Taxa Selic: o que é? Como ela afeta os investimentos? Tudo o que você precisa saber

por Mariana Congo | 20/09/2019

taxa selic: o que é? Entenda como funciona
consultoria de investimento

A taxa Selic é um dos principais indicadores do mercado financeiro no Brasil. De tempos em tempos, os jornais anunciam que ela subiu ou caiu e falam também da sua influência sobre os investimentos.  

Neste post, você vai entender o que é a taxa Selic, como ela é definida e como ela está ligada às aplicações financeiras. Também vai entender se é possível fazer um investimento de acordo com a Selic. Acompanhe e descubra as respostas!

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O que é a taxa Selic?

Selic é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia. A taxa que é gerada a partir desse sistema é chamada de taxa Selic.

Ela reflete as empréstimos de curto prazo negociados entre os bancos no mercado de títulos públicos. Essas instituições fazem esses empréstimos para conseguir dinheiro para suas operações.

As negociações geram uma taxa média diária, que é convertida para porcentagem ao ano (%) e divulgada todos os dias pelo Banco Central.

Assim como os bancos negociam entre si para levantar recursos, eles também negociam com as pessoas por meio de diversos tipos de investimento. Para definir qual será a rentabilidade dessas aplicações, eles usam a Selic como referência.

No entanto, não se trata da Selic anunciada nos jornais. Vamos entender melhor no próximo tópico.

Qual é o valor da taxa Selic hoje?

No mercado de investimentos, a Selic usada para definir a rentabilidade dos investimentos é a chamada Selic Over, que é a taxa efetivamente praticada no dia a dia.

A Selic anunciada pelos jornais na verdade é um valor de referência que o Banco Central determinada para essa taxa. Essa é a chamada Selic Meta ou Meta Selic.

Tradicionalmente, a Selic Over fica 0,10 pontos percentuais abaixo da Selic Meta.

Ou seja, como hoje a Selic Meta está em 5,5% ao ano, a Selic Over é de 5,40% ao ano. Dessa forma, o rendimento mensal da Selic está em 0,45%.

A seguir, você vê o histórico da taxa Selic nos últimos 12 meses:

Mês/AnoSelic Meta (% ao ano)Selic Over (% ao ano)
setembro/20195,50%5,40%
agosto/20196%5,90%
julho/20196,50%6,40%
junho/20196,50%6,40%
maio/20196,50%6,40%
abril/20196,50%6,40%
março/20196,50%6,40%
fevereiro/20196,50%6,40%
janeiro/20196,50%6,40%
dezembro/20186,50%6,40%
novembro/20186,50%6,40%
outubro/20186,50%6,40%
setembro/20186,50%6,40%

(Fonte: Banco Central/B3)

Qual a importância da taxa Selic para a economia?

O Comitê de Política Monetária (Copom) é um órgão formado por diretores do Banco Central. Ele é responsável por definir a Selic Meta.

O Copom faz isso para interferir na economia e no chamado custo do dinheiro — quanto uma instituição financeira precisa pagar de juros para ter acesso a recursos e emprestar dinheiro para seus clientes.

Dessa forma, a Selic é um mecanismo usado para controlar a inflação. Geralmente, o Copom sobe os juros da economia nas situações de inflação alta.

Assim, fica mais caro obter crédito, o que ajuda a diminuir o consumo e reduzir a demanda por produtos e serviços, diminuindo a alta dos preços.

Já quando a situação é de baixa atividade econômica e inflação controlada, a política adotada quase sempre é de queda dos juros.

Dessa maneira, o crédito fica mais barato, facilitando investimentos por parte das empresas e consumo por parte das famílias.

Como a taxa Selic afeta os investimentos?

Além de influenciar a economia, a Selic afeta diretamente as aplicações financeiras.

Nos investimentos de renda fixa, por exemplo, essa relação é direta, já que as taxas de juros são usadas como referência para a remuneração das aplicações.

Já na renda variável, a relação se dá de maneira indireta. Para compreender melhor, explicaremos a seguir cada um dos casos.

Renda fixa

Os investimentos em renda fixa são, em boa parte, atrelados a índices financeiros.

Por isso, mudanças na Selic afetam diretamente o quanto cada um desses investimentos rende, pois todos eles acabam convergindo para render algo em torno dessa taxa.

Investimentos pós-fixados, por exemplo, dependem da variação dessa taxa para determinar o valor final da aplicação.

Isso vale, por exemplo, para o Tesouro Selic: quando a taxa Selic é alterada, a rentabilidade desse investimento automaticamente acompanha a mudança.

O mesmo se aplica para CDBs, LCIs e LCAs e outros títulos privados pós-fixados, que pagam porcentagens do CDI — taxa de juros que também é um referencial para os bancos e costuma acompanhar de perto a Selic.

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Há também investimentos que são atrelados aos índices de inflação. Nesse caso, a relação é indireta.

