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Conheça os tipos de ações que você vai encontrar na Bolsa de Valores

Quem quer aplicar o dinheiro em ações encontra hoje na B3 uma ampla mistura de letras e números que identificam os papéis. São os chamados tickers, a exemplo de MGLU3, AMZO34, GSFI11 e IVVB11. Em alguns casos, uma empresa pode ter até três tipos de papéis diferentes. É o caso da Vale, que negocia os papéis VALE3, VALE4 e VALE5. Não tem ideia do que significam e qual é a diferença entre os tipos de ação existentes na bolsa? Então, este post é para você!

Com a taxa de juros na mínima histórica (2% ao ano), o investimento em ações nunca foi tão popular no Brasil. A história de milionários que fizeram dinheiro na bolsa de valores mostra que é possível investir em ações e alcançar a estabilidade financeira. Entre os exemplos estão Luiz Barsi e Luiz Alves Paes de Barros.

Contudo, para reduzir a possibilidade de perdas, é preciso ter conhecimento sobre o mercado de capitais. Entenda abaixo o que é uma ação, quais são os tipos de ação que você vai encontrar na bolsa e como fazer as melhores escolhas!

O que é uma ação?

Ações são cotas (“pedaços”) de uma empresa. Quando uma organização tem capital aberto, seu patrimônio é dividido em milhões de frações. O capital social da Petrobras, por exemplo, é composto por mais de 13 milhões de ações.

É fixado um valor para cada um desses pedaços, e seus compradores (acionistas) serão sócios da empresa na proporção de suas ações.

Essas cotas são chamadas de papéis porque, antigamente, as ações eram títulos impressos em papel. Atualmente, todo o processo de compra e venda é feito de forma online, e a ação é um título digital.

Uma empresa emite ações no mercado com o objetivo de expandir o negócio ou reforçar a operação.

Quais são os tipos de ação?

Na maior parte dos casos, cada empresa tem um único tipo de ação. No Brasil, o cenário também era assim no início das negociações na bolsa.

Entretanto, no início do século 20 ainda havia poucas empresas listadas, pouco capital investido e muita desconfiança por parte dos empresários. Estes tinham receio de que um estranho comprasse a maioria de suas ações e seus gestores perdessem o controle da empresa.

No intuito de atrair mais empresas e aplicadores, a bolsa criou um outro tipo de ação, que não dava direito a voto. Desde então, as empresas passaram a ter dois tipos de papéis: as ações preferenciais (PN) e as ações ordinárias (ON).

Quais são as diferenças entre ações preferenciais e ordinárias?

As ações preferenciais (PN) não dão direito a voto, mas, como contrapartida, garantem a preferência na distribuição do lucro, ou seja, seus dividendos.

Já as ações ordinárias (ON) dão direito a voto nas assembleias, mas deixam seus acionistas em segundo plano na distribuição dos dividendos.

Ou seja, ambas as ações distribuem proventos e têm valores similares caso pertençam à mesma empresa. A diferença principal é em relação à prioridade do recebimento.

É por meio das ações ordinárias que quem investe pode controlar as decisões da empresa caso obtenha pelo menos 50,01% de suas ações (sócio majoritário). Isso explica por que esse tipo de ação é tão cobiçado.

A ideia de que quem investe em uma ação ordinária se torna um pouco dono da empresa pode preocupar o iniciante na bolsa. Isso porque deter os papéis passa a impressão de que haverá responsabilidade sobre a gestão da empresa.

Entretanto, apesar de ser acionista e ter direito a voto, quem investe não é responsabilizado caso a empresa não cumpra com suas obrigações, por exemplo. Isso acontece em negócios de capital fechado, mas não em empresas listadas na bolsa, ou seja, de capital aberto.

Você provavelmente terá pouca interferência na empresa como acionista minoritário (que detém uma parte pequena do total do capital social da empresa). O mais importante é que terá garantido o direito de receber uma parte dos lucros da empresa, que será proporcional ao número de papéis adquiridos.

O que significa comprar ações em IPO?

Uma ação é tradicionalmente negociada no mercado secundário. Ou seja, pode ser adquirida de outros aplicadores, que a disponibilizam para a compra. Mas há também uma outra forma de comprar um papel: no mercado primário, por meio de uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês).

A aquisição de ações em um IPO significa ter prioridade para ajudar a formar o preço da nova ação.O IPO é restrito a poucos aplicadores, que podem se beneficiar de uma rentabilidade adicional. Isso porque o preço do papel oscila até que a negociação seja aberta a todos os aplicadores.

