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Quer investir no Tesouro Selic? Veja tudo o que você precisa saber!

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O Tesouro Selic é um dos títulos mais recomendados na plataforma do Tesouro Direto. Isso porque é uma boa opção tanto para quem quer começar a investir quanto para formar uma reserva de emergência.

Muitas pessoas, no entanto, podem questionar se ainda vale a pena colocar dinheiro nessa aplicação. Isso porque a taxa Selic está na mínima histórica — o valor de 2% ao ano. A queda recente e intensa da taxa básica da economia, incentivada pela crise gerada pelo coronavírus, faz com que essa alternativa renda bem menos.

Neste post, vamos entender melhor qual é a finalidade, como funciona, como investir no Tesouro Selic e se ainda compensa aplicar no título. Continue lendo e conheça mais sobre essa aplicação!

O que é o Tesouro Selic?

O Tesouro Selic é uma das aplicações mais seguras do mercado. Trata-se de um título público, ou seja, ao emitir o título, o governo arrecada recursos para pagar a dívida pública.

Ele também pode utilizar o valor para fomentar investimentos em setores como educação, infraestrutura, saúde etc. A ideia é utilizar o recurso em áreas que sejam importantes ao desenvolvimento do país.

Além disso, o Tesouro Selic é um investimento de renda fixa. Logo, é uma aplicação na qual a taxa de rendimento pode ser prevista. A rentabilidade costuma ser definida no momento da contratação ou calculada por meio de uma regra.

Isso proporciona a quem investe a segurança de que vai receber exatamente o previsto. Antes da mudança de nomes dos títulos públicos, feita em 2015, o Tesouro Selic era conhecido como Letra Financeira do Tesouro (LFT).

Os outros títulos disponíveis no Tesouro Direto são: 

  • prefixado com ou sem juros semestrais (oferece uma taxa de rendimento fixa no momento da contratação);
  • Tesouro IPCA+ com ou sem juros semestrais (oferece proteção contra a inflação).

Como funciona o Tesouro Selic?

A rentabilidade do Tesouro Selic acompanha a taxa Selic. Então, se a ela aumentar, a taxa paga pelo título público sobe. Agora, se a taxa de juros cair, os rendimentos também diminuem. A Selic é definida a cada 45 dias por um comitê de diretores do Banco Central do Brasil, o Copom.

Por conta dessa característica, o Tesouro Selic é uma aplicação que rende mais que a poupança. Pela regra atual da caderneta, que vale quando a Selic está abaixo de 8,5%, a aplicação rende 70% da taxa. Por sua vez, o Tesouro Selic rende 100% da taxa básica de juros.

Ele também é um investimento mais seguro do que a caderneta. O título é garantido pelo Tesouro Nacional. Já a poupança tem a segurança do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC — o mesmo órgão que assegura títulos privados, como CDBs, LCIs e LCAs. Além de ser um órgão privado, o FGC tem limite para garantia, equivalente a R$ 250 mil por CPF e instituição financeira.

O dinheiro aplicado no Tesouro Selic rende diariamente. Esse também é um grande diferencial em relação à poupança, que rende a cada 30 dias. Na caderneta, resgates fora da data de aniversário só acumulam juros até a data de aniversário anterior. Portanto, quem investe pode perder uma parte do rendimento dependendo do dia em que realiza o resgate dos valores.

Por conta disso, além de seguro, o Tesouro Selic tem alta liquidez, pois pode ser resgatado a qualquer momento, sem prejuízos. Isso torna o título diferente de outras modalidades de títulos públicos. Nelas, caso os títulos não sejam levados até o vencimento, quem investe perde em relação ao momento do resgate.

Os valores resgatados de todos os títulos vendidos na plataforma Tesouro Direto caem na conta da corretora em um dia útil após o pedido. Por todas essas características, o Tesouro Selic é a opção mais escolhida por quem deseja investir o dinheiro no curto prazo. Também é útil para formar uma reserva de emergência, mesmo com a Selic na mínima histórica.

Quais são os custos para investir no Tesouro Selic?

Até pouco tempo atrás existia um custo ao investir no Tesouro Selic tanto para quem aplicava poucos recursos como no caso de volumes maiores. Trata-se da taxa de custódia, tarifa que a bolsa de valores cobra de quem investe para registrar e guardar os títulos do Tesouro em seu nome.

Mas, a partir de agosto de 2020, a taxa de custódia de quem tem até R$ 10 mil investidos no Tesouro Selic foi zerada. É uma medida que beneficia pequenas aplicações — a maioria na aplicação.

A taxa cobrada para qualquer valor investido era equivalente a 0,25% ao ano e incidia sobre o valor total aplicado, mais o lucro do investimento. Assim, era cobrada ainda que não houvesse nenhum resgate no período. Agora, a taxa de custódia passa a ser cobrada apenas sobre os valores que excederem o estoque de R$ 10 mil por CPF.

