O que são títulos privados de renda fixa?

por Mariana Congo

Muitas pessoas deixam de investir no mercado financeiro por falta de conhecimento. Isso leva muitos a deixarem o dinheiro na poupança, que não é a melhor opção em termos de rentabilidade. Na verdade, você pode conseguir investimentos bem mais rentáveis com a mesma segurança, como nos títulos privados de renda fixa.

Se você não está muito familiarizado com o mercado financeiro, o conceito pode parecer um pouco estranho a princípio. Porém, ele é bem mais palpável do que aparenta. Para ajudar você, reunimos aqui algumas orientações e explicações bem simples sobre títulos privados de renda fixa. Acompanhe!

O que é renda fixa?

Como o próprio nome dá a entender, renda fixa é um tipo de aplicação na qual o investidor sabe previamente a regra do cálculo de quanto ele vai receber ao final do período. Os títulos são classificados de duas formas:

Modelo de rentabilidade:

  • pós-fixado: o rendimento acompanha um índice ao longo do tempo, após o início do investimento;
  • prefixado: o rendimento é calculado antes do início, pois já é estabelecido o valor nominal do retorno.
  • híbrido: uma parte da rentabilidade é prefixada e outra é pós-fixada.

Origem do título:

  • público: emitido pelo governo;
  • privado: emitidospor bancos, financeiras ou empresas privadas.

O que são os títulos privados de renda fixa?

Como o nome indica, estes são títulos gerados por bancos ou empresas privadas. Eles funcionam como captação de recursos para as companhias, chamando pessoas para investir em seus negócios e depois retornando o investimento com juros (que podem ser calculados de forma pré ou pós-fixada, como já mencionamos).

Um banco ou empresa privada pode movimentar seu capital para melhorar seus negócios, mas para isso precisa ter um valor inicial. Este pode vir por meio dos títulos privados de renda fixa.

Resumindo: ao investir em um título privado de renda fixa, você está fazendo um empréstimo à instituição que oferece o título e, em troca, ela paga os juros após o período indicado.

A rentabilidade desses títulos, no caso da pós-fixada, é atrelada a algum índice de mercado, como o CDI. O CDI é um taxa de juros de referência, bem próxima à Selic. As empresas costumam oferecer uma porcentagem desse índice como rentabilidade. Por exemplo, um CDB pode oferecer o retorno de 95% do CDI. Se o CDI está em 10% ao ano, isso significaria que seu investimento teria um retorno bruto previsto de 9,5% ao ano. Se o CDI caísse para 9%, por exemplo, a rentabilidade final também seria reduzida.

Quais são os tipos de títulos privados de renda fixa?

Existem basicamente 3 títulos privados principais para escolher. Cada um possui pequenas particularidades e seus rendimentos específicos podem ser diferentes. Eles são:

  • Certificados de Depósito Bancário: os CDBs são aplicações financeiras oferecidas por bancos para captar recursos. Costumam ser investimentos seguros e com rentabilidade acima da poupança;
  • Letras de Crédito (LCI e LCA): são títulos oferecidos pelos bancos para financiamento de negócios imobiliários (LCI) ou agrícolas (LCA). Costumam possuir menos disponibilidade que os CDBs, mas são isentos de IR;
  • Letras de Câmbio (LC): são títulos emitidos por financeiras e não são isentos de IR.
  • Debêntures: são títulos oferecidos por empresas privadas, representando um empréstimo feito pelo investidor à empresa. As debêntures incentivadas (ou de infraestrutura) são isentas de IR. O risco é mais elevado que o de CDB, LCI e LCA, pois o retorno depende do sucesso do empreendimento e da capacidade de pagamento da empresa.

Quais são as vantagens?

Os títulos privados de renda fixa apresentam muitas vantagens em relação a outros tipos de investimento, especialmente para quem tem pouca experiência com o mercado financeiro ou não sabe direito onde aplicar os seus recursos acumulados. Veja aqui 3 vantagens bem fortes a favor dos títulos privados:

Rendimento acima da média

Se o título privado for emitido por um banco ou financeira de menor porte, o rendimento costuma estar acima da média de rentabilidade de quase todos os outros investimentos de renda fixa. É possível conseguir taxas de 120% do CDI ou mais, se for feita uma aplicação correta. Basta se informar antes sobre os títulos privados de renda fixa disponíveis e estudar qual deles oferece as melhores oportunidades.

Proteção do FGC (exceto debêntures)

O Fundo Garantidor de Créditos é uma reserva destinada a compensar investidores que sofreram prejuízo em caso de falência da instituição emissora do título. Todos os títulos privados - com exceção das debêntures - possuem essa garantia de que será compensado qualquer investimento inferior a R$ 250 mil. No fim das contas, você não perderá um centavo.

Possível isenção de IR

Outra vantagem é que alguns desses títulos também são isentos do pagamento de Imposto de Renda. Isso quer dizer que será possível obter maior retorno de aplicações que oferecem uma porcentagem menor do índice escolhido. Alguns CDBs, os quais são deduzidos no IR, precisariam oferecer mais de 115% do CDI para equivaler a um título isento de IR que ofereça aproximadamente 95% do CDI.

Riscos e cuidados

Claro que, como qualquer investimento, há sempre algum risco envolvido. Por isso, é importante ter os seguintes cuidados em mente antes de aplicar seu dinheiro em títulos privados de renda fixa:

Rentabilidade líquida

Você deve sempre avaliar a rentabilidade do título antes de investir. Como disse antes, é importante pensar na rentabilidade depois do desconto do Imposto de Renda para que seja mais correto comparar o retorno de um CDB (que tem IR) com uma LCI (isenta). Neste outro post explicamos mais sobre a rentabilidade líquida. Também é importante pensar nas condições de mercado e se você pretende manter seu título ou resgatar antes do vencimento. Para quem quer resgatar antes da hora, os prefixados são mais arriscados.

Risco de crédito

Os títulos privados de renda fixa são considerados investimentos seguros, mas possuem risco de crédito, ou seja, o de não pagamento. Como essa aplicação é, na verdade, um empréstimo para um banco ou empresa, sempre há a possibilidade de não ser possível arcar com a dívida, ou pagar parte dos juros. Algumas empresas podem até ir à falência antes de conseguir retornar o seu dinheiro.

Para compensar isso, todos os títulos (exceto debêntures) oferecem a garantia do FGC, como já mencionamos, além de maior rentabilidade. Quanto maior o risco envolvido, maior será o retorno oferecido para atrair e compensar o investidor.

Agora que você conhece os títulos privados de renda fixa, pode começar a aplicar seu dinheiro com mais segurança. Se quiser se informar mais sobre o tema antes de começar, leia nosso guia de renda fixa e tire suas dúvidas.

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Luciano

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.