Para participar de um IPO, é preciso primeiro abrir uma conta em uma corretora ou um banco que esteja participando da oferta. Depois, a compra deve ser reservada pelo home broker antes da realização do IPO.

É necessário dizer quanto se deseja aplicar e o preço máximo que se aceita pagar pelo papel. Ao menos um porcentual da operação tem de ser garantido com um sinal em dinheiro ou outros ativos.

Caso a demanda seja maior do que a esperada, as ações são divididas. Se o preço máximo que quem investe deseja pagar for ultrapassado, ele é descartado do IPO.

Como escolher entre ações ordinárias e preferenciais?

Escolher entre ações ordinárias ou preferenciais depende da estratégia de quem investe. Veja abaixo alguns pontos que devem ser considerados na decisão.

Dividendos

O artigo 17 da Lei 6.404/76 determina que pelo menos 25% do lucro líquido do exercício seja distribuído a acionistas que tenham ações preferenciais. Essa característica pode tornar esse tipo de ação uma alternativa atraente.

Liquidez

As ações preferenciais costumam ser mais negociadas na bolsa do que as ações ordinárias. Ou seja, quem investe pode vendê-las mais rapidamente do que venderia ações ordinárias, a qualquer momento do pregão.

Novo Mercado

Caso a empresa esteja listada no Novo Mercado, ela só pode disponibilizar aos acionistas ações ordinárias. Neste segmento de mercado da bolsa são incluídas companhias que têm um padrão de governança superior no mercado.

Ou seja, são empresas mais transparentes, que têm meios de fiscalização mais rigorosos e que dão mais direitos aos acionistas. Esses são fatores que tendem a valorizar o papel.

Tag along

As ações preferenciais não incluem o tag along, mecanismo de proteção aos acionistas minoritários no caso de mudança no controle da companhia. Nele, os controladores são obrigados a assegurar aos acionistas o preço mínimo de 80% do valor pago por ação em caso de venda da empresa.

É esse dispositivo que explica por que as ações ordinárias se valorizam tanto quando há mudança do controle acionário de uma empresa.

Quais são as classes de ações?

As ações são identificadas com 4 letras e um número. Os papéis ordinários recebem o número 3. Entre os exemplos podemos citar as ações da Cielo (CIEL3) e as da Ambev (ABEV3). Já os preferenciais são classificados com o número 4. É o caso das ações do Bradesco (BBDC4) e do Itaú (ITUB4).

Uma empresa pode emitir apenas papéis ordinários ou listar papéis ordinários e preferenciais. É o caso da Petrobras, que tem papéis listados como PETR3 e PETR4.

Mas além do número 3 e 4 há ainda outros tipos de distinções entre as ações da Bolsa. As empresas podem também classificar os papéis segundo critérios como distribuição de dividendos, restrição quanto à posse de ações, dimensão do poder de voto etc.

As classes de ações também podem depender do porte da empresa no mercado de capitais. Saiba mais sobre as diferentes classes de ações a seguir.

Ações nominativas

Atualmente, o investimento em ações pode ser considerado seguro: todos os papéis são vinculados ao nome e CPF de quem investe. Esse registro é incluído na B3 e no livro de registro de ações da companhia.

Mas nem sempre foi assim. Até 1990 poderiam existir ações que não eram nominativas no mercado.

Small caps

O segmento de small caps categoriza papéis de empresas com baixa capitalização e, consequentemente, menor liquidez. Contudo, as small caps tendem a ter maior potencial de crescimento do que as mid caps e large caps. São exemplos de small caps papéis como Lojas Marisa, Camil e Marcopolo.

Mid caps

Já o segmento de mid caps inclui companhias com médio a alto valor de mercado. Ou seja, sua liquidez é maior que a das small caps. Entre as mid caps estão empresas como Carrefour, Suzano e Itaúsa.

Blue chips

O nome blue chips define as ações mais negociadas da bolsa. Essas ações com maior demanda geralmente são de empresas de grande porte, conhecidas por um público amplo e com um histórico de bons resultados financeiros.

Ações com código 5 e 6

O código 5 é utilizado para classificar ações preferenciais da classe A (PNA), quando existirem. Esse código descreve papéis que têm recebimento prioritário de dividendos no valor de 10% ao ano. Esse porcentual é calculado sobre a parcela desse tipo de ação no capital social da empresa. Exemplos de companhias que emitem papéis com código 5 são a Vale (VALE5) e a Usiminas (USIM5).