Se a inflação subir, o Banco Central aumenta a Selic em busca de estabilizar a economia. Por consequência, a rentabilidade desses investimentos aumenta, mas de forma limitada por conta desse mecanismo de controle.

Já no caso de títulos prefixados, a situação é um pouco diferente. Se você já comprou um título que paga, por exemplo, 10% ao ano, a variação da Selic não afeta aquele rendimento: você poderá resgatar, no vencimento, o valor investido corrigido pela taxa combinada.

Se você ainda não investiu, porém, é preciso ficar atento: as taxas prefixadas oferecidas pelas instituições financeiras acompanham a expectativa da Selic para os próximos meses e anos.

Uma situação fictícia ilustrativa é um cenário em que a Selic esteja em 7% ao ano e a expectativa seja de queda, por conta da recessão na economia. Um CDB prefixado provavelmente pagará menos que 7% ao ano, antecipando a queda na taxa de juros.

Ações

A relação da Selic com investimentos em renda variável, especialmente ações, se dá de maneira indireta.

Papéis de empresas não estão diretamente atrelados a taxas de juros, mas sofrem a influência das condições de mercado e da economia como um todo.

Quando a Selic sobe, ela torna mais caras as taxas de juros de forma geral. Dessa forma, uma empresa que tenha financiamentos deverá gastar mais dinheiro pagando os juros desses empréstimos. Isso acabará afetando seu lucro e esse quadro pode fazer suas ações caírem.

Na outra ponta, juros mais altos também afetam o consumo, algo que também pode afetar os resultados das empresas.

O contrário também pode ser observado: a queda dos juros facilita o acesso a crédito para as empresas investirem na produção e na contratação de mão de obra. Já as pessoas consomem mais e isso faz a economia se aquecer. Todos esses fatores favorecem a alta das ações das empresas.

É possível investir na taxa Selic?

Não é possível fazer um investimento em Selic de forma direta, pois ela se trata apenas de um indicador do mercado, e não de um tipo de investimento.

No entanto, é possível fazer aplicações que acompanham o desempenho da Selic. A seguir, vamos conhecer algumas delas.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é o investimento mais seguro do mercado brasileiro. Ele é emitido pelo Tesouro Nacional e usado para financiar o governo brasileiro.

O investimento em Tesouro Selic pode ser feito pela plataforma do Tesouro Direto e hoje em dia é possível começar com cerca de R$ 80 nesse título.

As aplicações estão sujeitas a uma taxa de custódia de 0,25% ao ano sobre o valor total do investimento, além do Imposto de Renda (IR).

CDB que rende 100% do CDI

Os CDBs são investimentos com uma mecânica semelhante aos títulos públicos do Tesouro Direto. No entanto, em vez do governo, quem emite esses investimentos são os bancos.

O principal diferencial é que os CDBs contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura a devolução de até R$ 250 mil para quem investiu em um banco caso ele venha à falência.

Um CDB que rende 100% do CDI tem uma rentabilidade bem próxima à Selic, apesar de ligeiramente mais baixa.

Eles também estão sujeitos ao IR e as taxas para investir em CDB podem variar dependendo dos custos das corretoras. Hoje, a maioria delas oferece taxa nos investimentos.

Fundo de renda fixa que rende 100% do CDI

Um fundo de renda fixa é um tipo de aplicação financeira que investe em ativos mais seguros. Antigamente, eles eram conhecidos no mercado como fundos DI.

Quando uma pessoa investe em um fundo, na verdade está comprando uma parcela de diversos ativos, que o fundo adquire em um processo semelhante a uma compra no atacado.

Assim, é possível investir com pouco dinheiro em ativos mais sofisticados ou com valor de entrada mais alto.

Mas vale prestar atenção: os fundos de investimento têm taxa de administração e, eventualmente, taxa de performance.

Dificilmente vale a pena investir em um fundo de renda fixa se ele tiver taxas maiores do que 0,5% ao ano, a não ser que ele tenha rentabilidade bem acima da Selic.

Como escolher o melhor investimento para você?

A taxa Selic é um parâmetro para todos os investimentos seguros. Logo, se uma aplicação mais sofisticada tem uma rentabilidade menor que a Selic, vale a pena checar o que está acontecendo com esse investimento.

Pode ser, por exemplo, que você esteja pagando caro demais ou investindo fora do seu perfil.

Para entender melhor como proceder, o ideal é fazer um check-up dos seus investimentos de tempos em tempos. Assim, você saberá que está no caminho para alcançar os seus objetivos.

Agora que você entende melhor o que é a taxa Selic e como ela influencia nos seus investimentos, que tal conhecer as opções de aplicações financeiras à sua disposição? Baixe grátis o nosso Guia Completo sobre os Tipos de Investimento e faça a melhor escolha para os seus objetivos!

(Post originalmente publicado em maio de 2017)

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