Como a atual queda dos juros impacta a rentabilidade da poupança

por Fernando Reis | 06/09/2017

Rentabilidade da Poupança

Se você ainda tem dinheiro na poupança ou conhece alguém que tem, fique atento!

Na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) o Banco Central manteve, pela nona vez consecutiva, a Selic em 6,5% ao ano*. Essa é a menor taxa já vista no Brasil. Mas por que isso é importante?

A queda da taxa básica de juros da economia impacta diretamente alguns investimentos de renda fixa, como o Tesouro Direto (Tesouro Selic) e a poupança.

O impacto agora tende a ser mais forte, pois como a Selic está abaixo de 8,5% ao ano, a nova regra de cálculo da poupança está em vigor. Definida em 2012, ela deixará esta opção de investimento com uma rentabilidade ainda pior do que a já praticada hoje.

Rendimento da poupança: nova regra de cálculo


O eterno mito da poupança

A poupança, historicamente, é a aplicação financeira mais tradicional do país. Segundo dados do Banco Central, existem 135 milhões de contas-poupança em um país com 207 milhões de pessoas. Dessas milhões de contas, 70% têm saldo de menos de R$ 500 e 7,8% delas têm mais de R$ 10 mil depositados.

Ainda que a poupança seja o tipo de investimento menos recomendável e rentável, continua atraindo as pessoas, pela facilidade de investir, baixo valor mínimo de aplicação, liquidez imediata e isenção de impostos. Embora estes fatores possam parecer atrativos, um dos principais motivos que tornam a poupança o investimento mais escolhido é principalmente a falta de informação.

Sim, é verdade!  Afinal, por que alguém investiria em algo, mesmo sabendo que poderia ter mais rendimento em outras aplicações igualmente seguras? De fato, muitas pessoas não possuem conhecimento sobre outros tipos de investimentos, têm dúvidas de como investir ou acham que para investir é preciso aplicações iniciais de alto valor, 

limitando o acesso a apenas pessoas com mais dinheiro.

Sabemos que isto não é verdade! É possível investir no Tesouro Direto com valores relativamente baixos e obter retornos maiores que da poupança. Infelizmente, muitas pessoas estão presas à comodidade da poupança, obtendo retornos baixíssimos, quando poderiam estar obtendo melhores rendimentos em outras aplicações.

Como funcionam as regras de rentabilidade da poupança

Ainda que seja ruim, a poupança tem um rendimento. Só que agora ele fica ainda mais baixo com a Selic menor que 8,5% ao ano. Entenda o porquê:

A caderneta de poupança é um investimento de renda fixa. Ou seja, a rentabilidade da aplicação é previamente definida, não sofrendo alteração. A regra geral de cálculo dos ganhos da poupança é:

0,5% ao mês (6,17% ao ano) + TR (taxa referencial)*

A taxa referncial, que também conhecida apenas como TR, é uma taxa de juros de referência, criada no início da década de 1990, ainda durante o governo Collor, com o objetivo de controlar a inflação. Hoje em dia é utilizada para calcular o rendimento de vários investimentos, tais como títulos públicos, caderneta de poupança, entre outros. É calculada pelo Banco Central do Brasil, tendo como base a taxa média mensal ponderada e ajustada dos CDBs prefixados das trinta maiores instituições financeiras do país, retirando-se as duas menores e as duas maiores taxas médias.

No entanto, desde 2012, foi criada uma regra em que o rendimento da poupança passa a acompanhar diretamente a variação da taxa Selic. Você não sabia ou não se lembrava desta regra? Continue lendo e descubra se ela pode afetar você.

Nova regra de cálculo da poupança

Em maio de 2012, durante o governo Dilma Rousseff, foram feitas mudanças, por lei, na forma de cálculo da rentabilidade da poupança. Grande parte deste esforço do governo junto ao Banco Central visava evitar uma possível fuga de recursos de fundos de investimento para a poupança. Na época a Selic estava em 9% ao ano e havia a expectativa e queda para 8,5% ao ano. Nesse patamar, a poupança então passaria a render mais que os fundos de investimento.

Os fundos de investimento em renda fixa, por sua vez, são compradores de títulos públicos federais e portanto os principais financiadores da dívida pública. Caso os investidores deixassem de aplicar neles, o governo enfrentaria sérias dificuldades para rolar a dívida pública.

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Fernando Reis é administrador e Analista de Marketing de Conteúdo da Magnetis.

*Texto escrito originalmente em setembro de 2017 e atualizado em 06 de fevereiro de 2019.

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