O que é a taxa Selic e como ela afeta os seus investimentos?

por Mariana Congo

Um dos principais pontos do noticiário econômico são as reuniões em que se define a taxa Selic. Tal ênfase é compreensível: a chamada taxa básica de juros influencia a atividade econômica e a inflação e também afeta os investimentos.

Neste post, explicaremos: o que é, afinal, essa taxa Selic? Como ela é definida? Qual é o papel dela na renda fixa e nas ações? Acompanhe e descubra as respostas!

O que é taxa Selic?

Antes de explicarmos a taxa Selic em si, precisamos falar um pouco sobre o funcionamento do sistema financeiro.

A legislação determina que os bancos devem manter um percentual do dinheiro de seus clientes na conta do banco no Banco Central (Bacen). Porém, imagine o grande número de operações realizadas nas instituições financeiras: são saques, depósitos, pagamentos, empréstimos…

Por isso, muitas vezes, um banco pode chegar ao final do dia com mais dinheiro ou menos dinheiro no Bacen do que o exigido pela lei. Para corrigir isso, as instituições financeiras fazem empréstimos de curtíssimo prazo (menos de 24 horas) umas às outras para garantir que os depósitos sejam cumpridos.

Quando você faz um empréstimo, precisa apresentar garantias de que tem condições de pagar aquela dívida, como renda ou bens em seu nome. Com os bancos, a situação é semelhante: para pegar dinheiro emprestado de outras instituições, eles apresentam títulos da dívida pública, comprados por meio do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, o Selic.

A taxa Selic é a média ponderada dos juros cobrados nesses empréstimos pelo volume de negociações do dia. Ela é “anualizada”, isto é, convertida da taxa diária efetivamente cobrada para uma taxa anual, levando em conta os 252 dias úteis de um ano.

Qual a diferença entre meta Selic e taxa Selic?

É preciso esclarecer uma confusão bastante comum. Frequentemente, lemos nos sites de notícias ou ouvimos na TV que o governo reduziu ou aumentou a taxa Selic.

Na verdade, o que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central faz em suas oito reuniões por ano é alterar a meta dessa taxa de juros, comumente chamada de meta Selic.

A taxa Selic de que falamos no tópico anterior é a Selic over, que é a taxa efetivamente praticada. Ela pode ser consultada no site do Bacen. Os bancos definem os juros para seus empréstimos com base na meta Selic, o que faz com que as duas, over e meta, andem bastante próximas.

Quando a taxa efetivamente praticada se distancia da meta, o Banco Central intervém, colocando ou retirando mais dinheiro no mercado.

Qual a importância da taxa Selic para a economia?

Como dissemos, o Copom é o órgão responsável por definir a meta da taxa Selic. Ele faz isso para interferir na economia e no chamado custo do dinheiro — quanto uma instituição financeira precisa pagar de juros para ter acesso a recursos e emprestar dinheiro para seus clientes.

Dessa forma, a Selic é um mecanismo usado para controlar a inflação, de acordo com o cenário do momento.

Geralmente, o Copom sobe os juros da economia nas situações de inflação alta. Assim, fica mais caro obter crédito, o que ajuda a diminuir o consumo e reduzir a demanda, diminuindo a alta dos preços.

Já quando a situação é de baixa atividade econômica e inflação controlada, a política adotada quase sempre é de queda dos juros. Assim, o crédito fica mais barato, facilitando investimentos por parte das empresas e consumo por parte das famílias.

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Como a Selic afeta seus investimentos?

Além de influenciar a economia, a meta da Selic afeta diretamente seus investimentos. Na renda fixa, essa relação é direta, já que as taxas de juros são usadas como base para a remuneração das aplicações.

Já na renda variável, como as ações, a relação se dá em grande parte por causa da influência da taxa básica de juros na economia.

Explicaremos a seguir cada um dos casos.

Renda fixa

Os investimentos em renda fixa são, em sua maioria, atrelados a taxas de juros. Por isso, mudanças na Selic afetam diretamente o quanto cada um desses investimentos rende.

Aplicações pós-fixadas dependem da variação das taxas de juros durante o período do investimento. Por isso, quando a Selic é alterada, a partir daquele momento a correção do valor também passa a ser diferente. Isso vale, por exemplo, para o Tesouro Selic.

O mesmo se aplica para CDBs, LCIs e LCAs e outros títulos privados pós-fixados, que pagam porcentagens do CDI — taxa de juros que costuma acompanhar de perto a Selic e é cobrada em empréstimos entre bancos que usam títulos das próprias instituições financeiras como garantia para as operações.

Já no caso de títulos prefixados, a situação é um pouco diferente. Se você já comprou um título que paga, por exemplo, 10% ao ano, a variação da Selic não afeta aquele rendimento: você poderá resgatar, no vencimento, o valor investido corrigido pela taxa combinada.

Se você ainda não investiu, porém, é preciso ficar atento: as taxas prefixadas oferecidas pelas instituições financeiras acompanham a expectativa da Selic para os próximos meses e anos.

Uma situação fictícia ilustrativa: imagine um cenário em que a Selic esteja em 12% ao ano e a expectativa seja de queda, por conta da recessão na economia; um CDB prefixado provavelmente pagará menos que 12% ao ano, antecipando a queda na taxa de juros.

Por isso, é bom ficar atento ao Boletim Focus, pesquisa realizada pelo Banco Central com os economistas das maiores instituições financeiras do país e publicada semanalmente, que traz a expectativa desses profissionais que acompanham o mercado para o futuro das taxas.

Por fim, há também investimentos em renda fixa que são atrelados aos índices de inflação. Nesse caso, é importante ter em mente que a Selic é um mecanismo de controle do índice de preços. Se a Selic cai, a tendência é que a inflação suba, e vice-versa.

Ações

A relação da Selic com investimentos em ações se dá de maneira indireta. Papéis de empresas não estão diretamente atrelados a taxas de juros, mas sofrem a influência das condições de mercado e da economia como um todo — que, como vimos, são afetadas pela Selic.

Por isso, pode-se dizer que, ao menos em teoria, cenários de queda dos juros facilitam o acesso a crédito para as empresas investirem na produção e na contratação de mão de obra, bem como incentivam as pessoas a consumirem mais, fazendo a economia se aquecer. Esse cenário favorece a alta dos papéis.

O contrário também é verdadeiro: quando os juros sobem, fica mais caro obter crédito, e a economia reduz sua atividade. Dessa forma, a tendência é que as ações tenham quedas por causa dos maus resultados das empresas.

Também é importante levar em consideração que a taxa Selic é um parâmetro para todos os investimentos da economia: só é aceitável tomar risco quando o retorno esperado é maior que a taxa básica de juros; do contrário, é melhor preferir um investimento mais conservador.

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Luciano

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

  • Bruno Paschoali

    Muito bom! Muita gente correu pra título pré-fixado com a queda da meta da SELIC, mas a maioria não se atenta que a taxa de retorno oferecida se baseando na queda da taxa, logo nem sempre é a melhor opção.

    Errata: no quinto parágrafo, o título “Como a Selic ela afeta seus investimentos?” está errado. Acredito que queriam colocar “Como a Selic afeta seus investimentos?”.

    []’s.