RH estratégico e RH convencional: você sabe a diferença?

por marlon carvalho | 03/01/2019

rh estratégico

O mundo vem ficando cada vez mais complexo e boa parte disso se deve ao desenvolvimento tecnológico, que aumentou de forma exponencial a capacidade de processamento e análise e a automação de tarefas operacionais.

Isso também fez com que as empresas passassem a precisar de colaboradores com perfis mais específicos para cada função. Agora o que se requer dos profissionais é alta especialização, capacidade de análise e visão estratégica do negócio.

Assim, a importância do capital humano aumentou. Por isso, o departamento pessoal também precisou mudar. Neste artigo, vamos ver o que é o RH estratégico, como ele se diferencia do convencional, qual é sua importância para as empresas e como implementá-lo. Acompanhe!

Como é o RH convencional?

As atividades do RH convencional provavelmente são aquelas que ainda estão no imaginário coletivo: folha de pagamento, recrutamento e seleção, processos de admissão e demissão e gestão dos benefícios.

São, assim, atividades operacionais. Nessa visão, o RH é um executor de processos e sua principal função é garantir que não ocorram erros.

Não há como negar que essas funções são importantes para a empresa. Elas garantem que tudo seja feito em conformidade com a lei, evitando processos trabalhistas e fazendo com que as rotinas funcionem sem sobressaltos.

O problema, como vimos, é que o quadro de colaboradores é essencial para a estratégia da empresa em um ambiente altamente competitivo. Por isso, uma atuação meramente operacional se tornou insuficiente para prover aquilo de que a empresa precisa.

O que é RH estratégico e quais são as diferenças em relação ao RH convencional?

O RH estratégico, como o nome sugere, trata as suas funções de forma alinhada à estratégia da empresa.

Na hora de contratar um colaborador, portanto, ele não recebe apenas uma demanda da área de negócio.

Ele vai definir, junto com o responsável, qual perfil pode atender às demandas para aquela função, pensando também nas metas da empresa como um todo e avaliando outras questões, como as soft skills dos candidatos e se eles têm fit cultural com a empresa.

Todos esses fatores são muito importantes para que o novo colaborador seja capaz de se adaptar bem à empresa, desenvolver todo o seu potencial e trazer o retorno que dele se espera.

Da mesma forma, um RH estratégico vai se preocupar em acompanhar o desempenho dos colaboradores e mensurar o alcance de metas, além de verificar como cada colaborador é percebido pelos demais e como se encaixa na empresa. Assim, será capaz de propor ações tanto gerais quanto específicas de melhoria.

Essa visão estratégica deve se estender também para as demais atribuições do RH. Por exemplo, o RH convencional faz apenas a gestão dos benefícios, garantindo que os colaboradores recebam o vale-refeição e o vale-transporte no dia certo e no valor correto.

Já o RH estratégico pensa o pacote de benefícios como um trunfo para a organização conseguir atrair os talentos com o perfil que ela quer e para conseguir mantê-los na empresa, reduzindo o turnover e os custos decorrentes disso.

Nesse sentido, é importante olhar para a vida dos colaboradores como um todo, promovendo o seu bem-estar com iniciativas diversas, como ações de educação financeira.

Isso porque quem não está com as finanças em dia costuma ter seu foco nesse problema, o que reduz sua produtividade.

Assim, todas as atividades do RH devem ser elaboradas estrategicamente, alinhadas às metas e à cultura da empresa.

Qual é a importância do RH estratégico para as organizações?

Vamos imaginar que a empresa tenha definido que uma de suas metas é reduzir os gastos com processos operacionais em 30%. Para isso, contratou diversas soluções tecnológicas que automatizam processos nas mais diversas áreas.

Um RH estratégico vai entender que o perfil de candidato que ele precisa buscar agora é o de profissionais que tenham afinidade com o uso dessas ferramentas e que saibam tirar o melhor proveito delas, elaborando relatórios, analisando dados, sugerindo e promovendo melhorias constantes etc.

Não busca mais, portanto, alguém que saiba executar aquelas tarefas que foram automatizadas.

Ao mesmo tempo, é preciso capacitar os profissionais que permaneceram na empresa para que entendam que a atuação que se espera deles agora é diferente e monitorar sua adaptação.

Por fim, o RH estratégico deve acompanhar os resultados disso: com as mudanças implementadas, foi possível atingir os resultados esperados? Em caso afirmativo, ótimo, missão cumprida; hora de ver como melhorar ainda mais.

Caso contrário, é tarefa do RH indicar o que — ou quem — precisa mudar para alcançar a meta.

Assim, vemos que o RH estratégico está presente, alinhado com o negócio, em todas as etapas do processo: desenho da solução, recrutamento, capacitação e acompanhamento de desempenho.

O que é preciso considerar para ter um RH estratégico?

Um ditado antigo diz que a mudança começa de dentro para fora. Quando queremos alcançar uma meta pessoal, isso fica bem claro. Imagine que você quer emagrecer alguns quilos.

Já sabe que não existe remédio milagroso para isso e que só uma mudança nos seus hábitos pode levar você ao sucesso.

Para as empresas, não é diferente. Toda mudança implica alguma dor; certas pessoas vão ser resistentes e pode haver um pouco de caos no início, mas é importante começar olhando para o quadro de colaboradores que já estão na empresa.

Esse processo deve iniciar pelos próprios profissionais do RH. É importante saber se eles serão capazes de conduzir essa mudança ou se vai ser preciso trazer alguém de fora, com outra mentalidade e outras habilidades, para ajudar a mudar os padrões.

Assim, um RH estratégico precisa:

  • conhecer bem o negócio;
  • saber quais são as demandas e os anseios dos colaboradores;
  • estar próximo tanto dos gestores das áreas quanto da alta direção da empresa;
  • ser capaz de analisar dados e extrair recomendações deles;
  • ter foco em resultado;
  • estabelecer suas próprias metas e objetivos;
  • estar atualizado com as tendências da área;
  • conhecer as novidades em tecnologia e selecionar as que fazem sentido para a empresa;
  • ter uma visão global do negócio.

Na outra ponta, também é preciso que a própria empresa esteja ciente dessa necessidade e da importância do capital humano e, assim, abra espaço para uma participação ativa do RH no negócio.

A adoção do RH estratégico é benéfica para todos os envolvidos. Os colaboradores se sentirão mais satisfeitos, pois têm afinidade com a empresa, que, por sua vez, mantém uma escuta ativa em relação aos seus anseios.

Com isso, espera-se que eles sejam mais produtivos — e é trabalho do RH estratégico medir se isso está acontecendo de fato.

Por fim, é ótimo para a empresa, que vai conseguir atingir suas metas, ter colaboradores mais engajados e manter o turnover baixo.

Implementar o RH estratégico exige bastante esforço e uma mudança de mentalidade de todos os envolvidos, mas, como vimos neste post, os benefícios compensam o esforço. Mais do que isso, é uma necessidade para quem quer sobreviver e se destacar no mercado.

Quer saber mais sobre o assunto? Continue a leitura e veja como implementar o RH estratégico na sua empresa.

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