Reserva de emergência: entenda por que ela é importante

por Mariana Congo | 14/01/2019

Reserva de emergência: entenda por que ela é importante

Você já viu um equilibrista na corda bamba? Quando existe uma rede de proteção ele está tranquilo pois, se algo der errado, o artista estará a salvo. Porém, quando não há rede, tudo pode dar errado. Uma reserva de emergência funciona exatamente como essa rede de proteção.

Trazendo para o mundo dos investimentos, com o seu dinheiro acontece a mesma coisa. Quem conta com uma reserva de emergência sabe que terá amparo no caso de qualquer imprevisto. Caso contrário, vai ser preciso contar com a sorte.

Neste post, vamos mostrar o que é uma reserva de emergência e como você pode construir esse colchão de segurança que vai trazer muito mais tranquilidade para a sua vida. Acompanhe!

O que é a reserva de emergência e qual a sua importância?

O nome é praticamente autoexplicativo. Uma reserva de emergência é uma quantidade de dinheiro que separamos para imprevistos.

Ninguém está imune a eles. Quer um exemplo? Imagine que você saiu de férias com a sua família. No meio da viagem, alguém fica doente, tem que ser internado e vocês precisam esperar que a pessoa se recupere.

Agora, os custos com hotel e alimentação já vão ser bem maiores do que se havia previsto. Fora que pode haver despesas com medicamentos, médicos etc. Se ter alguém doente na família já é um enorme motivo de preocupação, pense como seria não ter dinheiro para lidar com a situação.

A reserva de emergência, no entanto, não serve apenas para momentos delicados da vida, mas também para não perder boas oportunidades por não ter recursos para aproveitá-las.

Você pode, por exemplo, ser convidado para um importante congresso internacional da sua área, que vai ajudar a impulsionar sua carreira e trazer satisfação pessoal. Para isso, terá que arcar com parte dos custos. Se não tiver como pagar, o cavalo selado vai embora e você perde a chance.

Não dá para deixar isso acontecer, certo? Por isso, vamos ver quais são as melhores recomendações para criar a sua reserva de emergência.

Como funciona a reserva de emergência?

Retomando o que dissemos acima, a reserva de emergência é um valor em dinheiro que deve estar à sua disposição para quando você precisar.

Aqui, “dinheiro” é uma palavra importante porque é isso que usamos para pagar as coisas. Assim, joias, obras de arte, imóveis, cavalos, nada disso serve como reserva de emergência.

A explicação é simples: dá para pagar a conta do hospital com um cavalo? Não, você vai ter que achar um comprador para o cavalo, o que pode demorar. Talvez tenha que se desfazer do bem por um valor menor do que o esperado e aí qualquer sentido de emergência se perdeu pelo caminho.

É importante reforçar isso porque temos, no Brasil, um histórico de longos períodos de inflação muito alta. Por isso, não era raro que as famílias tentassem proteger seu poder aquisitivo comprando bens, como joias.

Assim, você já pode ter ouvido esse conselho de algum parente mais velho, mas agora vivemos outra realidade e existem aplicações financeiras que podem prover a segurança necessária, ao mesmo tempo em que têm alta liquidez, ou seja, o dinheiro cai na sua conta na mesma hora, se você precisar.

Para quem é indicada?

A reserva de emergência é indicada para absolutamente todo mundo. Não existe vida sem percalços e, mais cedo ou mais tarde, você vai precisar dela, seja para você mesmo, seja para ajudar alguém importante na sua vida.

Quando falamos de investimentos, a construção de uma reserva de emergência deve ser a sua prioridade. Quanto mais comprometido for o seu orçamento, mais importante ela é.

Imagine que você trabalha no setor privado, tem um financiamento imobiliário, um carro igualmente financiado e filhos em idade escolar. Se você perde seu trabalho e a sua renda cai, toda a estrutura familiar fica comprometida.

Essa tem sido a realidade de muitas famílias. Desde o começo da atual crise econômica, o desemprego deu um salto. No primeiro trimestre de 2019, a taxa de desemprego calculada pelo IBGE foi de 12,7%, com 13,4 milhões de pessoas sem ocupação. No mesmo período de 2013, essa taxa era de 8%.

