Tesouro Direto: tudo que você precisa saber

por Magnetis

Atualizado em 24/10/16

Se os juros altos são uma espécie de fantasma para quem vai contratar empréstimos, para as pessoas que estão dispostas a guardar mais dinheiro e multiplicar esses recursos, o cenário atual pode render bons frutos, desde que haja disciplina para poupar e saber investir do jeito mais adequado.


Os títulos públicos fazem parte da lista de aplicações financeiras de renda fixa beneficiadas pela combinação de alta da taxa básica de juros (a Selic) e inflação elevada. Ainda desconhecidos de boa parte das pessoas, esses papéis aos poucos começam a se popularizar entre os brasileiros. Preparamos um guia com as informações mais importantes sobre esse tipo de investimento para ajudá-lo na tarefa de como começar a investir no Tesouro Direto.


O que são títulos públicos? E o que é Tesouro Direto?


Títulos públicos são papéis da dívida pública federal. Ao investir em títulos públicos, você faz uma espécie de empréstimo ao governo e recebe, ao final do prazo de vencimento, a quantia emprestada mais uma taxa de juros sobre esse valor. Desde 2002, é possível investir nesses papéis por meio do Tesouro Direto, programa de compra e venda de títulos públicos para pessoas físicas desenvolvido pelo Tesouro Nacional em parceria com a BM&FBovespa, a Bolsa de Valores brasileira.


Quais são os tipos de títulos públicos do Tesouro Direto?

Na plataforma do Tesouro Direto, existe uma série de opções de títulos públicos, cujas características diferem entre si conforme o tipo de remuneração – se é prefixada ou se é pós-fixada, nesse caso indexada a algum índice, de inflação (IPCA) ou de juros (Selic).


Dentre os títulos prefixados, há o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais, papel que garante o pagamento de um cupom de juros semestralmente, e o Tesouro Prefixado, que não conta com o cupom de juros. Os vencimentos dos papéis variam de 2018 a 2025.


No caso dos títulos pós-fixados, a prateleira possui Tesouro IPCA + com Juros Semestrais cujos vencimentos ocorrem em 2020, 2035 ou 2050, sendo esse último o papel de prazo mais longo oferecido no Tesouro Direto. Dentre os títulos sem pagamento de juros semestrais, é possível escolher um Tesouro IPCA com vencimentos em 2019, 2024 e 2035. O outro papel pós-fixado disponível é o Tesouro Selic, que vence em 2021, e tem o menor risco em relação aos demais títulos oferecidos, dada a baixa volatilidade de seu preço de mercado. Conheça mais sobre cada um dos papéis oferecidos no Tesouro Direto.


Qual a rentabilidade dos títulos públicos?

Por serem ativos de renda fixa, os títulos públicos têm sua rentabilidade determinada na hora da aplicação, diferentemente dos investimentos de renda variável, por exemplo, ações, cujo retorno não pode ser conhecido de antemão. Mesmo assim, há diferentes tipos de remuneração no caso dos títulos públicos. Existem os chamados papéis prefixados, cuja rentabilidade é predeterminada e, assim, o investidor sabe, no momento da compra do título, exatamente quanto irá receber no vencimento daquele título.


Os demais títulos, conhecidos como pós-fixados, têm sua rentabilidade associada a um indexador, que pode ser a Selic (taxa básica de juros) ou o IPCA (índice oficial que mede a inflação, apurado pelo IBGE). No caso desses papéis, o retorno do investimento é composto por uma taxa acertada no momento da compra mais a variação da Selic ou do IPCA no período (da compra até o vencimento do papel).


Quais os riscos de investir em títulos públicos?

Por serem garantidos pelo Tesouro Nacional, os títulos públicos são considerados o tipo de aplicação financeira de menor risco da economia. Em outras palavras, você só deixaria de receber o dinheiro investido caso o país vá à falência e, por isso, não tenha como honrar com suas obrigações, cenário bastante improvável.


Alguns tipos de títulos públicos, como o Tesouro Prefixado, também sofrem variações de preços conforme a volatilidade do mercado. Ao vender um título antes do prazo do vencimento, o investidor corre o risco de receber um valor menor do que pagou inicialmente e, portanto, ter uma rentabilidade menor do que esperado. Isso ocorre, por exemplo, quando o investidor compra um título prefixado e a taxa de juros de mercado sobe, tornando aquele título menos atrativo.


Qual a liquidez de títulos públicos?

