Taxa zero nas corretoras: benefício real ou ‘metade do dobro’?

por Mariana Congo

(Texto originalmente publicado em outubro de 2016)

Se você já fez ou pensa em fazer alguma aplicação financeira, já deve ter visto a famosa taxa zero nas corretoras. Algumas instituições (como XP, Rico e Easynvest, por exemplo) adotaram a estratégia de zerar algumas cobranças para atrair investidores.

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Primeiro foi o Tesouro Direto. Depois, títulos de renda fixa (como CDB, LCI e LCA) entraram nessa "promoção" em setembro de 2016. Hoje, há até fundo imobiliário sendo oferecido nessas condições.

Essas mudanças já geraram muito burburinho na imprensa e no mercado. Porém, muita gente começou a ter dúvidas:

  • O que significa taxa zero?
  • Se a taxa agora é zero, quanto era antes?
  • Essa mudança é uma inovação ou as corretoras apenas seguiram o que outras já vinham fazendo?

Resolvemos tirar a limpo essa história e esclarecer tudo para você. Neste post, vamos comparar as taxas para investir no Tesouro Direto em 10 corretoras. Vamos também explicar o que é o spread, um custo invisível das aplicações em renda fixa.

Ficar atento a esses custos é muito importante, pois eles podem ter um impacto direto na rentabilidade líquida dos seus investimentos (ou seja, podem reduzir os seus ganhos!).

Confira as informações neste e post e tire todas as suas dúvidas sobre o tema.

Taxa zero nas corretoras: veja a comparação

Para fazer a nossa análise, listamos 10 grandes corretoras brasileiras e apuramos os custos para investir em títulos de renda fixa (como CDB, LCI e LCA) e também no Tesouro Direto.

Os quadros abaixo mostram as corretoras em ordem alfabética e, por meio dele, fica fácil perceber que a maioria delas já não cobrava taxa de administração.

Taxas de administração para títulos de renda fixa (CDB, LCI, LCA)

Corretora

Como era 

Como está agora 

Ativa

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Clear

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Concórdia

A corretora não trabalhava com títulos de renda fixa

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Easynvest

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Geração Futuro

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Guide

Taxa de custódia de 0,2% ao ano sobre o valor do título

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Modalmais

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Órama

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Rico

Custo de intermediação explícito, que variava de acordo com o prazo de vencimento do título: 0,10% do volume aplicado para títulos com vencimento em até 94 dias e crescendo até 0,80% da aplicação para prazos maiores que 546 dias

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

XP Investimentos

Taxa de custódia fixa de
R$ 9,90 ao mês - independentemente do volume de títulos

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação

Taxas de administração para Tesouro Direto

Corretora

Como era 

Como está agora 

Ativa

0,20% ao ano

0,20% ao ano

Clear

Não cobra

Não cobra

Concórdia

0,35% ao ano

Entre 0,10% e 0,35% ao ano

Easynvest

Não cobra

Não cobra

Geração Futuro

0,30% ao ano

Não cobra

Guide

Entre 0,10% e 0,39% ao ano

Não cobra

Modalmais

Não cobra

Não cobra

Órama

A corretora não trabalha com Tesouro Direto

Rico

0,10% ao ano

Não cobra

XP Investimentos

0,10% ao ano

Não cobra

(Veja lista completa de taxas de administração no site do Tesouro Direto)

Importante: lembre-se de que existe um custo fixo para investir no Tesouro Direto, independente da corretora. Trata-se da taxa de custódia, que é paga à bolsa de valores para guardar os títulos em nome do investidor. Essa taxa é de 0,3% ao ano sobre o valor total dos títulos (valor investido + rendimento). 

Observando as tabelas, fica fácil perceber que as mudanças nas políticas de custos da Rico e da XP não são exatamente uma inovação: várias corretoras já praticavam taxa zero.