Uma das consequências disso, por exemplo, foi a queda no número de pessoas com planos privados de saúde. Em dezembro de 2014, eram 50,4 milhões de beneficiários, número que despencou para 47 milhões em março de 2019, de acordo com informações da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Não existe mistério aqui. A maior parte dos planos era paga pelas empresas e, quando a pessoa perde o emprego, se não tiver uma reserva de emergência, essa é uma das primeiras despesas a serem cortadas.

Como começar uma reserva de emergência?

Mesmo vivendo num país em que a economia passa por muitos altos e baixos — ou talvez justamente por isso —, o brasileiro não tem o hábito de poupar. Um levantamento feito pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) apontou que, em 2018, apenas 8% da população aplicou em um investimento financeiro.

É uma situação sem saída? Felizmente não. Formar uma reserva de emergência é, em muitos sentidos, similar a uma reeducação alimentar. Você vai precisar de disciplina e de um pouco de conhecimento, mas os resultados mais do que compensam o esforço.

Assim, vamos ver abaixo algumas dicas simples, porém muito importantes para você começar sua reserva de emergência.

Saiba quanto e no que você gasta

Organizar um orçamento doméstico, nesse sentido, não é muito diferente de gerenciar uma empresa. Imagina se o empresário não controla suas receitas e despesas. Pode ter certeza de que ele rapidamente vai entrar para as estatísticas das empresas que fecham as portas no país.

Você não pode ser surpreendido pelas suas despesas. É preciso saber quando tem que pagar o quê e quanto você pode gastar para conseguir chegar ao fim do mês sem entrar no vermelho.

Aqui, valem alguns lembretes importantes. Confira.

Não deixe essa conta muito justa

Tendemos a subestimar nossos gastos, então considere uma folga para pequenos imprevistos, como comprar um remédio, ir a um restaurante com os amigos etc.

Não deixe de fora os pequenos gastos

Sabe o cafezinho depois do almoço, o bilhete da lotérica e a assinatura do serviço de streaming? Tudo somado, eles fazem diferença no orçamento, então é importante incluí-los no seu controle de gastos.

Não se esqueça das despesas sazonais

Alguns gastos ocorrem com periodicidade definida. É o caso da matrícula das crianças na escola, da compra de materiais escolares, do IPTU, do IPVA, dos gastos com as festas de fim de ano etc.

Por isso, o ideal é reservar um valor todo mês para evitar aperto na hora de pagar essas contas, que se acumulam entre o fim do ano e o começo do ano.

Considere o investimento uma despesa

Quando você recebe o pagamento, já sabe que existem alguns itens que não pode deixar de pagar, certo? É o caso da conta de luz, da parcela do financiamento imobiliário, da mensalidade escolar, entre outras.

Então, coloque mais uma conta nessa relação: o investimento. Mesmo que você comece com pouco, aplicando R$ 30 ou R$ 50 por mês, com o tempo você vai ter uma reserva que não teria se não tivesse começado. Se esperar o dia em que vai sobrar dinheiro para começar a investir, pode ser que fique esperando a vida toda.

Crie disciplina

Aqui, a analogia com a reeducação alimentar mais uma vez faz sentido. Se você criar o hábito de organizar suas finanças pessoais, saber quais são as suas receitas e despesas e aplicar todo mês uma certa quantia, o resultado chega naturalmente.

Defina qual será o valor da sua reserva

Não existe um número mágico para essa reserva financeira. A maioria dos especialistas fala em algo de seis a 12 rendas mensais. Assim, se você ganha R$10 mil por mês, seria entre R$60 mil e R$120 mil.

Esse número varia de acordo com a sua situação. Você tem muitos compromissos financeiros e sua renda não é tão segura? A reserva de emergência deve ser maior. Tem poucas despesas, precisa de pouco para manter seu padrão de vida e tem um rendimento relativamente estável? Nesse caso, a reserva pode ser um pouco menor.

Estude um pouco sobre finanças

Continuando a comparação com a reeducação alimentar, quem quer ter uma vida mais saudável precisa entender um pouco como os alimentos funcionam, não é? Caso contrário, fica difícil estabelecer um plano.

O mesmo vale para a sua vida financeira. Leia um pouco sobre finanças, entenda como funcionam os juros compostos, quais são os diferentes tipos de aplicação que o mercado oferece e quais os mais indicados para os seus propósitos.

