Depois de taxas e impostos: quanto seu dinheiro rende de verdade?

por Mariana Congo | 26/01/2016

Depois de taxas e impostos: você sabe quanto seu dinheiro rende de verdade?

Neste post você vai ler:

  • O que é rentabilidade líquida
  • Exemplos de como taxas e impostos incidem sobre investimentos
  • Resumo dos custos de cada tipo de aplicação

Ninguém pode controlar qual será a taxa básica de juros daqui a 10 ou 30 anos. Ou quanto estará rendendo o CDI nesse período. Mas há um ponto que todo investidor pode prever: o custo de administração do seu investimento. Esse é um conceito muito importante para quem investe e é também conhecido como rendimento líquido.

O retorno bruto pode ser uma ilusão, pois não leva em conta as taxas cobradas — como a de administração e a de custódia. Também ignora os impostos que vão incidir sobre a aplicação, como Imposto de Renda (IR) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Veja um exemplo: no seu bolso, qual é o efeito de se pagar, anualmente, 0,5%, 1,5% ou 2,5% de taxa de administração? Em um ano pode ser pouco, mas para um investimento de longo prazo, a resposta é: faz toda a diferença.

Imagine uma aplicação pré-fixada que pague 10% ao ano de juros em um investimento inicial de R$ 100 mil. Se uma pessoa fizer essa aplicação com taxa de administração de 2,5%, após um ano terá deixado de ganhar R$ 2 mil se comparado a outra que tenha investido por um custo de 0,5% ao ano.

Ao longo de 15 anos essa diferença chegaria a R$ 100 mil. Em 30 anos, pior, R$ 676 mil.
O gráfico abaixo mostra qual seria a evolução de patrimônio para cada investidor:

Rentabilidade líquida: saiba quanto seu investimento rende de verdade

Quais impostos podem influenciar minha rentabilidade?

Imposto de Renda

O tamanho da mordida do Leão varia dependendo do tipo de investimento. No caso dos fundos de ações a alíquota de 15% é sempre cobrada no resgate da aplicação; nos demais fundos de investimento, o Imposto de Renda é cobrado conforme o prazo do investimento, seguindo uma tabela regressiva.

Na prática, quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, menor será a alíquota de imposto a ser desembolsada pelo investidor. Outras aplicações de renda fixa, como o CDB e o Tesouro Direto, também contam com tributação regressiva.

Tabela Regressiva do IR

Prazo da aplicação

Alíquota do IR

Até 180 dias

22,5%

De 181 a 360 dias

20%

De 361 a 720 dias

17,5%

Acima de 720 dias

15%

Lembre-se do IOF

Na maioria dos investimentos também há incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), cobrado apenas para resgates realizados em um período inferior a 30 dias da aplicação dos recursos, variando de 96% a 0% sobre os rendimentos.

Investimentos isentos

Alguns produtos são isentos de Imposto de Renda para investidores pessoa física. É o caso da LCI e da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), além de títulos emitidos por empresas, como as debêntures de infraestrutura (também conhecidas por debêntures incentivadas, nome que vem justamente por causa do incentivo da isenção de Imposto de Renda).

Outros produtos que contam com a isenção fiscal para a pessoa física são CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio).

Um exemplo sobre o Imposto de Renda

Considere dois investimentos de R$ 10 mil durante um ano:

  • CDB que paga 120% do CDI,

  • LCI que rende 100% do CDI.

Qual deles renderia mais? Veja a resposta nestes cálculos:

CDB

LCI

Retorno do CDI no período (2017)*

9,93%

9,93%

Taxa paga pelo título

120% do CDI

100% do CDI

Retorno bruto no período

12,03%

9,93%

Alíquota do Imposto de Renda

17,50%

0,00%

Valor investido

R$ 10.000

R$ 10.000

Juros recebido

R$ 1.203

R$ 993

Imposto pago

R$ 211

R$ 0

Valor líquido

R$ 992

R$ 993

Retorno líquido

9,92%

9,93%

Fonte: Cetip / Elaboração: Magnetis

Conclusão: apesar de pagar um percentual maior do CDI, neste exemplo, o CDB (Certificado de Depósito Bancário) renderia basicamente o mesmo que  a LCI (Letra de Crédito Imobiliário), o que deixa claro o papel do imposto na rentabilidade.

Quais são as principais taxas?

Taxa de administração

Um dos principais custos ao investir em fundos ou planos de previdência privada é a taxa que ajuda a remunerar a equipe por trás da gestão do fundo. O percentual varia de acordo com o tipo de fundo e o gestor: no geral, fundos com estratégia mais simples tendem a ter taxas de administração mais baixas. Mesmo assim, é comum encontrarmos no mercado fundos de renda fixa com taxas que podem atingir 2% ao ano.

Taxa de custódia

Para investir em títulos públicos oferecidos pelo Tesouro Direto, é preciso arcar com a taxa de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos, cobrada pela B3, que faz a “guarda” dos papéis. A taxa é a mesma independentemente da instituição financeira que for escolhida por você para fazer os investimentos.

Taxa de performance

Costuma ser cobrada em fundos de investimento com políticas de alocação mais arrojadas, por exemplo, fundos de ações ou multimercados. Na prática, ela é cobrada quando o desempenho de determinado fundo ultrapassa o benchmark (índice de referência).

Por isso, serve como uma espécie de prêmio à equipe do fundo pelo bom resultado. Vale ficar atento porque alguns fundos cobram taxas na entrada (momento da aplicação) enquanto em outros a taxa incide na saída, ou seja, no resgate do montante investido.

Taxa de carregamento

Cobrada em planos de previdência privada, como PGBL e VGBL, seu percentual é limitado a 10% e poderá incidir na primeira contribuição ou no momento do resgate dos recursos aplicados. Vale a pena fazer uma pesquisa entre as seguradoras, já que existem planos de renda fixa com carregamento de até 3,5%.

