seja feita a cobrança de IR nesse tipo de investimento.

É importante, mais uma vez, comparar com outras opções de investimentos e em diferentes instituições financeiras para ter certeza se não existem alternativas melhores. A dica é procurar por bancos menores, que costumam oferecer taxas mais atraentes.

3 – LCI e LCA

As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) são títulos emitidos pelos bancos para financiar, respectivamente, o setor imobiliário e o agronegócio.

A grande vantagem desses investimentos é isenção do Imposto de Renda (IR), além da cobertura do FGC. Por outro lado, essas letras de crédito costumam ter prazos de vencimento mais longos, o que é ruim para quem não tem muita certeza de quando vai precisar do dinheiro.

As taxas de retorno variam de acordo com o banco que emitiu o título. Logo, é necessário fazer comparações entre diferentes títulos e bancos, em busca da melhor rentabilidade.

4 – Fundos DI

Fundos DI são fundos de investimento que investem pelos menos 80% da carteira em títulos públicos, ativos de baixo risco e em cotas de outros fundos de renda fixa. A rentabilidade desses fundos busca acompanhar o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), taxa muito próxima da Selic (os juros básicos da economia nacional).

Os riscos para quem investe em fundos DI são relativamente pequenos, já que o dinheiro é aplicado em ativos de baixíssimo risco. Não há cobertura do FGC, mas, em caso de quebra do banco, o dinheiro fica protegido, já que, do ponto de vista jurídico, os investimentos dos fundos não fazem parte do patrimônio da empresa.

Fundos DI contam com alta liquidez, permitindo que os recursos sejam sacados no momento em que for necessário. Ademais, é possível encontrar opções que permitem começar com aportes pequenos.

Como desvantagem, cabe mencionar a cobrança de taxas de administração, comuns em fundos de investimentos. Além disso, há a incidência do Imposto de Renda come-cotas, uma cobrança antecipada de IR que incide sobre a rentabilidade duas vezes ao ano, em maio e em novembro.

5 – Nuconta

A Nuconta é um conta digital sem tarifas disponibilizada pela Nubank. Ela também funciona como um investimento de baixo risco, já que todo o dinheiro depositado é aplicado em títulos públicos em nome da empresa. Não há cobrança de taxas, mas incidem IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e o IR sobre os rendimentos, que são próximos aos do CDI.

Além de uma forma de investimento, é possível pagar boletos e receber o salário na Nuconta. Recentemente, foi incluída a possibilidade de pagamentos via cartão de débito e de saques, que são tarifados. Essas funções estão sendo liberadas aos poucos. Também é possível fazer TEDs gratuitos para uma conta-corrente de outro banco.

Os investimentos feitos por meio da Nuconta não são garantidos pelo FGC e nem são registrados em nome do titular do conta, o que pode ser um risco.

Por outro lado, eles estão protegidos juridicamente, uma vez que os recursos das contas não são incluídos no patrimônio da Nubank e, portanto, não podem ser bloqueados caso a empresa apresente problemas.

Não é mais necessário receber um convite ou ter o cartão de crédito da Nubank, mas é preciso se inscrever no site da empresa e aguardar o retorno para pode utilizar o serviço, que é todo gerenciado por meio de um aplicativo.

Simulador de poupança: saiba se você está perdendo dinheiro na caderneta

Quem investiu R$ 100 na poupança em 1 de janeiro de 2018, chegou a 1 de janeiro de 2019 com R$ 104,68, um retorno de 4,68% – segundo a Calculadora do Cidadão, recurso disponível na página do Banco Central.

Em 2018, a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 3,75%. O IPCA é calculado pelo IBGE e é referência oficial para a inflação brasileira.

O retorno financeiro da caderneta superou a inflação em 2018, é verdade. Porém, ele ficou mais espremido: em 2017, o rendimento da poupança foi de 6,61%, enquanto a inflação foi de 2,95%.

O pior cenário é quando a inflação supera o resultado da caderneta. Em 2015, quando o IPCA terminou o ano em 10,67%, a poupança rendeu 7,29%. Na prática, o dinheiro perdeu poder de compra.

Assim, apesar de a poupança estar superando a inflação hoje, não significa que é confortável deixar seu dinheiro lá.

Vamos ver outro exemplo, agora pensando no futuro: suponha que você tenha R$ 1 mil para investir hoje e que vá fazer aplicações adicionais de R$ 100 todo mês durante 30 anos. Ao final desse período, você terá R$ 106.474,08 na poupança.

Mas ainda não acabamos! Uma carteira diversificada de baixo risco, um investimento com a mesma segurança, renderia R$ 115.897,41 nos mesmos parâmetros.

A diferença é de R$ 9.423,33 em 30 anos. São R$ 314,11 perdidos a cada ano que o dinheiro permanece investido na poupança (!).

Simulador de poupança: faça os seus cálculos

(Clique na imagem e simule o rendimento da poupança na Calculadora da Poupança Magnetis)

Como sair da poupança?

Muitas pessoas querem investir melhor o seu dinheiro, mas não sabem por onde começar.

O primeiro passo para começar a investir é definir os seus objetivos. Quanto mais claros eles forem, mais fácil será saber qual caminho seguir.

Depois, é o momento de entender quais são as melhores opções para atingir esses objetivos. É nesse momento que você precisa entender qual é o seu perfil e buscar as alternativas mais adequadas para ele.

A Magnetis pode ajudar você nesse processo. Somos uma consultoria de investimentos automatizados que usa a tecnologia para ajudar as pessoas a investir no que importa.

A partir de uma aplicação inicial de R$ 1 mil, você consegue investir nas aplicações mais sofisticadas do mercado, com diversificação, segurança e menor custo (saiba mais aqui).

Gostou do conteúdo? Se você quiser saber mais sobre as opções de investimento melhores do que a poupança, baixe grátis o ebook Desmistificando a Poupança: por que outros investimentos podem ser melhores. Não se esqueça de deixar aqui o seu comentário e compartilhe conosco a sua experiência! 😀

(Post originalmente publicado em abril de 2015)

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