5 principais dúvidas sobre rentabilidade na poupança

por Mariana Congo

Você sabe como é calculada a rentabilidade da poupança? Apesar de a poupança ser a aplicação favorita no país, com 76% dos brasileiros investindo, as regras da sua rentabilidade ainda levantam muitas dúvidas.

Afinal de contas, num momento de juros caindo como é o atual, vale a pena investir na poupança? Registramos nesse momento uma inflação baixa mesmo após a alta dos combustíveis (previsão de 3,40% para 2017) e taxa de juros Selic em queda.

Será que nesse cenário a poupança ainda é uma opção ruim de investimento? Ou vale a pena considerá-la com carinho?

No artigo de hoje, vamos responder às 5 principais dúvidas envolvendo a rentabilidade da poupança. Acompanhe!

1. Como a caderneta de poupança funciona realmente?

Você já parou para pensar em como a caderneta de poupança funciona? Você sabe que deposita um dinheiro ali e, um mês depois, uma parcela de juros é acrescentada na conta sem que você precise fazer nada. Mas como isso acontece?

Na verdade, o dinheiro depositado na poupança é utilizado pelo banco para financiar operações de empréstimos para outras pessoas.

Para saber quanto você vai ganhar investindo o seu dinheiro, basta conhecer o cálculo do rendimento da poupança. Existem duas regras para determinar esse valor.

A primeira é que se a taxa de juros Selic estiver abaixo ou igual a 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 70% da Selic + Taxa Referencial.

Nesse momento de juros baixo, a poupança se torna uma opção mais atraente de investimento, pois não possui "custos". Não existe taxa de administração ou Imposto de Renda na poupança, então seu rendimento real fica mais valorizado.

A segunda regra ocorre se a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, então o rendimento da poupança será de 0,5% ao mês + Taxa Referencial.

A Taxa Referencial (ou TR, como também é chamada) é uma taxa calculada pelo Banco Central. O cálculo leva em conta os rendimentos dos títulos de crédito negociados pelos maiores bancos do país nos últimos 30 dias.

Por causa dessa fórmula de cálculo e do seu modelo de funcionamento, a poupança se torna um dos investimentos mais previsíveis do mercado. É ideal para aquelas pessoal de perfil mais conservador e que desejam saber quanto receberão pelo investimento.

2. Como a inflação influencia a rentabilidade da poupança?

Um dos grandes vilões da caderneta se chama inflação. Você provavelmente sabe que o rendimento da poupança foi ruim nos últimos anos quando comparado a outros tipos de aplicações e isso aconteceu justamente por causa da inflação.

Para acompanhar essa dinâmica, precisamos compreender os conceitos de Retorno Real e Retorno Absoluto.

Imagine que você coloca R$ 1 mil na poupança durante um ano, com rendimento de 8% no período. No fim desses 12 meses, você terá na conta R$ 1.080, com 80 reais sendo o seu Retorno Absoluto.

Porém, nesse mesmo período, a inflação foi de 7%. Isso significa que o dinheiro investido se desvalorizou e o seu Retorno Real foi de apenas 1%.

Em outras palavras: você continua recebendo 8% de rendimento (Retorno Absoluto), mas esse dinheiro vale menos do que valia no começo da aplicação.

Em 2015, o rendimento da poupança foi de 8,15%, enquanto a inflação ficou em 10,67%. Isso gerou uma perda de 2,9% no poder aquisitivo do dinheiro aplicado e provou como investir na poupança pode não ser a melhor ideia, especialmente em época de inflação alta.

3. Eu pago Imposto de Renda sobre a poupança?

Não. A caderneta de poupança é um dos investimentos isentos de Imposto de Renda no Brasil atualmente.

Essa medida dá um alento à poupança, já que seus adeptos não precisam se preocupar com o rendimento sendo mordido pelo leão do IR. Outras aplicações isentas de Imposto de Renda são as LCIs e as LCAs.

Enquanto isso, investimentos como o Tesouro Direto, CDB, Fundos DI, Letras de Câmbio ou mesmo a Bolsa de Valores não possuem a mesma sorte e têm seus rendimentos taxados.

4. O investimento na poupança é seguro ou posso perdê-lo?

No dia 16 de março de 1990, o então presidente Fernando Collor anunciou um pacote de medidas que, entre outras coisas, confiscava os depósitos feitos pelos brasileiros na poupança. Desde então, muitas pessoas ainda têm certo medo de perder dinheiro nessa aplicação. Mas a verdade é que ela está entre as opções mais seguras, sem a menor dúvida.

O risco de um novo confisco é nulo e a caderneta possui boas garantias privadas de que seu pagamento será feito sem problemas. Seu próprio modelo de funcionamento garante isso: os juros que os bancos cobram de seus empréstimos são bem superiores aos que são pagos aos investidores.

Além disso, a poupança é uma das aplicações protegidas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essa instituição garante a devolução de até R$ 250 mil investidos para cada CPF caso haja algum problema.

Isso significa que se você investir, digamos, R$ 35 mil na poupança e depois de um ou dois anos o seu banco vir a falir, o FGC vai ressarcir o seu dinheiro.

É claro que não existe investimento sem risco, mas a poupança é um dos mais seguros do país, indicada para aqueles com perfil mais conservador.

5. Quais são as melhores alternativas em vez da poupança?

Agora que a taxa de juros está em 9,25% ao ano, muitos fundos de investimentos em renda fixa passaram a render menos que a poupança. Isso mesmo! Fundos que cobram mais de 1% de taxa de administração hoje rendem menos que a caderneta de poupança.

Mesmo assim, há bons produtos de renda fixa no mercado que rendem mais que a poupança, mesmo agora que a taxa de juros Selic está baixa.

Leia também: ​Ainda vale a pena investir em renda fixa? Depende!

Mas que investimentos são esses? Confira algumas alternativas:

  • CDB: os Certificados de Depósito Bancário possuem a mesma proteção pelo FGC que a poupança. CDBs de grande bancos oferecem em torno de 80% do CDI e neste caso perdem para a poupança hoje. Mas em bancos médios há CDBs que pagam mais de 100% do CDI e aí sim ganham (muito!) da poupança. Esses CDBs de bancos médios podem ser encontrados em corretoras.
  • Tesouro Direto: garantido pelo Tesouro Federal, os títulos do Tesouro Direto têm um rendimento maior do que a poupança;
  • LCIs e LCAs: além de ter isenção no Imposto de Renda, as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio rendem mais do que a poupança e ainda contam com a proteção do FGC;
  • Letras de Câmbio: as Letras de Câmbio também se destacam como boas alternativas. Seu rendimento costuma ser superior até que o do CDB e a aplicação ainda conta com proteção do Fundo Garantidor de Créditos.

Essas são as 5 dúvidas comuns sobre a rentabilidade na poupança. Suas questões foram respondidas ou você ainda tem mais perguntas na cabeça? 

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Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.