Taxa de corretagem

Cobrada pela corretora por onde você investe e cuja taxa pode ser fixa ou variável e proporcional ao volume total de operações feitas com ações.

Emolumentos

Percentuais cobrados pela B3 de forma a cobrir os custos operacionais gerados com a realização de negócios no mercado.

plano de investimentos


Um resumo: a rentabilidade líquida de cada investimento

Preparamos um resumo com os impostos e taxas que incidem sobre o retorno de cada tipo de investimento. A lista abaixo pode te ajudar a ter mais clareza sobre seus custos confira:

Tesouro Direto

  • Taxa de custódia: cobrada anualmente pela B3, incide em 0,30% sobre o valor dos títulos;

  • Taxa de administração: percentual que a instituição financeira (banco ou corretora) cobra para administrar os papéis nos quais você investiu. Pode variar de 0% a 2% ao ano;

  • Imposto de Renda: incide conforme a tabela regressiva, cujas alíquotas vão de 22,5% (para aplicações de até 6 meses) a 15% (para aplicações acima de dois anos). O IR é cobrado também na venda antecipada dos títulos e sobre os cupons de juros, pagos semestralmente no caso de papéis que têm essa opção,

  • IOF: há incidência desse tipo de imposto caso o investidor resgate os recursos aplicados em menos de 30 dias.

CDB

  • Imposto de Renda: incide conforme a tabela regressiva, cujas alíquotas vão de 22,5% (para aplicações de até 6 meses) a 15% (para aplicações acima de dois anos).;

  • IOF: há incidência desse tipo de imposto caso o investidor resgate os recursos aplicados em menos de 30 dias,

  • Taxa de administração: não há cobrança.

Fundos de investimento

  • Taxa de administração: taxa que ajuda a remunerar a equipe por trás da gestão do fundo. Percentual varia de acordo com tipo de fundo e gestor; em média, giram entre 0,5% e 2,5% ao ano;

  • Taxa de performance: é cobrada quando o desempenho do fundo supera o benchmark.. Gira em torno de 20%. Vale lembrar que, em geral, nas cotas dos fundos, já é divulgado o valor líquido de taxas de administração e performance;

  • Imposto de Renda: incide conforme a tabela regressiva, exceto para fundos de ações, que possuem alíquota única de 15% sobre os rendimentos. Nos demais fundos, há cobrança do chamado “come-cotas”, recolhimento antecipado de Imposto de Renda feito no último dia útil dos meses de maio e novembro,

  • IOF: é cobrado apenas para resgates feitos em um período inferior a 30 dias da aplicação dos recursos, variando de 96% a 0% sobre o capital investido.

LCI/LCA

  • Imposto de Renda: investimento feito por pessoa física é isento,

  • Taxa de custódia: algumas instituições cobram taxa de custódia, mas o valor desse custo, assim como sua incidência ou não, varia conforme a instituição financeira.

Poupança

  • Imposto de Renda: poupança é isenta,

  • Taxas de administração: não há cobrança.

Letra de Crédito

  • Imposto de Renda: incide conforme a tabela regressiva, cujas alíquotas vão de 22,5% (para aplicações de até 6 meses) a 15% (para aplicações acima de dois anos),

  • IOF: é cobrado apenas para resgates feitos em um período inferior a 30 dias da aplicação dos recursos, variando de 96% a 0% sobre o capital investido.

Ações

  • Taxa de corretagem: cobrada pela corretora, essa taxa pode ser fixa ou variável e proporcional ao volume total de operações feitas com ações;

  • Emolumentos: percentuais cobrados pela B3 para cobrir os custos operacionais gerados com a realização de negócios no mercado,

  • Imposto de Renda: a mordida do Leão é de 15% sobre o rendimento líquido na venda de ações, pago somente quando os papéis forem vendidos. O percentual vai a 20% para quem fizer “daytrade”, compra e venda de ações no mesmo dia.

ETFs

  • Taxa de administração: cobrada pela gestora do produto. Percentuais médios normalmente ficam entre 0,20% e 0,80% ao ano, taxas bem inferiores às cobradas para investir por meio de fundo de ações. Não há taxa de performance;

  • Taxa de corretagem: cobrada pela corretora, essa taxa pode ser fixa ou variável e proporcional ao volume total de operações feitas com ações;

  • Emolumentos: percentual de 0,0325% por transação, cobrado pela B3 para cobrir os custos operacionais gerados com a realização de negócios no mercado,

  • Imposto de Renda: há incidência de 15% de Imposto de Renda sobre o ganho de capital, ou seja, a diferença entre o valor de venda das cotas e quanto foi gasto na compra. Não há isenção de imposto para vendas abaixo de R$ 20 mil, como ocorre na aplicação direta em ações.


Como a inflação influencia na rentabilidade?

Neste post nós mostramos o efeito dos custos no cálculo da rentabilidade de seus investimentos. Mas… e a inflação? Além de deduzir os impostos e as taxas, só é possível saber exatamente quanto está ganhando se for descontada a inflação apurada no período: esse é o conceito de rendimento real.

Mas como a Magnetis pode te ajudar?

Aqui na Magnetis, nós sempre avaliamos a rentabilidade líquida na hora de selecionar os ativos que vão compor as carteiras de investimento. Por exemplo: na escolha de títulos privados de renda fixa, considerando um universo de 40 títulos emitidos por empresas, calculamos o efeito das taxas e impostos para escolher os que terão melhor rentabilidade líquida.

Quer conhecer os produtos indicados para o seu perfil de investimento? Faça uma simulação de plano de investimento! Para investir de forma mais eficiente com segurança, venha bater um papo conosco.

Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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