Taxa zero nas corretoras: benefício real ou ‘metade do dobro’?

por Mariana Congo

Se você acompanha o mercado de investimentos, já deve ter visto algumas corretoras - como XP, Rico e Easynvest, por exemplo - oferecendo taxa zero para alguns investimentos.

Primeiro foi o Tesouro Direto. Depois, títulos de renda fixa, como CDB, LCI e LCA, entraram nessa "promoção" em setembro de 2016. Hoje, há até fundo imobiliário sendo oferecido nessas condições.

Essas mudanças geraram burburinho na imprensa e no mercado. A Empiricus chegou a falar, em relatório, que as corretoras "abriram a porteira" para atrair clientes.

No meio dessa polêmica, muita gente começou a ter dúvidas:

  • check
    O que significa taxa zero?
  • check
    Se a taxa agora é zero, quanto era antes?
  • check
    Essa mudança é uma inovação ou as corretoras apenas seguiram o que outras já vinham fazendo?

Resolvemos tirar a limpo essa história e esclarecer tudo para você, investidor. Neste post, vamos abordar basicamente dois pontos:

1 - Comparar as taxas para investimento em renda fixa em 10 corretoras;

2 - Explicar o que é o spread, um custo invisível das aplicações em renda fixa.

Ficar atento a esses custos é muito importante, pois eles podem ter um impacto direto na rentabilidade líquida dos seus investimentos (ou seja, podem reduzir os seus ganhos!).

Quadros comparativos das taxas das corretoras

Para começar, listamos 10 grandes corretoras e apuramos os custos para investimento em títulos de renda fixa (como CDB, LCI e LCA) e também no Tesouro Direto em cada uma delas.

Os quadros abaixo mostram as corretoras em ordem alfabética e, por meio dele, fica fácil perceber que a maioria delas já não cobrava taxa de administração.

Taxas de administração para títulos de renda fixa (CDB, LCI, LCA)

Corretora

Como era 

Como está agora 

Ativa

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Clear

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Concórdia

A corretora não trabalhava com títulos de renda fixa.

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Easynvest

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Geração Futuro

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Guide

Taxa de custódia de 0,2% ao ano sobre o valor do título.

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Modalmais

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Órama

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Rico

Custo de intermediação explícito, que variava de acordo com o prazo de vencimento do título: 0,10% do volume aplicado para títulos com vencimento em até 94 dias e crescendo até 0,80% da aplicação para prazos maiores que 546 dias.

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

XP Investimentos

Taxa de custódia fixa de
R$ 9,90 ao mês - independentemente do volume de títulos.

Sem taxa de custódia ou custo explícito de intermediação.

Taxas de administração para Tesouro Direto*

Corretora

Como era 

Como está agora 

Ativa

0,20% ao ano.

0,20% ao ano.

Clear

Não cobra.

Não cobra.

Concórdia

0,35% ao ano.

Entre 0,10% e 0,35% ao ano.

Easynvest

Não cobra.

Não cobra.

Geração Futuro

0,30% ao ano.

Não cobra.

Guide

Entre 0,10% e 0,39% ao ano.

Não cobra.

Modalmais

Não cobra.

Não cobra.

Órama

A corretora não trabalha com Tesouro Direto.

Rico

0,10% ao ano.

0,10% ao ano.

XP Investimentos

0,10% ao ano.

Não cobra.

*Existe um custo fixo para investimento em Tesouro Direto, que não depende da política da corretora: a cobrança taxa de custódia da BM&FBovespa, que é de 0,30% ao ano.

**Veja lista completa de taxas de administração no site do Tesouro Direto.

Observando as tabelas, fica fácil perceber que as mudanças nas políticas de custos da Rico e da XP não são exatamente uma inovação: várias corretoras já praticavam taxa zero.

Ou seja, apesar do barulho, as corretoras que alteraram sua política de custos apenas se igualaram a grande parte das concorrentes. É mais marketing do que qualquer outra coisa.

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Não existe almoço grátis: entenda o que é o spread

Do ponto de vista dos clientes, a preocupação das corretoras com a taxa zero é uma evolução.

Também fica claro que empresas como a Magnetis, com políticas claras de custos e preços reduzidos, estão incentivando o mercado a se mexer.

Taxa zero: corretoras cortam taxas de administração de títulos de renda fixa, mas consumidor deve ficar atento ao spread

Na prática, taxa zero não existe (Foto: Shutterstock)

Em entrevista ao Valor Econômico, o sócio da Rico Norberto Giangrande admite que "foi ao observar o movimento das ‘startups’ de tecnologia financeira que a Rico decidiu mexer na sua grade de custos" (saiba por que investir com a Magnetis é mais barato e tem mais benefícios).

É importante que o investidor saiba que, mesmo com taxa zero, as corretoras continuam a ganhar dinheiro - não existe almoço grátis, não é mesmo?

Aqui entra o conceito de spread.

Spread é uma palavra estranha, mas tem um significado simples: diferença entre taxas. Dentro do spread estão contidos os custos e lucros da corretora.

É a lógica do atacado e varejo: no supermercado, você paga um pouco mais caro nos produtos do que se comprasse direto do fornecedor. Porém, fornecedores só vendem em grandes quantidades.

No mercado financeiro acontece a mesma coisa. 

Exemplo sobre o spread:

Um banco faz uma emissão de um CDB. Para vender esses títulos aos investidores de varejo, o banco entra em acordo com uma corretora e combina a distribuição de R$ 10 milhões em um CDB que rende 108% do CDI.

Ao vender para o cliente final, por sua vez, a corretora divide esse montante em lotes de R$ 10 mil e rendimento de 106% do CDI.

Essa diferença entre taxas é o spread - fazendo os cálculos, equivale a 0,28% ao ano de spread. Esse valor é bem próximo ao custo de intermediação que a Rico cobrava explicitamente antes de adotar a taxa zero.

Vale deixar claro que se o investidor fosse tentar comprar diretamente no banco emissor, dificilmente conseguiria aplicar R$ 10 mil à taxa de 108% do CDI. Isso só seria possível se ele tivesse muito dinheiro para comprar no atacado.

Qual é o problema do spread? O que fazer?

O spread não é errado, é a remuneração de uma corretora para disponibilizar um produto para seus clientes. Mas é importante que o investidor saiba que ele existe e entenda como ele funciona.

A Rico, por exemplo, tinha uma taxa explícita de administração dos títulos de seus clientes - que ela chamava de custo de intermediação. Agora, ela passou a ter o spread (custo implícito) embutido nas taxas dos títulos.

Trocando em miúdos, é difícil saber qual é o real benefício da taxa zero para o investidor…

Leia mais: Veja as corretoras com a menor taxa de corretagem

A boa notícia é que não é necessário tentar descobrir o spread para encontrar os melhores investimentos em renda fixa. 

Basta você comparar a rentabilidade oferecida e selecionar os títulos com o maior retorno líquido, considerando o custo total e os impostos. 

E não se esqueça de manter o investimento dentro do limite de garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Para quem não tem tempo de fazer essas contas, saiba que o algoritmo da Magnetis já faz esses cálculos automaticamente para os clientes: selecionamos os melhores títulos disponíveis para seu perfil de risco. 

Além disso, também fazemos o cálculo para os valores investidos, inclusive seus rendimentos, ficarem dentro do limite de R$ 250 mil por emissor e R$ 1 milhão por CPF. Faça grátis o seu plano de investimentos e veja como é fácil!

Luciano

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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