Assim como outras aplicações de renda fixa, os títulos públicos têm liquidez diária, ou seja, é possível resgatar a aplicação a qualquer momento. Mas o saque antecipado dos recursos merece cuidado: ao optar por resgatar o montante investido antes do prazo de vencimento do título, você estará sujeito ao preço de mercado do papel naquele dia da venda, valor que pode ser maior ou menor do que quando você investiu. O único título que permite o saque antecipado sem tanta volatilidade no preço é o Tesouro Selic, cuja rentabilidade é atrelada à taxa básica de juros.

Cabe ressaltar que a liquidez dos títulos vale todos os dias úteis, a partir das 18h, e termina às 5h do dia seguinte. Nos fins de semana e feriados, a opção de venda dos papéis é oferecida durante o dia inteiro. As transações são feitas a partir dos últimos preços de fechamento de mercado disponíveis, cujas taxas podem ser verificadas diariamente no site do Tesouro Direto.


Quais os custos e impostos associados a Tesouro Direto?


Para investir nos títulos públicos oferecidos pelo Tesouro Direto, é preciso arcar com dois custos principais: taxa de custódia, de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos, cobrada pela BM&FBovespa, e taxa de administração, que varia conforme a instituição financeira escolhida e vai de 0% a 2%, percentual também cobrado anualmente pelo banco ou pela corretora. Veja aqui a lista de instituições financeiras habilitadas a operar com o Tesouro Direto.


Assim como nos fundos de investimento e no CDB (Certificado de Depósito Bancário), a aplicação em títulos públicos tem incidência de Imposto de Renda (IR) conforme a tabela regressiva (veja abaixo). Ou seja, quanto maior o prazo do investimento, menor será a alíquota de imposto. O IR é cobrado também na venda antecipada dos títulos e sobre os cupons de juros semestrais, no caso dos papéis que possuem essa opção. Vale lembrar que, caso você invista e retire os recursos aplicados em menos de 30 dias, pagará IOF.


Tabela regressiva do Imposto de Renda:

Prazo da aplicação

Alíquota de Imposto de Renda

Até 180 dias

22,5%

De 181 até 360 dias

20%

De 361 até 720 dias

17,5%

Acima de 720 dias

15%


Quais as vantagens e desvantagens de investir em títulos públicos?


As principais vantagens dos títulos públicos são segurança, liquidez, baixo custo e facilidade de acesso. Com aplicação mínima de R$ 30, é possível investir em um dos instrumentos financeiros mais seguros e sem precisar de muito esforço. Pelo site da corretora ou do banco, você compra os títulos mais adequados aos seus objetivos.


A volatilidade do mercado pode ser considerada uma desvantagem de aplicar em alguns tipos de títulos públicos, como o Tesouro Prefixado. Mesmo com a liquidez diária, ao vender um título antes do prazo do vencimento, o investidor corre o risco de ter uma rentabilidade menor do que a contratada na hora da aplicação. Embora possa ser uma qualidade, a diversidade de papéis disponíveis para investir pode tornar-se uma desvantagem ao confundir o investidor com tantas opções.


Como começar a investir em títulos públicos?


O primeiro passo é fazer um cadastro na instituição financeira por onde você vai investir (banco ou corretora). Para isso, você deve entregar a documentação necessária (como cópia de RG, CPF e comprovante de residência) para abrir uma conta que o permitirá investir por meio da plataforma do Tesouro Direto. Após o cadastro, você receberá uma senha da BM&FBovespa para acessar a área restrita do Tesouro Direto, local onde dá para comprar e vender títulos, além de consultar seu saldo e extrato de transações. Recebida a confirmação de “investidor habilitado”, o próximo passo é entrar no sistema do banco ou da corretora com os dados de usuário e senha cadastrados. É nesse ambiente que você vai fazer suas aplicações em títulos públicos.


Dicas adicionais

  • Investir por meio de corretora pode sair mais barato. Embora os preços dos títulos sejam iguais ao aplicar por qualquer instituição financeira, as corretoras independentes (não ligadas a grandes bancos) costumam cobrar as menores taxas de administração para operações do Tesouro Direto. Se em grandes bancos, a taxa chega a 0,50% ao ano, em algumas corretoras, não há cobrança de taxa para a oferta do mesmo tipo de investimento.
  • Disponível no site do Tesouro Direto, a ferramenta Orientador Financeiro pode servir como pontapé inicial para você escolher os títulos mais apropriados ao seu perfil. Mas se você não tem tempo para investir por conta própria, vale a pena conhecer o chamado serviço de investimento automatizado.

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