Não se esqueça: cuidar da nossa saúde financeira é tão importante para as nossas vidas quanto cuidar do corpo, da mente e dos nossos relacionamentos. Aliás, essas quatro dimensões estão entrelaçadas. Quem já passou por apuros financeiros sabe o quanto isso afeta as outras três.

Quais os investimentos indicados para compor a reserva de emergência?

Os investimentos escolhidos para compor a sua reserva de emergência devem ter duas características primordiais: baixo risco e alta liquidez. Assim, eles devem estar disponíveis na hora em que você precisar e não podem sofrer grandes oscilações, de forma que você saiba exatamente com quanto pode contar.

Vamos retomar aquele estudo da ANBIMA que citamos acima. Dos 8% que afirmaram terem feito algum investimento em 2018, 88% disseram ter aplicado na poupança. É verdade que a poupança apresenta baixo risco e alta liquidez. O problema é que ela rende pouco, muito pouco mesmo.

Em 2018, o rendimento da poupança foi de 4,68%, enquanto o IPCA (índice oficial de inflação do país) foi de 3,75%, ou seja, praticamente empatou com a inflação. Dá para ter segurança e liquidez com um rendimento melhor do que isso. Vamos ver algumas opções a seguir.

Tesouro Direto

Os títulos públicos negociados no Tesouro Direto têm liquidez diária, isto é, você pode vendê-los de volta para o governo a qualquer momento.

Entre as opções disponíveis, o Tesouro Selic é a mais indicada para compor a reserva de emergência, uma vez que seu rendimento acompanha a variação da Selic (taxa básica de juros do país) e, por isso, o valor do título não oscila muito. Em 2018, esse título teve rendimento de 6,28%.

CDBs

Os CDBs são títulos emitidos pelos bancos e instituições financeiras como forma de captar recursos. Para isso, pagam uma taxa de juros a quem comprá-los. Os mais indicados para formar a reserva financeira são os pós-fixados, que oferecem um rendimento em forma de percentual do CDI.

Os bancos grandes costumam pagar menos por esses títulos, especialmente se a quantia aplicada não for muito alta, mas existem opções mais rentáveis entre os bancos médios e pequenos.

O CDB é considerado uma aplicação segura, pois conta com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que ressarce o investidor caso o banco quebre. O limite de proteção é de R$ 250 mil por CPF por instituição.

Fundos DI

Os fundos de investimento DI oferecem um rendimento que acompanha o CDI. São seguros, uma vez que são formados basicamente por títulos públicos, e têm liquidez diária. O ponto de atenção aqui é a taxa de administração. Se ela for maior do que 1%, pode corroer seu rendimento de tal forma que a aplicação deixa de ser vantajosa. Por isso, mais uma vez a dica é: pesquise e compare.

LCI e LCA

As LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito Agrícola) são aplicações de renda fixa usadas para financiar o setor imobiliário e o agronegócio, respectivamente. Algumas opções oferecem liquidez diária e rendimentos que ultrapassam o CDI (taxa de empréstimo entre os bancos cuja variação é próxima à da Selic).

Um dos benefícios desse tipo de investimento é que ele é isento de imposto de renda. Além disso, assim como os CDBs, elas também contam com a proteção do FGC.

Nuconta

A Nuconta é, antes de mais nada, uma conta corrente, mas com alguns diferenciais. Oferecida pelo Nubank, ela não tem tarifas e é totalmente digital, ou seja, não tem agências físicas.

Além disso, ela também funciona como um investimento de baixo risco. Isso porque todo dinheiro depositado na conta é aplicado em títulos públicos. É possível movimentar a conta normalmente. Conforme necessário, os valores são devolvidos para a conta corrente.

Não há tarifas, mas há incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e imposto de renda sobre os rendimentos da aplicação.

Agora você já sabe o que é uma reserva de emergência e como começar a construir a sua, com investimentos que vão deixar mais segura a sua vida, assim como as das pessoas que importam para você. Lembre-se: não existe substituto para o conhecimento.

Vamos aproveitar para continuar aprendendo e saber mais sobre investimentos que rendem mais do que a poupança?

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