Afinal, a previdência privada é um bom investimento ou não?

por Fernando Reis

Não é raro encontrar investidores que associam a ideia de reserva de dinheiro para a sua aposentadoria com investimento em previdência privada. O que acaba passando despercebido, para esses investidores, é que existem também outras formas de diversificar a carteira de investimentos e ainda assegurar uma boa rentabilidade em longo prazo. Com tudo isso, resta saber: a previdência privada é de fato um bom investimento?

Para que você não tome uma decisão precipitada ao escolher o método de investimento que lhe garantirá dias tranquilos quando se aposentar, elegemos neste texto as principais vantagens e desvantagens da previdência privada, além de alternativas para quem busca diversificar seus investimentos. Vamos conferir?

Entenda o que é previdência privada

Basicamente, a previdência privada é um tipo de investimento que surgiu em substituição ao método tradicional de aplicação para a aposentadoria por meio do governo. Apesar de parecerem perfeitamente atrativos, tal como nos comerciais de TV, os planos de previdência privada têm vantagens e desvantagens.

Os planos de previdência privada (PGBL e VGBL) são investimentos para o longo prazo. Depois do aporte inicial, o ideal é que o investidor mantenha aplicações regulares (mensalmente, por exemplo). E para incentivar o investidor a fazer esse investimento e só resgatar depois de muitos anos, o Imposto de Renda fica menor com o passar do tempo. No caso da tabela regressiva do IR, por exemplo, resgates depois de 10 anos têm alíquota de apenas 10%.

Agora, para saber se a previdência privada é um bom investimento para você, confira mais detalhes sobre suas vantagens e desvantagens.

Vantagens da previdência privada

Para quem pretende ter uma vida financeiramente tranquila depois de se aposentar, a previdência privada pode ser uma possibilidade de complementar a renda na aposentadoria. Além disso, a facilidade na contratação também é um fator bastante positivo.

Existem outros benefícios, como:

  • ao final do plano, o investidor tem a opção de resgatar o valor integral ou realizar retiradas mensais como complemento de renda;

  • se a contribuição for suspensa, o investimento continua rendendo;

  • as datas da contribuição e o seu valor podem ser alterados conforme a necessidade do investidor;

  • caso o investidor encontre uma instituição mais rentável, ele pode realizar a portabilidade para outra administradora da previdência;

  • os investidores mais indisciplinados que enfrentam dificuldade para poupar podem encontrar auxílio nos pagamentos fixos mensais;

  • aqueles que utilizam formulário completo para declarar Imposto de Renda (IR) têm benefício fiscal no caso do PGBL;

  • em caso de falecimento, o patrimônio é transferido sem muita burocracia para os herdeiros.

Desvantagens da previdência privada

É importante que, antes de investir em previdência privada, sejam realizadas pesquisas sobre outras formas de aplicar o dinheiro, por exemplo, por meio de fundos ou em uma carteira diversificada. Muitas vezes, esses outros tipos de investimento podem oferecer um retorno mais elevado. A partir disso, é possível comparar as alternativas e perceber algumas desvantagens da previdência privada:

  • a incidência de taxas de carregamento em cada aporte adicional faz com que parte do dinheiro do investimento não seja realmente investida;

  • normalmente, as taxas de administração cobradas pelos grandes bancos são altas em relação a seguradoras independentes;

  • há risco de baixa rentabilidade ou mesmo de falência da instituição, sem garantir prazos para a recuperação dos recursos;

  • a rentabilidade é comprometida pelas taxas cobradas, como de administração e carregamento;

  • para prazos menores que 10 anos, os impostos cobrados também comprometem os rendimentos.

Para contornar essa situação, além de conhecer os diferentes planos de previdência privada, é importante buscar informações sobre a forma de tributação e quaisquer outras variações que possam impactar o investimento.

Basicamente, no Brasil, existem as previdências privadas PGBL e VGBL, sobre as quais:

  • PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre): recomendado para quem possui rendas maiores e faz a declaração completa do Imposto de Renda. Permite que o valor de previdência seja abatido no IR sempre que corresponder a até 12% da renda tributável do ano. Além disso, o imposto relativo ao investimento só é pago na retirada, porém, sobre todo o valor acumulado e não apenas sobre o rendimento;

  • VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre): ideal para quem possui rendas menores e faz declaração simplificada do Imposto de Renda. A tributação pode ocorrer regressiva ou progressivamente, de acordo com a opção do investidor. O Imposto de Renda no resgate incide apenas sobre os rendimentos acumulados no período.

Outras alternativas

Quando se trata de investimentos, o conselho mais valioso que alguém pode oferecer diz respeito à diversificação da carteira. Isso também acontece ao planejar e investir na aposentadoria.

Além da previdência privada, existem outros investimentos de longo prazo que podem ser mais rentáveis e flexíveis. E para tornar o investimento ainda mais eficiente, já existem plataformas online capazes de analisar o perfil do investidor e ainda recomendar os melhores investimentos para cada um.

Vamos agora falar de alguns tipos de investimentos que podem ser usados para a aposentadoria: renda fixa, variável e imóveis.

Renda fixa

Perfeita para garantir a segurança dos seus recursos com uma rentabilidade relativamente atrativa, sem grandes riscos. Com a renda fixa, além de contar com várias opções de investimento cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), você tem uma previsibilidade dos rendimentos.

Renda variável

Os investimentos em renda variável representam uma parcela da aplicação mais volátil. Nela, o mercado é bastante ágil, os preços variam e, por consequência, os riscos são maiores. No entanto, a rentabilidade também pode ser significativamente melhor sobretudo no longo prazo.

Imóveis

Os fundos imobiliários são uma ótima opção para quem possui disponibilidade de capital suficiente para viver dos seus rendimentos. Basicamente, o investimento em cotas de fundos com empreendimentos imobiliários se torna bem mais acessível do que aplicar na compra efetiva de um imóvel.

A grande vantagem desse tipo de investimento é a tendência emergente de busca pela ocupação imobiliária. Com isso, os riscos de desocupação de imóveis são cada vez menores.

Em termos gerais, apesar de a previdência privada ser menos rentável que outras opções, para aqueles investidores que não possuem muita experiência e procuram um método que auxilie na disciplina e autocontrole em relação às aplicações, pode ser um bom investimento.

​No entanto, é preciso se informar sobre cada detalhe do plano, escolhendo as opções que melhor solucionem as necessidades do investidor.

A escolha não é fácil. O mais importante é entender que a previdência privada é um bom investimento apenas quando complementada com outras aplicações. É essencial considerar suas vantagens e desvantagens e escolher investimentos diversificados para garantir um bom rendimento.

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Fernando Reis é administrador e Analista de Marketing de Conteúdo da Magnetis.

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