O que é volatilidade em investimentos?

por Marcelo Romero | 22/02/2018

volatilidade em investimentos

Volatilidade em investimentos é a variação nos preços de ativos negociados no mercado financeiro. Essa medida indica quanto e em que velocidade o mercado oscila, além das condições que interferem diretamente no risco e no retorno das aplicações.

Há tipos de investimentos tradicionalmente mais e menos voláteis, como ações e títulos públicos, respectivamente. No entanto, qualquer investimento, mesmo o mais conservador, está sujeito a esses movimentos. A diferença está nos fatores, na frequência e na intensidade dessas flutuações.

Todo investidor, portanto, precisa aprender a lidar com a volatilidade em investimentos para aprimorar seus ganhos e minimizar as perdas. Fique ligado: neste post, vamos mostrar como identificar e se proteger dessas variações. Acompanhe!

O que é a volatilidade em investimentos?

Você está preparado para a volatilidade em investimentos? Mesmo que não tenha familiaridade com esse termo, você certamente já ouviu falar em “sobe e desce do mercado financeiro”, “gangorra no mercado financeiro”, “montanha-russa”, "rally" entre outras analogias para descrever altas e baixas na cotação de uma série de ativos.

Outra observação que você já deve ter feito é a de que há momentos econômicos e políticos mais instáveis e que geram uma maior variação, para mais ou para menos, no preço dos instrumentos financeiros. Ou seja, tudo que eleva ou reduz a demanda por determinado ativo é um fator que desencadeia oscilações.

Mas, tecnicamente, o que é essa volatilidade? Trata-se de um conceito estatístico, sustentado por cálculos específicos. O principal deles é o desvio padrão, que indica o quanto o valor de um ativo pode variar em um período de tempo (para cima ou para baixo). Essa oscilação pode ocorrer para mais ou para menos. Dessa forma, a volatilidade em investimentos determina tanto riscos quanto oportunidades.

Por exemplo, a volatilidade anualizada das ações da Ambev S/A (ABEV3) nos últimos 12 meses foi de 16,48%. Para o mesmo período de referência, as ações da Petrobras (PETR3) oscilaram 33,68%. Esses dados estão disponíveis no Market Data do site da BM&FBovespa (atual B3), são atualizados diariamente e podem ser consultados por períodos específicos.

Se considerarmos, hipoteticamente, um mesmo valor, de R$ 100, para os dois papéis citado, temos a ABEV3 variando entre R$ 83,52 e R$ 116,48, enquanto a PETR3, entre R$ 66,32 e R$ 133,68. Perceba que neste exemplo, a ação da Ambev teve menor variação de preço em relação a da Petrobras, ou seja teve menor volatilidade. Portanto, neste exemplo, fica claro que PETR3 tem maior risco em relação a ABEV3. Este análise simples mostra na prática que investimentos de risco podem ter perspectiva de retorno maior em caso de alta e de perdas mais acentuadas quando há baixa. É por isso que o recomendado é sempre ter uma carteira diversificada, para equilibrar esses dois extremos.

Como a volatilidade é avaliada?

A volatilidade em investimentos é feita a partir da análise de perspectivas passadas, presentes e futuras. São as chamadas volatilidades histórica, implícita e realizada. Confira cada uma:

Volatilidade Histórica

A volatilidade histórica apura qual foi a variação na cotação dos ativos em um determinado período (um ano, seis meses, um mês etc.). Quando um investidor avalia a oscilação de um determinado instrumento financeiro a partir da perspectiva histórica, ele está tentando identificar uma tendência. É a forma mais utilizada para estimar o comportamento desse ativo. Usa-se, nessa análise, o cálculo do desvio padrão, que será detalhado ao longo do texto.

Volatilidade Implícita

A volatilidade implícita pode ser definida como a atual estimativa (ou expectativa) dos participantes do mercado em relação a volatilidade de um ativo entre uma data de referência e alguma data no futuro. Eventos esperados que possam ter impacto significativo nos preços do ativo (ex.: divulgação de resultados, decisões políticas ou eleições presidenciais), costumam refletir em um aumento na volatilidade implícita estimada para o período que antecede a data do evento. A volatilidade implícita é extraída dos preços de contratos derivativos chamados “Opções”, utilizando-se modelos matemáticos.

Volatilidade Realizada

A volatilidade realizada, conforme o próprio nome sugere, se refere à variação efetivamente observada nos preços do ativo, nesse caso, a volatilidade realizada pode ser entendida como sendo análoga à volatilidade histórica. No entanto, o conceito de volatilidade realizada costuma ser utilizado para “revisão” de alguma estimativa de volatilidade feita anteriormente (ex.: a volatilidade implícita era de 20% mas a volatilidade realizada foi de 30% no período) .

Qual foi o comportamento do mercado nos últimos anos?

O mercado tem refletido, desde as vésperas das Eleições de 2014, a instabilidade política do país. Períodos eleitorais são, notadamente, mais voláteis. O problema nos últimos quatro anos é que as expectativas quanto às mudanças no cenário político permaneceram mesmo após o pleito, incluindo, por exemplo, um impeachment no meio desse período.

