Invista agora
a evolução na edução financeira, conheça a Magnetis.

Reserva de emergência: entenda por que ela é importante

Você já viu um equilibrista na corda bamba? Quando existe uma rede de proteção, o artista fica tranquilo, já que, se algo der errado, ele estará a salvo. Porém, quando não há rede, tudo pode dar errado. Uma reserva de emergência funciona exatamente como essa rede de proteção.

Trazendo para o mundo dos investimentos, com o seu dinheiro acontece a mesma coisa. Quem conta com uma reserva de emergência sabe que terá amparo no caso de qualquer imprevisto. Caso contrário, vai ser preciso contar com a sorte.

Neste post, vamos mostrar o que é uma reserva de emergência. Você aprenderá a construir esse colchão de segurança, que vai trazer muito mais tranquilidade para a sua vida. Acompanhe!

O que é a reserva de emergência e qual é a sua importância?

O nome é praticamente autoexplicativo. Uma reserva de emergência é uma quantidade de dinheiro que separamos para imprevistos.

Ninguém está imune a eles. Quer ver um exemplo? Imagine que você tenha saído de férias com a sua família. No meio da viagem, alguém fica doente, tem que ser internado e vocês precisam esperar que a pessoa se recupere.

Agora, os custos com hotel e alimentação já vão ser bem maiores do que o previsto. Fora que pode haver despesas com medicamentos e médicos. Se ter alguém doente na família já é um enorme motivo de preocupação, pense como seria não ter dinheiro para lidar com a situação.

A reserva de emergência, no entanto, não serve apenas para momentos delicados da vida. É útil também para evitar perder boas oportunidades por não ter recursos para aproveitá-las.

Você pode, por exemplo, ser convidado para um importante congresso internacional da sua área, que vai ajudar a impulsionar sua carreira e trazer satisfação pessoal. Para isso, terá que arcar com parte dos custos. Se não tiver como pagar, o cavalo selado vai embora e você perde a chance.

Não dá para deixar isso acontecer, certo? Por isso, vamos ver quais são as melhores recomendações para criar a sua reserva de emergência.

Como funciona a reserva de emergência?

Retomando o que dissemos acima, a reserva de emergência é um valor em dinheiro que deve estar à sua disposição para quando você precisar.

Aqui, dinheiro é uma palavra importante porque é isso que usamos para pagar as coisas. Assim, joias, obras de arte, imóveis, cavalos, nada disso serve como reserva de emergência.

A explicação é simples: dá para pagar a conta do hospital com um cavalo? Não, você vai ter que achar um comprador, o que pode demorar. Talvez tenha que se desfazer do bem por um valor menor do que o esperado e aí qualquer sentido de emergência se perdeu pelo caminho.

É importante reforçar isso porque temos, no Brasil, um histórico de longos períodos de inflação muito alta. Por isso, não era raro que as famílias tentassem proteger seu poder aquisitivo comprando bens, como joias.

Você já pode ter ouvido esse conselho de algum parente mais velho. Mas agora vivemos outra realidade e existem aplicações financeiras que podem prover a segurança necessária. Ao mesmo tempo, elas têm alta liquidez, ou seja, o dinheiro cai na sua conta na mesma hora, se você precisar.

Para quem a reserva de emergência é indicada?

A reserva de emergência é indicada para absolutamente todo mundo, já que não existe vida sem percalços. Mais cedo ou mais tarde, você vai precisar dela, seja para você mesmo, seja para ajudar alguém importante na sua vida.

Quando falamos de investimentos, a construção de uma reserva de emergência deve ser a sua prioridade. Quanto mais comprometido for o seu orçamento, mais importante ela é.

Imagine que você trabalhe no setor privado, tenha um financiamento imobiliário, um carro igualmente financiado e filhos em idade escolar. Se perder o seu trabalho e a sua renda cair, toda a estrutura familiar fica comprometida.

Essa tem sido a realidade de muitas famílias. Desde o começo da atual crise econômica, o desemprego deu um salto. No primeiro trimestre de 2019, a taxa de desemprego calculada pelo IBGE foi de 12,7%, com 13,4 milhões de pessoas sem ocupação. No mesmo período em 2013, essa taxa era de 8%.

Uma das consequências disso foi a queda no número de pessoas com planos de saúde privados. Em dezembro de 2014, eram 50,4 milhões de beneficiários. Mas esse número despencou para 47 milhões em março de 2019, de acordo com informações da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Não existe mistério aqui. A maior parte dos planos era paga pelas empresas. Quando a pessoa perde o emprego, se não tiver uma reserva financeira, essa é uma das primeiras despesas a serem cortadas.

Como começar uma reserva de emergência?

