O que são títulos privados de renda fixa? Entenda como eles podem turbinar seus investimentos

por Mariana Congo | 05/12/2019

Títulos privados de renda fixa: entenda o que são e como investir
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Muitas pessoas já ouviram falar de CDBs, LCIs e LCAs. Mas esses investimentos de renda fixa queridinhos do mercado fazem parte de uma família bem maior: a dos títulos privados de renda fixa.

Essa família de aplicações financeiras tem membros pouco conhecidos, mas igualmente interessantes: os CRIs, os CRAs e as debêntures.

A partir de agora, você vai entender mais a fundo como essa família de aplicações funciona e vai conhecer outras possibilidades para explorar nesse mercado. Vamos começar?

O que são títulos privados?

Como o nome já diz, títulos privados são o oposto dos títulos públicos. Tratam-se de aplicações de renda fixa emitidas por bancos e empresas privadas.

Na prática, investir nesses títulos é uma espécie de empréstimo que você faz para uma instituição em troca de determinada rentabilidade. Por essa característica, essa categoria também é conhecida como crédito privado.

Os rendimentos desses títulos são igualmente previsíveis, mas eles têm diferenças fundamentais em relação aos títulos públicos. As principais são:

  • rentabilidade: os títulos privados, em teoria, devem oferecer rentabilidade maior que o Tesouro Direto;
  • emissores: os títulos públicos são emitidos pelo governo, enquanto os privados são oferecidos por bancos e empresas;
  • garantias: os títulos públicos são os tipos de investimento mais seguros, pois o governo tem mecanismos diferenciados para conseguir devolver o dinheiro de quem investe. Já os títulos privados podem ter menos garantias de devolução do dinheiro, dependendo do emissor.

Qual é a rentabilidade dos títulos privados?

Os títulos privados, como já dissemos, precisam oferecer rentabilidade superior aos títulos públicos.

Essa rentabilidade geralmente é dada em comparação com o CDI, a principal referência do mercado de renda fixa no Brasil.

De maneira geral, os modelos de rentabilidade são muito parecidos com os dos títulos públicos. Assim, a rentabilidade dos títulos privados pode ser:

  • pós-fixada: o rendimento acompanha um índice ao longo do tempo, após o início do investimento;
  • prefixada: o rendimento é calculado antes do início, pois já é estabelecido o valor nominal do retorno.
  • híbrida: uma parte da rentabilidade é prefixada e outra é pós-fixada.

As empresas costumam oferecer uma porcentagem desse índice como rentabilidade (100% do CDI, por exemplo).

Imagine que o CDI esteja em 10% ao ano e que um banco esteja oferecendo um CDB com retorno de 95% do CDI. Na prática, significa que esse CDB vai render 9,5% ao ano.

Quais são os riscos de investir em títulos privados?

Como já mencionamos, os títulos privados são um pouco mais arriscados do que os títulos do governo. No entanto, existem alguns mecanismos de proteção:

1 – FGC

O FGC, sigla para Fundo Garantidor de Créditos, é um fundo formado pelos bancos brasileiros.

Esse fundo garante que qualquer pessoa que invista em títulos bancários tenha seu dinheiro devolvido em caso de falência de um dos membros desse fundo.

Mas há um limite para essa devolução: R$ 250 mil por banco emissor, além de um teto de R$ 1 milhão por CPF.

2 – Ativos da própria empresa

Alguns títulos privados, como veremos a seguir, não oferecem garantia do FGC.

Nesse caso, são os ativos da própria empresa que são colocados como garantia do investimento. Assim, em caso de calote, quem investe pode ficar com os bens da empresa.

Quando uma empresa usa esse tipo de aplicação para captar recursos no mercado, ela informa sobre os riscos do investimento em um documento chamado prospecto.

Além disso, ela também diz quais dos seus ativos serão dados como garantia do investimento: podem ser imóveis, aplicações financeiras ou as próprias ações da companhia.

Porém, quando há algum caso de falência, não é raro haver uma disputa judicial entre os credores dessas empresas. É por isso que o risco desses investimentos é bem maior.

Quais são os principais tipos de títulos privados de renda fixa?

Dentro da família dos títulos privados existe uma grande divisão, que é a seguinte:

  • títulos bancários: investimentos emitidos por bancos e que têm um mecanismo diferenciado de proteção, que é a garantia do FGC;
  • títulos corporativos: papéis emitidos por empresas, que tomam dinhe que querem financiar projetos tomando dinheiro emprestado das pessoas.

Títulos bancários

Os títulos bancários, como já diz o nome, são aqueles emitidos por bancos. Os principais são:

1 – CDB

O CDB, sigla para Certificado de Depósito Bancário, é uma aplicação que os bancos usam para captar dinheiro para suas operações do dia a dia.

Assim, numa ponta, um banco oferece um CDB com determinada rentabilidade. Na outra ponta, empresta esse dinheiro cobrando juros, geralmente muito maiores.

2 – LCI e LCA

A LCI e a LCA funcionam de forma parecida com o CDB. A diferença é que o dinheiro captado só pode ser usado para, respectivamente, financiamentos imobiliários e de projetos do setor do agronegócio.

A principal vantagem desses investimentos é a isenção de Imposto de Renda. No entanto, os bancos costumam oferecer rentabilidade um pouco menor para esses investimentos.

3 – RDB

O RDB, sigla para Recibo de Depósito Bancário, é o primo do CDB. A diferença é que ele é emitido por financeiras, enquanto o CDB é emitido por bancos.