No caso de alguém que tenha R$ 11 mil aplicados no Tesouro Selic o custo da taxa recai sobre R$ 1 mil, por exemplo. A taxa será cobrada apenas sobre o valor que fica acima do limite de isenção. Daí a pessoa pagará aproximadamente R$ 2,50 ao ano.

Se quem aplica, por outro lado, tem R$ 5 mil investidos no título, fica isento da cobrança da taxa. Afinal, o estoque do seu investimento está abaixo do limite da nova regra.

A mudança aconteceu porque a queda acelerada da Selic causou uma distorção no mercado e a taxa passou a pesar sobre o investimento. Tanto que valia mais a pena investir em fundos que aplicavam no Tesouro Selic com taxa zero de administração (chamados DI Simples) que no Tesouro Direto.

Contudo, ainda há no investimento a cobrança de Imposto de Renda, que segue a tabela regressiva. A alíquota máxima é de 22,5% para aplicações com menos de 180 dias. A mínima é equivalente a 15% para aplicações de mais de 720 dias. Quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, menor será o imposto cobrado.

Se quem investe no Tesouro Selic mantém o valor aplicado por menos de 30 dias é cobrado também o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A alíquota do imposto é regressiva, isto é, diminui de acordo com os dias nos quais o dinheiro ficou aplicado, chegando a zero no dia 30.

Além disso, a instituição financeira com a qual você faz as operações pode cobrar uma taxa para aplicar no título. Na maioria dos casos, porém, é possível investir no Tesouro Direto com taxa zero.

Vale a pena investir no Tesouro Selic em 2020?

Existem diferentes motivos que justificam o investimento no Tesouro Selic:

  • facilidade para aplicar: basta ter uma conta em uma corretora ou cadastro na plataforma de compra e venda dos títulos, o Tesouro Direto, para começar a investir;
  • risco mínimo: trata-se de um dos investimentos mais seguros do mercado;
  • alta liquidez: é possível resgatar o título a qualquer momento, sem prejuízo.

Por conta dessas características a aplicação é altamente recomendada a quem está investindo pela primeira vez ou quer formar uma reserva de emergência. Mas, com a Selic a 2% ao ano, ainda vale a pena aplicar no título?

Se o objetivo for guardar dinheiro para reserva de emergência, a resposta é sim. Isso porque a segurança oferecida pelo título, além da possibilidade de resgate a qualquer momento, torna-o a melhor opção diante de gastos imprevistos.

Naturalmente, é difícil saber quando os recursos de uma reserva de emergência serão utilizados. Portanto, o título atende bem a essa necessidade. Agora, se a pessoa deseja investir em uma aplicação segura por um prazo curto (menor do que um ano) o Tesouro Selic também é indicado.

No caso de objetivos de médio e longo prazo, a Selic menor exige maior diversificação da carteira de investimentos, mesmo para quem é mais conservador. Nesse contexto, outro título do Tesouro, o IPCA+, é o mais recomendável. Afinal, ele mantém o poder de compra de quem investe ao longo do tempo, com segurança.

Já títulos prefixados são indicados a quem não quer ter nenhuma oscilação do rendimento, pois a taxa é fixada no momento da contratação. Ou seja, esse título não depende nem do movimento da Selic nem da inflação.

Se a Selic ou a inflação aumentam, porém, quem investe tem prejuízos. Isso porque a pessoa poderia aplicar em algo mais rentável, mas terá de carregar o título até o vencimento.

Títulos com cupons semestrais são indicados para quem deseja ter renda adicional semestral. A cada seis meses, quem investiu recebe adiantado os juros da aplicação no período. No vencimento, o valor principal é pago junto ao último cupom. Os pagamentos acontecem nos meses de janeiro e julho.

Portanto, nesse caso é necessário ficar atento a um dos grandes erros cometidos por quem investe: colocar todos os ovos em uma mesma cesta. Que tal buscar alternativas com risco semelhante, mas mais rentáveis?

A porção de risco vai depender da sua experiência com investimento, do tempo que deseja manter a aplicação e da capacidade financeira, entre outros fatores.

No cenário atual, os investimentos conservadores passam a render menos. Por isso, quem investe precisa, mais do que nunca, conhecer o seu perfil de risco e escolher aplicações adequadas aos seus objetivos.

Qual será o rendimento do Tesouro Selic?

O Tesouro Selic com vencimento em 2025 rende atualmente a Selic mais uma taxa prefixada de 0,0344%.

taxa selic histórica

Imagine que o título seja adquirido em agosto de 2020 e levado até o vencimento, o dia 1º de março de 2025. O resultado bruto de uma aplicação de R$ 1 mil será de R$ 1.231,93. Nesta conta, foi considerada uma expectativa de 2,93% para a inflação medida pelo IPCA e de 4,38% para a Selic.