Quem acompanhou esse processo, percebeu um impacto significado nos investimentos na bolsa de valores e na variação cambial, mas que tal verificar como esse cenário influenciou no preço dos ativos financeiros? Para entender como funcionou na prática veja a seguir como foi a variação do índice Bovespa (Ibovespa) e do dólar americano nos últimos anos:

Ibovespa

Ano

Variação

2008

-41,22%

2009

82,66%

2010

1,04%

2011

-18,11%

2012

7,40%

2013

-15,50%

2014

-2,91%

2015

-13,31%

2016

38,93%

2017

26,80%

Dólar

Ano

Variação

2008

31,34%

2009

-25,29%

2010

-4,42%

2011

12,15%

2012

9,61%

2013

15,11%

2014

12,78%

2015

48,49%

2016

-17,69%

2017

1,99%

Como você deve ter notado, a variação foi altíssima em alguns anos. No caso do Ibovespa, enquanto em 2008 caiu 41%, no ano seguinte aumentou em 82%. Esses resultados se devem principalmente pelo comportamento do mercado e cenário econômico. Nesse período de dez anos, os ativos negociados no Brasil foram influenciados, principalmente, pela:

  • crise financeira mundial (2008);
  • variações acentuadas no preço do barril de petróleo desde 2008/2009;
  • instabilidade política e institucional, no Brasil, a partir de 2013;
  • crise econômica interna, a partir de 2014.

Esses fatos alteram as cotações porque o mercado é sustentado por expectativas. Os investimentos em 2018, por exemplo, serão impactados pela disputa eleitoral. Afinal de contas, ela vai sinalizar os rumos futuros do país.

Como calcular a volatilidade em investimentos?

O cálculo estatístico que determina o desvio padrão é um pouco complexo, mas será apresentado da forma mais simplificada possível para sua compreensão. A seguir vamos dar opções para cálculos automáticos por meio de calculadoras online ou planilhas.

Vamos exemplificar usando a cotação do Ibovespa na semana de 15 a 19 de janeiro de 2018. Confira o passo a passo:

1. Identifique a amostragem


DataAberturaFechamentoVariação (%)
15/01/201879.34979.7520,51
16/01/201879.75179.8320,1
17/01/201879.83281.1891,7
18/01/201881.18580.963-0,28
19/01/201880.96581.2200,32

2. Calcule a média da variação

Para calcular a média aritmética, basta realizar a somatória dos valores desta amostra, no caso dos resultados das variações e dividir pelo número de amostras (n). Neste caso, "n" é 5 porque foram consideradas as variações de 5 dias.

Média = soma dos valores dividida pela número de amostras

Média = 0,51 + 0,10 + 1,70 + (-0,28) + 0,32 / 5

Média = 0,47

3. Calcule a variância amostral

Para calcular a variância amostral, deve ser feita a somatória das diferenças entre cada valor da amostra em relação a média. As diferenças devem ser elevadas ao quadrado (2) e depois a somatória deve ser dividida pela amostra (n) - 1.

Var = (valor1-média)^2 + (valor2-média)^2 + ... (valorn-média)^2 / n - 1

Var = (0,51-0,47)^2 + (0,10-0,47)^2 + (1,70-0,47)^2 + (-0,28-0,47)^2 + (0,32-0,47)^2 / 5 - 1

Var = 0,0016 + 0,1369 + 1,5129 + 0,5625 + 0,0225 / 4 

Var = 0,5591

4. Calcule o desvio padrão

Para calcular o desvio padrão, basta extrair a raiz quadrada do valor encontrado na Variância.

Desvio Padrão =  √Var

DP = √0,5591

DP ≅ 0,75%

5. Interprete os resultados

Para interpretar os resultados, é possível fazer aplicação de um conceito estático conhecido como Distribuição Normal que pode ajudar a entender de quanto pode ser a variação. É necessária comparar desvio padrão obtido com a média, fazendo 0,47% mais ou menos 0,75%:

0,47% (média) - 0,75% (um desvio padrão) = - 0,28%

0,47% (média) + 0,75% (um desvio padrão) = 1,22%

Desta forma, podemos interpretar que neste exemplo o Ibovespa pode oscilar entre -0,28% e 1,22%. Para este cálculo, considera-se 68% de confiança. Ou seja existe 68% de chance de que oscile dentro deste intervalo. Se quiser obter um intervalo com 95% de confiança basta fazer o mesmo cálculo com 2 desvios padrão (0,47% mais ou menos 1,50%) e para ter 99% de confiança utiliza-se 3 desvios (0,47% mais ou menos 2,25%). Desta forma, você aumenta o intervalo e a probabilidade de acerto. Mas estes são conceitos mais estatísticos.

6. Anualize os resultados

No mercado financeiro, além de calcular a volatilidade é comum fazer a análise com base em um ano (252 dias úteis), a chamada volatilidade anualizada.

Volatilidade anualizada = DP x √252

Volatilidade anualizada = 0,75 x 15,87

Volatilidade anualizada = 11,90%

Esse mesmo cálculo pode ser utilizado também para outros ativos, como o dólar, por exemplo. Além disso, podemos contar com ferramentas que tornam o cálculo mais ágil. Uma opção é recorrer aos cálculos automáticos de planilhas, como o Excel. Caso você tenha dificuldade com planilhas, há calculadoras online que podem ajudar.

Vale frisar que o resultado do cálculo será mais preciso quanto maior for a base de dados. Aqui utilizamos um período curto apenas para facilitar a compreensão. Existem cálculos mais complexos, desenvolvido por especialistas, mas a ideia foi mostrar como a volatilidade funciona na prática e qual o seu impacto nos investimentos.

E, você, arrisca algum palpite quanto à volatilidade em investimentos para 2018? Compartilhe suas opiniões e dúvidas. Deixe o seu comentário!

Marcelo Romero

Marcelo Romero é Diretor de Análise Quantitativa da Magnetis. É administrador de carteiras credenciado pela CVM com certificação internacional em finanças quantitativas CQF.

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