O que é a taxa Selic e como ela afeta os seus investimentos?

por Mariana Congo | 29/05/2019

O que é a taxa selic e como afeta os seus investimentos?

A taxa Selic é um assunto recorrente no noticiário. De tempos em tempos, os jornais anunciam que ela subiu, caiu ou foi mantida no mesmo nível por decisão do Banco Central. Mas como será que a Selic afeta os diferentes tipos de investimento?

Neste post, você vai entender o que é a taxa Selic, como ela é definida e como ela está ligada às aplicações financeiras. Também vai entender se é possível fazer um investimento em Selic. Acompanhe e descubra as respostas!

O que é taxa Selic?

Antes de explicarmos a taxa Selic, precisamos falar um pouco sobre o funcionamento do mercado financeiro.

A legislação determina que os bancos devem manter um percentual do dinheiro de seus clientes na conta do banco no Banco Central (Bacen). Agora, imagine o grande número de operações realizadas nas instituições financeiras: são saques, depósitos, pagamentos, empréstimos.

Por isso, muitas vezes, um banco pode chegar ao final do dia com mais dinheiro ou menos dinheiro no Bacen do que o exigido pela lei.

Para corrigir isso, as instituições financeiras fazem empréstimos de curtíssimo prazo (menos de 24 horas) umas às outras para garantir que os depósitos sejam cumpridos.

Quando você faz um empréstimo, precisa apresentar garantias de que tem condições de pagar aquela dívida, como renda ou bens em seu nome.

Com os bancos, a situação é semelhante: para pegar dinheiro emprestado de outras instituições, eles apresentam títulos da dívida pública, comprados por meio do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, o Selic.

A taxa Selic é a média ponderada dos juros cobrados nesses empréstimos pelo volume de negociações do dia. Ela é anualizada, isto é, convertida da taxa diária efetivamente cobrada para uma taxa anual, levando em conta os 252 dias úteis de um ano.

Qual é a diferença entre meta Selic e taxa Selic?

É preciso esclarecer uma confusão bastante comum. Frequentemente, lemos nos sites de notícias ou ouvimos na TV que o governo reduziu ou aumentou a taxa Selic.

Na verdade, o que o Copom do Banco Central faz em suas oito reuniões por ano é alterar a meta dessa taxa de juros, comumente chamada de meta Selic.

A taxa Selic de que falamos no tópico anterior é a Selic over, que é a taxa efetivamente praticada, sendo que ela pode ser consultada no site do Bacen.

Os bancos definem os juros para seus empréstimos com base na meta Selic, o que faz com que as duas, over e meta, andem bastante próximas; do contrário, quando a taxa efetivamente praticada se distancia da meta, o Banco Central intervém, colocando ou retirando mais dinheiro no mercado.

Qual a importância da taxa Selic para a economia?

Como dissemos, o Copom é o órgão responsável por definir a meta da taxa Selic. Ele faz isso para interferir na economia e no chamado custo do dinheiro — quanto uma instituição financeira precisa pagar de juros para ter acesso a recursos e emprestar dinheiro para seus clientes.

Dessa forma, a Selic é um mecanismo usado para controlar a inflação, de acordo com o cenário do momento. Geralmente, o Copom sobe os juros da economia nas situações de inflação alta.

Assim, fica mais caro obter crédito, o que ajuda a diminuir o consumo e reduzir a demanda por produtos e serviços, diminuindo a alta dos preços.

Já quando a situação é de baixa atividade econômica e inflação controlada, a política adotada quase sempre é de queda dos juros. Assim, o crédito fica mais barato, facilitando investimentos por parte das empresas e consumo por parte das famílias.

Como a Selic afeta os investimentos?

Além de influenciar a economia, a meta da Selic afeta diretamente seus investimentos. Na renda fixa, por exemplo, essa relação é direta, já que as taxas de juros são usadas como referência para a remuneração das aplicações de renda fixa.

Já na renda variável, como nas ações, a relação se dá em grande parte por causa da influência da taxa básica de juros na economia. Para compreender melhor, explicaremos a seguir cada um dos casos.

Renda fixa

Os investimentos em renda fixa são, em sua maioria, atrelados a taxas de juros. Por isso, mudanças na Selic afetam diretamente o quanto cada um desses investimentos rende.

Aplicações pós-fixadas dependem da variação das taxas de juros durante o período do investimento. Isso vale, por exemplo, para o Tesouro Selic: quando a taxa Selic é alterada, a rentabilidade desse investimento automaticamente acompanha a mudança.

O mesmo se aplica para CDBs, LCIs e LCAs e outros títulos privados pós-fixados, que pagam porcentagens do CDI — taxa de juros que costuma acompanhar de perto a Selic e é cobrada em empréstimos entre bancos que usam títulos das próprias instituições financeiras como garantia para as operações.

Já no caso de títulos prefixados, a situação é um pouco diferente. Se você já comprou um título que paga, por exemplo, 10% ao ano, a variação da Selic não afeta aquele rendimento: você poderá resgatar, no vencimento, o valor investido corrigido pela taxa combinada.