Mesmo nossa economia passando por muitos altos e baixos — ou talvez justamente por isso —, o brasileiro não tem o hábito de poupar. Em 2018, apenas 8% da população aplicou em um investimento financeiro. O dado é de um levantamento feito pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

É uma situação sem saída? Felizmente não. Formar uma reserva de emergência é, em muitos sentidos, similar a uma reeducação alimentar. Você vai precisar de disciplina e de um pouco de conhecimento, mas os resultados mais do que compensam o esforço.

Assim, vamos ver abaixo algumas dicas simples, porém muito importantes, para você começar sua reserva de emergência.

Trace metas e objetivos

A regra de ouro para você ter sucesso no processo de construção da sua reserva de emergência é: trace metas e objetivos. Para chegar a determinado destino, você precisa saber qual é o caminho a ser trilhado. Na educação financeira isso significa planejamento.

A dúvida é: como fazer isso? Bem, você pode, por exemplo, definir como objetivo fazer uma reserva financeira de R$ 6.000 até o final do ano. Suponha que estamos em janeiro e você tem até dezembro para cumprir o seu objetivo. Neste caso, sua meta será guardar R$ 545 por mês, a partir de fevereiro.

Assim, o seu objetivo é fazer uma reserva de emergência de R$ 6.000 e sua meta mensal é guardar R$ 545. O que vai acontecer se você não conseguir atingir a meta em determinado mês? Será preciso reorganizar as metas dos próximos meses para chegar ao objetivo.

Por isso, para conseguir montar a sua reserva financeira, o primeiro passo é estabelecer o objetivo e as metas necessárias para alcançá-lo. Assim fica mais fácil ter foco e traçar o caminho mais adequado para chegar ao destino.

desafio 52 semanas

Saiba quanto e no que você gasta

Organizar um orçamento familiar, nesse sentido, não é muito diferente de gerenciar uma empresa. Imagine o que vai acontecer se o empresário não controlar suas receitas e despesas. Pode ter certeza de que ele rapidamente vai entrar para as estatísticas das empresas que fecham as portas no país.

Você não pode ser surpreendido por suas despesas. É preciso saber quando é preciso pagar o quê, e quanto você pode gastar para conseguir chegar ao fim do mês sem entrar no vermelho. Aqui, vale destacar 3 lembretes importantes.

1. Não deixe essa conta muito justa

Nossa tendência é subestimar nossos gastos. Por isso, considere deixar uma folga para pequenos imprevistos, como comprar um remédio, ir a um restaurante com os amigos e assim por diante.

2. Não deixe de fora os pequenos gastos

Sabe o cafezinho depois do almoço, o bilhete da lotérica e a assinatura do serviço de streaming? Tudo somado, eles fazem diferença no orçamento, de modo que é importante incluí-los no seu controle de gastos.

3. Não se esqueça das despesas sazonais

Alguns gastos ocorrem com periodicidade definida. É o caso da matrícula das crianças na escola, da compra do material escolar, do IPTU e do IPVA. E não podemos nos esquecer dos gastos com as festas de fim de ano.

Por isso, o ideal é reservar um valor todo mês. Assim, você vai evitar aperto na hora de pagar essas contas que se acumulam entre o fim de um ano e o começo do próximo.

Considere o investimento uma despesa

Quando você recebe o pagamento, já sabe que existem alguns itens que não pode deixar de pagar, certo? É o caso da conta de luz, da parcela do financiamento imobiliário, da mensalidade escolar, entre outras.

Então coloque mais uma conta nessa lista: o investimento. Você pode começar com pouco, aplicando R$ 30 ou R$ 50 por mês. Com o tempo, você vai ter uma reserva que não teria se não tivesse começado. Se esperar o dia em que vai sobrar dinheiro para começar a investir, pode ser que fique esperando a vida toda.

Crie disciplina

Aqui, a analogia com a reeducação alimentar mais uma vez faz sentido. Se você criar o hábito de organizar suas finanças pessoais, conhecer suas receitas e despesas e aplicar todo mês certa quantia, o resultado chegará naturalmente.

Defina qual será o valor da sua reserva

Não existe um número mágico para essa reserva financeira. A maioria dos especialistas fala em algo como seis a 12 vezes o valor da renda mensal. Assim, se você ganha R$ 10 mil por mês, seria entre R$ 60 mil e R$ 120 mil.

Esse número varia de acordo com a sua situação. Você tem muitos compromissos financeiros e sua renda não é tão segura? A reserva de emergência deve ser maior. Tem poucas despesas, precisa de pouco para manter seu padrão de vida e tem um rendimento relativamente estável? Nesse caso, a reserva pode ser um pouco menor.

