Entenda o verdadeiro risco de investir em ações

por Mariana Congo | 22/05/2017

Qual é risco real de se investir em ações?

O Brasil tem fraca cultura de investimento, a educação financeira passa longe dos bancos escolares e apenas 16% da população diz possuir R$ 2.500 para uma emergência. Por isso, passamos a ver com naturalidade pesquisas cujos resultados mostram que, enquanto nos Estados Unidos 65% da população investe no mercado acionário, no Brasil esse índice chega a míseros 0,29%. Aparentemente, as pessoas têm medo. Mas qual é o real risco de investir em ações?

Warren Buffett, bilionário norte-americano e maior especialista mundial em Bolsa de Valores, dizia que “o maior inimigo do investidor é ele mesmo”. De fato, é evidente que aplicar em ações envolve riscos; estes são, entretanto, riscos inerentes a qualquer investimento em renda variável. O problema não é o risco em si, mas a ausência de conhecimento sobre como atenuá-lo.

Vamos mostrar quais os tipos de risco de investir em ações e como gerenciá-los para mudar a história de sua vida financeira.

O que é risco de investimento?

Risco é a probabilidade de alguma incerteza ou variável não calculada impactar o desempenho de um investimento. O risco está, portanto, diretamente ligado à previsibilidade de retorno dessa aplicação.

Existem os chamados “micos” da Bolsa: ações de “terceira linha”, pouco procuradas pelos investidores qualificados, de baixo preço e, geralmente, oriundas de empresas falidas/em recuperação judicial. Se você aplicar em ações assim, suas possibilidades de retorno vão variar de percentuais negativos a rentabilidade acima dos 100%. Essas ações de empresas com fundamentos duvidosos, pouca transparência e altíssima volatilidade são exemplos de ações de alto risco.

Por outro lado, quem investe em ações “defensivas” (de empresas que, mesmo durante recessões, não sofrem impacto no consumo de seus serviços) está menos suscetível à volatilidade do mercado. É o caso de empresas do setor elétrico e bancário.

Perceba que quanto maior a variabilidade no retorno, maior o risco. É exatamente por isso que investimentos de baixo risco (como a caderneta de poupança, protegida pelo Fundo Garantidor de Créditos) costumam ter também retornos menos impactantes. O segredo é montar uma carteira de investimentos que equalize os diversos riscos.

Risco de investir em ações

“Bolsa é feita para perder dinheiro”.

Você concorda com essa frase? Então vale a pena conhecer a história de Luiz Barsi. O ex-engraxate saiu de um cortiço no centro de São Paulo para se tornar um dos homens mais ricos do Brasil após estudar profundamente o mercado financeiro. Sua fortuna foi avaliada acima de R$ 1 bilhão.

A propósito, você sabe exatamente o que são ações? Uma ação é uma pequena parte do capital social de uma empresa. Quando você compra uma ação, está se tornando sócio dessa empresa.

Confira os tipos de risco de investir em ações:

Risco de liquidez

Risco de liquidez é a dificuldade de encontrar rapidamente compradores para as ações que você queira vender. Esse risco pode ser minimizado com a compra de papéis de empresas sólidas (chamadas blue chips), evitando os “micos”. Ações de empresas sólidas tendem a ser bastante demandas na Bolsa, logo, boa liquidez.

Risco de mercado

O preço da ação pode se desvalorizar em decorrência de variáveis macroeconômicas externas, fora do controle da empresa. Um aumento da intervenção estatal nos bancos públicos pode fazê-los perder competitividade no mercado (concedendo crédito a juros mais baixos do que o restante do mercado, por exemplo). Interferências externas como essa representam risco de mercado, assim como variações na inflação, taxas de desemprego e de juros.

Risco da empresa

Os balanços da empresa em que você quer investir mostram crescimento ou prejuízo? Você já verificou o Ebitda, índices de rentabilidade e endividamento? Empresas com problemas de caixa ou de crescimento tendem a ser mal avaliadas pelo mercado financeiro – e isso influencia no preço das suas ações. A análise das demonstrações financeiras (como Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício) pode revelar muito sobre a saúde financeira da organização.