Se você ainda não investiu, porém, é preciso ficar atento: as taxas prefixadas oferecidas pelas instituições financeiras acompanham a expectativa da Selic para os próximos meses e anos, a chamada precificação do mercado.

Uma situação fictícia ilustrativa é um cenário em que a Selic esteja em 7% ao ano e a expectativa seja de queda, por conta da recessão na economia; um CDB prefixado provavelmente pagará menos que 7% ao ano, antecipando a queda na taxa de juros.

Por isso, é bom ficar atento ao Boletim Focus, pesquisa realizada pelo Banco Central com os economistas das maiores instituições financeiras do país e publicada semanalmente, que traz a expectativa desses profissionais que acompanham o mercado para o futuro das taxas.

Por fim, há também investimentos em renda fixa que são atrelados aos índices de inflação. Nesse caso, é importante ter em mente que a Selic é um mecanismo de controle do índice de preços. Se a Selic cai, a tendência é que a inflação suba, e vice-versa.

Ações

A relação da Selic com investimentos em ações se dá de maneira indireta. Papéis de empresas não estão diretamente atrelados a taxas de juros, mas sofrem a influência das condições de mercado e da economia como um todo — que, como vimos, são afetadas pela Selic.

Por isso, pode-se dizer que, ao menos em teoria, cenários de queda dos juros facilitam o acesso a crédito para as empresas investirem na produção e na contratação de mão de obra, bem como incentivam as pessoas a consumirem mais, fazendo a economia se aquecer, o que, por consequência, favorece a alta dos papéis.

O contrário também é verdadeiro: quando os juros sobem, fica mais caro obter crédito, e a economia reduz sua atividade. Dessa forma, a tendência é que as ações tenham quedas por causa dos maus resultados das empresas.

É possível fazer um investimento em Selic?

Não é possível fazer um investimento em Selic de forma direta, pois ela se trata apenas de um indicador do mercado, e não de um tipo de investimento.

No entanto, é possível fazer aplicações que acompanham o desempenho da Selic. A seguir, vamos conhecer algumas delas.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é o investimento mais seguro do mercado brasileiro. Ele é emitido pelo Tesouro Nacional e usado para financiar o governo brasileiro.

O investimento em Tesouro Selic pode ser feito pela plataforma do Tesouro Direto e hoje em dia é possível começar com cerca de R$ 80 nesse título.

As aplicações estão sujeitas a uma taxa de custódia de 0,25% ao ano sobre o valor total do investimento, além do Imposto de Renda (IR).

CDB que rende 100% do CDI

Os CDBs são investimentos com uma mecânica semelhante aos títulos públicos do Tesouro Direto. No entanto, em vez do governo, quem emite esses investimentos são os bancos.

O principal diferencial é que os CDBs contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura a devolução de até R$ 250 mil para quem investiu em um banco caso ele venha à falência.

Um CDB que rende 100% do CDI tem uma rentabilidade bem próxima à Selic, apesar de ligeiramente mais baixa.

Eles também estão sujeitos ao IR e as taxas para investir em CDB podem variar dependendo dos custos das corretoras. Hoje, a maioria delas oferece taxa nos investimentos.

Fundo de renda fixa que rende 100% do CDI

Um fundo de renda fixa é um tipo de aplicação financeira que investe em ativos mais seguros. Antigamente, eles eram conhecidos no mercado como fundos DI.

Quando uma pessoa investe em um fundo, na verdade está comprando uma parcela de diversos ativos, que o fundo adquire em um processo semelhante a uma compra no atacado.

Assim, é possível investir com pouco dinheiro em ativos mais sofisticados ou com valor de entrada mais alto.

Mas vale prestar atenção: os fundos de investimento têm taxa de administração e, eventualmente, taxa de performance.

Dificilmente vale a pena investir em um fundo de renda fixa se ele tiver taxas maiores do que 0,5% ao ano, a não ser que ele tenha rentabilidade bem acima da Selic.

Como escolher o melhor investimento para você?

De maneira geral, é importante levar em consideração que a taxa Selic é um parâmetro para todos os investimentos da economia: só é aceitável tomar risco quando o retorno esperado é maior que a taxa básica de juros; do contrário, é melhor preferir um investimento mais conservador.

Para isso, é recomendado realizar uma análise do cenário econômico, bem como conhecer a fundo seu perfil de investidor e as opções de produtos mais adequados. São inúmeras opções de aplicações e, para investir com segurança, a Magnetis trabalha com a estratégia que mais combina com você.

Agora que você entende melhor o que é a taxa Selic e como ela influencia nos seus investimentos, que tal conhecer as opções de aplicações financeiras à sua disposição? Baixe grátis o nosso Guia Completo sobre os Tipos de Investimento e faça a melhor escolha para os seus objetivos!

(Post originalmente publicado em maio de 2017)

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