Renda fixa: tudo o que você precisa saber para escolher os melhores investimentos

por Malena Oliveira | 19/02/2019

Renda fixa: tudo o que você precisa saber
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A renda fixa faz parte da vida de todas as pessoas que começam a investir. Desde a poupança até os tipos de investimento mais sofisticados, como as debêntures, todos fazem parte da mesma família.

Neste post, você vai entender tudo sobre o que é a renda fixa e como ela funciona. Também vai saber todos os detalhes sobre as aplicações dessa categoria e entender como escolher os melhores investimentos para você. Vamos começar?

O que é renda fixa?

A renda fixa é uma modalidade de investimento na qual a rentabilidade da aplicação pode ser prevista. A diferença entre renda fixa e renda variável é justamente essa:

  • renda fixa: quando a rentabilidade é definida no momento da contratação ou pode ser calculada segundo alguma regra (100% do CDI, por exemplo);
  • renda variável: quando a rentabilidade de uma aplicação é imprevisível e não obedece a nenhuma regra.

Essa característica também faz com que, na maioria dos casos, as aplicações de renda fixa sejam mais seguras que as de renda variável. Isso porque o resultado final costuma não fugir muito do projetado.

Outro ponto que merece destaque é que as aplicações de renda fixa funcionam como empréstimos. Quem investe abre mão de seu dinheiro durante um período para receber a quantia com juros no futuro. Os juros compostos, aliás, são uma ferramenta poderosa para fazer o seu dinheiro render.

Mais adiante, vamos entender para quem a renda fixa é indicada e quais são os investimentos que compõem essa categoria.

Para quem a renda fixa é indicada?

Poupar e investir com segurança é o seu objetivo? Então, a renda fixa pode ajudar! Afinal, esse é o grupo de investimentos em que você consegue unir uma boa rentabilidade com proteção ao seu dinheiro. Nesse sentido, as aplicações renda fixa são ideais para investidores conservadores, ou seja, aqueles que priorizam segurança em relação à rentabilidade.

Também são ótimas opções para aqueles que estão começando a investir e têm pouca experiência, bem como para os que contam com objetivos de curto prazo e não querem correr o risco de perder dinheiro.

Porém, é interessante destacar que isso não significa que outros perfis de investidores não devem investir nesses ativos. Isso porque o segredo para alcançar o sucesso é a diversificação.

Quais são os tipos de investimentos em renda fixa?

Conforme dissemos, a renda fixa é uma categoria de investimentos. Dentro desse grupo, é possível encontrar inúmeras opções interessantes de ativos.

Portanto, se você está em busca de estratégias mais vantajosas para poupar e fazer seu dinheiro render, confira a lista que preparamos abaixo!

1. Poupança

poupança é o investimento em renda fixa mais famoso, mas não é o único. Na verdade, ela é a menos interessante para quem tem planos de multiplicar o capital, já que sua rentabilidade é bem menor do que nas demais opções — em alguns casos, sequer paga a inflação.

Infelizmente, durante anos, essa era a única alternativa oferecida aos clientes de bancos, o que criou um mito de que seja a mais segura e simples. Ainda bem que isso mudou, não é mesmo?

Para entender seu funcionamento, basta imaginar que, ao guardar dinheiro em uma conta poupança, você está emprestando ele ao banco. Obviamente, ele não paga muito bem por isso e, claro, é o maior beneficiado.

2. Tesouro Direto

Tesouro Direito é um investimento em renda fixa tão seguro quanto a poupança e muito mais rentável. Exatamente por esse motivo, vem ganhando espaço no mercado.

Na prática, você empresta dinheiro para o Governo, que o aplica em obras públicas e no desenvolvimento da saúde e educação, por exemplo. Diferentemente da poupança, aqui, existem três opções de rendimento:

  • atrelado à inflação;
  • prefixado;
  • indexado à taxa Selic.

Enfim, a rentabilidade do seu dinheiro pode acompanhar a inflação (evita a desvalorização), ser prefixado (você já sabe quanto ganhará), ou ser calculado de acordo com a taxa Selic (rende igual à taxa básica de juros).