Ou seja, apesar do barulho, as corretoras que alteraram sua política de custos apenas se igualaram a grande parte das concorrentes. É mais marketing do que qualquer outra coisa.

Veja mais: Sabia que na Magnetis você pode começar investindo R$ 1 mil? Monte seu plano grátis!

Não existe almoço grátis: entenda o que é o spread

Do ponto de vista dos clientes, a preocupação das corretoras com a taxa zero é uma evolução.

Também fica claro que empresas como a Magnetis, com políticas claras de custos e preços reduzidos, estão incentivando o mercado a se mexer.

Taxa zero: corretoras cortam taxas de administração de títulos de renda fixa, mas consumidor deve ficar atento ao spread

Na prática, taxa zero não existe (Foto: Shutterstock)

Em entrevista ao Valor Econômico, o sócio da Rico Norberto Giangrande admite que "foi ao observar o movimento das ‘startups’ de tecnologia financeira que a Rico decidiu mexer na sua grade de custos" (aliás, sabia que investir com a Magnetis é mais barato? Veja aqui).

É importante que o investidor saiba que, mesmo com taxa zero, as corretoras continuam a ganhar dinheiro - não existe almoço grátis, não é mesmo?

Aqui entra o conceito de spread.

Spread é uma palavra estranha, mas tem um significado simples: diferença entre taxas. Dentro do spread estão contidos os custos e lucros da corretora.

Veja mais: Assessoria sem custo? Veja o que está por trás dessa estratégia

É a lógica do atacado e varejo: no supermercado, você paga um pouco mais caro nos produtos do que se comprasse direto do fornecedor. Porém, fornecedores só vendem em grandes quantidades.

No mercado financeiro acontece a mesma coisa. 

Exemplo sobre o spread:

Um banco faz uma emissão de um CDB. Para vender esses títulos aos investidores de varejo, o banco entra em acordo com uma corretora e combina a distribuição de R$ 10 milhões em um CDB que rende 108% do CDI.

Ao vender para o cliente final, por sua vez, a corretora divide esse montante em lotes de R$ 10 mil e rendimento de 106% do CDI.

Essa diferença entre taxas é o spread - fazendo os cálculos, equivale a 0,28% ao ano de spread. Esse valor é bem próximo ao custo de intermediação que a Rico cobrava explicitamente antes de adotar a taxa zero.

Vale deixar claro que se o investidor fosse tentar comprar diretamente no banco emissor, dificilmente conseguiria aplicar R$ 10 mil à taxa de 108% do CDI. Isso só seria possível se ele tivesse muito dinheiro para comprar no atacado.

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Qual é o problema do spread? O que fazer?

O spread não é errado, é a remuneração de uma corretora para disponibilizar um produto para seus clientes. Mas é importante que o investidor saiba que ele existe e entenda como ele funciona.

A Rico, por exemplo, tinha uma taxa explícita de administração dos títulos de seus clientes - que ela chamava de custo de intermediação. Agora, ela passou a ter o spread (custo implícito) embutido nas taxas dos títulos.

Trocando em miúdos, é difícil saber qual é o real benefício da taxa zero para o investidor…

Veja mais: Veja as corretoras com a menor taxa de corretagem

A boa notícia é que não é necessário tentar descobrir o spread para encontrar os melhores investimentos em renda fixa. 

Basta você comparar a rentabilidade oferecida e selecionar os títulos com o maior retorno líquido, considerando o custo total e os impostos. 

E não se esqueça de manter o investimento dentro do limite de garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Para quem não tem tempo de fazer essas contas, saiba que o algoritmo da Magnetis já faz esses cálculos automaticamente para os clientes: selecionamos os melhores títulos disponíveis para seu perfil de risco. 

Além disso, também fazemos o cálculo para os valores investidos, inclusive seus rendimentos, ficarem dentro do limite de R$ 250 mil por emissor e R$ 1 milhão por CPF. Monte grátis o seu plano de investimentos e veja como é fácil!

Mariana Congo, da Magnetis

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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