O rendimento da poupança hoje é ruim! Saiba como investir melhor

por Luciano Tavares

Como previsto pelo mercado, o Banco Central reduziu a Selic (taxa básica de juros da economia) em 0,50 ponto percentual, atingindo os esperados 7% ao ano. Desde setembro, quando a Selic caiu para 8,25% ao ano, a nova regra de cálculo do rendimento da poupança foi acionada. O rendimento hoje, que já era ruim, fica ainda pior*.

A rentabilidade da poupança está em 70% da Selic, mais a Taxa Referencial (TR). Com a taxa a 7% ao ano, o rendimento da caderneta fica em 4,9% ao ano, mais TR. Porém, como o mercado espera uma taxa de juros ainda menor no próximo ano e estimam que a Selic pode chegar a 6,75% ao ano, a poupança deverá render cada vez menos.

A poupança sempre foi muito utilizada pelos brasileiros por sua facilidade de aplicação e resgate e também pelo baixo risco. Além disso, a movimentação é livre de impostos e os créditos são imediatos. Embora atualmente supere a inflação, a caderneta não rende tanto quanto outras aplicações de renda fixa que também são seguras.

Quem deseja evitar que o valor do seu dinheiro seja corroído ao longo do tempo deve procurar investimentos com melhores rendimentos. A boa notícia é que existem alternativas de investimentos melhores e de fácil acesso. Abordaremos algumas a seguir.

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Rendimento da poupança hoje, com a taxa de juros Selic atualizada pelo Copom do Banco Central

Rendimento da poupança hoje

Como anunciado no dia 6 de dezembro, a Selic fica definida em 7% ao ano. Esta é considerada a taxa mínima histórica desde a criação do Plano Real.

Assim, como a Selic está menor que 8,5% ao ano, a poupança passa a render 70% da Selic mais a TR (taxa referencial). Isso fica em torno de 4,9% ao ano.

Vale lembrar que a taxa básica de juros é definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central.

Quem investiu R$ 100 na poupança em 30 de setembro de 2016, chegou a 30 de setembro de 2017 com R$ 106,79, um retorno de 6,78% - segundo a Calculadora do Cidadão, recurso disponível na página do Banco Central.

O rendimento da poupança nesse período ficou quatro pontos percentuais acima da inflação do período, que foi de 2,54% nos últimos 12 meses até setembro, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O IPCA é calculado pelo IBGE e é referência oficial para a inflação brasileira.

Apesar da poupança estar superando a inflação, isso não significa que você possa ficar confortável ao deixar seu dinheiro lá. Isso porque você pode fazer outros investimentos igualmente seguros e que rendem muito mais.

Ao longo deste texto vamos mostrar alguns exemplos.

Como o rendimento da poupança é calculado

As regras de rendimento da poupança foram alteradas em 4 de maio de 2012 pelo governo. Portanto, para depósitos feitos desde essa data, o investidor deve prestar atenção na taxa Selic. São duas as regras de cálculo, conforme resume a imagem abaixo:

Resumindo:

  • Quando a taxa de juros estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será fixo: 0,5% ao mês mais a TR.
  • Quando a taxa de juros estiver abaixo ou igual a 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da Selic mais a TR.

A TR é uma taxa calculada pela média de rendimento dos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) de 30 dias, que são negociados a taxas pré-fixadas entre os maiores bancos do país.

Inflação: como afeta seu dinheiro

Inflação pode ser definida como o aumento geral de preços de forma persistente em um determinado período de tempo. Ou seja, se há inflação é porque os preços de bens de consumo e serviços aumentaram e você terá que pagar mais para conseguir comprar a mesma quantidade de bens e ter acesso ao mesmo serviço -- seu poder de compra fica menor.

A inflação atinge produtos básicos (como alimentação e bebidas), afeta o custo de habitação, vestuário, transporte e educação - além de outros itens, dependendo do índice que é medido.

Como disse no início do texto, nos últimos anos a inflação alta foi a grande vilã do rendimento da poupança, pois a caderneta não estava superando nem a inflação. Mas hoje​ o quadro é outro: o rendimento da poupança está ruim porque ela passa a render somente 70% da Selic mais a TR. Agora, em nenhum cenário a poupança rende mais do que um Tesouro Selic, por exemplo.

Alternativas de investimentos

Investir em aplicações que rendem mais que a poupança não é complicado, porém é importante, antes de fazer qualquer investimento, pensar qual é o seu objetivo para o dinheiro que quer investir.

Se você precisar ter acesso a qualquer momento ao valor aplicado, uma opção são os fundos de renda fixa com liquidez diária, nos quais é possível sacar o dinheiro aplicado a qualquer momento, mas - lembrando - desde que tenha taxa de administração menor que 1% ao ano.

