Fundos de investimento: quais são os riscos envolvidos?

por Mariana Congo | 29/06/2017

Fundos de investimento: quais são os riscos envolvidos?

Os riscos estão presentes em qualquer tipo de aplicação financeira, inclusive nos fundos de investimento. Mas não se preocupe! É possível fazer escolhas equilibradas e que respeitem seus objetivos financeiros. A partir de agora, vamos entender melhor como fazer isso.

Existem mais de 18 mil fundos de investimento no mercado brasileiro, com as mais variadas políticas de gestão. Alguns fundos são puramente de renda fixa, enquanto outros são de ações ou de câmbio. Há ainda aqueles com estratégia que mescla vários tipos de investimento, como os fundos multimercado.

Veja mais: Quais são as vantagens dos fundos de investimento?

Enquanto para os fundos de renda fixa os retornos são mais previsíveis, para os fundos de ações ou multimercado o resultado é mais imprevisível.

Cada tipo de aplicação cumpre uma função diferente em uma carteira de investimentos. Por isso, é importante conhecer o que cada ativo oferece em matéria de risco e de retorno para escolher as melhores opções para investir. A seguir, nós vamos conhecer os principais riscos dos fundos de investimento.

Risco de crédito

Risco de crédito é a possibilidade de o emissor de um investimento não conseguir devolver o dinheiro para as pessoas que aplicaram (credores). Nesse tipo de situação, quem investiu não recebe de volta o que foi combinado.

Fundos de investimentos que têm em sua composição aplicações de renda fixa — como Tesouro Direto, CDB, LCI, LCA, LC​ e debêntures — correm risco de crédito. A cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de até R$ 250 mil por CPF e instituição no caso de falência do emissor de um título não vale para fundos de investimento.

Isso ocorre porque, ao aplicar em um fundo, a pessoa está comprando uma parcela da cesta de aplicações que compõem o fundo. É diferente de quem compra um título de renda fixa diretamente do emissor.

Cada fundo de investimento tem um CNPJ próprio. A garantia do FGC vale para o CNPJ do fundo, dentro do limite de cobertura, e não para os cotistas. Assim, caso haja algum problema, a quantia ressarcida para o fundo pode não cobrir o prejuízo dos cotistas.

Em geral, fundos lidam com esse risco de crédito ao diversificar os investimentos entre diversos emissores. Eles também avaliam a situação financeira da instituição para assegurar que ela cumprirá com seus compromissos. Um dos indicadores mais usados nessa análise é a nota de crédito (rating).

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Risco de mercado

O mercado financeiro está sujeito a vários fatores que podem afetar o desempenho das aplicações financeiras, desde acontecimentos do mundo político ou econômico até questões envolvendo empresas e seus sócios. Esses fatores influenciam o sobe e desce dos preços dos ativos e caracterizam o chamado de risco de mercado. ​

Todo investimento está sujeito ao risco de mercado, inclusive os fundos. A melhor forma de lidar com ele é diversificar as aplicações entre diferentes tipos de investimentos. É preciso buscar ativos que tenham características distintas e que não estejam sujeitos às mesmas condições de mercado.

É possível diversificar investindo não só em renda fixa e renda variável, mas também em ativos no Brasil e no exterior, por exemplo.

Ter a ajuda de especialistas nesse momento faz toda a diferença, pois a melhor diversificação é aquela que distribui os investimentos em sua carteira de acordo com seu perfil de risco e seus objetivos financeiros.

Risco de liquidez

A liquidez está relacionada à facilidade ou dificuldade de vender um ativo. Um exemplo clássico de baixa liquidez são os imóveis, pois a venda pode demorar dias, meses ou anos. Além disso, há bastante burocracia envolvida até você ter o dinheiro em mãos.

Por outro lado, aplicações como a poupança, o Tesouro Direto e alguns tipos de CDB têm alta liquidez, pois o dinheiro pode ser sacado em até um dia, no máximo.

No caso dos fundos de investimento, há diferentes regras de liquidez, de acordo com a política de cada um. Enquanto um fundo DI pode ter liquidez diária (ou seja, você pode transformar o valor das suas cotas em dinheiro no mesmo dia), um fundo de ações ou multimercado pode levar até mais de um mês para ser resgatado.

É importante sempre pesquisar a política do fundo antes da aplicação. Enquanto alguns podem ser úteis para a sua reserva de emergência, outros podem ser uma aplicação para um prazo maior, como para a aposentadoria, por exemplo.

