5 perguntas e respostas sobre a taxa referencial do Banco Central

por Mariana Congo | 05/08/2019

5 perguntas e respostas sobre a taxa referencial do Banco Central
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É possível que você já ouvido falar sobre a TR, a taxa referencial do Banco Central. Embora tenha sido criada em 1991, esse indicador ainda resiste porque é utilizado em alguns cálculos importantes, como o rendimento da poupança e do FGTS.

Mas você sabe exatamente o que é a TR, como ela funciona e para que serve? Neste post, vamos esclarecer as principais dúvidas sobre assunto. Confira 5 perguntas e respostas sobre a taxa referencial do Banco Central!

1. O que é a taxa referencial do Banco Central?

A TR, taxa referencial do Banco Central, foi criada na época do plano Collor II como um dos mecanismos de combate à inflação. Na época, a ideia era que ela servisse para desindexar os preços e, assim, ajudasse a combater a hiperinflação.

Ela atuaria como referência para os juros vigentes no país, evitando que a taxa de juros do mês corrente refletisse a inflação do mês anterior.

Assim, foi usada como um índice de correção monetária, o que gerou muitos protestos e processos judiciais, já que ela era, claro, mais baixa do que a inflação.

Como sabemos, o mecanismo não funcionou muito bem e o combate à inflação só teve um rumo de sucesso a partir do Plano Real, em 1994. No entanto, a TR permaneceu e alguns investimentos continuaram atrelados a ela.

 2. Como a TR é definida?

Vamos mostrar aqui a fórmula de cálculo da TR, mas, primeiro, é preciso esclarecer um ponto:

A TR se baseia na média ponderada das taxas diárias de juros dos CDBs prefixados das 30 maiores instituições financeiras. Essa média é conhecida como Taxa Básica Financeira (TBF) e é divulgada em base mensal.

Só para lembrar, CDBs são aplicações de renda fixa emitidas pelos bancos. Seu rendimento está ligado, ainda que indiretamente, à taxa Selic.

Dessa forma, a TR também guarda uma correlação com a taxa básica de juros do país. Quando uma sobe, a tendência é que a outra suba e vice-versa. No entanto, elas não são próximas, como acontece com a Selic e o CDI.

A primeira equação que vamos precisar conhecer é a do redutor, que depois vai ser aplicado na fórmula da TR. A fórmula do redutor é: R = a+b x TBF.

O “R” é o redutor, ou seja, o que queremos descobrir. O “a” é fixo e equivalente a 1,005. Quanto ao “b”, é um valor divulgado pelo Banco Central que tem relação com a TBF anualizada.

Conhecendo o R, é só substituir na fórmula da TR, que é: TR = {[(1 + TBF / 100) / R] – 1}.

Assim, deu para perceber que a TR é definida, basicamente, pelo Banco Central e por algumas condições de mercado.

Por fim, uma informação importante: a TR nunca pode ser negativa. Quando isso acontecer, ela é considerada como zero.

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3. Para que serve a TR?

A TR é usada no cálculo do rendimento ou da taxa de juros de alguns investimentos bastante populares. Confira!

Poupança

Essa é provavelmente a aplicação mais importante da TR, uma vez que a poupança ainda é o investimento mais popular entre os investidores.

Desde 2012, o rendimento da poupança tem duas fórmulas de cálculo, dependendo do patamar em que estiver a taxa Selic:

  • quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 0,5% ao mês + TR;
  • quando a taxa Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano, a rentabilidade é de 70% da Selic + TR.

FGTS

Outro fator importante para todo mundo que trabalha com carteira assinada é o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Se você é um trabalhador assalariado, a empresa deposita mensalmente o equivalente a 8% do seu rendimento no seu FGTS.

A remuneração dos valores depositados no fundo é de 3% + TR, o que é muito baixo e, muitas vezes, não cobre nem a variação da inflação.

Veja mais: Confira o passo a passo completo para consultar seu saldo no FGTS!

Títulos de capitalização

Os títulos de capitalização são uma espécie de aplicação financeira oferecida pelos bancos, que inclui sorteios e premiações. A rentabilidade deles é exatamente o valor da TR, ou seja, rende ainda menos do o FGTS.

Por isso, muitos especialistas nem consideram o título de capitalização um investimento, estando mais próximo de uma loteria na qual se pode resgatar o dinheiro no fim, praticamente sem correção.

4. Qual o impacto da TR no financiamento imobiliário?

Esse é outro ponto que é influenciado pela taxa referencial. A TR tem impacto nos financiamentos que fazem parte do Sistema Financeiro Habitacional (SFH), da Caixa Econômica Federal.

Quando se opta por esse modelo de parcelamento, os valores são corrigidos por juros fixos, determinados pelo banco, mais TR.

5. Quanto está a TR hoje?

Em junho de 2019, a TR estava em 0%. Essa é uma situação que se repete todos os meses desde setembro de 2017.

Com a taxa Selic abaixo de 8,5%, a TR não tem impacto sobre o rendimento da poupança (que já está muito baixo), mas deixa a rentabilidade do FGTS ainda mais baixa e menor do que a inflação.

Por outro lado, isso é um ponto a favor nos financiamentos imobiliários feitos pelo SFH. No entanto, vale lembrar que, mesmo que a TR esteja zerada, você ainda paga uma parcela fixa de juros que é determinada pelo banco.

Vale mencionar que existiam alguns títulos públicos que usavam a TR na composição dos seus rendimentos. Eram a NTN-H e a NTN-P. Esses títulos não são mais oferecidos para compra, mas alguns investidores ainda os têm em carteira.

Com a taxa referencial do Banco Central zerada há quase dois anos, as principais consequências são a redução da rentabilidade do FGTS e da poupança. Você pode se aprofundar ainda mais e aproveitar para conhecer investimentos que rendem mais do que a poupança!

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