Já para um montante que seria uma reserva de emergência, pode ser aplicado no Tesouro Selic, CDBs de bancos médios ou mesmo em fundos. Nesses casos, se você precisar do dinheiro de volta, vai conseguir o resgate em um ou dois dias úteis.

Agora, veja abaixo uma comparação de rentabilidade da poupança com alguns investimentos em renda fixa. A simulação foi feita considerando a Selic em 7,5% ao ano e TR zerada.

Poupança X Fundos DI​

Prazo

Poupança
(nova regra)

Fundo DI
(tx. adm. 2% a.a.)

Fundo DI
(tx. adm. 1% a.a.)

Fundo DI
(tx. adm. 0,5% a.a.)

6 meses

2,42%

1,88%

2,27%

2,47%

12 meses

4,90%

3,93%

4,77%

5,19%

18 meses

7,44%

6,14%

7,45%

8,12%

24 meses

10,04%

8,49%

10,33%

11,27%

Poupança X CDB, Tesouro Selic e Carteira Diversificada

Prazo

Poupança (nova regra)

CDB (90% do CDI)

Tesouro Selic 
(tx custódia
0,3% a.a.)

Carteira Diversificada
Magnetis - Risco 2
(custo total 0,68% a.a.)

6 meses

2,42%

2,40%

2,55%

2,60%

12 meses

4,90%

5,02%

5,34%

5,47%

18 meses

7,44%

7,89%

8,40%

8,85%

24 meses

10,04%

11,01%

11,74%

12,36%

Premissas e critérios utilizados na simulação:

-Selic: 7% ao ano.

-TR​: 0% ao ano.

-Imposto de Renda: tabela regressiva (alíquota de 22,5% ao ano para até 6 meses, 20% ao ano de 6 a 12 meses, 17,5% ao ano de 12 a 24 meses, 15% ao ano acima de 24 meses).​

-Os valores obtidos acima já estão totalmente líquidos, descontados de Imposto de Renda e taxas de administração e custódia (exceto a poupança, que é isenta de Imposto de Renda).

-Para Tesouro Direto, consideramos investimentos em corretoras que não cobram taxas além da taxa de custódia de 0,3% ao ano da CBLC.

-Foi assumido o mesmo valor para a taxa DI e a Selic, mas vale destacar que no mercado existe uma pequena diferença entre as duas taxas.

É importante dizer que, agora com a queda dos juros, fica mais importante o investidor buscar fazer a diversificação dos seus investimentos e não apostar suas fichas em apenas um tipo um produto. Hoje em dia já existem consultorias de investimentos online, como a própria Magnetis, que atendem investidores de qualquer perfil, com praticidade e por um custo baixo.

Entenda a sopa de letrinhas: o que é CDB, CDI, taxa DI e Tesouro Direto

CDB: é a sigla para Certificado de Depósito Bancário, título emitido pelos bancos que querem se capitalizar para financiar suas atividades de créditos. Quando o investidor aplica em CDB, ele empresta dinheiro ao banco em troca de uma rentabilidade diária. Na simulação da tabela acima foi considerado o CDB pós-fixados que é calculado com base no CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

CDI: Certificado de Depósito Interbancário, são títulos que as instituições financeiras emitem para emprestar dinheiro entre si - e sua variação é próxima a Selic.

Fundos DI: são fundos que investem em ativos de renda fixa e para ser categorizado como Fundo DI é necessário que no mínimo 95% do patrimônio do fundo seja investido em títulos atrelados a taxa básica de juros (Selic) ou a taxa DI, através de investimentos em títulos públicos que acompanhem a Selic ou CDB que acompanham a taxa DI.

Taxa DI: é a média de juros do CDI negociados entre os bancos ao longo de um dia.

Tesouro Direto: é considerado uma aplicação democrática, pois a rentabilidade é igual para todos os valores aplicados — a partir de R$ 30. Esse investimento é um programa de vendas de títulos públicos para pessoas físicas, o que o transforma em uma das aplicações mais seguras, pois trata-se da dívida do governo. Em vez de emprestar o dinheiro para um banco, o investidor cede para o Tesouro Nacional em troca de uma rentabilidade mensal.

Leia mais: Guia do Investimento em Renda Fixa

Conte com nossa ajuda

O mercado financeiro brasileiro, por mais que seja maduro, ainda gera muitas dúvidas. Provavelmente se você não trabalha no mercado financeiro, escolher onde e como investir o seu dinheiro pode se tornar uma atividade extremamente desgastante e complexa. Ainda existe grande chance de você ficar com dúvidas se está fazendo um bom investimento.

