Rendimento mensal da poupança e inflação: entenda de uma vez por todas!

por Mariana Congo

Você já tem algum conhecimento sobre investimentos, certo? Mas será que já entende bem a relação existente entre o rendimento mensal da poupança e a inflação? Ou ainda tem dúvidas sobre o assunto?

Um dos principais objetivos de qualquer investidor é proteger seu patrimônio da inflação. Isso é importante, pois a inflação corrói o valor do dinheiro ao longo do tempo. Por exemplo, se você guardar o dinheiro embaixo do colchão,como algumas pessoas faziam no passado ao invés de investir em alguma aplicação, com o passar do tempo ele perde valor - R$ 1 em 1994 comprava muito mais do que R$ 1 hoje em dia. Quando falamos na poupança, que ainda é a aplicação preferida dos brasileiros, é fundamental entender se ela rende mais que a inflação e, claro, avaliar outras alternativas melhores de investimentos.

Com o cenário atual da economia, é preciso rever suas estratégias de investimento e repensar a diversificação da carteira de aplicações. Essa questão também é válida para a poupança, porque essa é a melhor forma de garantir que ela tenha um bom retorno com o passar do tempo.

Para explicar melhor a relação entre o rendimento da poupança e a inflação, neste post vamos mostrar como esses dois conceitos estão intimamente ligados e indicar se essa modalidade de investimento vale a pena.

Então, vamos lá?

O rendimento mensal da poupança

Esse tipo de investimento possui duas regras de rentabilidade. Ambas dependem do valor da Selic, taxa básica de juros, definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (Bacen).

Quando a Selic está acima de 8,50%, o retorno é de 0,5% mais a Taxa Referencial (TR). Quando a taxa básica de juros está abaixo ou igual a 8,50%, o rendimento fica definido como de 70% da Selic acrescido da TR.

Regra da Poupança

Em termos práticos, isso significa que, na primeira forma de cálculo, a poupança tende a obter um resultado melhor, se comparada à segunda modalidade.

Por sua vez, na segunda forma de cálculo, o rendimento diminui consideravelmente. Em ambos os casos, a rentabilidade ainda é muito baixa, se comparada a outros tipos de aplicação.

Outro aspecto que deve ser considerado é a data de aniversário da aplicação. A poupança não oferece rendimento proporcional ao longo do mês, como em um Tesouro Selic. Na poupança, os juros só são válidos quando o dinheiro completa 30 dias investido. Se você sacar antes desse prazo, não terá rentabilidade naquele mês, situação que não acontece em outras modalidades.

Rendimento da poupança x inflação

Você percebeu que no cálculo de rentabilidade da poupança não é citada a inflação. Então, qual a interferência desse aspecto no retorno do investimento?

A relação é simples. A inflação corresponde à elevação geral de preços de maneira consistente durante determinado período de tempo. Na prática, isso significa que com o passar do tempo você tem que desembolsar mais dinheiro para comprar os itens que costuma adquirir.

Para que um investimento tenha rentabilidade real — ou seja, traga um retorno que mantenha o poder de compra e supere-o — é preciso que ele ofereça um ganho acima da inflação. Caso contrário, você até poderá ter um rendimento, mas perderá dinheiro porque ele não acompanha a inflação.

Entendeu como deve ser a sua análise?

No caso da poupança, historicamente ela tem um retorno acima da inflação, ainda que pequeno. A exceção foi o ano de 2015, quando o rendimento da caderneta ficou – 2,28% menor que a inflação do ano.

Já em 2017 a poupança tem ganhado da inflação. De acordo com o G1, o ganho real (ou seja, descontada a inflação) entre maio de 2016 ao mesmo mês de 2017 chegou a 4,37%. Esse é o melhor rendimento desde 2006, quando a rentabilidade alcançou 5,1%.

No mesmo período, o IBGE divulgou — e foi ressaltado na matéria do G1 — que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, teve uma variação de 3,6%. Com isso, a rentabilidade real mensal da poupança foi de 0,27%.

Para você ter uma ideia, o ganho real da poupança nos respectivos anos foi de:


A rentabilidade da poupança já é significativamente baixa em comparação a outras aplicações, mesmo que o ganho real seja positivo, você poderia ter um retorno muito maior em outras modalidades, como explicamos no tópico a seguir.

A escolha pela poupança ou outros tipos de investimento

Existem diferentes tipos de aplicações que podem ser adotados. A questão é: como definir a melhor alternativa para o seu caso?

Tudo vai depender do seu perfil, do total que tem para investir, entre outros aspectos que não são o foco deste artigo. Porém, um ponto bastante relevante é o objetivo que você tem para o dinheiro que deseja aplicar.

Se precisar sacar o valor rapidamente, é preciso encontrar uma aplicação que ofereça liquidez diária, como o Certificado de Depósito Bancário (CDB) ou os fundos DI.

No entanto, é preciso fazer uma ressalva: no caso dos fundos, a taxa de administração deve ser menor que 1% ao ano para que o rendimento compense e seja realmente melhor que a poupança.

Ainda assim, existem algumas justificativas que as pessoas usam para a escolha da poupança:

  • comodidade;
  • segurança;
  • liquidez imediata, ou seja, pode ser rapidamente sacado;
  • baixo valor de aplicação;
  • isenção de impostos.

No entanto, outras aplicações conseguem contrapor esses pontos. Por exemplo: o Tesouro Direto e o CDB são tão seguros quanto a poupança. Em termos de liquidez, no Tesouro Direto você pode resgatar o dinheiro a qualquer momento ou deixá-lo até o prazo de vencimento, depende do que deseja. Já para os CDBs a liquidez varia caso a caso, mas existem CDBs que podem ser sacados diariamente.

O valor aplicado também pode ser bastante reduzido. O Tesouro Direto, por exemplo, possibilita investir a partir de R$ 30, desde que essa quantia corresponda a, no mínimo, 1% do título.

Em relação à isenção de tributos, outras aplicações também são isentas de Imposto de Renda (IR), como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA). Outras, por sua vez, conseguem pagar essa taxa e, mesmo assim, apresentam um ganho real acima da poupança.

Assim, a melhor alternativa é procurar outros investimentos. Afinal, mesmo que a poupança apresente um rendimento acima da inflação — o que significa que oferece um ganho real —, ela ainda traz uma rentabilidade menor que outras aplicações. É o que chamamos de custo de oportunidade: aplicando na poupança vocês está perdendo a chance de investir em outras aplicações melhores.

No entanto, se você quer ter um embasamento maior, considerando o valor que tem hoje para investir, uma boa opção é usar o simulador de poupança da Magnetis. Ao colocar os dados na calculadora, é possível verificar a diferença de investimentos.

A título de exemplo, simulamos a existência de R$ 1 mil para aplicar hoje, com o intuito de manter essa quantia armazenada por 5 anos e investir R$ 100 por mês. Nesse caso, a poupança chegaria a R$ 8.150,79, enquanto a carteira de renda fixa alcançaria R$ 8.837,92 com a mesma segurança da outra opção.

É ou não um bom negócio? Agora que você entende mais sobre o rendimento mensal da poupança e sua relação com a inflação, aproveite e faça investimentos melhores! Se gostou deste conteúdo, compartilhe-o nas suas redes sociais e repasse esse conhecimento a outras pessoas

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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