Estude um pouco sobre finanças

Continuando a comparação com a reeducação alimentar, quem quer ter uma vida mais saudável precisa entender um pouco como os alimentos funcionam, não é? Caso contrário, fica difícil estabelecer um plano.

O mesmo vale para a sua vida financeira. Leia um pouco sobre finanças e aprenda como funcionam os juros compostos. Entenda os diferentes tipos de aplicação que o mercado oferece e quais são os mais indicados para os seus propósitos.

Não se esqueça: cuidar da nossa saúde financeira é tão importante para as nossas vidas quanto cuidar do corpo, da mente e dos nossos relacionamentos. Aliás, essas quatro dimensões estão entrelaçadas. Quem já passou por apuros financeiros sabe o quanto isso afeta as outras três.

Vale a pena deixar a reserva de emergência na poupança?

A caderneta de poupança foi, por muitos anos, um dos investimentos mais conhecidos e usados pelos brasileiros. Investir em outros ativos era algo difícil e que estava ao alcance de uma pequena parcela da população.

Hoje, porém, o cenário mudou completamente. Ficou muito mais fácil buscar ativos diferenciados no mercado e aproveitar as melhores oportunidades para aplicar o seu dinheiro. Qualquer pessoa interessada, mesmo que com poucos recursos financeiros, já consegue investir em ótimos produtos.

Muito embora ainda exista quem opta pela poupança, pelo menos para deixar a reserva de emergência aplicada, ela não é a melhor opção.

investimentos melhores que a poupança, que oferecem a mesma segurança, maior rentabilidade e alta liquidez. Ou seja, você pode sacar o dinheiro a qualquer momento, caso tenha uma emergência e precise dos recursos.

Quanto é preciso guardar por mês para montar uma reserva de emergência?

Essa é uma dúvida muito comum entre quem está começando um planejamento financeiro. Afinal, como saber qual é a reserva de emergência ideal? A resposta vai depender das suas necessidades individuais e familiares. Por isso, não existe um número absoluto e que se aplique a todas as pessoas.

Como mencionamos acima, para alguns especialistas em educação financeira, o ideal é que a quantia seja suficiente para cobrir suas despesas durante seis a doze meses. Vamos supor que suas despesas mensais estejam na faixa de R$ 2.500. Então sua reserva de emergência deve ter entre R$ 10.000 e R$ 30.000.

Não existe um valor específico, mas a ideia é manter uma quantia que cubra suas despesas. É isso que vai ajudar a enfrentar imprevistos, como a perda do emprego ou uma emergência de saúde.

O que considerar ao escolher investimentos para montar a reserva de emergência?

Ao escolher os investimentos em que você vai aplicar a sua reserva de emergência, é preciso levar em consideração dois fatores principais: rentabilidade e liquidez.

A rentabilidade é o retorno financeiro obtido ao aplicar o seu dinheiro. Vamos imaginar um exemplo prático. Suponha que você tenha aplicado R$ 10.000 em um ativo como reserva de emergência.

Ao final de determinado período, esse valor é de R$ 10.600. Os R$ 600 são a rentabilidade gerada pela aplicação. Existem ativos com maior ou menor rentabilidade, sendo que a volatilidade pode estar associada à oscilação dos ganhos.

Mas além de considerar o quanto uma aplicação é rentável, você também precisa avaliar a liquidez. Aqui, temos um conceito fácil de ser compreendido. Uma alta liquidez é a capacidade de transformar rapidamente o investimento em dinheiro.

Se você precisar do valor que está aplicado, será que ele vai estar disponível rapidamente? Se a resposta for sim, é sinal de que se trata uma aplicação com alta liquidez.

Quais investimentos são indicados para compor uma reserva de emergência?

Além da rentabilidade e da liquidez, os investimentos escolhidos para compor a sua reserva de emergência devem ter outra característica: baixo risco. Desse modo, eles devem estar disponíveis na hora em que forem necessários e não podem sofrer grandes oscilações. Assim, você saberá exatamente com quanto pode contar.

Vamos retomar aquele estudo da ANBIMA que citamos acima. Dos 8% que afirmaram terem feito algum investimento em 2018, 88% disseram ter aplicado na poupança. É verdade que ela apresenta baixo risco e alta liquidez. O problema é que rende pouco, muito pouco mesmo.

A poupança está rendendo 70% da taxa Selic, que foi reduzida para 2% em agosto de 2020. Isso significa um rendimento de 1,4%. Dá para ter segurança e liquidez com um rendimento melhor do que isso. A seguir, vamos ver algumas opções.

Tesouro Direto

Os títulos públicos negociados no Tesouro Direto têm liquidez diária, isto é, você pode vendê-los de volta para o governo a qualquer momento.