4 – Letra de Câmbio (LC)

A Letra de Câmbio é também tem um mecanismo bastante parecido com o CDB. Ela também é instrumento usado pelas financeiras para captar dinheiro.

5 – LIG

A LIG, sigla para Letra Imobiliária Garantida, é um título que surgiu mais recentemente no mercado.

Ela tem a mesma finalidade que a LCI: financiar empréstimos imobiliários. No entanto, as LIGs não oferecem garantia do FGC e têm prazo de vencimento mais longo.

Títulos corporativos

Os títulos corporativos são emitidos por empresas para financiar seus projetos. A grande diferença é que eles não são garantidos pelo FGC.

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Além disso, eles têm prazos de vencimento mais longos (cinco anos em média) e, justamente por isso, oferecem rentabilidade maior.

Geralmente os títulos corporativos são mais indicados para os investidores profissionais ou qualificados: pessoas que têm muita experiência com investimentos ou patrimônio acima de R$ 1 milhão. Veja as opções a seguir:

1 – CRI e CRA

Assim como as LCI e LCA, os CRIs e CRAs também estão ligados ao mercado imobiliário e ao agronegócio, respectivamente.

A diferença é que o dinheiro captado por meio desses instrumentos é usado no financiamento de projetos das empresas, como construção e reforma de prédios e compra de maquinário relacionado a essas atividades.

2 – Debêntures

As debêntures representam um empréstimo feito para uma empresa de qualquer setor financiar projetos diversos.

Esse tipo de investimento costuma oferecer mais rentabilidade e ter prazo de vencimento mais longo.

No entanto, o nível de risco é bem mais elevado e exige análise criteriosa do risco de crédito da empresa, o famoso calote.

3 – Debêntures de infraestrutura (incentivadas)

Trata-se de uma debênture diferenciada. Seu objetivo é financiar projetos de utilidade pública, como a construção e manutenção de rodovias, aeroportos e assim por diante.

A grande vantagem para quem investe em debêntures de infraestrutura é a isenção de Imposto de Renda. Justamente por isso, elas também são conhecidas como debêntures incentivadas.

Fundos de crédito privado

Os fundos de crédito privado são estruturas que reúnem diversos títulos bancários ou corporativos.

O objetivo desses fundos é conseguir rentabilidade superior, ao mesmo tempo em que diluem os riscos de concentrar investimentos em um só tipo de aplicação.

Trata-se, portanto, de uma estratégia de diversificação de investimentos.

Quais são as vantagens?

Os títulos privados de renda fixa apresentam muitas vantagens em relação a outros tipos de investimento, especialmente para quem tem pouca experiência com o mercado financeiro. Confira as vantagens:

1 – Rendimento acima da média

Se o título privado for emitido por um banco ou financeira de menor porte, o rendimento costuma estar acima da média de rentabilidade de quase todos os outros investimentos de renda fixa.

É possível conseguir taxas de 120% do CDI ou mais, se for feita uma aplicação correta.

Basta se informar antes sobre os títulos privados de renda fixa disponíveis e estudar qual deles oferece as melhores oportunidades.

2 – Proteção do FGC (exceto títulos corporativos)

O Fundo Garantidor de Créditos é uma reserva destinada a compensar investidores que sofreram prejuízo em caso de falência da instituição emissora do título.

Todos os títulos privados – com exceção das debêntures – possuem essa garantia de que será compensado qualquer investimento inferior a R$ 250 mil. No fim das contas, você não perderá um centavo.

3 – Possível isenção de IR

Outra vantagem é que alguns desses títulos também são isentos do pagamento de Imposto de Renda.

Isso quer dizer que será possível obter maior retorno de aplicações que oferecem uma porcentagem menor do índice escolhido.

Alguns CDBs, os quais são deduzidos no IR, precisariam oferecer mais de 115% do CDI para equivaler a um título isento de IR que ofereça aproximadamente 95% do CDI.

Riscos e cuidados

Como qualquer investimento, sempre há algum risco envolvido. Por isso, é importante ter os seguintes cuidados em mente antes de aplicar seu dinheiro:

1 – Rentabilidade líquida

Você deve sempre avaliar a rentabilidade do título antes de investir. Como disse antes, é importante pensar na rentabilidade depois do desconto do Imposto de Renda para que seja mais correto comparar o retorno de um CDB (que tem IR) com uma LCI (isenta).

Neste outro post explicamos mais sobre a rentabilidade líquida. Também é importante pensar nas condições de mercado e se você pretende manter seu título ou resgatar antes do vencimento.

Para quem quer resgatar antes da hora, os prefixados são mais arriscados.

2 – Risco de crédito

Os títulos privados de renda fixa são considerados investimentos seguros, mas possuem risco de crédito, ou seja, o de não pagamento.

Como essa aplicação é, na verdade, um empréstimo para um banco ou empresa, sempre há a possibilidade de não ser possível arcar com a dívida, ou pagar parte dos juros.

Algumas empresas podem até ir à falência antes de conseguir retornar o seu dinheiro.

Para compensar isso, todos os títulos (exceto debêntures) oferecem a garantia do FGC, como já mencionamos, além de maior rentabilidade.

Quanto maior o risco envolvido, maior será o retorno oferecido para atrair e compensar o investidor.

Agora que você conhece a fundo os títulos privados de renda fixa, pode começar a aplicar seu dinheiro com mais segurança. Mas se ainda estiver em dúvida, baixe grátis o nosso Guia Completo sobre Consultoria de Investimentos e veja como montar a melhor carteira para o seu perfil!

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