Já o código 6 descreve as ações preferenciais da classe B (PNB). Esses papéis têm prioridade no reembolso do capital, sem prêmio, caso a companhia seja liquidada. Também distribuem um valor preestabelecido de dividendo que deve ser 10% maior que o de qualquer ação ordinária. Um exemplo de companhia que emite ações do tipo é a Eletrobras (ELET6).

Ações com código 11

Ativos listados na B3 com o código 11 podem representar quatro títulos particulares: BDRs, units, fundos de índice e fundos imobiliários. Conheça mais sobre cada um deles.

BDRs

Os certificados de depósitos de ações (Brazilian Depositary Receipts, na sigla em inglês) são títulos atrelados a papéis de companhias no exterior. Os BDRs são listados na bolsa e negociados em reais e podem ou não ter o aval da empresa emissora.

São a forma de negociar no Brasil papéis de empresas como Google e Apple (GOOG34 e AAPL34, respectivamente). Recentemente, a comercialização de BDRs do tipo não patrocinado passou a ser permitida para pequenos aplicadores.

Units

As units também são descritas com o número 11 e definem um pacote acionário que é composto por ações preferenciais e ordinárias. Esse tipo de ação atrai quem deseja ter um pouco das duas estratégias. A proporção de ambos os tipos vai variar conforme a empresa. Exemplos de companhias listadas que oferecem units são o Banco Inter e a AES Tietê.

Fundos de índice

Em vez de investir em uma ação da bolsa, você pode investir em um fundo de índice (ETF). Essa aplicação representa a performance global das empresas listadas em um determinado indicador. Por exemplo, o BOVA11 é um fundo que busca seguir o Ibovespa.

Fundos imobiliários

Os fundos imobiliários (FIIs) aplicam 75% do patrimônio em imóveis físicos para locação ou títulos relacionados ao segmento, como CRIs e LCIs. Essa aplicação distribui proventos regularmente.

Apesar de não ser uma ação ou aplicar seu portfólio em papéis, esse tipo de fundo é negociado na bolsa. Por isso, recebe o código 11. Entre os exemplos de FIIs estão o Grand Plaza Shopping (ABCP11) e Cyrela Commercial Properties (CEOC11B).

O mercado acionário brasileiro tende à unificação das ações?

Atualmente, a divisão de ações entre preferenciais e ordinárias perdeu o sentido. Essa diferença não costuma ser bem-vista por quem investe, pois sugere falta de transparência e distinção entre acionistas minoritários e majoritários.

Por conta disso existe um esforço da bolsa para incentivar a unificação das ações das empresas, estimulando boas práticas de gestão e extinção dessas diferenças.

Como resultado, novas emissões de papéis têm sido feitas por meio de ações ordinárias. São também frequentes os anúncios de programas de conversão de papéis preferenciais em ordinários. Foi o caso da Vale, que converteu suas ações preferenciais para ordinárias em 2017, e da Via Varejo, que realizou o mesmo processo em 2018.

Como comprar ações na bolsa?

Quem quiser comprar ações precisa abrir conta em uma corretora. O processo é todo online: basta informar alguns dados pessoais e enviar foto de documentos como CPF e RG. Depois, é só transferir dinheiro de uma conta bancária para essa nova conta, via TED, e começar a aplicar.

A compra de ações é feita pelo home broker da instituição financeira. Para comprar um papel, basta digitar o ticker da ação correspondente e optar pelo lote-padrão. Pode-se também adicionar a letra F ao final do ticker para comprar no mercado fracionário. Pronto: agora é só enviar a ordem de compra.

A maioria das corretoras cobra uma taxa de corretagem por cada compra e venda de ação. Além disso, atualmente a B3 cobra 0,030% de taxa de custódia por operação realizada.

Em caso de venda das ações, incide Imposto de Renda sobre o lucro obtido com os papéis. Porém, a operação é isenta caso as vendas não ultrapassem R$ 20 mil no mês.

Qual é a importância de contar com uma assessoria de investimentos?

Antes de optar por um dos tipos de ação negociados na bolsa, é necessário descobrir qual é o seu perfil de risco. Para isso, você pode contar com o auxílio de uma assessoria de investimento.

Atualmente, as assessorias podem mapear o apetite por risco de quem investe por meio de sistemas baseados em algoritmos matemáticos.

Esse modelo é o ponto de partida para o início de um processo de planejamento do investimento e monitoramento constante das aplicações. Agora que você conhece os tipos de ação disponíveis no mercado financeiro, descubra como investir na bolsa para o longo prazo.

Mariana Congo

Mari Congo tem paixão por explicar coisas difíceis de forma fácil. É jornalista, educadora financeira, especialista em finanças pessoais e investimentos e gerente de comunicação na Magnetis.

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