Risco operacional

Problemas operacionais são muito comuns em qualquer setor da economia. Por exemplo: uma falha na linha de montagem de automóveis pode gerar transtornos e exigir um recall, que afetar milhares de pessoas.

Fundos de investimento também estão sujeitos a riscos operacionais. Nesse caso, a falha na gestão representa a possibilidade de perdas por causa de fraudes, desrespeito ao código de ética e conduta, demandas trabalhistas, problemas administrativos e problemas causados por fatores internos ou externos.

Para minimizar os riscos operacionais, existe o chamado "tripé gestora/administrador/custodiante". Cada uma dessas três áreas é responsável por uma parte do trabalho:

  • gestora: coloca em prática a política de investimentos do fundo, escolhendo as melhores aplicações;
  • administrador: é quem administra o funcionamento do fundo e a relação com os cotistas. Faz prestação de contas e lida com jurídico;
  • custodiante: registra e guarda as ordens de compra e venda de ativos. É responsável pelo envio de informações sobre os ativos para o administrador e gestora do fundo.

O ideal é que você investigue a reputação do administrador e da gestora dos fundos que está contratando, para minimizar o risco operacional. Erros podem acontecer, mas a negligência não pode ser aceita. Proteja-se, pois assim você também estará cuidando do seu patrimônio.

Risco legal

Infelizmente, quem investe não está imune a fraudadores. Eles existem nesse mercado, seja administrando fundos com promessas de rendimentos milagrosos, seja distribuindo fundos que não existem.

Essa situação é comum entre agentes não autorizados para administrar fundos de investimento e, por isso, o risco legal pode causar muitos prejuízos para quem os contrata.

Para evitar esse problema, é preciso ficar de olho nas instituições e fazer uma pesquisa na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para conhecer o registro da administradora com quem você está negociando. No site da CVM, busque pelo CNPJ do fundo de investimento e verifique se o cadastro está em dia.

Além disso, busque referências de outras pessoas que já tiveram algum contato com essas empresas. Conhecer a opinião dos cotistas é a melhor forma de saber mais sobre a segurança das gestoras, pois eles já lidam com o fundo e são capazes de emitir uma opinião mais consistente.

Risco de falência da gestora

Investir o dinheiro de tantas pessoas é uma grande responsabilidade para as gestoras de fundos. Entretanto, problemas podem acontecer, já que eles são pessoas jurídicas comuns.

A possível falência de uma gestora é um processo incômodo, porém somente esse problema não afeta o dinheiro investido. Isso porque o dinheiro de uma gestora jamais pode se misturar com o dos investimentos de um cotista. A empresa se limita a gerir esse capital, direcionando-o aos investimentos.

Caso a gestora quebre ou haja qualquer outro problema desse tipo, as pessoas não precisam se preocupar. Basta buscar outra companhia para continuar o trabalho. Todo dinheiro aplicado nos fundos pertence sendo dos cotistas. O patrimônio total do fundo se mantém intacto, já que ele está associado a cada um dos cotistas, e não ao CNPJ da gestora.

Como checar seus investimentos?

Todo dinheiro aplicado em algum investimento está associado ao CPF ou CNPJ de alguém. Isso porque todas as operações de compra e venda de ativos financeiros são registradas na bolsa de valores.

Para checar se seus investimentos estão em seu nome, basta acessar o Canal Eletrônico do Investidor (CEI). Por meio de uma consulta rápida, ele mostra quais aplicações estão associadas ao seu CPF. Esse é uma checagem importante e que deve ser feita sempre, independentemente do tipo de investimento.

Entretanto, é preciso atentar para um detalhe importante: somente as empresas que possuem o selo Cetip Certifica disponibilizam as informações no CEI. Para aumentar sua segurança e a transparência das aplicações, verifique se a empresa emissora de suas aplicações tem essa certificação.

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A quem recorrer em caso de algum problema?

A CVM é uma instituição que regula o mercado de investimentos. É seu papel fiscalizar as empresas que prestam serviços. Corretoras e fundos precisam estar devidamente registrados e com a prestação de contas em dia.

Antes de investir, o mais importante é checar quem são as empresas que cuidarão dos seus recursos. Em caso de qualquer problema, é possível recorrer à CVM para buscar seus direitos. Qualquer irregularidade é passível de punição e uma empresa pode até perder a autorização para atuar no mercado.

Em resumo, os fundos de investimentos são seguros, desde que sejam geridos por empresas sérias e registradas e que se encaixem nos requisitos que você viu ao longo deste post. Os riscos são também os de qualquer outra aplicação financeira e conhecê-los é importante para investir com mais tranquilidade.

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Luciano

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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