Saiba tudo sobre títulos do Tesouro Direto

por Mariana Congo

Você conhece os novos títulos do Tesouro Direto? Na verdade, eles não mudaram de características, apenas de nome. A alteração foi feita em março de 2015 para resumir os principais atributos desses papéis: tipo de rentabilidade, data de vencimento e fluxo de remuneração.

Porém, ainda hoje é possível encontrar a nomenclatura antiga em alguns locais. É por isso que, neste post, vamos mostrar qual é o nome correto de cada título. Mas antes, vamos recapitular as principais dúvidas sobre o Tesouro Direto.

O que é e como funciona o Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é o programa de investimentos que negocia títulos públicos. A pessoa que compra os papéis recebe juros de acordo com um indexador, que costuma ser o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou a taxa básica de juros da economia, a Selic.

O que são esses títulos? São papéis emitidos pelo governo para financiar atividades, investimentos e projetos nas áreas de saúde, infraestrutura, educação e outras. Assim, quando você adquire esses ativos, é como se emprestasse dinheiro à União.

O rendimento é prefixado ou pós-fixado, a depender do título adquirido. Esse é o primeiro aspecto que evidencia a importância da troca de nomenclatura dos títulos públicos. Antes, eles eram denominados:

  • Letra Financeira do Tesouro (LFT);
  • Letra do Tesouro Nacional (LTN);
  • Nota do Tesouro Nacional série F (NTN-F);
  • Nota do Tesouro Nacional série B (NTN-B);
  • Nota do Tesouro Nacional Principal (NTN-B Principal).

Lendo essas nomenclaturas fica difícil saber a que título elas se referem, certo? Como o Tesouro Direto é acessível para qualquer pessoa — o investimento mínimo é R$ 30 —, é complicado entender as características de cada alternativa. Por isso, os nomes mudaram, respectivamente, para:

  • Tesouro Selic;
  • Tesouro Prefixado;
  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais;
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais;
  • Tesouro IPCA+.

Ficou mais claro entender, certo? Por essas denominações, dá para ter uma ideia de como é o funcionamento do Tesouro Direto. Por exemplo:

  • o rendimento é prefixado ou de acordo com Selic e IPCA;
  • os papéis podem render juros semestrais ou oferecer toda a remuneração na data de vencimento.

Além disso, o nome do título traz o ano de expiração. Por isso, o ativo fica denominado, por exemplo: Tesouro Prefixado 2025 com Juros Semestrais. Bem mais fácil para entender e fazer sua aplicação, não é mesmo?

Em relação a outras características, o Tesouro Direto tem alta liquidez, ou seja, permite que os saques sejam feitos a qualquer momento. No entanto, há possibilidade de perdas no Tesouro Prefixado e no IPCA+.

Ainda há cobrança de Imposto de Renda conforme a tabela:

Tabela Regressiva do IR

Prazo da aplicação

Alíquota do IR

Até 180 dias

22,5%

De 181 a 360 dias

20%

De 361 a 720 dias

17,5%

Acima de 720 dias

15%

Há Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas apenas nas aplicações que ficaram investidas por menos de 30 dias.

Quais são os tipos de títulos públicos disponíveis no mercado?

A nova nomenclatura dos títulos públicos não interfere na oferta dos papéis para o mercado. Há diferentes opções dentro de cada uma das categorias de ativos. Para entender melhor, veja as possibilidades do mercado, tendo como referência março de 2019.

Tesouro IPCA+

O Tesouro IPCA+ pode pagar ou não os juros semestrais. Veja as opções da primeira modalidade:

  • Tesouro IPCA+ 2024: a data de vencimento é 15/08/2024. A taxa de rendimento é inflação mais 3,99% ao ano. O valor mínimo de aplicação é R$ 51,55;
  • Tesouro IPCA+ 2035: a data de vencimento é 15/05/2035. A taxa de rendimento é inflação mais 4,35% ao ano. O valor mínimo de aplicação é R$ 32,06;
  • Tesouro IPCA+ 2045: a data de vencimento é 15/05/2045. A taxa de rendimento é inflação mais 4,35% ao ano. O valor mínimo de aplicação é R$ 31,46.

