Rentabilidade líquida do CDB: veja como calcular o rendimento da sua aplicação

por Fernando Reis | 15/03/2019

rentabilidade líquida do cdb

Já ficou em dúvida sobre a rentabilidade líquida do CDB em que você investiu? Sabe dizer se ela equivale, de fato, ao retorno anunciado?

Embora muitas pessoas escolham investimentos de renda fixa com base nos valores divulgados por bancos e corretoras, nem sempre o resultado final de um investimento corresponde à taxa prometida.

Em boa parte dos casos, não se trata de propaganda enganosa: a instituição apenas optou por mostrar a rentabilidade bruta do investimento.

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Se você não considerar todos os fatores que interferem na rentabilidade, como os impostos e as taxas cobradas, é difícil fazer uma comparação correta entre aplicações financeiras diferentes. Assim, a sua percepção do que rende mais pode ficar distorcida.

Mas está na hora de esclarecer essa dúvida de uma vez por todas! Neste post, vamos mostrar para você qual é a diferença entre rentabilidade bruta e rentabilidade líquida.

Você vai aprender a fazer o cálculo do rendimento líquido de um CDB para fazer comparações entre investimentos da forma correta. Assim poderá saber, de fato, quais investimentos rendem mais. Vamos começar?

Como calcular a rentabilidade líquida do CDB?

Quando você faz um investimento em renda fixa, espera receber de volta o capital investido e os juros no vencimento da aplicação.

Nessa hora, muita gente acredita que vai obter o retorno anunciado pela instituição financeira na hora de comercializar o investimento. Mas na prática não é bem assim.

Na verdade, a pessoa receberá a rentabilidade líquida da aplicação, que é o resultado final da aplicação após a dedução dos custos operacionais e impostos.

De modo geral, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) são remunerados com base em um percentual do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), taxa em que se baseiam os investimentos mais tradicionais do mercado.

O CDI, a propósito, tem um desempenho muito semelhante ao da Selic, a taxa básica de juros da economia, que é definida pelo Banco Central.

Vamos supor que o CDI hoje esteja em 10% ao ano. Se um CDB promete um retorno de 95% do CDI, isso significa que a aplicação terá um rendimento de 9,5% no período, uma vez que entregará 95% do rendimento do índice no período.

Suponha também que uma pessoa invista R$ 1 mil nesse mesmo CDB e faça o resgate após um ano da aplicação.

O lucro bruto será de R$ 95 no período, uma vez que a aplicação promete um retorno de 100% do CDI. No entanto, ainda será preciso descontar os impostos.

Para investimentos de um ano (acima de 360 dias e abaixo de 720), a alíquota do Imposto de Renda (IR) é de 17,5%.

Desse modo, dos R$ 95 de lucro bruto, será preciso descontar R$ 16,62 de IR (no caso dos CDBs, o imposto é recolhido na fonte no momento do resgate).

Confira, a seguir, qual será a rentabilidade líquida do CDB do nosso exemplo:

Rentabilidade líquida do CDB - exemplo

Portanto, para calcular a rentabilidade líquida do CDB em porcentagem (%), é preciso:

  • apurar o rendimento bruto da aplicação;
  • descontar o IR e custos operacionais do rendimento bruto da aplicação (R$ 1.095 – R$ 16,62);
  • dividir o rendimento líquido pelo valor da aplicação inicial (R$ 1.078,38 / R$ 1 mil);
  • subtrair 1 do resultado (1,07838 – 1);
  • multiplicar o valor por 100 (0,07838 x 100 = 7,84%).

Como você pode notar, um retorno bruto de 9,5% ao ano representa um rendimento líquido de 7,84% no mesmo período, se for considerado o IR para aplicações por esse período.

É importante mencionar que nesse cálculo não foram considerados eventuais custos operacionais, como taxas de administração ou gastos com transferências de recursos (TED bancária, por exemplo). Quanto mais você gastar com esse tipo de despesa, menor será a sua rentabilidade líquida.

Quais fatores afetam a rentabilidade de um investimento em CDB?

Os principais fatores que influenciam a rentabilidade líquida de um investimento em renda fixa são:

  • rentabilidade prometida: trata-se de uma taxa que diz o quanto um investimento vai render, como 10% ao ano ou 100% do CDI, por exemplo;
  • tempo da aplicação: como veremos adiante, influencia nos impostos que incidem sobre os investimentos;
  • tamanho da instituição: geralmente, bancos maiores oferecem um retorno menor em aplicações de renda fixa e oferecem taxas mais altas. Já bancos médios e corretoras independentes oferecem rentabilidade mais competitiva.

