Conheça os tipos de ações que você vai encontrar na Bolsa de Valores

por Mariana Congo | 20/03/2019

Conheça os tipos de ações que você vai encontrar na Bolsa de Valores

Histórias como a de Luiz Barsi (ex-engraxate que se tornou dono de uma das maiores fortunas do país, apenas investindo na Bolsa de Valores) ou de Luiz Alves Paes de Barros (cujo extenso patrimônio também se originou no mercado de ações) mostram que é possível aplicar na Bolsa e alcançar a tão sonhada estabilidade financeira. Mas é preciso conhecimento.

Vamos entender hoje o que é ação, quais os tipos de ações que você vai encontrar nesse mercado e como fazer as melhores escolhas!

O que é ação?

Ações são cotas ("pedaços") de uma empresa. Quando uma organização é aberta, seu patrimônio é dividido em milhões de frações (o capital social da Petrobras, por exemplo, é composto por mais de 8 milhões de ações).

É fixado um valor para cada um desses "pedaços", e seus compradores (acionistas) serão sócios da empresa na proporção de suas ações. Essas cotas são chamadas de “papéis” porque, antigamente, as ações eram títulos impressos em papel (ainda há alguns perdidos por aí!).

Isso quer dizer que se um investidor comprar a maioria dos papéis de uma empresa, será o dono dela, certo? Errado. Vamos ver isso melhor.

Tipos de ações: ordinárias (ON) e preferenciais (PN)

Na maior parte dos mercados, cada empresa possui um único tipo de ação. No Brasil, o cenário também era assim no início das negociações na Bolsa.

Entretanto, no início do século XX ainda havia poucas empresas listadas, pouco capital investido e muita desconfiança por parte dos empresários (que tinham receio que um estranho comprasse a maioria de suas ações e seus gestores perdessem o controle da empresa). No intuito de atrair mais empresas e investidores para a Bolsa, criou-se um outro tipo de ação, que não dava direito a voto.

Ações preferenciais e ordinárias: conceito e diferenças

Dessa forma, as empresas passaram a ter dois tipos de papéis. O primeiro deles não dava direito a voto, mas, como contrapartida, garantia preferência na distribuição do lucro, ou seja, seus dividendos (ações preferenciais/PN). O outro tipo dava direito a voto nas assembleias, mas deixava seus acionistas em segundo plano na distribuição dos dividendos (ações ordinárias/ON). O tempo passou e essas parcelas de ações permanecem até hoje sendo negociadas no pregão.

É por meio das ações ordinárias que um investidor pode controlar as decisões da empresa (e ser efetivamente seu gestor), caso alcance pelo menos 50,01% de suas ações (sócio majoritário). Isso explica por que esse tipo de ação é tão cobiçado.

Falar em “dono” sugere a ideia de responsabilização, e você já deve estar preocupado com isso. Mas pode ficar tranquilo, pois apesar de ser acionista e de ter direito a voto, o investidor não é responsabilizado em caso de endividamento da empresa. Isso acontece em empresas de capital fechado, mas não em empresas listadas na bolsa (capital aberto).

Ações ON ou PN?

Escolher entre ações ON ou PN depende da estratégia de cada investidor. Algumas observações a serem feitas a respeito:

Dividendos

O artigo 17 da Lei Federal nº 6404/76 determina que pelo menos 25% do lucro líquido do exercício seja distribuído aos acionistas por intermédio de dividendos, algo que torna as ações PN bastante interessantes.

Liquidez

Outra questão é que as ações preferenciais costumam ter maior liquidez (ou seja, são mais negociadas na Bolsa) e, com isso, você pode vendê-las em poucos minutos se quiser, a qualquer momento do pregão.

Novo Mercado

Caso a empresa esteja listada no Novo Mercado, ela só lançará aos investidores ações ON.

Tag Along

Apesar das vantagens acima, as ações PN não contemplam o chamado tag along.