Vale destacar a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Tendo isso em vista, não há motivos para deixar seu dinheiro parado na poupança e ser desvalorizado dia após dia.

3. CDB

O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é mais um título de renda fixa emitido pelos bancos. Em geral, sua rentabilidade pode ser pós-fixada, prefixada ou atrelada à inflação. Nesse caso, o mais comum é que sua rentabilidade seja calculada com base no CDI (Certificado de Depósito Interbancário), a taxa aplicada nas transações entre bancos.

Caso você não saiba, para manter seus caixas equilibrados, as instituições bancárias pegam capital emprestado entre si com um prazo de devolução de 24 horas, e o CDI é a taxa de juros utilizada.

Outro ponto interessante é a liquidez diária, ou seja, a possibilidade de sacar seu dinheiro a qualquer momento ou de vender para outras pessoas. É importante lembrar que, mesmo que a instituição quebre (o que é bem difícil de acontecer), você terá resguardado até R$250 mil, graças ao FGC.

4. RDB

O RBD (Recibo de Depósito Bancário) é um investimento pouco conhecido e que se parece bastante com o CDB. Ele também é emitido pelos bancos, tem a garantia do FGC e não tem taxa de administração.

A diferença é que, além dos bancos, cooperativas e sociedades de crédito e financiamento também podem emitir o RDB. Inclusive, ele não tem liquidez antes do prazo. Isso significa que você não pode resgatar seu dinheiro antes do dia acordado.

Destaca-se que, quanto mais dinheiro você aplicar, melhor será a remuneração. Por isso, estude com atenção essa opção, pois ela pode reservar bons frutos.

5. Letra Financeira (LF)

A LF (Letra Financeira) é um investimento pouco difundido, especialmente, porque exige aplicações mais altas — no mínimo, R$150 mil. Ainda assim, seu rendimento é bem interessante e costuma superar o CDB, a LCI e a LCA.

Essa modalidade busca recursos de longo prazo, acima de 2 anos. Seu rendimento é atrelado ao CDI, mas não pode ser resgatado antes da data indicada no ato da contratação. Desse modo, é essencial se planejar antes de realizar a aplicação.

É importante observar que a LF não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito. É essencial conhecer essa particularidade antes de tomar uma decisão, já que a solidez e credibilidade da instituição fazem toda a diferença para os seus resultados.

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6. LCI e LCA

A LCI (Letra de Câmbio Imobiliário) e a LCA (Letra de Câmbio do Agronegócio) são emitidas por instituições financeiras e têm características bem semelhantes.

A diferença básica entre elas é a destinação do capital. Na LCI, o dinheiro é utilizado para financiar o mercado imobiliário, enquanto, na LCA, será encaminhado para o ramo do agronegócio.

Devemos destacar que ambas são protegidas pelo Fundo Garantidor de Crédito e que seus ganhos ficam isentos de IR (Imposto de Renda) — uma das grandes vantagens desses ativos.

7. LIG

A LIG (Letra Imobiliária Garantida) é uma nova alternativa de investimento no mercado imobiliário. Apesar de ter sido criada em 2014, só foi regulamentada em 2018 e, agora, é mais uma opção para os investidores brasileiros.

Como o nome sugere, ela tem dupla garantia. Isso significa que, caso o banco quebre, além da garantia da liquidação de seu patrimônio para pagar os credores, eles passam a ser donos dos ativos imobiliários no lugar do banco. Além disso, o ativo conta com a isenção de Imposto de Renda e dispõe de uma rentabilidade elevada.

8. CRI

O CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) é mais uma opção de título de renda fixa voltado para o mercado imobiliário. O investimento mínimo é baixo (a partir de R$1 mil), os rendimentos são isentos de IR e IOF para pessoas físicas e podem ser prefixados, pós-fixados, e atrelados ao CDI ou TR (Taxa Referencial).

Esses ativos são considerados de longo prazo — variam de 4 a 15 anos —, não permitem o saque antecipado e não têm proteção do FGC.

9. CRA

O CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) é um título de renda fixa que capta recursos para o segmento do agronegócio. É ideal para quem deseja investir de médio a longo prazo, além de ser isento de Imposto de Renda.

