Vinicius descobriu que investimento e pressa não combinam

por Mariana Congo

(Post originalmente publicado em outubro de 2014)

Quem nunca viu de perto ou viveu uma história complicada, que provocou perdas ou sofrimento na vida financeira? É para compartilhar essas experiências que publicamos aqui no blog a série "Histórias de Horror", uma sequência de posts para conscientizar você sobre as armadilhas que podem comprometer o seu dinheiro.

Os casos que publicamos aqui são relatos dos leitores do nosso blog, cuja identidade foi preservada com nomes fictícios. No final, essas histórias trazem um grande aprendizado e servem de alerta para que você não passe pela mesma situação. Aproveite a leitura!

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A história

As intenções do Vinicius eram as melhores possíveis. Como a mãe o criou sozinha, com muitas dificuldades financeiras, ele cresceu com a ideia de que deveria poupar desde cedo para não passar pelos mesmos problemas no futuro.

E assim foi. Ao receber o primeiro salário, já separou uma fatia e a colocou na poupança. Logo percebeu que não estava obtendo ganhos significativos e começou a refletir sobre aplicações mais rentáveis. Era 2007 e a Bolsa vivia um período de euforia. Ele ficou fascinado e resolveu investir nesse mercado.

Vinícius sabia que precisava de uma conta em corretora de valores para ter acesso a ações. Decidiu, então, usar a corretora do seu próprio banco. Parecia a alternativa mais prática. Por isso, nem pesquisou a concorrência, e só depois percebeu que estava pagando muito caro pelos serviços oferecidos.

“Esse foi o meu primeiro erro. O custo de corretagem era muito alto em relação a outras corretoras e eu não tinha muito capital para investir. Mas, na época, não levei esses aspectos em consideração”, aponta.

Para aproveitar a onda de valorização da Bolsa e obter lucros rapidamente, Vinicius resolveu frequentar fóruns de discussão na internet. Seu objetivo era conseguir dicas de papeis atrativos. Hoje, ele acredita que este foi o seu segundo erro.

“Esses fóruns são o pior lugar possível pra se obter informações, principalmente para os iniciantes. Existem muitas pessoas mal intencionadas que lançam notícias falsas ou tendenciosas, ou ainda pessoas que realmente estão iludidas com alguma ação ‘mico’ e tentam convencer outras a comprarem também‏”, avalia ele.

Vinicius tirou todo o dinheiro da poupança, colocou na corretora e aplicou nas ações indicadas nesses fóruns. Aí descobriu que não bastava boa vontade. Sua falta de conhecimento técnico e análise aprofundada cobrou a conta rapidamente.

“Nesse período, ainda era relativamente fácil ganhar dinheiro, mesmo com ‘ações-mico´. Porém, na euforia, era muito difícil acertar a hora de vender os papeis, realizar o lucro e sair.”  As perdas foram inevitáveis. Ele via papeis duplicando de valor em pouco tempo, esperava que a valorização continuasse, mas, de repente, vinha a queda.

Vinicius entrou num círculo vicioso: a cada prejuízo, ficava mais afobado para tentar recuperar o dinheiro com agilidade, sem parar para repensar a forma como estava conduzindo os seus investimentos. Com a crise de 2008, as coisas ficaram piores.

Foi então que ele se deu conta de uma grande verdade: “a Bolsa sempre pune os impacientes e recompensa os pacientes.” Tomou a decisão de se afastar por alguns meses para estudar e ler vários livros sobre o tema. Só depois voltou a investir em ações, mas em novas bases.

Sua estrratégia de investimento mudou completamente. A maior parte do patrimônio passou a ser alocada em renda fixa, incluindo títulos públicos e privados. Uma parcela menor continuou em ações. Entretanto, apenas em papeis de qualidade, que ele escolhe depois de avaliações criteriosas sobre o desempenho das respectivas empresas.

A corretora também mudou. Agora ele usa uma “mais em conta” e com um sistema de homebroker, para negociar as ações no pregão, mais amigável. “Também optei por uma corretora que emite as guias de imposto de renda de modo automático, para simplificar a minha vida.”

Os rendimentos do Vinicius não são mais tão acelerados. Tampouco as perdas. “Não tenho lucros extraordinários; porém, consigo mantê-los acima do Ibovespa há alguns anos, além de ter mais previsibilidade. Isso me deixa mais tranquilo e facilita o meu planejamento de compras e viagens”, resume.

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As lições

Muitas pessoas, como o Vinicius, começam a investir sem se preparar bem antes nem buscar a ajuda de profissionais especializados. Com isso, colocam seu esforço de poupar a perder.

“Nunca procurei uma assessoria especializada. Aprendi ‘na marra’ a construir o meu patrimônio sozinho, e isso teve um custo alto pela minha inexperiência e pela pressa. Teria sido muito melhor pagar uma assessoria ou cursos do que perder dinheiro na Bolsa”, avalia. ‏

Essa ajuda especializada poderia ter vindo por meio de um consultor de investimentos, como ele mencionou. Porém, isso é impraticável quando o valor a aplicar é relativamente baixo, considerando o alto custo desses profissionais.

A melhor opção para o Vinicius teria sido começar com fundos, excelentes para quem não domina o universo dos investimentos. Nos fundos, as decisões de compra e venda de ativos são tomadas por profissionais. O investidor não precisa ter elevado conhecimento financeiro nem gastar seu tempo para administrar as explicações. Além disso, fica menos exposto a perdas do que investindo por si só, sem respaldo técnico.

Existe, nesse caso, um custo extra: as taxas de administração e performance. Essa despesa, no entanto, pode ser mais do que compensada se a gestão profissional do fundo proporcionar uma rentabilidade dos recursos acima daquela que o investidor obteria sozinho.

Vinicius poderia ter concentrado a maior parte dos seus recursos em fundos e separado uma parcela pequena para administrar diretamente. À medida que seus conhecimentos crescessem, iria aumentando a fatia gerida diretamente até se sentir seguro para cuidar do total dos investimentos.

Mas essa não é a única lição a ser aprendida com a história do Vinicius. Ele mesmo salientou a necessidade de pesquisar e comparar as taxas cobradas pelas corretoras para reduzir custos e assim preservar os rendimentos; o risco de entrar na onda de indicações que podem não ser as melhores para diferentes perfis e objetivos; e sobretudo o perigo da pressa para obter ganhos. O foco dos investimentos deve estar sempre no longo prazo.

“É muito importante também criar um bom colchão de segurança em renda fixa para só então se envolver em rendimentos de maior risco”, aconselha.

Se houve equívocos, é importante notar o que Vinícius também acertou em vários pontos. Merecem destaque a percepção que tinha desde cedo da necessidade de investir, a constatação de que a poupança não trazia bons rendimentos e a decisão de diversificar os ativos. A carteira que ele adotou depois do período que tirou para refletir melhor sobre os investimentos, distribuída entre renda fixa e variável, deixa clara essa preocupação.

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Mariana Congo, da Magnetis

Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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