A Magnetis é uma consultoria de investimentos online que ajuda você a encontrar o melhor caminho para aplicar seu dinheiro, tornando a experiência de investir em algo descomplicado e seguro. Após conhecer seu perfil de risco, sugerimos uma carteira de investimentos customizada para você, com uma seleção de investimentos diversificados com intuito de limitar o risco e maximizar a rentabilidade.

Nosso time faz o monitoramento constante da sua carteira de investimento, garantindo que ela esteja sempre dentro do seu planejamento. Além disso, nossa plataforma permite que você acompanhe a evolução de seus investimentos a qualquer momento. Faça um teste grátis e conheça como funciona!

Ainda tem alguma dúvida sobre a poupança e melhores alternativas de investimento? Deixe seu comentário ou entre em contato com a gente!

Luciano

Luciano Tavares é fundador e CEO da Magnetis. Administrador de carteiras credenciado pela CVM e planejador financeiro CFP ®, tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

*Texto atualizado em 6 de dezembro de 2017. Originalmente publicado em 2015.

5 (100%) 1 vote
  • Maria Lucia Souza Menezes

    Denota credibilidade e conhecimento para orientar e acompanhar investimentos dos menos avisados. Gostei.

  • jaime tadeu de paula

    Ótimo artigo, bem escrito e esclarecedor! Tinha dúvidas sobre o Tesouro Direto e me ajudou bastante.

  • Bruno Paschoali

    Excelente artigo! Mais uma opção para mostrarmos para as pessoas que poupança e banco não representam nem de longe o que ou quem devemos procurar para que nosso dinheiro renda.

  • CDBs a 110% do DI rende 20,94% já o Tesouro Selic LFTs rendem 18,28%.
    O Tesouro Selic é semelhante a um CDB de 100% do DI.
    Logo sabemos que a Poupança rende menos, mas se encontrar LCIs
    (em pequenos bancos) também é uma ótima oportunidade de investimento
    por serem isentas de imposto e não dependerem de corretoras intermediárias.

    • Guto Domingues

      O ir interfere apenas no resgate…depende mais do prazo da aplicação do que o valor aplicado. Afinal é possível efetuar vários comparativos onde é possivel conferir com clareza a rentabilidade futura. Cdb hoje não se paga mais de 100% CDI…

  • Tatiana Gasparin

    Bom dia, gostaria por gentileza saber como como funciona o indice geral de poupança para fazer reajuste em contrato de prestação de serviços. Ou seja uma empresa foi contratada para fazer determinado serviço e agora esta ajustado os valores com base nesse indice. Por me ajudem.

  • Fábio Peres

    vai la, coloca nossa grana render 14 % ao mes.. 200 $ ao ano.. tipo os cartões de crédito, governo e bancos desgraçados, povo estupido, coloque sua grana pra render, tire ela desse país e vá junto.

  • Charley Fabiano Castro

    Existe alguma explicação porque o SPREAD bancário é tão alto? E o governo não cria mecanismos para “atrelar” os indices ao valor da SELIC?

    • Olá Charley, tudo bem?

      Obrigado pelo seu comentário. Esta é uma ótima pergunta!

      São vários fatores que contribuem para que o Brasil tenha um dos maiores spreads bancários do mundo. A composição do spread no Brasil inclui não só a margem de lucros dos bancos, mas também considera inadimplência de devedores, custos administrativos e operacionais e impostos que são repassados ao governo, entre outros fatores.
      Mas um ponto fundamental que contribui para isto, é que embora existam altos custos administrativos e elevados níveis de inadimplência no país, motivos pelos quais os bancos se respaldam para manter o spread alto, a grande verdade é que existe uma forte concentração de grandes bancos no nosso mercado. Sem muita opção, as práticas acabam sendo ditadas por estes poucos players.
      É exatamente neste cenário que surgem as fintechs. Cabe a elas o papel de mudar esta lógica do mercado. De forma disruptiva, com tecnologia possibilitando melhores condições para as pessoas.

      A questão do spread bancário no Brasil é bem complexa e antiga. Embora ainda não haja perspectiva de mudança,mesmo neste cenário de juros baixos alguns orgãos tem se mobilizado para botar esta pauta nas discussões do governo. Como é o caso da Febraban por exemplo. Se quiser saber mais pode dar uma olhada nesta matéria do Valor:
      http://www.valor.com.br/financas/5143288/febraban-leva-ao-governo-14-propostas-de-medidas-para-reduzir-spreads

      Abraço,

  • Aerphio Nowar

    U LUCIANO TAVARES COMEÇOU A TRABALHAR COM 5 ANOS DE IDADE NO MERCADO FINANCEIRO!!!!kikikikikikikikikkiki……