Trata-se de um mecanismo de proteção aos acionistas minoritários no caso de mudança no controle da companhia. Nele, os controladores são obrigados a assegurar aos acionistas o preço mínimo de 80% do valor pago por ação ou lote de ações em caso de venda da empresa.

É esse dispositivo que explica por que as ações ON se valorizam tanto quando há mudança de controle acionário.

Ações de códigos 5 e 6

As ações são referenciadas com 4 letras e um número, sendo que os papéis ordinários recebem o número 3 e os preferenciais, 4 (PETR3, PETR4, CIEL3, ABEV3). Mas há ainda outras distinções.

Além dos dois tipos de ações já citados, as empresas podem também personalizar outras classes segundo critérios próprios (distribuição de dividendos, restrição quanto à posse de ações, dimensão do poder de voto etc.).

Assim, o código 5 é utilizado pelas ações preferenciais da classe A, quando existirem. Já o código 6, para as ações preferenciais da classe B. Exemplo: VALE5 (Vale PNA), USIM5 (Usiminas PNA), ELET6 (Eletrobras PNB).

Ações de código 11

As ações de código 11 representam títulos particulares, como os seguintes:

BDRs (Brazilian Depositary Receipts)

São os certificados de depósitos de ações estrangeiras (ou seja, são títulos atrelados aos papéis dessas companhias no exterior). Destinados a pessoas físicas e jurídicas com investimentos acima de R$ 1 milhão, essa é a forma de negociar no Brasil papéis de empresas como Google (ex.: GOOG11, AGEN11 e APPL11).

Fundos de índice

Em vez de investir em uma ação da Bolsa, você pode investir em um índice que represente a performance global das empresas listadas nela (exemplo: BOVA11, fundo que busca seguir o Índice Bovespa — Ibovespa).

Fundos imobiliários

Esses fundos também possuem o código 11. Exemplo: ABCP11 (Grand Plaza Shopping) e CEOC11B (Cyrela Commercial Properties).

As extintas classes 1 e 2

Até 1990 existiam ainda as ações ao portador (podiam ser negociadas fora do pregão) e as ações nominativas (o nome do detentor consta na ação). A partir dessa data, todas as ações passaram a ser nominativas, provendo mais segurança e transparência aos investidores.

Mercado acionário brasileiro caminhando para a unificação de ações

Atualmente, a divisão de ações entre preferenciais e ordinárias (ou entre classes) perdeu o sentido, além de não ser bem-vista pelo mercado por sugerir falta de transparência e aumento das diferenças entre acionistas minoritários e majoritários.

Exatamente por isso, existe um esforço da Bolsa de Valores para incentivar a unificação das ações das empresas, estimulando boas práticas em Gestão Corporativa (que passa pela extinção das diferenças entre ações). Com isso, novos lançamentos têm sido feitos por meio de ações ordinárias e têm sido frequentes os anúncios de programas de conversão de papéis preferenciais em ordinários.

Cada empresa e cada um dos tipos de ações envolvem uma estratégia específica, uma vez que o mercado acionário é altamente volátil (o que norteia o preço das ações é a oferta e a demanda do momento, ou seja, se há muita gente querendo comprar, o preço sobe, e se há muita gente querendo vender, o preço cai).

Importância de contar com uma assessoria de investimentos

Essa diversidade de opções impõe a necessidade de descobrir seu perfil de investidor com auxílio de uma assessoria de investimento com expertise no mercado. Muitas delas utilizam, inclusive, sistemas baseados em Big data Analytics que, por meio de algoritmos matemáticos, mapeiam o perfil do investidor — ponto de partida para o início de um processo de planejamento de investimento e monitoramento constante de suas aplicações. A volatilidade do mercado acionário exige o apoio de uma consultoria especializada, a fim de potencializar seus ganhos e diminuir as chances de perdas.

Conhecidos os tipos de ações, descubra agora como investir na Bolsa de Valores para o longo prazo!

Luciano

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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