Entre as opções disponíveis, o Tesouro Selic é a mais indicada para compor a reserva de emergência. Afinal, seu rendimento acompanha a variação da taxa Selic e, por isso, o valor do título não oscila muito.

Tesouro Selic

Com liquidez diária, você consegue retirar o dinheiro a qualquer momento, caso necessário. Ele se tornou uma das grandes referências de investimento em renda fixa em razão da baixa volatilidade.

A única ressalva é que a pessoa que investe terá que pagar Imposto de Renda sobre os rendimentos. Essa é a única característica que o diferencia de aplicações que pagam 100% do CDI.

Mas o fato de o Tesouro Selic ter liquidez diária permite que você resgate o título a qualquer momento, sem o risco de desvalorização. No máximo, haverá uma perda de rentabilidade em razão do spread do título, que é de 0,01%. A contar dopedido de resgate, em apenas um dia útil o dinheiro cai na conta da corretora.

CDBs

Os CDBs são títulos emitidos por bancos e outras instituições financeiras como forma de captar recursos. Para isso, pagam uma taxa de juros a quem comprá-los. Os mais indicados para formar a reserva financeira são os pós-fixados. Eles oferecem um rendimento em forma de percentual do CDI (taxa de empréstimo entre os bancos cuja variação é próxima à da Selic).

Os bancos grandes costumam pagar menos por esses títulos, especialmente se a quantia aplicada não for muito alta. Mas existem opções mais rentáveis entre os bancos médios e pequenos.

O CDB é considerado uma aplicação segura, pois conta com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que ressarce o aportador caso o banco quebre. O limite de proteção é de R$ 250 mil por CPF, por instituição.

Fundos DI

Os fundos de investimento DI oferecem um rendimento que acompanha o CDI. São seguros, uma vez que são formados basicamente por títulos públicos, e têm liquidez diária. O ponto de atenção aqui é a taxa de administração.

Se ela for maior do que 1%, poderá corroer seu rendimento de tal forma que a aplicação deixa de ser vantajosa. Por isso, mais uma vez a dica é: pesquise e compare.

Fundos de renda fixa

Os fundos de renda fixa são uma alternativa interessante para quem busca segurança, rentabilidade e liquidez.

São considerados fundos de renda fixa todos aqueles que aplicam pelo menos 80% de seu patrimônio em ativos de renda fixa. O objetivo é ter uma rentabilidade interessante por meio de taxas de juros ou da variação da inflação.

Outro benefício é a liquidez diária, que é oferecida por muitos fundos de renda fixa. Mas visto que nem todos tem essa característica, é importante avaliar antes de escolher. Lembre-se de que a reserva de emergência deve ter liquidez diária.

Para descobrir, basta verificar o código D+0 neles. A letra D significa “dia” e o número se refere ao número de dias úteis até você receber o dinheiro. Em alguns casos, é possível receber o dinheiro no mesmo dia.

Vale lembrar que, ao aplicar em um fundo de investimento, você não compra os ativos, mas sim as cotas desse fundo. Estas representam a sua parcela de participação nele.

O gestor responsável pelo fundo usa o seu dinheiro e o de outras pessoas para comprar e gerir os ativos. Com o passar do tempo, o dinheiro rende e o valor das cotas vai aumentando.

LCI e LCA

As LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e as LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) são, respectivamente, aplicações de renda fixa que financiam o setor imobiliário e o do agronegócio. Algumas opções oferecem liquidez diária e rendimentos que ultrapassam o CDI.

Um dos benefícios desse tipo de investimento é que ele é isento de Imposto de Renda. Além disso, assim como os CDBs, também contam com a proteção do FGC.

NuConta

A NuConta é, antes de mais nada, uma conta-corrente, mas com alguns diferenciais. Oferecida pelo Nubank, ela não tem tarifas e é totalmente digital, ou seja, não tem agências físicas.

Além disso, essa conta funciona como um investimento de baixo risco, uma vez que todo dinheiro depositado nela é aplicado em títulos públicos. É possível movimentá-la normalmente e, conforme necessário, os valores são devolvidos para a conta-corrente.

Não há tarifas, mas há incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e Imposto de Renda sobre os rendimentos da aplicação.

Agora você já sabe o que é uma reserva de emergência e como começar a construir a sua. Vimos investimentos que vão deixar a sua vida mais segura, assim como as das pessoas que importam para você. Lembre-se de que não existe substituto para o conhecimento. Aproveite para conhecer o nosso desafio 52 semanas, comece a organizar suas finanças e termine 2020 alcançando as suas metas!

reserva de emergência
Mariana Congo

Mari Congo tem paixão por explicar coisas difíceis de forma fácil. É jornalista, educadora financeira, especialista em finanças pessoais e investimentos e gerente de comunicação na Magnetis.

leia mais desse autor