Nesse caso, há a possibilidade de pagamentos periódicos e de rentabilidade diária — diferente da poupança, que é mensal. Lembrando que, por não ter garantia do FGC, é preciso estudar e conhecer a solidez da instituição escolhida.

10. Debêntures

As debêntures são aplicações em renda fixa em que você empresta dinheiro para uma empresa e recebe uma remuneração, que pode ser prefixada, pós-fixada ou híbrida.

Como regra geral, há a incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos, porém algumas debêntures são isentas. Vale dizer que a alta remuneração está diretamente ligada ao risco da operação, já que as empresas podem passar por dificuldades financeiras.

11. Fundos de renda fixa

Os fundos de renda fixa são investimentos interessantes, pois têm diversos produtos em sua composição. Na prática, você investe em uma carteira variada que contém ativos públicos e privados de renda fixa.

Essa estratégia reduz riscos e conta com um gestor especializado. Ou seja, a instituição que oferece o fundo de investimento designa alguém para acompanhar e gerir os ativos, sempre em busca das melhores opções e rendimentos.

12. Fundos DI

Os fundos DI, também conhecidos como fundos de renda fixa referenciados DI, têm como principal característica a aplicação de, no mínimo, 95% do capital no Tesouro Direto ou em títulos privados de baixo risco.

Trata-se de uma opção vantajosa para quem busca uma rentabilidade interessante sem muitos riscos, já que os ganhos variam entre 95% e 100% do CDI e contam com liquidez diária, o que a coloca em destaque perante outras opções, como a poupança e o CDB.

13. Previdência privada

Por fim, é importante mencionar a previdência privada. Além de ser uma maneira de se preparar para um futuro mais tranquilo, ela é bem vantajosa, especialmente, para quem pensa em longo prazo.

Você faz uma aplicação inicial, planeja-se para realizar investimentos mensais e, no futuro, resgata o capital acumulado da maneira que preferir — um saque único ou recebimentos mensais.

É preciso lembrar que, apesar de ser considerada renda fixa, é possível que haja uma parcela de renda variável dentro da previdência privada. Por isso, estude e conheça o ativo antes de tomar sua decisão.

Como é calculada a rentabilidade de um investimento em renda fixa?

Ao longo do texto, você percebeu que falamos bastante sobre rentabilidade prefixada e pós-fixada. Isso costumar gerar dúvidas em muitos investidores e, se é o seu caso, não se preocupe, pois vamos esclarecer essa questão.

A remuneração pré-fixada é apresentada no momento em que você faz a aplicação. Isto é, você tem total conhecimento sobre quanto receberá ao final do prazo, independentemente das oscilações na economia. Quem investe nesse ativo já sabe quanto ganhará e, com isso, consegue se planejar melhor, o que é ótimo para iniciantes e pessoas menos abertas ao risco.

Já a remuneração pós-fixada, ao contrário da anterior, não é informada no ato da aplicação. Essa rentabilidade está condicionada a algum índice, como a inflação e o CDI, o que traz uma incerteza quanto à rentabilidade final do ativo, mas ainda é mais segura do que a renda variável.

Como é a tributação dos investimentos de renda fixa?

Para finalizar este post, que tal falarmos um pouco mais sobre a tributação dos rendimentos alcançados com investimentos em renda fixa? Esse é um assunto de grande importância, pois altera os seus resultados. Então, fique atento às informações a seguir!

Sobre a isenção de IR (Imposto de Renda), você precisa saber que a LCI, LCA, LIG, CRI, CRA e algumas debêntures desfrutam desse benefício.

Outro ponto que não pode ser ignorado é a incidência do IOF em operações de curto prazo. Isso mesmo! Se você aplica o dinheiro por menos de 30 dias, pode sofrer esse desconto extra, principalmente, nos fundos de investimento, no CDB e na LCI.

Por último, mas não menos importante, devemos destacar o famoso come-cotas existente nos fundos de investimentos. Ele pode fazer uma grande diferença em seu resultado e consiste na antecipação do recolhimento do Imposto de Renda.

Os descontos variam de 15% a 20%, a depender do prazo de aplicação, e acontecem a cada 6 meses. No seu extrato, ele aparecerá como um resgate e pode doer no seu bolso.

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