Risco da corretora

A corretora de valores atua obrigatoriamente na intermediação entre investidores e empresas, na compra e venda de ações. Mas e se sua corretora quebrar?

Com suas ações, não aconteceria nada, pois elas permanecem em seu nome na Câmara de Ações (antiga CBLC). O problema é seu saldo livre em conta, que pode ser “confiscado” em caso de falência (algo raro, mas possível).

Mercado de ações não é cassino

O maior risco de investir em ações, no entanto, está no próprio comportamento do investidor, uma vez que não são poucos os que investem sem saber o que estão fazendo. Muitos não aplicam, apostam. E os riscos de não levar a sério a “ciência” do mercado financeiro podem ser amargos.

Que o diga o administrador de empresas Guilherme*, cuja epopeia na compra de ações da então cobiçada OGX culminou na perda de R$ 200 mil. Investir em ações não é participar de um jogo de azar, e essa é a primeira lição que deve ficar clara na mente de quem está entrando no mercado (conheça aqui mais sobre o caso).

Existem diversas técnicas e metodologias para avaliar o mercado e o próprio desempenho dos ativos em Bolsa (como Análise Técnica e Fundamentalista), as quais são capazes de diminuir a imprevisibilidade do mercado, reduzindo riscos e maximizando as possibilidades de lucro.

Além disso, paciência e frieza também são bem-vindas em um mercado no qual alta volatilidade não necessariamente significa catástrofe. Uma tendência de queda (realização de lucros) é salutar para que uma ação volte a apresentar valorização no médio/longo prazo.

Dicas para reduzir risco de investir em ações

1. Diversifique seus investimentos

Você já deve ter ouvido falar no ditado “nunca coloque todos os ovos na mesma caixa”, certo? Pois é, essa é uma das maiores máximas do mercado acionário. Isso porque, ao diversificar sua carteira, você dilui o risco ao investir em ações de setores e características diferentes e mantém uma boa rentabilidade média.

2. Invista pensando no longo prazo

Operações de curto/curtíssimo prazo (como day trade) aumentam a exposição do investidor aos efeitos da volatilidade do mercado. Também têm alto custo com impostos e taxas.

Vamos a um exemplo extremo, de uma empresa em situação delicada por força da instabilidade política nacional. Quem adquiriu ações da Petrobras em 10/2/2016 (auge dos escândalos envolvendo a empresa), pagou R$ 5,91 (Petr3). Muitas pessoas que compraram esses papéis certamente se desesperaram, vendendo-os por qualquer preço. Hoje, no entanto, essas mesmas ações são vendidas a R$ 14,20.

Isso não quer dizer que investir na Petrobras é boa ou má ideia neste momento. O que queremos mostrar é que visualizar o longo prazo costuma ser melhor do que se deixar levar pelas emoções transitórias do mercado.

3. Estude… muito!

A Análise Técnica avalia os movimentos do valor das ações ao longo do tempo, buscando encontrar padrões gráficos que os justifiquem. Já a Análise Fundamentalista baseia-se no estudo da solidez da empresa, mediante exames meticulosos de seus balanços e demonstrativos. Ambas as perspectivas são importantes e é preciso estudar muito antes de tomar decisões.

4. Invista com o auxílio de um robô advisor

Não tem tempo de estudar tanto assim? As mais modernas consultorias de investimento já utilizam robôs advisors (algoritmos que analisam e escolhem os melhores investimentos) para montar a carteira de seus clientes. Busque auxílio de uma consultoria que tenha ao seu lado esse tipo de tecnologia. Com o investimento automatizado, fica mais fácil também o investidor proteger seu patrimônio das emoções do momento.

Percebeu como o risco de investir em ações pode ser minimizado ao adotar estratégias inteligentes, contar com uma boa consultoria e entender como o mercado funciona? Então que tal assinar nossa newsletter para receber atualizações, artigos e dicas exclusivas sobre finanças pessoais? Preencha abaixo:

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Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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