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O que é risco-país e por que levá-lo em conta ao investir

Dentro do mundo do mercado financeiro, você já deve ter lido no noticiário que o risco-país subiu ou caiu. A própria expressão dá uma ideia do que se trata: o risco que uma nação apresenta.

Mas você sabe exatamente o que é risco-país e para que ele serve?

Apesar de parecer apenas um número intangível, essa é uma informação muito importante para quem pensa em investir no Brasil. Um risco-país alto significa menos investimentos e crédito mais caro — o que, no fim, prejudica a economia da nação.

Neste artigo, vamos explicar melhor esse conceito, quais são os diferentes indicadores e como eles são calculados. Acompanhe!

O que é risco-país?

A expressão risco-país costuma aparecer no noticiário toda vez que o Brasil vive um período de maior instabilidade econômica, política ou ambas.

Isso não é exclusividade nossa, e ocorre também com outras economias emergentes — como com a vizinha Argentina, com o México e com a Turquia.

O objetivo é justamente tentar determinar qual é o grau de instabilidade do país naquele momento e, portanto, o perigo que ele representa para estrangeiros que desejam investir ali.

Por isso ele foca em países emergentes, como México, Brasil e Argentina (que são as maiores economias da América Latina).

O cálculo do risco-país é feiro por bancos de investimentos e agências de classificação de risco.

O termo foi criado por J. P. Morgan (banco de investimentos norte-americano) em 1992, como uma forma de orientar seus clientes em relação ao risco de investir em determinado local.

Como é calculado o risco-país?

No cálculo do risco-país entram vários fatores. Entre eles:

  • o déficit fiscal;
  • o crescimento da economia;
  • a relação entre o tamanho da dívida e da arrecadação de uma nação;
  • eventuais turbulências políticas.

Além do EMBI+, elaborado pelo J. P. Morgan, existem outros indicadores que servem como medida de risco-país. Veja a seguir como funcionam.

EMBI+

O EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus) se baseia em títulos de dívida de países emergentes. Ele aponta o retorno obtido por uma carteira de títulos desses países. A unidade de medida é o ponto-base, sendo que 100 pontos-base equivalem a 1%.

Os pontos dizem respeito à diferença entre a taxa de retorno dos títulos de um país emergente e aquela oferecida pelos títulos do Tesouro norte-americano, considerados os mais seguros do mundo. Chamamos essa diferença de spread soberano.

Vamos explicar na prática: imagine que o risco-país do Brasil esteja em 500 pontos-base. Pelos cálculos do J. P. Morgan, isso significa que, para compensar o risco de investir aqui naquele exato momento, quem investe precisaria receber 5 pontos percentuais a mais do que se aplicasse em títulos do Tesouro norte-americano.

O EMBI+ é voltado apenas para a classificação daqueles países considerados de alto risco (segundo as agências de classificação de risco) e que tenham emitido pelo menos 500 milhões de dólares em títulos com prazo mínimo de dois anos e meio.

CDS

O CDS (Credit Default Swap) é uma outra medida que indica o risco-país e tem se tornado bastante popular nos últimos anos. Trata-se de um título que protege contra calotes na dívida soberana, uma espécie de seguro. Quanto mais caro é esse seguro, maior é o risco de calote.

Caso o país especificado no contrato não honre as suas obrigações, elas deverão ser pagas pelo emissor do CDS ao portador do seguro, que comprou títulos públicos daquele país.

Esse instrumento financeiro é negociado no mercado de renda fixa em lotes de 10 milhões de dólares da dívida do país de referência. O comprador do CDS deve fazer periodicamente um pagamento ao vendedor pela proteção oferecida.

Esse valor pago é determinado em pontos-base — ou seja, cada ponto-base é o montante anual que o comprador tem que pagar ao vendedor. Por isso, o CDS também é medido em pontos-base. Quanto menor o CDS, menor é o valor desse seguro e mais baixo o risco do país.

Rating

Por fim, ainda temos o rating, que são notas que as agências de classificação de crédito dão à dívida soberana de um país de acordo com a expectativa de que ele seja capaz de honrar essa dívida.

Ou seja, ele mede o risco de crédito. Existem três grandes agências desse tipo no mundo: a Moody’s, a Standard & Poor’s e a Fitch.

O sistema de classificação varia um pouco de uma para outra. Mas, de forma geral, é estabelecido um patamar acima do qual os países passam a ser considerados em grau de investimento — ou seja, um lugar seguro para investir. Abaixo desse ponto, o país está em grau de especulação.

Para atribuir a nota, as agências levam em consideração fatores como o índice de reservas internacionais, solidez da economia e estabilidade política.

Entram na conta também questões sociais, como liberdade de imprensa e distribuição da renda.

Como o risco-país impacta os investimentos?

De forma geral, podemos dizer que o risco-país funciona de forma parecida com a avaliação de risco que é feita quando uma Pessoa Física solicita um empréstimo ou um financiamento.

Quanto melhor o seu score, mais fácil é conseguir o financiamento e menores são as taxas de juros cobradas. Isso porque taxas de juros altas normalmente servem para compensar o risco de inadimplência.

Da mesma forma, quando o risco-país está alto, é um sinal de que se considera que o país tem baixa capacidade de honrar os pagamentos. Por isso o país precisa pagar juros mais altos nos títulos da sua dívida, para que as pessoas entendam que o risco compensa.

Mesmo assim, quem investe bastante (como nos fundos de investimento no exterior) não coloca dinheiro em países que não tenham grau de investimento — e isso impacta não apenas o governo, mas também as empresas.

Vale lembrar: o que acontece com o país afeta também a iniciativa privada, basta ver o que ocorreu na crise econômica dos últimos anos. O risco-país é uma das variáveis que entram no próprio cálculo do valuation das empresas.

Como avaliar o risco-país ao investir?

O risco-país deve ser uma das variáveis analisadas na hora de tomar uma decisão de investimento offshore, mas não deve ser a única. Além dele, é preciso levar em consideração outros fatores, como:

  • risco de liquidez;
  • risco de mercado;
  • risco de conjuntura.

Além disso, os países que estão no grau especulativo não são todos iguais, e alguns têm um nível de risco muito maior do que outros.

Assim, também pode ser uma oportunidade de obter rendimentos superiores para quem está disposto a se arriscar.

Agora você já sabe o que é risco-país, quais são os diferentes indicadores que medem esse risco e o que ele significa para o mundo dos investimentos. Gostou do artigo e quer saber mais? Então aproveite para fazer agora mesmo nosso curso grátis de investimentos!

Malena Oliveira

Especialista em Finanças Pessoais e membro do Grupo Consultivo de Educação Financeira da Anbima.

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