A rentabilidade é um fator parcialmente controlável. No caso de um CDB prefixado, por exemplo, já é possível saber de antemão qual será o retorno líquido desse investimento, uma que a taxa de retorno prometido é um valor fixo.

No entanto, quando se trata dos CDBs atrelados ao CDI – aqueles cuja rentabilidade é um percentual desse índice -, o rendimento vai depender diretamente do comportamento do CDI no período da aplicação.

Um exemplo real: uma pessoa que investiu em um CDB atrelado ao CDI no início de 2017 conseguiu uma rentabilidade maior do que quem começou a investir no meio do ano.

Isso porque no início de 2017 o CDI estava perto do 13% ao ano. Porém, no segundo semestre, a taxa caiu para 9%, junto com a Selic.

Além disso, conforme o valor aplicado e o tempo do investimento, é possível encontrar uma rentabilidade ainda mais convidativa. Logo, de certa forma há margem de escolha nesse quesito.

Outro fator que a pessoa pode controlar é a tributação de IR na fonte, já que as alíquotas são estabelecidas conforme o prazo do investimento, como você pode ver na tabela a seguir. Assim, quanto mais tempo você deixar o dinheiro aplicado, menos IR terá de pagar.

imposto de renda sobre investimentos de renda fixa

Quanto à instituição financeira que oferece a aplicação,  a rentabilidade traz implícito o tamanho dessa instituição.

O principal objetivo dessas instituições é atrair mais clientes. E como elas podem competir com os grandes bancos? Oferecendo rentabilidade mais atraente.

É importante lembrar que as aplicações de renda fixa tradicionais – como CDB, LCI e LCA – contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Ele funciona como um seguro e garante que qualquer depósito ou investimento de até R$ 250 mil seja devolvido em caso de falência do banco que emitiu a aplicação. O limite é de R$ 1 milhão por CPF.

Como comparar o CDB com outros investimentos?

Existem três modalidades possíveis de investimento em CDB. As aplicações podem ser:

  • pré-fixadas: quando a taxa é definida no momento da contratação do investimento e já é possível calcular o resultado final da aplicação (Ex.: 10% ao ano);
  • pós-fixadas: quando a rentabilidade é um percentual de um índice. Ou seja, a rentabilidade final será conhecida apenas no momento do resgate. (Ex.: 110% do CDI);
  • híbridas: quando a taxa prometida tem uma parte prefixada e outra atrelada a um indicador (Ex.: 5% ao ano + IPCA).

Ao comparar CDBs de instituições diferentes, valem as mesmas regras de IR. No entanto, a análise se torna mais difícil na hora de comparar modalidades de aplicação diferentes.

Isso porque, quando se trata de um investimento pós-fixado, por exemplo, não é possível saber com certeza qual será o resultado do indicador financeiro de que depende a aplicação. Assim, é necessário buscar projeções e avaliações mais sofisticadas para saber de a aplicação oferece um retorno atraente em comparação a um investimento pré-fixado.

O mercado financeiro tem uma grande variedade de aplicações disponíveis para os mais diferentes perfis. Embora muitas pessoas ainda invistam seu dinheiro na poupança, o rendimento a caderneta é ruim e é possível encontrar opções que rendem mais com a mesma segurança.

Para fazer bons investimentos, é essencial conhecer as regras de cada aplicação. Afinal, como vimos aqui, a rentabilidade prometida nem sempre diz quanto dinheiro você vai sacar ao final do investimento.

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Como a quantidade de produtos no mercado financeiro é enorme, comparar as aplicações manualmente é uma tarefa quase impossível.

Por isso, é bastante útil contar com o apoio de plataformas digitais para escolher os investimentos que ofereçam a melhor rentabilidade para o seu perfil. As consultorias de investimento, por exemplo, podem encontrar para você opções que não estão no seu radar.

Agora que você entende melhor como calcular a rentabilidade líquida do CDB, consegue avaliar melhor as alternativas à sua disposição. Se você quiser saber mais sobre aplicações de renda fixa, baixe o nosso ebook Guia Completo sobre Tipos de Investimento e tire suas dúvidas. Você também pode deixar aqui o seu comentário e compartilhar a sua experiência!

(Post originalmente publicado em março de 2017)

Rentabilidade líquida do CDB: veja como calcular o rendimento da sua aplicação
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