Caso você queira receber juros semestrais, as alternativas existentes são:

  • Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2026: a data de vencimento é 15/08/2026. A taxa de rendimento é inflação mais 3,98% ao ano. O valor mínimo de aplicação é R$ 36,01;
  • Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2035: a data de vencimento é 15/05/2035. A taxa de rendimento é inflação mais 4,25% ao ano. O valor mínimo de aplicação é R$ 38,85;
  • Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2050: a data de vencimento é 15/08/2050. A taxa de rendimento é inflação mais 4,37% ao ano. O valor mínimo de aplicação é R$ 40,73.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic paga os juros apenas no vencimento. A única opção existente no mercado hoje é o Tesouro Selic 2025, cuja data de vencimento é 01/03/2025. O valor mínimo de aplicação é R$ 99,95.

Tal como o nome já diz, rendimento da aplicação replica a taxa Selic. No entanto, existe um pequeno desconto na rentabilidade, que é o spread do Tesouro Selic.

Tesouro Prefixado

Essa modalidade é a única com remuneração prefixada. Existem três alternativas de investimento:

  • Tesouro Prefixado 2022: a data de vencimento é 01/01/2022. A taxa de rendimento é de 7,6% ao ano. O valor mínimo da aplicação é R$ 32,59;
  • Tesouro Prefixado 2025: a data de vencimento é 01/01/2025. A taxa de rendimento é de 8,58% ao ano. O valor mínimo de aplicação é R$ 31,05;
  • Tesouro Prefixado com juros semestrais 2029: a data de vencimento é 01/01/2029. A taxa de rendimento é 8,79% ao ano. O valor mínimo de aplicação é R$ 99,95.

Como ficam os novos títulos do Tesouro Direto?

O Tesouro Direto mantém sua carteira atualizada e eventualmente lança novos títulos em substituição àqueles que venceram ou que deixaram de ser ofertados. No entanto, todos eles permanecem com a nova nomenclatura.

A rentabilidade dos títulos pós-fixados do Tesouro Direto é calculada conforme a variação do IPCA ou da Selic.

Já os prefixados tem rentabilidade determinada no momento da contratação do investimento.

As opções disponíveis em 2019 são as que listamos a seguir.

Tesouro Selic

O título mais conservador e que nunca implica perdas é o melhor para 2019, qualquer que seja o seu prazo. Apesar de ser mais rentável quando a Selic está alta — e agora ela está em 6,75% ao ano, o menor índice histórico —, ainda é uma alternativa interessante devido à boa liquidez, ao baixo risco e à sua vinculação à taxa básica de juros. É uma opção válida para formar uma reserva de emergência, isto é, aquele dinheiro que será utilizado somente para emergências.

Títulos prefixados e atrelados ao IPCA de longo prazo

Nesse momento, os títulos prefixados com data de vencimento mais próxima são recomendados, como o que expira em 2022. Isso porque a remuneração é conhecida de forma antecipada e até lá a tendência é de não haver um significativo aumento da Selic. Por sua vez, o Tesouro IPCA+ protege seu poder de compra, porque paga a inflação acrescida de uma taxa de juros.

Nesses casos, existem duas possibilidades: manter o título até a data de vencimento para garantir a remuneração máxima ou lucrar com a venda antecipada. No segundo caso, é preciso acompanhar o desempenho dos papéis e verificar o potencial de ganhos. Essas são boas alternativas para 2019.

Como usar o simulador do Tesouro Direto?

Para ter certeza do que fazer, o melhor é usar o simulador do Tesouro Direto. Essa ferramenta é bastante simples de usar. Basta acessar o site e definir quanto deseja investir, por quanto tempo e quais serão as aplicações mensais.

O resultado apresentará quanto você deve ganhar e fará uma comparação com o montante que poderia receber se contasse com uma carteira de renda fixa composta por fundos DI e outros títulos. Desse modo, você terá uma visão mais clara do que está ao seu alcance e de que maneira conseguirá atingir seus objetivos.

Agora você já sabe quais são os novos títulos do Tesouro Direto e aqueles considerados os melhores para 2019. Então, que tal começar a investir?

Se você quer aprender ainda mais sobre o assunto, poderá gostar também de um guia completo que preparamos sobre o Tesouro Direto. Acesse gratuitamente e saiba mais sobre os títulos públicos.

Mariana Congo, da Magnetis

Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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