Antes de verificarmos o rendimento líquido do título no mesmo período, precisamos nos lembrar dos custos envolvidos. Agora o investimento no Tesouro Selic abaixo de R$ 10 mil não está sujeito à cobrança da taxa de custódia. Porém, ainda incide sobre o investimento o Imposto de Renda.

Veja abaixo a simulação do rendimento líquido proporcionado pelo título.

Aplicação no Tesouro Selic 2025

Valor: R$ 1 mil

Rendimento bruto acumulado até março de 2025: R$ 1.231,93

Taxa de custódia: zero (investimentos menores do que R$ 10 mil)

IR: R$ 34,79

Valor final: R$ 1.197,14

(Fonte: Tesouro Direto)

Qual será o rendimento da poupança?

A caderneta rendeu 0,13% em julho de 2020 e 1,01% no acumulado deste ano. Isso sem contar a inflação.

Vamos seguir as regras da nova poupança, aberta depois de 3 de maio de 2012. O rendimento da caderneta é de 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR), que hoje está zerada. Essa regra de cálculo da poupança é acionada quando a Selic fica abaixo de 8,5% ao ano.

Veja quanto a poupança vai render atualmente se a aplicação for resgatada em março de 2025, no vencimento do Tesouro Selic. Nessa conta, assim como na simulação anterior, foi considerada uma expectativa de 2,93% para a inflação medida pelo IPCA e de 4,38% para a Selic.

Aplicação na poupança

Valor: R$ 1 mil

Rendimento bruto acumulado até março de 2025: R$ 1.159,81

IR: zero

Taxa de custódia: zero

Valor final: R$ 1.159,81

(Fonte: Tesouro Direto)

Por meio das duas simulações é possível ver que o Tesouro Selic, além de mais seguro, é atualmente mais rentável que a poupança.

A grande vantagem da caderneta é não ter de pagar Imposto de Renda na hora de sacar o valor. Entretanto, essa característica não é suficiente para torná-la mais rentável no caso de investimentos de menos de R$ 10 mil no Tesouro Selic.

Quais são os passos para investir no Tesouro Selic?

Neste post mostramos que vale a pena sair da poupança e aplicar dinheiro no Tesouro Selic. Além disso, o título é o mais indicado a objetivos de curto prazo, além de ser o favorito para montar uma reserva de emergência.

Mas como é possível aplicar dinheiro no título? O processo é muito simples. Qualquer pessoa pode investir no Tesouro Selic, basta ter uma conta em uma corretora.

Apesar do valor mínimo de R$ 30 para investir em outros títulos da plataforma do Tesouro Direto, a base de aplicação no Tesouro Selic é maior. É necessário ter pelo menos R$ 106,98 para aplicar no título.

Ficou interessado? Veja agora todas as etapas ao investir no título público!

Cadastre-se em uma corretora

Tem conta no seu banco há anos e está pensando em falar com seu gerente sobre como aplicar o dinheiro no título? Hoje a maioria das instituições financeiras não cobram taxas para investimento no Tesouro Direto, mas não custa checar se é o caso do seu banco.

O ideal é abrir uma conta em uma corretora que não cobra taxas para realizar a operação. O cadastro é simples, gratuito e online: bastam alguns dados pessoais, como CPF e data nascimento, além de login e senha para concluir o processo.

Transfira o dinheiro para sua conta

Feito o cadastro, é hora de transferir o valor que pretende aplicar no título para sua conta na corretora. Esse processo pode ser feito por meio de uma TED com mesma titularidade de sua conta-corrente à conta da corretora.

Compre o título

Ao acessar a plataforma da sua corretora ou banco, você verá um ícone ou uma lista de títulos públicos. É só procurar pelo Tesouro Selic.

Atualmente o único título indexado à Selic disponível na plataforma do Tesouro Direto é o Tesouro Selic 2025. Ele vence em março de 2025.

No vencimento, o dinheiro aplicado será automaticamente devolvido a quem investiu na conta da corretora, já com a soma dos rendimentos e desconto do IR. Mas não se preocupe — você pode fazer o resgate antecipado, se for necessário.

Em seguida, será mostrada a rentabilidade predefinida (nesse caso, a taxa Selic) e o preço unitário da cota cheia do seu título. O investimento mínimo é uma fração dessa cota. Depois disso, é só confirmar sua aplicação e pronto!

Percebeu como o Tesouro Selic é útil para começar a investir e formar uma reserva de emergência? Aproveite essa oportunidade e comece a construir seu patrimônio agora mesmo!

Malena Oliveira

Especialista em Finanças Pessoais e membro do Grupo Consultivo de Educação Financeira da Anbima.

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